Resumo do vídeo

Do desejo de morte ao encontro com Cristo

Neste longo testemunho, Gustavo relata como, ainda adolescente, passou cerca de dois anos pensando em cometer suicídio — e como foi alcançado pela misericórdia de Deus. Partindo da mesma confissão de São Paulo, que se reconhece "o primeiro dos pecadores" (1Tm 1,12-17), ele narra a própria história como prova de que ninguém está perdido demais para ser resgatado. O fio condutor é claro: a vida sem amor é uma espécie de morte, e foi o amor concreto de Jesus, mediado por pessoas simples e pela oração, que devolveu sentido à sua existência.

O relato avança em ordem cronológica, desde a gestação até a vida adulta, mostrando como feridas muito precoces foram se acumulando até desembocarem na ideia de morte — e como, no mesmo ponto de maior escuridão, a graça já estava agindo silenciosamente. Gustavo faz questão de dirigir-se, o tempo todo, a quem hoje pensa em tirar a própria vida, pedindo que o vídeo seja compartilhado com jovens e adolescentes que atravessam esse sofrimento.

Uma infância marcada pela rejeição

Gustavo conta que sua história começa antes mesmo de nascer: fruto de uma gravidez difícil, sua mãe, vendo-se sozinha, chegou a pensar em abortar, sendo dissuadida por amigas. Ele diz ter sentido essa rejeição ainda no ventre. Não foi batizado quando criança porque o padre, na ocasião, não aceitou realizar o batismo. Cresceu sem a presença do pai — que sequer sabia ser seu filho — e sem instrução religiosa, entregue à rua, aos palavrões e a companhias que lhe ensinaram "besteiras". Desde muito cedo teve contato precoce com a sexualidade, através de revistas e de brincadeiras aprendidas na vizinhança. Relata ainda que, aos sete anos, foi levado por uma mulher a um terreiro, onde sua vida chegou a ser oferecida ao demônio — episódio que, olhando para trás, ele lê como raiz de muito do que viria depois.

A adolescência e a ideia de suicídio

Por volta dos treze anos veio o auge da revolta. Tímido, solitário e sem amigos após uma mudança de bairro, Gustavo passou a brigar diariamente com a mãe e a sentir um ódio cuja origem não compreendia. Comparava-se a colegas que tinham pai, carro e família, e sentia-se "largado no mundo". Influenciado por um rapaz igualmente isolado que falava em se matar, começou a repetir para si mesmo: "eu vou me matar". Chegou a imaginar em detalhes como o faria. O que o segurava, confessa, era uma única cena imaginada: a de sua mãe encontrando-o morto e chorando por ele. Esse afeto ferido, mas ainda vivo, o impedia de seguir adiante — e ele o reconhece como um primeiro sinal da graça de Deus.

A escrita como refúgio e a leitura espiritual do sofrimento

Num dia de crise, depois de uma briga violenta, Gustavo pegou papel e caneta e começou a escrever tudo o que sentia. A escrita foi acalmando o ódio, e o texto terminou, quase sem querer, com a frase "o nome dele é amor" — algo que, sem saber, apontava exatamente para o que lhe faltava. Ele compara essa experiência ao rei Saul, atormentado por um espírito que só se aquietava quando Davi tocava a harpa. A partir daí, faz uma advertência central: o pensamento suicida, para ele, não é apenas uma ideia da própria cabeça ou um modo de ver o mundo na adolescência, mas também uma porta espiritual que se abre à ação do maligno. A escrita — que renderia, ao longo da vida, mais de duzentos poemas — tornou-se um dos instrumentos pelos quais Deus o foi sustentando.

O encontro com Jesus

A virada começou com uma promessa feita a Deus numa noite de doença e desespero, e concretizou-se quando uma tia o inscreveu na catequese. O catequista, Lafayette, apresentou-lhe coisas nunca ouvidas — que o católico vai à missa, e que pode ir mais de uma vez por semana — e o conduziu com afeto. Convidado a um grupo de oração jovem, Gustavo, a princípio desconfiado, foi tocado quando pessoas rezaram uma Ave-Maria por ele; dias depois, sentiu uma alegria inexplicável. Num encontro seguinte, uma mulher vestida de Nossa Senhora o abraçou, e ele, que não costumava chorar, chorou muito, começando a sentir-se amado. Numa "experiência de oração", ouviu pregações sobre o Verbo que se fez carne (Jo 1,1-16), sobre a Paixão de Cristo e sobre Nossa Senhora, e derramou lágrimas durante um dia inteiro diante de um amor de Deus que jamais imaginara existir.

