Br 3,12: “Negligenciaste a fonte da sabedoria. Se houvesses caminhado pelas sendas de Deus, poderias habitar para sempre na paz.”
Resumo do vídeo
Negligenciaste a fonte da sabedoria: o versículo que ele leu sozinho no quarto e que hoje está na contracapa do livro
Gravado em 4 de setembro de 2026, este vídeo começa onde os anteriores terminavam: com o violão na mão. Gustavo abre cantando No louvor, canção de sua autoria publicada aqui em dezembro de 2012, e explica logo depois por que a escolheu — ela nasceu de um salmo de que ele gosta muito, e naquela semana ele o havia recitado num momento de adoração, em ação de graças. O salmo é o 137 na numeração da Bíblia que ele usa (o 138 nas edições que seguem a numeração hebraica), e o verso que sustenta tudo o que vem depois é o oitavo: “O Senhor completará o que em meu auxílio começou.”
É essa a chave: aquilo que Deus começa, Ele termina. “Ele não é igual a gente, que começa uma coisa, para na metade, volta atrás, desiste, depois quer começar de novo e para na outra metade.” O que vem em seguida são trinta minutos para mostrar o avesso disso — o que acontece quando é a gente que para no meio.
Por que começar pelo louvor
Ele mesmo responde, e a resposta é um santo. A Igreja celebrara dias antes, em 28 de agosto, a festa de Santo Agostinho, e Gustavo lembra que as Confissões — Confessiones, no latim sobre o qual ele hesita diante da câmera — são muito mais um hino de louvor e agradecimento a Deus do que uma confissão no sentido em que hoje usamos a palavra. Daí o salmo recitado, daí a canção lembrada: a gratidão vem antes do exame de consciência, e não depois. Sobre o valor do louvor em si, há neste blog um texto de 2013 que diz a mesma coisa por outro caminho.
“Mas eu não sou mais aquele”
A parte central sobre Agostinho é uma história, e ele a conta com evidente gosto. Antes dela, o retrato: os dezessete anos em que Santa Mônica chorou pelo filho, como ele narra; a pregação de Santo Ambrósio que entrou como uma flecha; o canto gregoriano da igreja de Milão, que lhe levava a alma a Deus; e o verso mais conhecido das Confissões, “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova; eis que procurava fora, e estavas dentro”. Um homem de vida dissoluta, que ele mesmo confessa no livro, elevado a santo e a doutor da Igreja — a ponto de modelar a filosofia, a espiritualidade e o cristianismo do Ocidente. “Você pode ir no caminho de Santo Agostinho, você não vai errar: você vai encontrar Jesus.” Quem quiser o mesmo santo por outro ângulo, o coração inquieto já rendeu um vídeo aqui em 2019.
A história é a que a tradição conserva, e Gustavo credita a um vídeo do padre Paulo Ricardo o tê-la ouvido melhor contada. Agostinho já era bispo quando cruzou na rua uma mulher com quem se relacionara por anos. Ela o reconheceu debaixo das vestes e começou a chamá-lo pelo nome. Ele apertou o passo; ela apertou o passo atrás. Ele entrou na igreja pensando que ali ela não entraria — e ela entrou, e ficou à porta: “Agostinho, você não lembra de mim? Eu sou aquela.” A resposta é a frase inteira do vídeo: “Mas eu não sou mais aquele.”
É aqui que ele emenda São Paulo, Romanos 12: não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito. E é aqui também que ele emenda Agostinho de novo, com a sentença de que a obra da conversão é mais extraordinária do que a obra da criação.
A queda que ninguém via
Do santo ele passa, sem escala, ao próprio testemunho — e é a parte mais nua do vídeo. Antes da conversão, achava que a vida estava definida pelo que lhe faltava: um pai dentro de casa, uma família estruturada, dinheiro. Brigava muito com a mãe, achava o mundo injusto e pensava muito em suicídio. O encontro com Deus mudou a maneira de ver tudo, e a graça foi tanta que, no Ágape Terapia — o encontro organizado pela Reinalda, do Dois Corações, em São Paulo —, ele chegou a dizer a Jesus, na oração, que gostaria de ter sofrido mais, tamanho o que estava sendo derramado sobre ele. O testemunho de conversão completo está aqui no blog desde 2013.
