At 5,29: “Importa obedecer antes a Deus do que aos homens.”
Resumo do vídeo
Importa obedecer antes a Deus do que aos homens: a viagem ao Brasil às cegas, o que deu errado e o poema que resume uma vida
Gravado em 30 de setembro de 2026, dia de São Jerônimo, na véspera de Santa Teresinha no calendário do Rito Novo e quatro dias antes da festa de São Francisco, este vídeo começa com uma confissão: durante muito tempo Gustavo achou que tinha sido loucura. Ficou arrependido, depois concluiu que era coisa da própria cabeça, e, como tantas coisas da vida dele, ficou questionando. Mas há uma coisa que diz poder afirmar com segurança: “decisões importantes não se tomam do dia para a noite e sem oração”. Houve tempo de pensar, refletir, decidir e rezar, “porque a palavra final tem que sempre vir de Deus”. O episódio é a ida da família ao Brasil, no fim de 2021, e o versículo que ele usa para iluminá-lo é Atos 5,29.
Antes da história, um santo
A Quaresma de São Miguel terminara na véspera, e ele começa por ela. Lembra que só a fazemos porque São Francisco de Assis passava quarenta dias em penitência em honra do arcanjo, uma segunda quaresma, e foi numa dessas que, em 17 de setembro, recebeu as chagas de Cristo. Gustavo pergunta como um só homem pode deixar um legado assim — e cita o Padre Pio, que dizia ser um dos maiores milagres de Francisco que, depois de oitocentos anos, ainda haja gente que queira ser franciscana. Conta também o que ouviu há uns vinte anos, que os primeiros irmãos viram cair fogo do céu sobre Francisco em oração, e menciona uma revelação privada — que ele apresenta como tal — segundo a qual o lugar deixado vago no céu pela queda de Satanás teria sido ocupado por São Francisco. Logo avisa que o tema do dia não são os santos e volta à palavra.
Uma precisão, para quem for ler mais: o monte da Quaresma e dos estigmas é o Alverne (La Verna), e não o Gargano, que é o santuário de São Miguel, como se ouve no vídeo. O texto sobre as chagas no monte Alverne conta a cena por inteiro, o dos três arcanjos explica a devoção, e há uma novena a São Francisco aberta no site, a que ele diz estar rezando.
A palavra: Atos 5,17-32
Na Bíblia Ave-Maria, o trecho leva o título Segunda prisão dos apóstolos, e ele o lê quase inteiro. Os apóstolos, já presos uma vez, são lançados de novo na cadeia pública por inveja do sumo sacerdote e dos saduceus; um anjo do Senhor abre as portas de noite e os manda ao templo “pregar ao povo as palavras desta vida”. De manhã os guardas encontram o cárcere trancado e vazio, e alguém avisa que os homens estão ensinando no templo. Levados ao Conselho, ouvem a ordem de que não ensinem mais naquele nome — e respondem, no versículo 29, “Importa obedecer antes a Deus do que aos homens.”
Ele destaca o ponto de virada: o anjo abriu a cadeia e mandou pregar, e eles pregaram. Lembra que São Jerônimo, celebrado naquele dia, dizia que desconhecer as Escrituras é desconhecer a Cristo (sobre isso, o texto “ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo”). E tira a conclusão do versículo 32: se você obedece a Deus, Deus lhe dá o Espírito Santo, e o Espírito Santo lhe dá coragem para fazer o que for necessário. O exemplo doméstico é São José, que em sonho ouviu “levanta, pega a criança e a mãe e vai” — e foi.
A novena de Santa Teresinha e a passagem para o Brasil
A história começa na pandemia. Ele conta que a última missa pública na Irlanda do Norte foi celebrada em 17 de março, que o bispo suspendeu a liturgia pública, e que a família, frequentadora há oito anos da comunidade da missa em latim do Instituto Cristo Rei, passou a ir à missa “de forma meio clandestina” para não ficar sem os sacramentos. Trabalhava de casa, num contrato permanente, na área de finanças, e tinha vendido a casa a um comprador apressado, com a condição de achar outra onde morar. Com a pressão, veio a pergunta: se trabalho de casa, que diferença faz Belfast ou o Brasil? A empresa aceitou conversar, recusou o salário que ele pediu e, depois de ele estudar o mercado brasileiro e propor outro, ficou de responder.
Nesse meio-tempo havia duas casas em jogo, e nenhum dos donos respondia. Marita, a esposa, fez uma novena a Santa Teresinha, pedindo uma resposta até a sexta-feira: se era para ir ao Brasil, que a proposta fosse aceita; se era para ficar, que não se perdesse a venda. Sexta-feira, às quatro da tarde, o RH ligou: salário aprovado, um bônus e a realocação quando ele quisesse, desde que pagasse os custos. Só então ela lhe contou da novena. Não houve anjo nenhum, diz ele, mas houve oração em comunhão, e a família leu ali um sinal. Em outubro, o dono da casa de que tinham gostado ligou, dizendo que a venderia a eles mesmos com outra oferta na mesa; ele respondeu que não queria — já haviam decidido, e o dono demorara demais. Partiram na noite de 1.º de dezembro, e o voo passou pelo aniversário do Tomás, dia 2. Ele mesmo se corrige no meio do vídeo: foi no fim de 2021, e não de 2020.
O que deu errado
O começo foi bom: a casa alugada em poucos dias, o bairro, o carro, o trabalho no horário do Reino Unido, uma empresa aberta com um amigo, e a notícia de que Marita estava grávida. Depois, tudo “começou a ficar muito negativo”. O amigo passou num concurso e saiu, a empresa andava devagar, e a fartura acabou no dia em que ele não tinha dinheiro para um lanche no cartão de crédito. Passou ainda por problemas de saúde — sem energia, dores no estômago — e por altos e baixos espirituais. Dificuldade financeira assim, diz, nunca tinha passado.