A libertação e a nova vida

O ponto culminante do testemunho acontece diante do altar, aos quinze anos, quando Gustavo, pedindo perdão pelos próprios pecados, tocou a toalha do altar. Uma pessoa, sem o conhecer, anunciou que o sangue de Jesus estava sendo derramado sobre ele e que seus pecados eram perdoados. Ele descreve ali uma profunda libertação — que lê em contraste direto com a oferta feita ao demônio na infância — amparada nas passagens "o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado" (1Jo 1,7) e "já não há nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus" (Rm 8,1). A partir dali rompeu com o que o prendia: rasgou pôsteres e revistas, abandonou músicas e hábitos antigos, comprou uma Bíblia e passou a viver a fé, mesmo enfrentando incompreensão e zombaria por querer ser santo.

Recaída, perseverança e a cura da solidão

Gustavo não esconde as dificuldades que se seguiram: um afastamento de cerca de cinco anos, um namoro em que quase caiu, e o longo trabalho de deixar-se transformar. Ao retornar, viveu uma experiência intensa do batismo no Espírito Santo. Assumindo com São Paulo que ainda não alcançou a meta, mas se empenha porque foi "conquistado por Cristo" (Fl 3,8-12), narra como aos vinte anos foi curado da solidão que mais o atormentava. Aprendeu também a perdoar a mãe, passando a compreendê-la e a abraçá-la todos os dias dizendo "eu te amo" — algo antes impossível. Por fim, num encontro de cura interior, reviveu a própria história desde a concepção e descobriu que uma enfermeira o havia oferecido a Nossa Senhora ao nascer; reconhece nela a intercessora de todas as graças que o impediram de se matar e o conduziram até a felicidade que hoje vive.

Não desista de viver, não desista da sua vida, porque Ele não desistiu de você. Deus quer fazer novas todas as coisas em você.

Para levar para a vida

  • Quem pensa em se matar não está sozinho nem sem saída: a mesma graça que alcança "o primeiro dos pecadores" pode alcançar qualquer pessoa.
  • O pensamento de morte pode ser também uma investida espiritual — buscar a Deus, a oração e a Igreja é caminho concreto de libertação.
  • Colocar a dor para fora — escrevendo, rezando, procurando alguém para desabafar — pode ser o fio pelo qual Deus segura uma vida.
  • O amor recebido de Deus torna possível perdoar e amar quem nos feriu, inclusive os próprios pais.
  • Vale a pena viver: Cristo, que sofreu por amor, garante o valor de cada vida — e Nossa Senhora acompanha e intercede por quem se sente perdido.

Passagens citadas: 1Tm 1,12-17; Jo 1,1-16; 1Jo 1,7; Rm 8,1-2; Fl 3,8-12; Ap 21,5

Transcrição completa do vídeo

Transcrição integral do áudio do vídeo, organizada em parágrafos para facilitar a leitura.

Do bem, bem-vindos ao blog. E hoje nós vamos partilhar sobre um tema que é um pouco da minha história, na verdade, né? Eu fui um adolescente que pensou durante mais ou menos dois anos em cometer suicídio. Então esse é o tema de hoje.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, amém. Crux sacra sit mihi lux, non draco sit mihi dux. Vade retro, satana; nunquam suade mihi vana. Sunt mala quae libas; ipse venena bibas. Amém. Nossa Senhora das Graças, rogai por nós. São José, rogai por nós. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, amém.

Então, irmãos, faz algum tempo, desde a Quaresma, que a gente não tem esses vídeos aqui, mas com alegria: seja bem-vindo a esse blog, seja bem-vindo a esse vídeo. Seja bem-vinda a mais uma formação. Que a graça de Jesus Cristo, nosso Senhor, a comunhão do Espírito Santo e o amor do Pai esteja sobre você, sobre a sua família, e que, pela intercessão da Virgem Maria, você seja agraciado durante essa formação.

Se você conhece algum jovem que você acha que está pensando em suicídio, eu queria convidar você a partilhar esse vídeo também com ele. Compartilha no seu Facebook, no seu Instagram, onde você puder, nas suas redes sociais. Envia para jovens, envia para adolescentes, envia esse vídeo para que eles sejam libertos dessa ideia de suicídio.

Então, eu queria começar com a Primeira Carta de Paulo a Timóteo, no capítulo 1, no versículo 12. "Dou graças àquele que me deu forças, Jesus Cristo, o nosso Senhor, porque me julgou digno de confiança e me chamou ao ministério — a mim, que outrora era blasfemo, perseguidor e injuriador. Mas alcancei misericórdia, porque ainda não tinha recebido a fé e o fazia por ignorância. E a graça de nosso Senhor foi imensa, juntamente com a fé e a caridade que está em Jesus Cristo. É uma verdade absolutamente certa e merecedora de fé: Jesus Cristo veio a este mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro. Se encontrei misericórdia, foi para que, em primeiro lugar, Jesus Cristo manifestasse em mim toda a sua magnanimidade, e eu servisse de exemplo para todos os que a seguir nele crerem para a vida eterna. Ao Rei dos séculos, Deus único, invisível e imortal, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém." Palavra do Senhor. Graças a Deus.