O que ele faz questão de contar, porém, é o que veio depois. Entrou na faculdade, veio o exemplo das pessoas ao redor, vieram dificuldades e perseguições, e ele caiu. Afastou-se, tentou voltar à vida antiga e encontrou o que sempre se encontra: “quando você tem uma experiência com Deus e tenta viver sem Deus, a vida perde completamente o sentido.” Foram meses perdido, “tentando viver uma vida que não era minha”. A alegria de permanecer na graça, tema do vídeo de agosto, aparece aqui pelo negativo.
A volta começou pequena: saudade, vontade de estar na presença de Deus, as camisas religiosas de novo na mochila da faculdade — a de Jesus, a de Nossa Senhora, a de São José, a do Padre Pio. Então ele se inscreveu para uma segunda experiência de oração e se preparou uma semana inteira, com penitência e oração, pedindo uma só coisa: encontrar-se com Jesus outra vez. É a mesma pergunta de um texto de 2012 deste blog — por que e como voltar a caminhar com Deus.
O quarto escuro, o abajur e a Bíblia aberta
No retiro, diante do Santíssimo, não aconteceu nada com o primeiro grupo. Ele decidiu não sair dali. Veio então um rapaz do grupo de oração Deus Conosco, ajoelhou-se à sua frente e encostou a cabeça dele no próprio peito — repetindo, sem saber explicar, o que ele mesmo vivera na semana anterior com a cabeça encostada no sacrário. Gustavo descreve o que sentiu com um cuidado quase clínico: a mão começou a queimar, depois ficou dormente, e aquilo subiu pelo braço, pelo outro braço, pelos pés, pelas pernas, até tomar o corpo inteiro. Foi o repouso no Espírito da Renovação Carismática, e ele diz que ficou ali vinte ou trinta minutos com a sensação de estar flutuando.
Voltou ao quarto sem palavras. Sozinho, no escuro, só com a luz de um abajur — igual ao que está aceso na gravação —, sentiu o ímpeto de abrir a Bíblia. Abriu no capítulo 3 do profeta Baruc. E leu, com o nome dele no lugar do de Israel: “De onde vem que te encontras em terra inimiga, que definhas em solo estranho, passas por imundo qual cadáver e és contado entre os ocupantes dos túmulos?”
O versículo 12
Então veio a linha que ele anotou na margem naquela noite, com a data da segunda experiência de oração ao lado: “Negligenciaste a fonte da sabedoria. Se houvesses caminhado pelas sendas de Deus, poderias habitar para sempre na paz.” Br 3,12. Ele mostra a anotação à câmera.
E mostra, logo depois, onde essa linha foi parar. Na página 40 do volume III de Direção Espiritual, ele escreveu: “Muitas pessoas têm feito a mesma coisa que eu fiz: têm se afastado de Deus e negligenciado a fonte da sabedoria que é o próprio Deus. Temos que parar de fazer isso e começar a viver na fonte da sabedoria — não rejeitá-la nem negligenciá-la, o que é a mesma coisa que viver como se Deus não existisse em nossa vida.” E na contracapa do livro impresso, em letra dourada, está só isto: Negligenciaste a fonte da sabedoria — Br 3,12.
A aplicação é uma sequência de perguntas, e ele as faz devagar: o que Deus tem indicado na sua vida que você tem ignorado? O que Ele tem pedido, o que tem inspirado no seu coração, e que você não tem feito? Se falta o fulgor dos olhos e a paz de que o mesmo capítulo fala, não será que a fonte anda negligenciada? Porque Deus fala conosco de três maneiras, lembra ele — por outras pessoas, pela Palavra e pelos acontecimentos —, e talvez esteja falando pelo próprio vídeo.
A coroa da sabedoria
Ele conta que, depois daquela noite, foi pesquisar o que significava negligência e onde mais a Escritura falava da fonte da sabedoria — “tomei a decisão de largar de ser besta, como diria o padre Léo”. Chegou ao Eclesiástico: toda sabedoria vem do Senhor Deus (1,1); o temor do Senhor é a plenitude da sabedoria (1,20); o temor do Senhor é a coroa da sabedoria, e dá plenitude de paz e frutos de salvação (1,22). E fecha o círculo: começou no louvor com o Salmo 137, passou por Baruc e terminou no Eclesiástico, e as três leituras dizem a mesma coisa por três bocas diferentes.