Foi nessa época, porém, que ele abriu o canal. A primeira aula a que foi, voltou para casa à meia-noite, gravou às pressas no celular um vídeo sobre a sua experiência de quase morte — o que mais deu visualizações no canal, mais de quatro mil —, e daí seguiu gravando. Em novembro de 2022, onze meses depois da chegada, somaram-se os sinais: o chefe perguntando por que ele não voltava, as portas se fechando uma a uma. “Como uma iluminação”, enxergou com clareza que Deus os mandara para lá e agora os chamava de volta à Irlanda do Norte. Não sabia por quê; via os sinais.
Molduras que não servem mais
Dessa fase ele lê o poema Molduras que não servem mais, escrito em abril de 2022 no meio das dificuldades, sobre deixar para trás as máscaras e as imagens montadas para esconder uma personalidade ferida. E comenta: só chegou a essa conclusão porque estava no Brasil, passando por aquilo. “Às vezes o problema que você está passando hoje é uma oportunidade que Deus está te dando para olhar de outra perspectiva.” Sem a dificuldade, continua-se olhando do mesmo jeito; ela é a chance de sair do pensamento mesquinho e da ideia infantil e amadurecer — física, psíquica e espiritualmente. E a única coisa com que contava, nos dias escuros, era a providência, que sempre socorreu.
O fio de Santa Teresinha fecha o círculo: foi por uma novena dela que foram ao Brasil, e foi por ela que a filha recebeu o nome de Teresa, nascida em 31 de dezembro. Para quem quiser, há no site uma novena a Santa Teresinha; e ele avisa, rindo, que a santa pode trazer uma surpresa no dia da festa.
“Me arrependo de ter ido, me arrependo de ter voltado”
Voltaram à Irlanda do Norte, desta vez para o interior, e ele conta que sempre pensou ter sido perda de tempo. Um amigo lhe perguntou se se arrependia de ter ido; respondeu que se arrependia de ter ido e de ter voltado. Hoje, com mais maturidade, vê outra coisa: o dinheiro que poderia ter sido outra casa ficou no Brasil, mas dinheiro passa, e a vontade de Deus não. “Deus inspirou a minha família a ir. Deus inspirou a minha família a voltar.” Compraram depois outra casa, passaram de novo por apertos, dependeram de novo da providência; o ponto, insiste, nunca foi a casa, o dinheiro ou a viagem.
O exemplo é o do próprio São Francisco diante do crucifixo de São Damião: “vai reconstruir a minha igreja”. Ele começou reconstruindo pedra por pedra a igreja física, e só depois entendeu que o pedido era espiritual. O legado está aí porque obedeceu. Gustavo cuida de dizer que não conta isso para se apresentar como quem obedeceu; obedecer se pode em coisas grandes e em coisas pequenas, e faz as perguntas devagar: o que Deus está lhe pedindo hoje? Dar um passo na vocação, na carreira, junto da família, romper com um vício ou um pecado — ou coisa pequena, como uma oração que Ele inspira. Talvez Deus tenha mostrado algo durante a Quaresma de São Miguel e não houve iniciativa. “Você não precisa fazer milagre; você só precisa dar um passo.” E atribui a Santa Teresinha a frase de que não há sonho que Deus ponha no coração que Ele não seja capaz de realizar.
O sonho de ser escritor
O sonho dele, desde os treze ou catorze anos, era ser escritor, sem saber como. Deus lhe deu a graça de escrever poemas, canções, textos e, mais tarde, de direção espiritual. Conta que em maio deste ano publicou o primeiro livro, Gratia Plena, meditações sobre a Mãe de Deus; depois Stella Matutina, com as orações e palavras de Nossa Senhora de Fátima e do Anjo de Portugal aos pastorinhos; o terceiro, Direção Espiritual, volume III, com prefácio do Padre Bruno, da comunidade de Londrina; e o quarto, Direção Espiritual, volume II, A cura dos sentidos, que nasceu dos temas mais acessados do blog — insensibilidade, cegueira e surdez espirituais — e traz o prefácio do amigo Brian, da Legião de Maria. Todos estão em Livros. Falta o volume I, sobre os sacramentos, e uma autobiografia de que ele não revela o título. Viver só disso é outra história, e ele a deixa a Deus; a alegria, diz, é saber que quem faz a vontade d’Ele é levado por Ele. “Como São Francisco: dá o primeiro passo hoje. Não espera para amanhã.”
“Envolvido por ti”
Ele encerra recitando o poema Envolvido por ti, escrito às duas da manhã de junho de 2022, em lágrimas, rezando, “deixando que Deus me levasse”. Aparece no Gratia Plena e é, para ele, o resumo da própria vida: a Virgem presente desde o nascimento, nas horas escuras, nas quedas e nas levantadas, e a entrega de tudo a Ela, até o fim: “Faça-se em mim segundo o teu querer.” Chama o poema de “a cereja do bolo” e a prova de que obedecer a Deus compensa: quem faz a Sua vontade alcança graças que julgava impossíveis. Anuncia um vídeo só sobre o poema e outro sobre o livro.
Pede, no fim, ajuda para o apostolado — o link está na descrição do vídeo e na página Apoie —, pede orações pela graça de continuar a missão “pela intercessão de São Jerônimo” e oferece uma Ave-Maria por quem o assiste, “para que Nossa Senhora te ajude a fazer a vontade de Deus”.
Transcrição completa do vídeo⌄
Transcrição integral da fala do vídeo, organizada em parágrafos para facilitar a leitura. Os dois poemas que ele recita estão publicados aqui no blog — Molduras que não servem mais (abril de 2022) e Envolvido por ti (junho de 2022) — e aparecem pelo texto publicado. As passagens bíblicas aparecem como ele as lê diante da câmera, na edição que tem em mãos. Os colchetes são notas da transcrição.