Então, meus irmãos, assim como São Paulo, eu sou uma pessoa que alcançou a misericórdia do Senhor. A minha vida começa lá na minha gestação, como eu já partilhei aqui. Vocês sabem que eu não fui concebido como muitos de vocês o são, né? A minha mãe teve que fazer lá a sua simpatia — eu sempre esqueço essa palavra. A minha mãe teve que fazer lá a sua simpatia para ela poder ter um filho do meu pai, que ela queria muito. Aí ela engravidou e depois ela se viu passando pela situação de uma mãe solteira e pensou em abortar. E as amigas dela ajudaram e falaram para ela não abortar. Enfim, com a graça de Deus, eu não fui abortado. Mas já no ventre da minha mãe eu me sentia muito rejeitado.

Nasci. E, quando a minha mãe foi me levar para ser batizado na igreja, o padre não aceitou, porque a minha mãe era casada. E aí eu cresci sem ser batizado. Eu me lembro que lá com os meus três, quatro anos de idade — porque a minha mãe trabalhava período integral no hospital, e a minha avó trabalhava também — ela não tinha muito tempo para ficar comigo. Então eu tinha uma empregada, e ela me deixava nos jardins de infância. Eu lembro que eu fui no jardim de infância do Snoopy. Mas as lembranças que eu começo a ter são de quando eu fui num jardim de infância de umas irmãs religiosas, se eu não me engano, que ela me deixou um dia para eu começar a estudar, fazer parte disso. E eu chorei muito, e eu fiquei na porta, no portão da escola, porque eu não queria ficar lá sozinho. Eu não queria conhecer gente nova, não queria me envolver com ninguém, não queria conhecer ninguém.

E foi assim, depois, em outro jardim de infância que eu fui. E quando eu fiz seis anos, eu fui para a primeira série, e aconteceu a mesma coisa: eu chorei, porque eu não queria ficar no meio dos alunos. E com os meus seis anos, eu tenho a lembrança de que eu conheci o meu pai, que até então eu não tinha visto. O meu pai estava fora de cena; na verdade, ele nem sabia que eu era filho dele, como minha mãe tinha feito a simpatia sozinha. É como se ela tivesse feito o filho sozinha, mas não é o que aconteceu.

Mas enfim, eu cresci. E lá na rua em que eu morava, naquela época, em 1996, 1997, lá no Gaveté, não era tão perigoso como é hoje em dia. Então a gente, criança, também não tinha muita tecnologia; a gente ficava na rua, brincava de bola, conversava, corria. Eu era uma criança muito arteira, lá com os meus seis, sete anos de idade. Eu aprendi na rua, os moleques da rua, e eu falava muito palavrão. Falava muitas coisas sem sentido. Não tinha instrução religiosa, não tinha obrigação. A minha mãe não me obrigava a ir para a igreja, porque ela também não ia. Algumas vezes eu fui convidado a fazer catequese, mas nunca achei muito interessante. Eu ia uma vez ou outra, mas não tinha nem ideia do que era a igreja, as orações, e não tinha nada mais para esconder. Eu nunca tinha ouvido falar nada de Deus, e crescia a minha vida assim. E foi até aos quinze anos dessa forma.

O que aconteceu é que, quando eu tinha sete anos de idade, eu aprendi na rua as brincadeiras. E é claro que os amigos falam muitas coisas, muitas besteiras. E também a minha mãe tinha umas revistas pornográficas que ela deixava escondido na última gaveta da minha cômoda. E quando ela saía, eu ficava vendo aquilo e ficava imaginando o que era aquele negócio de gente pelada. E aí na rua o pessoal ensinou besteira. E por causa dessas influências eu comecei a querer estimular a minha sexualidade. E quando eu percebi — eu acho que eu tinha seis ou sete anos de idade — a minha tia, a minha mãe pegava o meu primo fazendo aquilo que se chama de troca-troca na sala de casa. E as pessoas, sabendo disso, uma mulher que morava duas casas para cima da gente pegou meu primo e levou a gente um dia a um terreiro de candomblé. Eu me lembro até hoje da cena: a mulher colocou a mão na minha cabeça, bateu o pé no chão, ela estava toda de branco, cheia de colar assim — o meu primo também se lembra dessa cena — e ela ofertou a minha vida para o demônio.

Aí, disso, eu já era uma criança sem muito contato com os pais, sem muita instrução. Eu cresci assim, na rua, perdido, não tinha muita educação, só falava palavrão, e fui ofertado ao demônio. Aí teve muitas brincadeiras com a sexualidade quando eu tinha oito anos, depois quando eu tinha dez anos, doze anos, e a minha vida foi sempre marcada por essas coisas negativas, muito precoces.