No fim, o livro. São quinze anos de textos sobre direção espiritual reunidos no terceiro volume, e ele lê o trecho do prefácio que o padre Bruno Athila, SAC, escreveu — o mesmo que está impresso na contracapa: a conversão não termina no primeiro encontro com Deus, é ali que começa; se a graça abre a porta, é a perseverança que conduz o discípulo à plenitude da união com Cristo. Enquanto houver um coração disposto a voltar, nunca faltará o abraço do Pai que espera, perdoa e restaura.
Transcrição completa do vídeo⌄
Transcrição integral da fala do vídeo, organizada em parágrafos para facilitar a leitura. A canção de abertura é de autoria do próprio Gustavo e está publicada aqui no blog desde 2012 — o texto completo está em No louvor. As passagens bíblicas aparecem como ele as lê diante da câmera, na edição que tem em mãos.
No louvor Deus habita e manifesta o seu amor;
sua graça me transforma e cura toda dor…
Essa canção foi inspirada num salmo de que eu gosto muito e que, inclusive, algumas semanas atrás eu estava num momento de adoração e quis recitá-lo, sabe, em agradecimento. E porque a palavra de Deus é fiel: aquilo que Deus começa, Ele termina. Ele não é igual a gente, que começa uma coisa, para na metade, volta atrás, desiste, depois quer começar de novo e para na outra metade.
[Recita o Salmo 137 — o 138 nas edições com numeração hebraica.] “Eu vos louvarei de todo o coração, Senhor, porque ouvistes as palavras da minha boca; na presença dos anjos eu vos cantarei… O Senhor completará o que em meu auxílio começou. Senhor, eterna é a vossa bondade: não abandoneis a obra de vossas mãos.”
[Retoma o refrão de No louvor.]
E que maravilha começar no louvor. Porque existe um santo, um doutor, que foi celebrado alguns dias atrás na Igreja. Ele escreveu um livro que se chama Confessio — ou Confesso; não sei como se fala em latim, eu imagino que seja Confesso —, mas Confissões é um hino de louvor e agradecimento a Deus, mais do que uma confissão em si, como nós a conhecemos, né? E é por isso que eu quis recitar esse salmo, e eu me lembrei também dessa canção que eu escrevi. Porque como é bom a gente ter essa graça de poder louvar a Deus e reconhecer a misericórdia do Senhor.
Então, esse salmo que eu li, que eu recitei, está no Salmo 137, e o versículo 8 diz assim: “O Senhor completará o que em meu auxílio começou”. Eu tenho certeza de que Deus vai completar aquilo que Ele começou na minha vida. Aquilo que começou na sua vida também vai ser completo, pela sua bondade e a sua misericórdia.
Mas hoje eu queria citar um episódio da vida de Santo Agostinho — vocês sabem de quem eu estou falando, né? — e poder partilhar também um momento da minha vida, de quando eu recebi uma palavra que está no capítulo 3 do profeta Baruc.
Mas Santo Agostinho vocês conhecem, não preciso ficar dando explicação aqui. Ele teve a graça de se converter depois de dezessete anos em que a sua mãe chorou e derramou lágrimas por ele. Ele entrou na igreja e ouviu Santo Ambrósio pregando — aquele bispo, com aquelas palavras tão poderosas —, e aquela palavra, como uma flecha, adentrou o seu coração, e ele teve um encontro com Deus. E ele se lembrava depois da vossa Igreja, dos cantos, que era o canto gregoriano na época, né? E aquilo levava a alma dele a Deus. E ele escreveu aquele lindíssimo poema de louvor: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova; eis que procurava fora, e estavas dentro”.