Olá, meus amigos, tudo bem? Hoje eu estou aqui para partilhar com vocês sobre um momento específico da minha vida. E por algum tempo eu fiquei pensando que era uma loucura. Fiquei arrependido, depois achei que era coisa da minha cabeça. E assim, por um bom tempo, como muitas coisas que aconteceram na minha vida, eu fiquei questionando.
Mas uma das coisas que eu posso falar com tranquilidade, com segurança, é que decisões importantes não se tomam de um dia para a noite e sem oração. Então foram alguns momentos de pensar, refletir, decidir e rezar, porque a palavra final tem que sempre vir de Deus.
Se você é católico — acredito que a maioria de nós, né —, talvez nesse ano tenha sido a sua primeira vez, mas talvez nos últimos anos você tenha feito a Quaresma de São Miguel, que terminou ontem, né? E que graça tremenda. E nós só podemos fazer a Quaresma porque teve um homem que amava tanto a Jesus que ele passava quarenta dias no Monte Gargano [sic: o monte é o Alverne], onde São Miguel tinha aparecido, fazendo uma segunda quaresma. Ele queria honrar aquele que tinha dado a vida, alegria e tudo que fazia sentido na vida dele, porque ele era cheio da alegria que vinha de Deus.
Claro que você sabe o nome dele, e ele é um dos maiores santos da Igreja Católica, que vai ser celebrado daqui a quatro dias, no dia 4 de outubro: São Francisco de Assis. Durante quarenta dias, São Francisco fazia essa penitência. E como nós celebramos no último dia 17 de setembro, foi o dia em que, enquanto ele estava lá rezando, fazendo as suas penitências, apareceu como se fosse um querubim [serafim, segundo a tradição], e ele viu que tinha uma forma de cruz, e Jesus imprimiu nele as chagas, né?
Mas enfim, só estou falando isso porque: como que uma pessoa pode impactar tanto a face da terra? Como que uma pessoa pode deixar um legado tão impressionante até nos dias de hoje? E quem dizia isso era aquele que nós também celebramos nesses dias, o Padre Pio: ele dizia que um dos maiores milagres de Francisco é que, depois de oitocentos anos, as pessoas ainda querem ser franciscanas.
E que fantástico, São Francisco. Eu sou apaixonado por São Francisco de Assis. E há mais ou menos vinte anos eu ouvi a história de que São Francisco rezava, como Jesus: ele se afastava, ia nas montanhas e rezava. E um dia os irmãos da ordem franciscana, o Bernardo e todos aqueles primeiros, foram ver o São Francisco depois que ele tinha ido para rezar, e eles diziam que caía fogo do céu sobre São Francisco, tamanha a santidade daquele homem e os frutos dele. É impressionante. São impressionantes os santos da nossa Igreja.
Mas São Francisco, em particular, não sei se você sabe, tem uma revelação privada que diz que, quando Satanás saiu — e ele fez a escolha de se rebelar contra Deus por causa da sua soberba, por causa do seu orgulho, porque ele queria ser outro Deus, queria ocupar o lugar de Deus —, o lugar dele ficou vazio. E quem ocupou o lugar que o demônio tinha no céu é São Francisco de Assis. Olha a santidade desse homem. Fantástico.
Mas enfim, o meu tema hoje não é falar sobre os santos. Eu vou falar sobre uma palavra que está no livro dos Atos dos Apóstolos. Na verdade, eu vou usar essa palavra para falar sobre um período da minha vida que aconteceu e que eu quero usar para ilustrar.
Está no livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 5, versículo 17. Se você tem a Bíblia Ave-Maria, está o título ali: Segunda prisão dos apóstolos. Já tinham sido presos uma vez; agora vai ser uma segunda prisão, né?
“Levantaram-se então o sumo sacerdote e seus partidários, isto é, a seita dos saduceus, cheios de inveja, e deitaram as mãos nos apóstolos e meteram-nos na cadeia pública. Mas um anjo do Senhor abriu de noite as portas do cárcere e, conduzindo-os para fora, disse-lhes: ‘Ide, apresentai-vos no templo e pregai ao povo as palavras desta vida’.”
Olha só: o anjo abriu a cadeia e mandou eles pregar. E hoje, celebrando o maravilhoso São Jerônimo, que traduziu a Bíblia para que a gente tivesse acesso à Palavra de Deus — ele dizia: desconhecer as Escrituras é desconhecer a Cristo. Nós precisamos conhecer a Palavra de Deus. Então o anjo mandou eles pregarem as palavras desta vida.
Versículo 21: “Obedecendo a essa ordem, eles entraram ao amanhecer no templo e puseram-se a ensinar. Enquanto isso, o sumo sacerdote e os seus partidários reuniram-se e convocaram o grande conselho e todos os anciãos de Israel, e mandaram trazer os apóstolos do cárcere. Dirigiram-se para lá os guardas, mas, ao abrirem o cárcere, não os encontraram, e voltaram a informar: ‘Achamos o cárcere fechado com toda a segurança, e os guardas de pé diante das portas. E, no entanto, abrindo-as, não achamos ninguém lá dentro’.” Versículo 24: “A essa notícia, os sumos sacerdotes e o chefe do templo ficaram perplexos e indagaram entre si sobre o que significava isso. Mas nesse momento alguém lhes transmitiu esta notícia: ‘Aqueles homens que metestes no cárcere estão no templo ensinando o povo’. Foi então o comandante do templo com seus guardas e trouxe-os, sem violência, porque temiam ser apedrejados pelo povo. Trouxeram-nos e os introduziram no grande conselho, onde o sumo sacerdote os interrogou, dizendo: ‘Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome. Não obstante isso, enchestes Jerusalém da vossa doutrina. Quereis fazer recair sobre nós o sangue desse homem’.”
Essa palavra sempre foi muito impactante na minha vida. Atos dos Apóstolos, capítulo 5, versículo 29: “Pedro e os apóstolos replicaram: ‘Importa obedecer antes a Deus do que aos homens. O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, que vós matastes, suspendendo-o no madeiro. Deus elevou-o pela sua mão direita como príncipe e salvador, a fim de dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados. Deste fato nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo que Deus deu a todos aqueles que lhe obedecem’.” Palavra do Senhor. Graças a Deus.