Quando eu tinha treze anos, foi o auge da minha, vamos dizer assim, rebeldia, e eu comecei a ouvir rock. E eu já era uma criança tímida, que não gostava de conhecer ninguém, já era uma pessoa muito revoltada, e eu não tinha educação, não sentia amor, não tinha muita vontade de viver — essa é bem a realidade. Com treze anos eu comecei a brigar muito com a minha mãe, e começou a surgir dentro de mim um ódio, uma coisa que eu não sabia de onde vinha. E eu tinha uma raiva dela; parecia que ela fazia as coisas de propósito para me humilhar. Ela me humilhava na frente dos outros, quando falava, por exemplo, que eu estava no banheiro e demorava no banheiro. Ela me humilhava quando levava a gente para conhecer alguém — ela sabia que eu não gostava de conhecer gente nova. Quando eu era mais novo, aparecia uma pessoa nova que ela levava para eu conhecer, e, em vez de cumprimentar a pessoa, eu virava as costas e saía bufando, pisando no chão com raiva, e entrava no meu quarto com tudo, batia a porta, trancava a porta, corria para baixo da cama e começava a chorar.

Então eu tive muitos problemas de relacionamento, de amizades. Eu não tinha muitos amigos; os amigos que eu tinha eram os amigos lá da rua, que me ensinaram essas besteiras. Depois, com doze anos de idade, a gente se mudou para outro bairro, e aí eu fiquei completamente sem amigos. Comecei a estudar no Champagnat — isso foi quando eu estava na sétima série — e eu comecei a ficar muito sozinho, muito fechado em mim mesmo.

Com os meus treze anos eu brigava com a minha mãe. Eu me lembro até hoje da cena — isso aqui foi uma coisa muito marcante na minha vida. Ela estava discutindo comigo, e ela xingava, eu também xingava, e eu saí revoltado, bufando, como isso era uma coisa muito comum, e dei um soco na parede, abri o portão, chutei o portão, gritei e xinguei. E não consegui entrar num consenso com ela, e aquele ódio só aumentando. E eu não sabia de onde é que aquilo vinha.

E aqui, para as pessoas que acham que o bebê que está no ventre da mãe não sente as coisas, não entende as coisas, não ouve: mas ele também guarda. Porque aquele sentimento, aquela ideia de me abortar da minha mãe, veio a se concretizar quando eu tinha treze anos. E todo aquele ódio que ela tinha — não só a rejeição natural do corpo da mulher quando ela descobre que está grávida, mas também aquele desejo de abortar — veio à tona, e eu queria matar minha mãe. Pensei muitas vezes nisso. Mas eu não sou um daqueles... bom, eu tenho o histórico, mas eu não sou uma daquelas pessoas que teria coragem de fazer isso. Então a solução para mim foi começar a pensar em me matar. Essa era a minha ideia.

E, principalmente, também por influência: eu não tinha amigos, mas eu tinha um rapaz que era bem sozinho e bem esquisitinho, também parecido comigo. E aí ele começou a conversar comigo, e a gente ia conversando, e ele falou: "eu pensei em me matar". E eu falava: "por quê?". Ele falava: "porque a vida não tem sentido, porque... não sei, porque eu não sou bonito, porque eu sou pobre, porque eu não tenho condição". E eu comecei a me identificar com aquele rapaz. E eu começava a olhar para as pessoas também, porque eu não tinha meu pai para me levar de carro para a escola; a minha mãe nunca dirigiu, a gente nunca teve condição de ter um carro. Sempre morei com a minha avó, porque a minha mãe, e eu também, a gente não tinha condição nem de alugar uma casa. E eu olhava para as pessoas que iam de carro para a escola, e eu olhava para as pessoas que tinham família, e eu me sentia uma pessoa largada no mundo.

Como se não bastasse, tinha só problema atrás de problema, da sexualidade, e todo lugar que eu ia só arranjava problema. E isso, a partir dos meus treze anos de idade, começou a fazer muito sentido para mim, e eu falava: "eu vou me matar, eu vou me matar". E eu pensava: "como que eu vou me matar? Eu tenho que arranjar um jeito de tirar a minha própria vida, porque a minha vida não vale nada. Eu não sinto amor, eu não sei o que é amor, na verdade". E a minha casa era um inferno. Eu só brigava com a minha mãe todo dia. Eu gostava quando eu estava fora de casa, porque quando eu chegava na minha casa começava o inferno.

E aí, uma das coisas que me levava, quando eu pensava realmente "eu vou me matar", eu ficava pensando o que eu ia fazer: eu ia na cozinha, ia pegar uma faca, ia passar no meu pescoço, ia cortar o meu pescoço fora. E aí eu ficava imaginando o que ia acontecer depois disso. E aí também já é um sinal da graça de Deus: eu imaginava que, depois que eu tivesse cortado o meu próprio pescoço, a minha mãe ia chegar na cozinha, e ela ia ver o meu corpo todo ensanguentado, e ela ia começar a chorar. E a minha ideia de pensar que a minha mãe ia me ver com o pescoço fora do corpo e ia começar a chorar me fazia ficar emocionado. Porque, embora eu sentisse um ódio, uma coisa assim, que eu queria matar ela, em vez de matar ela eu pensava em me matar. Isso me segurou.