E Santo Agostinho se transformou: de uma pessoa que vivia na libertinagem, ele foi elevado a um nível de graça, de santidade. Olha o que o poder da oração, o poder das lágrimas da mãe dele derramadas pela conversão dele fizeram. E ele chegou ao nível de ser reconhecido santo da Igreja. E mais do que isso: ele foi levado ao nível de doutor da Igreja, ao ponto de que ele modelou a filosofia, a espiritualidade, o cristianismo ocidental. Ele é um dos grandes doutores do Ocidente, que forjaram o entendimento que a gente tem sobre as coisas, sobre a doutrina, sobre a nossa fé. E ele é doutor da Igreja — significa que você pode ir no caminho de Santo Agostinho, você não vai errar: você vai encontrar Jesus.
Então, teve um episódio da vida dele. Não sei se você assistiu, tem uma pregação do padre Paulo Ricardo em que ele explica melhor: Santo Agostinho teve uma oportunidade de se converter quando tinha dezessete anos, mas ele não quis. E depois de muitos anos, muito tempo em que a sua mãe rezou por ele, ele se converteu. E durante todo esse tempo ele viveu uma vida muito profana.
E um dia, quando ele já lá na frente já tinha se convertido, já tinha se tornado padre, já tinha se tornado bispo, ele estava caminhando pelas ruas, e de repente apareceu uma mulher vestida com roupa curta, toda sedutora. Ela reconheceu, debaixo daqueles panos da época — aquela roupa de bispo —, o rapaz com quem ela se relacionou por tantos anos. E ela viu e falou: “Agostinho!”. E começou a chamar ele.
E o Agostinho fingiu que não era ele. Começou a andar mais rápido; e ela, vendo que ele começou a andar mais rápido, começou a andar mais rápido atrás dele. “Agostinho, Agostinho!”, ela chamando, tentando chamar a atenção dele, e ele andando mais rápido, mais rápido, para fugir da mulher, para não ter que olhar para ela, para não ter que falar com ela. E ela chamando: “Agostinho, tenho certeza que é o Agostinho!”. Aquela coisa, sabe? Aquela cena no meio da rua. E ele foi se apressando, chegou, entrou na igreja e pensou: “Ela não vai entrar na igreja”. E ela foi e entrou na igreja, e ficou na porta tentando fazer uma espécie de charme, né, para seduzi-lo como ela o seduziu tantas vezes. E ela disse: “Agostinho, você não lembra de mim? Eu sou aquela”.
E o Agostinho, levado pelo Espírito Santo, teve a ousadia, a graça de dizer: “Mas eu não sou mais aquele”.
Que palavra fantástica. Que conversão verdadeira. Que poder de Deus nisso daí. Meu Deus do céu, como eu me impressiono, como isso me impacta.
E aqui já me lembro da palavra de São Paulo — deixa eu pegar aqui o livro de Romanos, só para ilustrar essa coisa maravilhosa que é a conversão de uma alma. E Santo Agostinho é quem dizia que a obra da conversão é mais extraordinária do que a obra da criação.
São Paulo dizia no capítulo 12 de Romanos: “Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito”.
Então nós temos que deixar renovar a nossa mentalidade: a forma como a gente pensa, a forma como a gente vê as coisas, a forma como a gente vive a vida, a forma como a gente trabalha, a forma como a gente lida em todas as possibilidades de relacionamento — com as pessoas que a gente conhece, que são próximas, com as pessoas que são mais distantes, com aqueles que são amigos, com aqueles que são colegas, com aqueles que são conhecidos, com as pessoas por quem a gente tem alguma espécie de simpatia, com as pessoas que estão na igreja e com aquelas que não estão na igreja. Nós temos que nos deixar transformar pela renovação do nosso espírito.
E teve um momento da minha vida em que eu tive o encontro com Deus, como eu já contei aqui para vocês, e eu fui transformado. Eu deixei de ser a pessoa que eu era, a pessoa que estava pensando numa forma de ver o mundo a partir da minha própria experiência. Eu achava que eu era muito infeliz porque eu não tinha uma família estruturada, porque eu não tinha meu pai presente dentro de casa, porque eu brigava muito com a minha mãe, porque eu era muito pobre — e eu achava que isso definia quem eu era. E por causa dessa condição, eu era a pessoa mais infeliz do mundo.