Olha só que ousadia. Olha só que coisa fantástica. Foram colocados na cadeia uma vez, mandaram parar de pregar o nome de Jesus. O anjo falou: “Vai, prega aí de novo”. Aí eles são interrogados: “A gente ordenou vocês a parar de pregar essa doutrina desse Nazareno”. E Pedro e os apóstolos, cheios da graça de Deus, cheios da presença do Espírito Santo, com ousadia, sem medo, com coragem, disseram: “Importa antes obedecer a Deus do que aos homens”.
E nós, meus irmãos, estamos obedecendo a Deus ou estamos obedecendo aos homens? Aquilo que Deus inspira no meu e no seu coração. Como São José: em sonho, Deus falou com São José, e ele foi o quê? “Levanta, pega a mulher, a criança, e vai.” E São José obedeceu. A gente tem que obedecer a Deus.
Então, como eu disse, eu queria usar essa palavra para ilustrar um fato da minha vida, né? 2020. Estávamos aqui na época do Covid, todo mundo trabalhando de casa, e aquela loucura. Muitas pessoas ficaram morrendo de medo. E o medo é aquilo mesmo que está escrito, sabe? Quem tem fé não pode ser movido pelo medo; tem que ser movido pela fé. O medo aniquila a fé. Então muitas pessoas, movidas pelo medo, pararam de ir à igreja.
Aqui foi celebrada a última missa pública no dia 17 de março, e o bispo aqui da Irlanda do Norte declarou que ia cessar a liturgia pública, né? E o Papa Francisco tirou a obrigatoriedade de ir à missa aos domingos para que as pessoas pudessem ficar em casa e se cuidar. Enfim, toda aquela baboseira de ficar em casa, usar máscara e tudo.
Como nós estávamos aqui numa comunidade de que até hoje a gente participa — minha família, faz oito anos que nós participamos aqui na comunidade da missa em latim, e tem lá o Instituto Cristo Rei, e o padre é nosso amigo —, para não nos deixar sem os sacramentos, entendendo que os sacramentos valem mais do que o mundo, do que o que as pessoas estão dizendo — “ai, vai morrer, não sei o quê, é vírus” —, os sacramentos, a graça de Deus vale mais. Então nós tivemos a graça de, praticamente — acho que passou o mês de março, a partir de abril, mais ou menos —, a gente ia à missa de forma meio clandestina, né? E a gente recebia Jesus na Eucaristia para que a gente não ficasse sem os sacramentos. O padre atendia confissão, e nós seguimos a nossa vida como se não estivesse acontecendo nada. O mundo colapsando, gente fazendo loucura, mas a consciência espiritual de que a fé, se não for alimentada, morre. O padre aqui, o padre maravilhoso, não perdeu a consciência espiritual. Mas quantas pessoas perderam?
Enfim, eu estava trabalhando de casa. E eu tinha conseguido vender a minha casa, né? Tinha uma pessoa que estava muito interessada e foi subindo o preço. Eu consegui um preço muito bom, mas ela estava muito interessada em comprar a casa e queria que eu me mudasse logo. E eu disse que uma das condições da venda era que eu precisava encontrar outro lugar para morar. Mas nesse período eu estava lá com o Tomás, com a Catarina, com a minha esposa, e nós estávamos procurando, íamos ver uma casa aqui, outra casa ali, mas tinha essa pressão desse rapaz.
E eu tinha chegado a uma conclusão. Se eu estava trabalhando de casa — no ano anterior, 2019, eu tinha ido para o Brasil, trabalhado do Brasil por três meses, trabalho no computador, na área de finanças, enfim —, eu cheguei à conclusão: se eu posso trabalhar de casa, não faz diferença, porque a gente não vai voltar para a empresa. Tinha um contrato permanente para trabalhar de casa. Qual é a diferença de eu trabalhar de casa aqui de Belfast ou do Brasil? Nenhuma. E aí eu fui explorar essa possibilidade, e a empresa estava aberta a conversar. Conversei com o RH e pedi um salário, e eles disseram que não era possível. Aí eu fui estudar os salários do Brasil — fazia seis anos já que eu estava aqui — e eu entendi que no Brasil eles pagam menos para fazer a mesma coisa. Aí propus um salário.
E a gente estava procurando casa. Tinha uma casa de que a gente tinha gostado, que tinha quatro quartos, era do jeito que a gente queria, e a gente estava muito interessado em mudar, mas o dono não estava com pressa nenhuma. Teve uma outra casa que a gente foi ver, a gente gostou também, fez uma proposta, e o dono disse que ia esperar outras propostas para ver se alguém oferecia mais do que a gente.
E nesse embate, sabe, nessa pressão, nessa loucura, a gente estava rezando, e a Marita, minha esposa, decidiu fazer uma novena — aquela de que ela é tão devota —, a de Santa Terezinha. E olha só: no Rito Novo, o dia de Santa Terezinha é amanhã, porque ela morreu no dia 30, né? Então dia primeiro ou é o contrário, enfim, não me lembro agora, mas eu sei que no Rito Novo Santa Teresinha é celebrada dia 1.º de outubro; no Rito Antigo, que é o rito de que a gente participa, é no dia 3 de outubro.
Enfim, eu sei que ela tinha feito a novena e tinha pedido a Santa Terezinha que intercedesse por nós para que a gente tomasse a decisão certa. Porque, se fosse para a gente ir para o Brasil e aceitar a proposta, ela tinha pedido que a gente tivesse resposta até uma sexta-feira. E que, se fosse para a gente continuar procurando casa, se fosse para a gente comprar ou alugar, que a gente não perdesse a venda da casa.