E, como eu estava dizendo, esse dia gritei, briguei, xinguei; ela também brigou e me xingou; e eu saí, dei um murro na parede e chutei o portão. Eu estava com muito ódio, com muita raiva; isso estava dentro de mim, assim. E eu voltei para dentro de casa, e, por providência de Deus, tinha lá um papel e uma caneta. E eu, sem saber o que fazer — e é claro, ali a graça de Deus já agia na minha vida, mesmo sem eu perceber — eu comecei a escrever. Eu peguei aquela caneta e escrevi com toda a força que eu tinha naquele papel, como se pudesse colocar para fora de mim, no papel, aquilo que eu estava sentindo de ódio, de raiva, de desejo de morte. Eu comecei escrevendo assim: "Essa porcaria desse mundo deveria ir à merda", com tudo o que isso expressa. E eu comecei a escrever. Escrevi, escrevi, escrevi, escrevi uma página inteira, virei a página, continuei escrevendo. E aquilo foi me acalmando.

E quando eu terminei de escrever, a última linha foi mais ou menos assim: "Ele não desrespeita a um, ele não desrespeita a idade... religamos o coração... ele não desrespeita a um ou a todos; o nome dele é amor". E ali era o que eu precisava, mas até então eu não sabia. Daí, com os meus treze anos, eu continuei com essas ideias, mas a graça de Deus reagindo através do que eu escrevia. Eu, por inspiração de Deus — que, é claro, foi nessa situação tão terrível — eu comecei a escrever, e eu encontrei nisso uma forma de aliviar esse ódio que eu tinha, essa raiva.

Como a gente vê na Bíblia, quando Saul virou rei, ele tinha um espírito dentro dele, e a única coisa que fazia aquele espírito dentro dele se acalmar era quando ele chamava alguém para tocar música. O Davi ia lá e tocava a harpa; quando Davi tocava a harpa, o espírito maligno que estava em Saul se acalmava. E isso aconteceu comigo. E isso aqui também para dizer para você que pensa em se matar, você que pensa em suicídio: não é só uma ideia da sua cabeça, de como você vê o mundo e de como você se sente na adolescência. Mas um espírito maligno diz — assim como a mim — quando você diz "eu quero me matar", ou você pensa "eu vou me matar", você começa a dar abertura espiritual para demônios se alojarem ao redor de você e continuarem a influenciar a sua cabeça.

E aí, o que aconteceu é que, com treze, quatorze, quinze anos, a minha vida não tinha nenhum sentido. Mas, em momentos de crise, eu escrevia. Isso, juntamente com a ideia de imaginar minha mãe chorando ao me ver morto na cozinha, me segurava para não me matar. Teve um dia que eu fiquei muito mal. Eu sentia que era como se eu fosse morrer, que eu não precisava nem me matar, que eu ia morrer, e eu não sabia o que fazer. E nesse dia eu fechava o olho, eu tinha dor de cabeça, eu tinha dor no estômago, eu tinha dor no corpo, e eu não tinha saída.

E o que eu fiz foi uma promessa a Deus: que, se eu fosse curado, eu ia para a igreja por uma semana. E, para que eu pudesse cumprir aquela promessa — porque eu não ia para a igreja de jeito nenhum, eu nem sabia o que era a igreja, eu tinha a mesma visão da minha mãe. Porque, quando ela me levou para ser batizado, o padre não queria me batizar, e ela ficou com ódio da igreja, e ela foi alimentando isso ao longo dos anos, e isso se tornou uma coisa natural: "a igreja é a coisa mais ridícula do mundo". E ela tinha passado isso para mim também. Mas, como para mim não tinha solução, eu achava que eu ia morrer, e eu fiz essa promessa para Deus: e, se eu não fosse durante uma semana, todos os dias, na outra semana eu ia ter que ir duas semanas — e a promessa ia dobrando.

E isso foi três, quatro horas da manhã, e eu não conseguia dormir, e eu tinha terminado essa promessa. E eu levantei, e a minha avó também acordou. Eu falei para ela que eu estava me sentindo muito mal, e ela me deu bicarbonato de sódio. Eu tomei o bicarbonato de sódio, eu continuei passando mal, mas depois de um tempo, seis horas da manhã, eu consegui dormir. Esqueci. Esqueci dessa promessa e continuei a viver a minha vida, quatorze anos, quinze anos.