E eu pensava muito em suicídio, pensava muito que o mundo era muito injusto, que a sociedade era tudo malfeita. Enfim: a minha forma de pensar, a minha forma de viver, a minha forma de fazer as coisas foi transformada pela graça de Deus, e o Espírito Santo me deu a graça de enxergar tudo de uma forma nova. De forma que, quando eu participei do Ágape Terapia — esse encontro maravilhoso, organizado pela Reinalda, do Dois Corações, lá em São Paulo —, eu disse na minha oração para Jesus que eu queria ter sofrido mais, por causa do tamanho da graça que foi derramada na minha vida.
Mas enfim, passado algum tempo e muitas dificuldades, eu acabei caindo. Caí em pecado, me afastei. Comecei a fazer faculdade e fiquei muito sentido, sabe, por causa das dificuldades que estavam acontecendo, perseguições. E o exemplo das pessoas ao meu redor e tudo o que aconteceu me levou a cair, sabe? Cair em pecado e tentar voltar à vida velha.
E eu me encontrei com o vazio. Porque quando você tem uma experiência com Deus e tenta viver sem Deus, a vida perde completamente o sentido. Não tem como viver sem Deus. Você tem que viver com Deus, você tem que ficar firme em Deus. A melhor alegria que você pode ter, como eu partilhei no outro vídeo, é permanecer na graça de Deus. Então eu fiquei por alguns meses afastado, muito perdido, tentando viver uma vida que não era minha.
E acabou que, ainda no primeiro ano em que eu estava fazendo faculdade lá na Unopar, eu comecei a sentir muita saudade, muita vontade de estar na presença de Deus, de fazer as coisas de Deus. E comecei a ir para a escola com minhas camisas religiosas: eu tinha camisa de Jesus, tinha uma camisa de Nossa Senhora, tinha camisa de São José, tinha a camisa do Padre Pio. Hoje em dia não tem nada, né? Mas voltei, sabe? Fui e me inscrevi para fazer uma segunda experiência de oração que estava acontecendo.
E nesse momento eu me preparei por uma semana. Fiz lá a minha espécie de penitência, as minhas orações, pedindo a Jesus a graça de me encontrar com Ele, porque eu havia me perdido. A minha mentalidade tinha sido renovada e já tinha sido tudo corrompido de novo. Então é por isso que a gente tem que estar constantemente renovando a nossa mentalidade, deixando a graça de Deus agir para que a gente seja guiado pelos valores do céu. Porque a gente foi feito para ser cidadão do alto, para buscar as coisas do alto. Quando a gente fica buscando muitas coisas da terra, a gente começa a se assemelhar àquilo que é terreno e deixa de se assemelhar àquilo que é do céu.
Então, eu pedindo para Jesus durante essa semana: “Eu quero me encontrar contigo, Senhor”. E a experiência de oração eu já sabia como era, porque eu já tinha participado de uma, acho que fazia um ou dois anos daquela data. Eu não tive muita surpresa como eu tive na primeira experiência de oração. Mas no momento, à noite, eu sabia: Jesus eucarístico é quem poderia fazer alguma coisa na minha vida.
E teve um momento de cura diante de Jesus eucarístico. E eu fui diante de Jesus, me ajoelhei, fiquei bem próximo do Senhor. Era assim um esquema: havia umas cinquenta pessoas naquele retiro, e as pessoas ficavam um pouco diante de Jesus, recebiam oração e saíam para as outras pessoas poderem ir também. E eu fui com o primeiro grupo de pessoas e não aconteceu nada. Daí eu falei: “Eu não saio daqui. Eu vou ficar aqui, eu quero uma experiência com o Senhor”.
E veio um rapaz do grupo de oração Deus Conosco, se ajoelhou na minha frente, pegou minha cabeça e colocou no peito dele. E isso era para reproduzir a experiência que ele mesmo teve na semana anterior, em que ele colocou a cabeça dele no sacrário; e ele sentiu de fazer isso comigo. Quando ele fez isso comigo, eu tive a primeira experiência espiritual que eu pude ver na minha carne.