Enfim, eu sei que na sexta-feira, às quatro horas da tarde, eu estava trabalhando de casa e recebi uma ligação do RH, e eles disseram que aprovaram o salário que eu tinha pedido, um bônus, e que quando eu quisesse eu podia ser relocado para o Brasil, contanto que eu pagasse os custos da relocação. E a minha esposa então revelou para mim que ela estava rezando a novena a Santa Terezinha, pedindo uma resposta até sexta-feira. E aquilo era um sinal de Deus, aquilo era uma resposta de Deus.
Então não tivemos ali um anjo aparecendo e falando: “Vai para o Brasil”. Mas, fruto da oração que a gente estava fazendo em comunhão e fruto dessa novena que ela tinha feito, nós entendemos como um sinal de Deus e decidimos: “A gente vai para o Brasil”. Aí, na semana seguinte — eu me lembro ainda —, a gente já tinha tomado a decisão, e num dos dias a gente já estava se organizando, vendo para comprar passagem, para se desfazer das nossas coisas, para recomeçar a nossa vida no Brasil. Final de 2020 [ele se corrige mais adiante: foi no final de 2021], nós conseguimos pegar ali uma passagem para o dia 1.º de dezembro. Eu me lembro porque foi dia 1.º de dezembro à noite, e nós estávamos voando no dia do aniversário do Tomás, que é dia 2, e fomos assim.
Enfim, eu estou dizendo isso porque, ali em outubro, eu recebi uma ligação daquela casa que a gente tinha gostado. Eles disseram: “O dono, mesmo que tenha uma outra oferta, o dono resolveu vender para vocês. Vocês querem a casa?” E aí eu vou falar para você assim: a gente tinha tomado a decisão, tinha sido resposta da oração, tudo. No momento em que ele me ofereceu a casa, eu falei: “Eu não quero”. Porque a gente já tomou a decisão, a gente já seguiu em frente, você demorou muito. E, sabe, foi uma loucura, porque tinha uma casa pronta para a gente, que a gente poderia ter mudado, poderia ter continuado morando aqui, mas nós vimos a resposta de Deus, o sinal para ir ao Brasil, e nós seguimos. Nós fomos, igual ao anjo que apareceu e falou: “Vai e continua”. E fomos para o Brasil.
Enfim, a gente tinha uma ideia na cabeça de guardar dinheiro, de comprar uma casa e refazer a nossa vida no Brasil. Fazia muito tempo que a gente estava fora. Aí aconteceram muitas coisas que foram muito negativas, sabe? A primeira coisa: a gente ia morar na casa da nona, a avó da minha esposa, e a gente teve que sair e procurar para alugar uma casa. E foi muito rápido: a gente teve assim uma semana, a gente achou a casa e mudou. E a gente não tinha nada na casa também. A gente teve que mobiliar a casa urgente, comprar cama, sofá, cadeira, mesa, prato, todas as coisas assim, né?
E a gente achou que estava estabilizado, e a gente teve uma vida muito boa, assim, sabe? Com o dinheiro que foi o lucro da casa que eu vendi. A gente estava morando num bairro bom, alugando uma casa boa, tinha comprado um carro bom, estava trabalhando; meu serviço de casa, eu trabalhava das oito da manhã até as quatro da tarde, porque eu trabalhava no horário do Reino Unido, não no horário do Brasil. Nesse período, tinha me registrado como CAC, né? Tinha comprado uma arma porque, tendo consciência da realidade do Brasil, para me proteger, e estava tranquilo assim.
Outra coisa: abri minha empresa com o meu amado amigo Murilo, a Traditio Caeli. Muitos de vocês conhecem aqui, né, por meio dessa empresa. As coisas estavam indo para a frente, estavam dando certo, estava progredindo. E aí nós descobrimos que a minha esposa estava grávida.
Mas, sabe, fomos percebendo os sinais, as coisas foram começando a ficar muito negativas. Parece que tudo estava dando errado. A empresa não estava indo muito para a frente, estava bem devagar, não estava no ritmo que a gente queria. O Murilo passou num concurso, saiu da empresa, me deixou, e eu cheguei, de um período de toda a fartura, de todo o luxo, de toda a vida que eu vi no Brasil, cheguei num momento em que a gente não tinha dinheiro para comprar um lanche usando o cartão de crédito, né? O estilo de vida do Brasil. E a gente passou dificuldade financeira. É uma coisa que eu jamais tinha passado na minha vida. Jamais tinha alugado uma casa — ainda mais no Brasil. Foram períodos de muitos, muitos começos, sabe? E tinha lá o meu plano de saúde, mas teve muitas dificuldades. Enfim, era Deus tentando mostrar, através dos sinais, aquilo que Ele queria.
Mas também foi nesse período de dificuldade, de as coisas não darem certo, que eu comecei esse canal. O primeiro vídeo que eu gravei: eu estava indo lá às aulas do Bernardo; na primeira aula a que eu fui, voltei para casa, tive uma inspiração, era meia-noite, coloquei o celular assim, de qualquer jeito, e gravei um vídeo falando sobre a minha EQM, né? Experiência de quase morte, porque eu tinha partilhado com o Bernardo, e ele disse: “Isso é uma EQM”. Esse foi o vídeo que mais rendeu visualizações no canal: deu quase mais de quatro mil pessoas assistindo àquele vídeo, né?
E assim, muitas coisas aconteceram financeiramente. Eu cheguei ao topo e desci, como eu disse, até chegar ao ponto de não ter dinheiro para comprar um lanche. Espiritualmente, estava com altos e baixos. Psiquicamente, estava tentando levar as coisas; comecei a ter problemas de saúde, comecei a não ter energia, sabe? Acordava cedo sem energia, dormia, fui ao médico, comecei a ter problema no estômago. E muitas coisas foram embaralhando uma na outra, até que chegou o ponto em que, em novembro, depois de onze meses que eu estava morando no Brasil, eu falei: “Nossa, Deus está dando os sinais para a gente voltar”.