E a única coisa que passava na minha vida: eu queria me matar. Como todo adolescente rebelde, eu me fechava. E aí eu conhecia a filosofia e começava a pensar sobre a vida, que as pessoas ricas são desgraçadas, e que todo mundo da minha família era demônio, e eu odiava todo mundo, eu não tinha amor, e eu só pensava em morte. E eu raspava meu cabelo aqui, na máquina zero, dos lados, e deixava o cabelo crescer aqui na frente, só para ser diferente. Eu colocava o boné assim, em cima do olho, e eu ouvia muito aquelas músicas do Eminem, que ele falava "I will kill you", "eu vou te matar". E eu me identificava muito com essas coisas de morte, de ódio. E eu era uma pessoa que não tinha amigos, eu era uma pessoa muito solitária. E eu gostava das meninas, comecei a escrever alguns poemas, algumas coisas românticas, mas eu tinha muita vergonha, eu não conseguia falar com ninguém. E na minha casa, minha mãe não conversava comigo, a gente só brigava, e não tinha ninguém, não tinha amigo, não tinha ninguém para me abrir, não tinha ninguém para desabafar. A única coisa que me segurava de me matar era escrever e pensar na minha mãe chorando ao me ver morto na cozinha.

Com quinze anos, com quatorze para quinze anos, a minha tia, sem me perguntar nada, foi lá e fez a minha inscrição na catequese. E eu falei: "eu não vou com essa porcaria de igreja não, não tem nada a ver com a igreja". Mas, como a minha vida não tinha sentido, como a minha vida era muito sem graça, como na minha vida morrer era a coisa que eu mais pensava, eu falei: "eu não tenho nada a perder". E eu comecei a ir para a catequese.

E quando eu comecei a catequese, dos quatorze para os quinze anos, o Lafayette foi o meu catequista, e ele me falou as coisas de Deus. E ele falou uma coisa muito importante, que até essa idade eu nunca tinha ouvido na vida: "católico tem que ir para a missa". E aí, por causa que ele falou, e eu comecei a gostar dele — ele era uma pessoa que cativa muito as outras pessoas — eu comecei a ir para a missa porque ele falou. E eu me lembro que eu achava muito estranho, eu não sabia as orações, e as pessoas todas sabiam de cor; eu achava incrível como as pessoas conseguiam rezar o Pai-Nosso. Depois o Lafayette falou que você pode ir na missa mais de uma vez por semana — outra coisa que eu não sabia — e aí eu achei muito legal. E aí, na comunidade em que eu morava, no Cabo Frio, tinha missa sábado à noite, tinha missa domingo de manhã e domingo à noite, e eu comecei a ir sábado à noite, depois da catequese, e domingo à noite também. E eu comecei a achar muito legal, era uma coisa muito nova para mim.

E eu, participando da missa, teve um pessoal que começou a me convidar para participar de um grupo de oração também — esse grupo chamado Messias da Paz — quando eu tinha meus quinze anos. E eu achava muito estranho, jovem na igreja, e eu não queria participar. Até que, em uma certa ocasião, meu primo também foi comigo na missa, e ele falou: "vamos ficar no grupo". E ele falou que era um pessoal que dançava, que rezava, e eu achava muito estranho, eu achava que era brincadeira, não acreditava nisso. E aí eu fiquei, o pessoal dançou mesmo. E no final do grupo eles convidaram as pessoas que estavam participando pela primeira vez para ir lá à frente, porque eles tinham uma lembrancinha. E eu não queria ir, mas eu acabei indo, fui com meu primo, fizeram um sorteio: meu primo ganhou um tercinho e eu ganhei um marcador de bíblia, que eu estou tentando achar aqui. Mas daí eles rezaram e falaram assim: "agora a gente vai rezar uma Ave-Maria por vocês". Eles rezaram aquela Ave-Maria.

Depois, o que passou naquela semana... que eles rezaram aquela Ave-Maria por mim, várias pessoas estenderam a mão assim e rezaram a Ave-Maria. Eu nunca, até os meus quatorze, quinze anos de idade, nunca tinha me sentido tão feliz na minha vida. E eu ia para a escola e eu sentia uma alegria que eu não sabia de onde vinha, uma coisa estranha assim dentro de mim. E eu fiquei refletindo: "o que será que aconteceu? O que mudou na minha vida, que eu estou sentindo essa alegria que eu não sei de onde vem?". E eu me lembrei: foi lá naquele grupo de jovens que eu participei. "Eu não sei o que aconteceu, mas esse negócio de oração acho que deu certo, porque eu estou sentindo uma alegria que eu não sei de onde vem."

E aí eu fui pela segunda vez. Na terceira vez que eu fui no grupo, era um negócio do Dia das Mães. E eu lembro até hoje que, até essa idade, como eu tinha muito desejo de morte, eu era uma pessoa muito tímida, muito fechada, eu não chorava também. E aí, nessa terceira vez que eu participei do grupo, do Dia das Mães, uma mulher vestida de Nossa Senhora, que era a Lu, veio e me abraçou. E eu senti uma coisa que eu não sabia de onde vinha, eu estava sentindo uma alegria, e eu comecei a sentir um amor que eu não sabia o que era, e eu comecei a me sentir amado. E ali eu chorei muito, chorei muito naquele grupo, e aquilo foi uma coisa muito especial para mim.