Quando ele colocou a minha cabeça no peito dele, a minha mão começou a pegar fogo, assim, começou a queimar, começou a ficar quente de repente — e começou a ficar dormente. E isso, como se fosse um fogo, começou a subir pelo meu braço, começou a subir pelo outro braço, e aquela sensação de estar dormente nos meus pés veio subindo pelas minhas pernas. Quando aquele rapaz — eu acho que foram uns minutos — parou de me abraçar, o meu corpo inteiro estava tomado pela graça de Deus. O meu corpo estava dormente, estava quente.
E eu tive aquilo que se diz na Renovação Carismática, né? O repouso no Espírito. E eu realmente repousei. Eu me lembro que era como se eu não tivesse caído no chão; é como se eu estivesse sobre umas nuvens. E eu acho que eu fiquei ali por uns vinte, trinta minutos, mas uma experiência assim, como se eu estivesse flutuando, sabe? Uma coisa que eu não consigo descrever. Eu sei que Deus me tocou, Deus me curou, Deus me deu uma graça extraordinária diante da presença eucarística dele ali.
E eu voltei para o meu quarto. Aquilo ali, eu fiquei assim, sem palavras, sabe? É uma coisa tão extraordinária, tão poderosa, tão grandiosa, tão gloriosa, que eu não sabia descrever, não sabia o que estava acontecendo. Mas eu fui para o meu quarto e senti no meu coração o ímpeto de abrir a Bíblia. Eu abri a Bíblia e acabei lendo essa passagem que eu vou ler aqui para você. Deus falou comigo claramente aquilo que tinha acontecido: eu tinha me afastado, ido para a faculdade. E eu, sozinho no meu quarto, no escuro, só com uma luz assim do abajur, igual tem aqui — peguei a Bíblia, abri, e essa passagem foi o que Deus utilizou para falar comigo.
Então, Baruc, capítulo 3. [Lê a oração dos exilados, do versículo 1 em diante.] “Senhor todo-poderoso, Deus de Israel, é uma alma angustiada e um coração atormentado que clama a vós. Escutai, Senhor, tende piedade, porque pecamos contra vós… escutai a prece dos mortos de Israel, dos filhos daqueles que pecaram contra vós, que não atenderam à voz do Senhor seu Deus, e por isso foram levados à desgraça.”
Olha aqui, ó, o que acontece toda vez comigo, com você, quando a gente peca. Por que a gente é levado à desgraça? Porque a gente não ouve, a gente não atende à voz do Senhor.
Versículo 5: “Não mais tomeis em conta os crimes de nossos pais; lembrai-vos apenas, nesta hora, do poder do vosso nome. Sois o Senhor nosso Deus, e nós queremos louvar-vos, Senhor…”. Como a gente começou, nós vos louvamos, né? “No louvor Deus habita.”
Versículo 9: “Escuta, Israel, os mandamentos de vida” — é Deus falando comigo — “medita, a fim de que aprendas a prudência”. Olha. Versículo 10: “De onde vem, Israel…” — ali era eu colocava meu nome: de onde vem, Gustavo? — “de onde vem que te encontras em terra inimiga, que definhas em solo estranho, passas por imundo qual cadáver e és contado entre os ocupantes dos túmulos?”.
Que palavra forte, hein? Está perdido, está em pecado, e está como se fosse um morto-vivo. Essa daqui é a pessoa que vive em pecado mortal, ó: é contada entre os ocupantes dos túmulos.
Versículo 12 — esse versículo aqui queimou meu coração. Eu até anotei aqui, ó: “segunda experiência de oração”. Então, Baruc 3,12: “Negligenciaste a fonte da sabedoria. Se houvesses caminhado pelas sendas de Deus, poderias habitar para sempre na paz.”
Por que é que a pessoa perde a paz? Ah, escolhe caminhar, fazer o próprio caminho, seguir pelo pecado, pelos caprichos, pelo gosto, por aquilo que a pessoa quer fazer, né? Ao invés de ter a prudência e caminhar pelas sendas de Deus.
Versículo 14: “Aprende onde se acha a prudência, a força e a inteligência, a fim de que saibas, ao mesmo tempo, onde se encontram a vida longa e a felicidade, o fulgor dos olhos e a paz”.