E aí o meu chefe, na empresa em que eu trabalhava, começou a falar: “Por que você não volta, né? Volta para cá, a gente está com saudade de você”. Coisa assim, nada a ver. Mas eu percebi, já comecei a ver aquilo como sinais também. E foram passando muitas coisas na minha cabeça, e eu cheguei num momento em que, como se tivesse uma iluminação, enxerguei claramente. Eu falei: “Nossa, Deus mandou a gente para cá, mas agora Deus está chamando a gente para voltar a morar na Irlanda do Norte. Por quê? Não sei, não entendo. Mas eu consigo ver os sinais: porta se fechando, coisa dando errado, porta se fechando, dificuldade, problema, dificuldade, tudo”. E a gente passou por um período em que balançou tudo, balançou tudo na nossa vida, sabe? Mas foi um período de graça.
No final das contas, eu queria ler para vocês aqui um poema que eu escrevi nessa época, que se chama Molduras que não servem mais. Eu escrevi em abril, e a data está aqui: abril de 2022. Será que eu me confundi nas datas? Será que eu fui ao Brasil no final de 2021? É, eu acho que é isso mesmo, hein? Eu estou confundindo as datas aqui. Então foi no final de 2021 que eu fui para o Brasil, dia 2 de dezembro de 2021. E aí eu passei o ano de 2022, e tudo isso que eu estou dizendo aconteceu em 2022. E aí eu enxerguei todos os sinais em novembro de 2022. Mas em abril eu escrevi este poema aqui, já aqui, ó, no meio das dificuldades.
O drama da vida segue aquele que não desiste
de ser o que a vida impele a ser — sem incongruências,
pela pena do passado de ocasiões permanentes e transitórias,
sem mérito pelo simples fato de querer se ocultar
da responsabilidade de se encarar — cada vez mais,
sem máscaras e sem aparências e imagens
que foram hermeticamente amontadas com a finalidade
de esconder uma personalidade ferida, magoada
e desdenhada pelos obstáculos para se chegar aos ideais.
A complexidade de momentos irrisórios que ferem
o caráter esmagado pelo silêncio interno e ocultado
da visão dos próximos — já que os mesmos não entendem
que o drama da vida é mais próximo dos que lutam
para poder escolher por mil vezes — e desdenhar
por muitas dessas o demagógico sentimento para errar
os alvos almejados e os sonhos não realizados;
errar por não deixar a humanidade morrer.
E mesmo que a viva chama da alma acesa nos momentos
escuros das perplexidades do passado que ruge,
depois de tanto tempo agindo como se não existisse,
fazem com que o brilho do olhar, o ardor de um desejo apagado
e o emaranhado de emoções dormentes — de um distante passado
que foi terapeuticamente enlutado sem morrer —
fizesse alguma diferença no presente do pretérito — perfeito.
Não há como apagar uma história torta sem endireitar
por muito tempo as áreas dormentes do inconsciente
e enraizar virtudes de um temperamento amoldável em si,
mas que, com a perspicácia da sabedoria milenar,
se permite moldar — a saber,
conhecendo o quarto frio e enrugado da verdade,
se desmistificam as mentiras e desequilíbrios do interior,
cheio de trapaças e molduras que não servem mais…
Sabe? É como uma espécie de você deixar para trás coisas, aparências e máscaras que você carrega e que não fazem mais parte da sua vida. Mas eu só tive a oportunidade de chegar a essa conclusão porque eu estava no Brasil, porque eu estava passando por essas dificuldades. Às vezes o problema que você está passando hoje é uma oportunidade que Deus está te dando para você olhar de uma outra perspectiva, a partir de uma outra ótica. Porque, se você não passar pela dificuldade, você sempre vai continuar olhando da mesma forma. Então Deus nos dá, através dos problemas, das dificuldades, a graça, a chance de crescer, a chance de amadurecer, a chance de sair de um pensamento mesquinho, de uma ideia infantil, e se tornar adulto, se tornar maduro, e crescer fisicamente, psiquicamente, como pessoa; amadurecer, progredir na virtude, espiritualmente, entender.
Durante esse momento em que eu passei dificuldade financeira no Brasil, a única coisa com que eu contava era a providência de Deus. Eu aprendi a depender da providência: como Deus não deixa a gente passar penúria, sabe? Mesmo passando por esses dias escuros, sem dinheiro, com dificuldade, a providência sempre nos socorria.
E, chegando ali no final do ano, claro, né? Foi por meio da novena de Santa Teresinha que a gente foi para o Brasil. E é por meio da Santa Terezinha que a gente deu o nome para a nossa filha, Teresa, que nasceu no dia 31 de dezembro. E amanhã — se você segue, a maioria de vocês aí seguindo o Rito Novo, dia primeiro é o dia de Santa Terezinha — pode ser que ela traga alguma surpresa para a sua vida, né? Ou, se você segue o Rito Antigo, dia 3 de outubro, no sábado, né?
Enfim, a gente voltou para Belfast — na verdade, a gente voltou para a Irlanda do Norte, voltou para Glenavy, fomos morar no interior da Irlanda do Norte; foi uma outra experiência nova. Mas enfim, olhando para trás, eu sempre pensei assim: foi uma perda de tempo ter ido para o Brasil. E meu amigo me perguntou: “Você se arrepende de ter ido?” Eu digo: eu me arrependo de ter ido, me arrependo de ter voltado. Mas, sabe, olhando com mais maturidade, eu entendo que o dinheiro que eu podia ter usado para comprar uma outra casa, eu gastei no Brasil. Mas o dinheiro é uma coisa passageira. Mas sabe uma coisa que não é passageira? A vontade de Deus. Deus inspirou a minha família a ir. Deus inspirou a minha família a voltar.