Eu continuei participando, e depois de um tempo eles falaram de uma coisa chamada experiência de oração. E, nesse estágio, eu já ia para a catequese sábado à noite, ia para a missa sábado à noite, ia para a missa domingo à noite, e depois da missa domingo à noite eu ficava no grupo de oração. E aí eu fui para essa experiência de oração. Quando eu cheguei lá, eu não tinha a mínima ideia do que era, e eles começaram a falar de Deus. Eu lembro até o João Rafael pregando; ele falou assim: "fecha os seus olhos, imagina que você está num campo e Jesus vem ao seu encontro". Eu nunca tinha vivido isso, nunca tinha visto, e eu fechei os meus olhos e eu vi Jesus, e ele era a coisa mais linda do mundo. Ele sorria para mim e ele me abraçava.

E eu me lembro que, às três horas da tarde, teve uma pregação sobre Jesus que morreu na cruz, e eu nunca tinha ouvido falar aquilo. Inclusive, foi um gordinho que pregou; eu falei: "esse gordinho não está com nada, não vai falar nada que presta, ele é muito devagarzinho". Mas ele começou a falar do amor de Jesus de uma forma que eu nunca tinha ouvido falar na minha vida. E, por causa disso, eu quero ler aqui para você o Evangelho de João, capítulo 1: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam."

Depois, no versículo 9: "O Verbo era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu." Isso aqui era eu, até esse momento, três horas da tarde. "Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam." No versículo 12: "Mas a todos aqueles que o receberam, os que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade." No versículo 16: "Todos nós recebemos graça sobre graça." E, se você está nas trevas, deixa essa luz, que é o Verbo, te iluminar agora. Você está pensando em tirar a sua própria vida porque você acha que a sua vida não vale a pena, que não tem sentido: deixa essa luz te iluminar agora, a luz de Cristo te ilumina.

Eu chorei muito, eu derramei muitas lágrimas, eu fui muito tocado naquele momento, porque eu nunca tinha ouvido falar que existia um Deus que tinha encarnado no ventre de Maria, que tinha descido à terra para me salvar. Nunca tinha ouvido falar de um amor, de um Deus tão maravilhoso assim, e aquilo me tocou tão profundamente. Eu chorei tanto — aquilo que eu não tinha chorado na minha vida, até os quatorze, quinze anos de idade, eu chorei naquele dia, chorei demais. Eu chorei desde as nove horas da manhã até nove horas da noite; eu ainda estava chorando, eu falei: "meu Deus, eu devo estar ficando doente". Eu tive que sair no meio do negócio, porque eu tinha o meu encontro de batismo, que eu tinha que aprender como que ia ser batizado, bem no dia dessa experiência de oração. Mas enfim, voltei à noite para continuar a chorar mais um pouco.

E aí a Mari fez uma pregação sobre Nossa Senhora e o nosso Senhor. "Quem é essa Nossa Senhora?" Ela falou tão bonito de Nossa Senhora, uma mulher que também tinha aceitado ser a mãe de Jesus. Eu achei tão lindo, e eu chorei demais. Mas a coisa mais marcante foi que ela falou que existia uma mulher, chamada hemorroíssa, que sangrou durante muitos anos, e aí, quando ela encontrou Jesus, ela tocou na orla do manto de Jesus e foi curada. Ela falava — acho que a gente foi para um lugar que tinha um altar, tinha um negócio estranho, parecia um negócio de sol, que eu nunca tinha visto, e tinha um pedaço de pão lá, e ela falou "aquele é Jesus", e eu não entendia nada, não sabia o que estava acontecendo — mas ela falava: "vai e toca na toalha do altar, porque, assim como aquela mulher, a hemorroíssa, foi curada, você também vai ser curado". E eu não sabia, mas eu senti vontade de fazer isso.

Um pouco antes, esse dia, eu já tinha sido muito tocado, porque as pessoas estavam dando o seu tempo de graça para ir lá cozinhar, e a gente comeu uma comida gostosa, e o pessoal falando de Deus. E todo mundo... eu nunca tinha sentido tanto amor na minha vida, foi um banho de amor, eu chorei o dia inteiro. E aí, nesse momento, à noite, diante do altar assim, no meu coração eu falava para Jesus, pedindo perdão pelos meus pecados, que eu tinha feito, da sexualidade, de todas as besteiras que eu tinha feito até ali, aos meus quatorze, quinze anos. E eu não acreditava muito nesses negócios de revelação, de libertação, de todas essas coisas, não acreditava muito, mas eu, no meu íntimo, ali falava para Jesus aquilo que eu tinha passado, pedia perdão, e eu assumi um propósito de dar perdão para as pessoas também, que eu tinha feito essas brincadeiras sexuais.