Meus amigos, eu vou te falar uma coisa, hein? Como essa palavra foi forte para mim. Negligenciaste a fonte da sabedoria. Eu tenho aqui no meu livro, ó, disponível aí no Brasil, Direção Espiritual, volume 3 — eu vou pegar aqui para você. Então, na página 40 do meu livro diz assim: “Muitas pessoas têm feito a mesma coisa que eu fiz: têm se afastado de Deus e negligenciado a fonte da sabedoria, que é o próprio Deus. Temos que parar de fazer isso e começar a viver na fonte da sabedoria — não rejeitá-la nem negligenciá-la, o que é a mesma coisa que viver como se Deus não existisse em nossa vida”. Aí eu conto aqui uma experiência que eu tive alguns meses depois dessa experiência de oração, mas eu quero parar por aqui.
O que Deus tem direcionado na sua vida e que você tem ignorado? O que Deus tem pedido para você? O que Deus tem inspirado no seu coração, que você não tem feito, e que às vezes você não tem isso aqui, né — essa felicidade, esse fulgor dos olhos, essa paz? Será que você não está negligenciando a fonte da sabedoria? Será que Deus não está se comunicando, está falando com você? Porque Deus fala conosco através de outras pessoas, através da Palavra e através de acontecimentos. Será que Deus não está, às vezes, através desse vídeo, tentando falar para você que você está muito perdido, muito querendo fazer a sua própria vontade, esquecendo a vontade de Deus? Será que, às vezes, com o acontecimento que você está passando agora, Deus não está querendo falar algo para você? Será que com essa palavra Deus não está falando algo com você também?
Deus falou muito comigo, e eu tomei a decisão de largar de ser besta, como diria o padre Léo, né? Eu fui pesquisar o que significava negligência, e fui pesquisar mais sobre a fonte da sabedoria na Bíblia. E eu achei aqui no livro do Eclesiástico — deixa eu pegar aqui, se eu achar — capítulo 1, versículo 1: “Toda a sabedoria vem do Senhor Deus”. E aqui no versículo 20: “O temor ao Senhor é a plenitude da sabedoria”. No versículo 22: “O temor ao Senhor é a coroa da sabedoria: dá uma plenitude de paz e de frutos de salvação”.
E parece que assim está tudo entrelaçado, né? Aquilo que a gente começou através do louvor, o Salmo 137; a palavra de Baruc; agora o livro do Eclesiástico dizendo que o temor ao Senhor é a coroa da sabedoria, dá uma plenitude de paz e de frutos de salvação. Que grande graça, né? Grande graça poder acolher essa palavra — o temor do Senhor, o temor ao Senhor. Toda a sabedoria vem do Senhor. E desejar viver de acordo com a vontade de Deus.
Esse livro aqui é fruto de aproximadamente quinze anos em que eu escrevi sobre direção espiritual. Deus me deu a graça a partir dessa experiência que eu contei para vocês; tem outras experiências que eu conto aqui no livro. Mas essa palavra é tão impactante que eu coloquei aqui atrás do livro, ó. Se você vê aqui atrás, está escrito: Baruc 3,12 — “Negligenciaste a fonte da sabedoria”.
E aqui tem um trecho do prefácio que o padre Bruno escreveu: “A conversão não termina no primeiro encontro com Deus — é ali que começa. Se a graça abre a porta, é a perseverança que conduz o discípulo à plenitude da união com Cristo. Este terceiro volume de Direção Espiritual acompanha o leitor nesse itinerário interior: da dramática realidade do pecado ao arrependimento sincero, do reencontro com a misericórdia no sacramento da reconciliação ao combate espiritual e à perseverança na graça. Não se trata apenas de evitar o mal, mas de aprender a viver plenamente para Deus. Enquanto houver um coração disposto a voltar, nunca faltará o abraço do Pai, que espera, perdoa e restaura”.
Então deixo para você aí este livro, Direção Espiritual volume 3, que você encontra na UICLAP — vou deixar o link aqui. E eu tenho também o meu livro Gratia Plena, meditações sobre a Mãe de Deus, que vai te ajudar a aumentar no seu coração, na sua vida, a sua devoção a Nossa Senhora; está na loja da UICLAP também, e vou deixar o link aqui para você.
Espero que você tenha conseguido tirar algo de útil para a sua vida através dessa formação. E Deus te abençoe.


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