E hoje estamos aqui, compramos uma outra casa, passamos de novo por dificuldades, dependemos da misericórdia, dependemos da providência. São José intercedeu, mas esse não é o ponto, sabe? As coisas materiais não são o ponto. Não estou falando isso para falar da casa, não estou falando isso para falar do dinheiro, não estou falando isso para falar da viagem. Estou querendo dizer isso para falar da vontade de Deus, porque ela é maior que tudo.
A vontade de Deus: aquilo que São Francisco de Assis fez quando Jesus apareceu — Jesus, através do crucifixo de São Damião, falou para ele: “Vai, reconstrói a minha igreja”. Ele não quis saber; tanto que ele começou a reconstruir a igreja física, pedra por pedra, né? E depois, com o passar do tempo, ele entendeu realmente a vontade de Deus, que era para ele reconstruir a Igreja no sentido espiritual, porque muitos estavam ali corrompidos. E o legado de São Francisco está aí porque ele obedeceu a Deus. Eu não estou querendo usar isso também para falar que eu obedeci a Deus e enfim; mas a gente pode obedecer a Deus em coisas grandes, em coisas pequenas.
São Pedro disse que importa obedecer antes a Deus do que aos homens. “Deste fato nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo que Deus deu a todos aqueles que lhe obedecem.” Então, se você obedece a Deus, Deus te dá o Espírito Santo. O Espírito Santo te dá coragem para fazer o que for necessário. O que você precisa fazer hoje na sua vida? O que Deus está te pedindo? Às vezes é uma coisa grande: dar um passo na sua vocação, dar um passo na sua carreira, dar um passo junto com a sua família, tomar alguma atitude, ou romper com alguma coisa, romper com algum vício, algum pecado. Ou às vezes uma coisa pequena: Deus está pedindo, inspirando você a fazer orações. Ah, estamos aí a quatro dias da festa de São Francisco; eu, particularmente, estou rezando a novena de São Francisco.
Deus às vezes te mostrou alguma coisa durante esse período da Quaresma de São Miguel e você não fez; ou Deus te inspirou alguma coisa e você não deu a iniciativa. Sabe quando nós damos um passo — [atribui a frase a um santo, cujo nome não fica claro no áudio] —, é um passo, é tudo de que você precisa. Você não precisa fazer grandes coisas, você não precisa fazer coisas extraordinárias, você não precisa fazer milagre, você não precisa fazer coisas assim que você não consegue fazer; você só precisa dar um passo. Se Deus te inspira, fala: “Sim, Senhor, eu vou fazer. Eu quero fazer a tua vontade. Eu quero executar aquilo que o Senhor inspira no meu coração”.
E é ela mesma, a Santa Teresinha, que dizia: “Não tem um sonho que Deus coloca no nosso coração que Ele não seja capaz de realizar”. Qual é o sonho que Deus tem colocado no seu coração?
Durante muito tempo da minha vida, desde os meus treze, quatorze anos — faz vinte, mais de vinte anos —, meu sonho era ser escritor. Eu não sabia como fazer isso. Deus me deu a graça de escrever. Escrevi poemas, escrevi músicas, escrevi textos. Depois, num outro período da minha vida, Deus me deu a graça de escrever textos espirituais, direção espiritual eu escrevi. E hoje em dia, passados vinte anos, em maio desse ano, 2026, eu publiquei o meu primeiro livro, Gratia Plena, né, meditações sobre a Mãe de Deus, fruto de todo esse período que eu percorri. Depois publiquei o meu segundo livro, Stella Matutina, que são, na verdade, orações e coisas que Nossa Senhora de Fátima disse aos pastorinhos, e que o Anjo de Portugal também disse aos pastorinhos. Depois publiquei o meu terceiro livro, Direção Espiritual, volume 3 — o Padre Bruno, da comunidade de que eu participava em Londrina, escreveu o prefácio. E, por fim, publiquei o meu quarto livro, Direção Espiritual, volume 2, A cura dos sentidos. E este último livro foi inspirado, baseado naquilo que foi mais acessado no meu blog, hoje, no meu site, né? Os temas sobre insensibilidade espiritual, cegueira espiritual, surdez espiritual: são os temas que eu abordo nesse livro. São os temas que Deus me deu a graça, me inspirou, e hoje eu retomo em formato de livro, com o prefácio do meu amigo da Legião de Maria, o Brian, e coloco disponível aí para vocês.
Tem quatro livros. Vou lançar em breve o Direção Espiritual volume 1, falando sobre os sacramentos, e também quero escrever a minha autobiografia, que eu vou deixar por enquanto no mistério, né? Não vou falar o título nem nada mais, mas, se Deus quiser, também vou poder publicar. Agora, viver disso é uma outra história. Se Deus me der a graça, quero viver vendendo meus livros, como escritor, mas tenho uma grande alegria no meu coração de saber que Deus, em momentos específicos, se você faz a vontade dele, Ele vai te levar. Como São Francisco, não importa: dá o primeiro passo hoje. Não espera para amanhã. Deus está te esperando. Dá o primeiro passo.
Hoje passamos aí de 36 minutos, né, dessa formação, mas, para mim, isso caracteriza o fato de que eu fiz a coisa certa em obedecer a Deus e ir para o Brasil e voltar. Esse poema, para mim, é o poema que eu escrevi em junho de 2022, no meio da crise que eu estava passando aí, das dificuldades, e movido, sabe, sempre dando um passo atrás do outro, sem saber o que eu estou fazendo, mas Deus inspirando e seguindo a locução interior que Deus coloca. Comecei a gravar os vídeos, e um dia, refletindo sobre a minha vida, Deus me deu esse poema aqui. Esse poema aparece no meu livro, no primeiro livro que eu lancei em maio desse ano, em honra à Virgem Maria. E esse poema é o resumo da minha vida, é aquilo que conta a minha vida inteira.
Eu vou gravar um outro vídeo falando sobre o livro Gratia Plena. Vou gravar um vídeo falando só sobre esse poema, mas eu queria recitar esse poema para você hoje. E, para mim, isso é como se fosse, assim, a cereja no topo do bolo, sabe? Se você faz a vontade de Deus, você alcança graças que você às vezes julga impossíveis de alcançar. Para mim, esse poema é a prova de que vale a pena obedecer a Deus, fazer a vontade de Deus e seguir aquilo que Deus inspira. Eu gravei um vídeo em inglês falando, né, por enquanto você não entende, e também aqui em português. Mas saiba que isso é fruto de oração, é fruto de obedecer a Deus e fruto de lágrimas. Alguns poemas, algumas coisas que eu escrevi, eu escrevi chorando. Esse foi um deles. Então, enquanto você escuta — não sei se você consegue imaginar —, enquanto eu escrevia com a minha caneta ali, duas horas da manhã, em junho de 2022, quatro anos atrás, escrevi esse poema em meio às lágrimas, rezando, escrevendo, chorando e deixando que Deus me levasse. Então, esse poema se chama Envolvido por ti.
Mãe, desde a tenra idade, no meu nascimento, você estava lá
para me acolher e me proteger — perante a consagração
daquela devota enfermeira que me pegou no colo
e te ofereceu a minha vida — sem saber dos desafios que estariam
no meu horizonte perplexo de contrariedades e dificuldades.
Você me levou nos braços e sustentou a minha vida.
Quando eu me machucava, você cuidava de mim,
sempre escondida, garantindo a proteção e o alívio,
concedendo o mínimo necessário para me guardar
do espírito de morte que me rodeava e queria me devorar,
das inúmeras situações onde o perigo me dominou,
onde a escuridão encheu meus dias e me manteve cativo.
Mas lá também você estava — no meio do escuro aturdido da ignorância,
do pecado, da leviandade, da impureza e da maldade.
Quando eu chorei, você enxugou as minhas lágrimas e as apresentou a Deus,
nos meus desejos ocultos e macabros de findar o dom mais precioso que havia recebido,
da vida preciosa que Deus havia me concedido.
A Senhora me alcançou a graça do livramento
que me permitiu viver a experiência mais sublime com teu Filho santo.
Jesus entrou no mundo por meio do teu ventre santíssimo
e entrou em minha vida por meio da tua intercessão — de forma tão especial.
Foram muitos privilégios que eu não merecia — e me alcançaste.
Foram muitas graças que eu não poderia receber — e a mim chegaram.
Foi por tuas mãos que recebi divina providência, amor e carinho.
Foi debaixo do teu manto que passei por horas escuras.
Foi de mãos dadas contigo que atravessei caminhos tortuosos.
E no meio da ilusão maligna do que mata minha alma,
nas festas, nas bebedeiras, nas orgias e nas noites em claro,
fui levantado por ti milhares de vezes — após cair em malditos pecados.
Porém nada do que eu fiz te afastou de mim — te agradeço de coração
o mistério da tua presença, que se revelou então
no momento mais oportuno — na hora que o Pai decidiu —
para receber também a minha liberdade, que eu mantinha como algo inviolável,
mas que usava para me prender nas trevas que me guiavam — com meus instintos animalescos.
Seu amor de mãe me consagrou, com graças, cuidado, ternura e proteção.
Legalmente e juridicamente — no mundo espiritual e humano —
te entreguei meus bens, tudo o que poderia ajuntar, em todas as dimensões.
Te entreguei os frutos das orações e das boas obras.
Te entreguei meu passado, meu presente e meu futuro.
Te entreguei tudo o que há em mim, tudo o que sou e que tenho.
Tudo o que me rodeia, que sinta a presença da Virgem.
Que Maria esteja em todo lugar onde meu nome chegar.
Que minhas ações sejam permeadas pelo teu perfume.
Que minhas orações sejam feitas com teu amém.
Que minha vida e minha família conheçam o poder da tua presença.
Sou todo teu, minha mãe, e tudo o que possuo — literalmente até a alma —
pertencem a ti, são teus e estão ao teu dispor.
Te agradeço e te honro de uma forma miserável e mesquinha,
fraca e indigna — mas o faço com todo o meu coração.
Te amo, minha mãe, e quero ser, cada dia, mais envolvido por ti.
Por tudo o que fizeste em minha história e ainda vais fazer.
Por tudo o que tens reservado para minha descendência.
Por tudo o que providenciaste perante o trono de Cristo.
Por tudo o que tens preparado ainda para acontecer.
Faça-se em mim segundo o teu querer.
Faça-se em mim conforme quiseres fazer.
Faça-se em mim agora e na eternidade.
Quero apenas aprender a não desonrar as promessas daquele dia 27 —
— que é o dia da minha consagração, né? Enfim, na semana em que eu escrevi esse poema, eu gravei um vídeo. Eu acho que pode ficar como o vídeo do poema, né? Vou deixar aqui para você e depois vou gravar um vídeo falando sobre o livro e a história do livro. Enfim, é isso que eu queria deixar para hoje.
Obrigado, você que chegou até aqui. Se você quiser ajudar o meu apostolado online, se você quiser ajudar a minha família, vou deixar o link aqui. Você pode fazer uma doação no Pix, no cartão, de qualquer forma. Caso você queira me ajudar adquirindo um dos meus livros — eu vendo os meus livros, os quatro livros estão aí, os títulos na UICLAP e, em qualquer lugar que você esteja no Brasil, vou deixar os links aqui também na descrição do vídeo.
E, no mais, reze por mim para que eu tenha a graça de continuar essa missão de partilhar a Palavra de Deus, pela intercessão de São Jerônimo, e de seguir aquilo que Deus coloca no meu coração. E juntos nós podemos nos ajudar, né, como Igreja, Corpo Místico de Cristo, independentemente de onde você esteja no mundo. Reze por mim, e eu ofereço essa Ave-Maria por você, pela sua vida, para que Nossa Senhora te ajude a fazer a vontade de Deus.
Ave-Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

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