E aí, na hora que eu fui lá e toquei na toalhinha do altar — que eu não entendia muito bem — o pessoal estava cantando, tinha algumas pessoas chorando, e estava muito cheio. E na hora que eu toquei, a mulher que estava à frente falou assim: "para tudo aqui, para de cantar, vão parar, para de rezar". E aí ela falou assim: "você que está aí". Eu falei, dentro de mim — porque eu não gostava, eu era muito tímido — eu falei: "tomara que não seja eu, tomara que não seja eu". "Você que está aí, você que tocou agora na toalha do altar, você está sendo tocado; na hora que você tocou, alguma coisa tremeu neste lugar, este lugar tremeu, no mundo espiritual aconteceu um impacto." E eu, dentro do meu coração: "tomara que não seja eu". Ela falou: "você, de vermelho mesmo". E eu estava com uma blusa vermelha. Eu falei: "puta merda, por que que tem que ser eu?". E ela falou assim: "Jesus está falando para mim que ele está derramando o sangue dele sobre você, e os seus pecados da sua infância, que você estava pedindo perdão, estão sendo perdoados; ele está te dando uma nova vida". E aconteceu uma libertação muito grande aqui. Isso, eu tinha quinze anos de idade.

Você lembra que eu falei que, quando eu tinha sete anos, eu tinha sido levado para um terreiro de candomblé, e a mulher, uma mãe de santo, tinha oferecido a minha vida para o demônio? Agora, com quinze anos, quando ela falou que alguma coisa tinha tremido, o sangue de Jesus tinha sido derramado sobre mim, eu tinha sido liberto do demônio. E eu nem separei essa passagem aqui, mas eu vou querer usar ela aqui só para poder falar para você disso, do sangue de Jesus: João 1,7 — "o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado". Mas aqui, Romanos 8, versículo 1: "De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito da vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte."

Ali, naquele momento, quando eu toquei naquela toalha, o sangue de Jesus foi derramado sobre mim, a graça de Deus me alcançou, a luz me tirou das trevas, e eu tive uma nova vida. Deus me tocou profundamente, Deus me curou de uma forma que eu nunca tinha sentido antes, Deus me amou, Deus me deu o amor dele, Deus me deu graça sobre graça, bênção sobre bênção, quebrou maldição, tirou a consagração do demônio, restaurou a minha vida, me levantou das trevas, me iluminou, e eu comecei a ser uma pessoa feliz. Eu comecei a ser uma pessoa muito feliz depois desse momento.

Minha mãe tinha escrito uma carta, a minha família também escreveu, falando assim: "que, se você estiver no caminho pensando que você está sozinho, não se esqueça que eu estou com você, e a gente te ama muito". A minha avó escreveu: "você é um neto que toda avó queria ter". Minha mãe escreveu: "você é o filho que toda mãe queria ter" — ela nunca tinha falado isso. Eu chorei demais, eu não parava de chorar. Eu comecei nove horas da manhã a chorar, e era meia-noite e eu estava lá chorando. E não era chorinho assim, como estou chorando agora, de emoção de lembrar disso, mas era um choro que não acabava nunca. E o pessoal que eram os servos do grupo — eu lembro até hoje, o Newton ficou lá comigo, que Deus te abençoe, você que está assistindo — ele ficou lá comigo, vendo eu chorar. E eu lembro daquela carta, eu chorava demais, porque era uma coisa que eu nunca tinha ouvido antes, e eu tinha sentido uma chama de amor surgindo no meu coração.

E aí, depois, no outro dia, teve a efusão do Espírito Santo. Mas aquele amor de Jesus tinha me tocado tanto, aquele Jesus ali, naquele pedaço de pão, na Eucaristia, tinha transformado a minha vida, tinha me libertado do demônio. Nossa, eu comecei a viver uma vida na graça de Deus. E eu tinha um pôster do Axl Rose assim na minha porta, de cueca — eu queria ser igual a ele. Eu rasguei o pôster, fui lá no negócio de igreja, comprei uma plaquinha com aquela passagem da minha vida, Primeira João 1,7, escrita assim: "o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado". Aí eu tirei o Axl Rose e coloquei a passagem da Bíblia. E aí a revista, e besteira, e pornografia, e tonteira, rompi com tudo. Parei de assistir televisão, parei de ouvir música mundana, do Guns N' Roses, de Legião Urbana, de tudo quanto é coisa. Um dia, quando eu estava na cama, eu falei: "Jesus, por cada chicotada eu quebro um CD, pelo seu sofrimento", e ir rompendo com as coisas do mundo. Rasguei a revista, rasguei com tudo, comprei uma Bíblia e comecei a ler a Bíblia.

E aí a minha vida foi muita dificuldade, passei muita, muita dificuldade, né? Porque, se o jovem está pensando em se matar, como eu estava; se está revoltado, que fica ouvindo rock, se fecha no quarto, que quer usar droga, que quer colocar piercing, fazer tatuagem, quer colocar brinco, quer ir para a balada, que transa — "não tem problema". Mas se o jovem quer renunciar ao pecado, que quer viver com Jesus, porque conheceu o sentido da sua vida, como o santo homem dizia, aí "acha que é louco", né? Enquanto você está fumando maconha, enquanto você está transando, enquanto você está no pecado, enquanto você desrespeita seus pais, enquanto você tem desejo de morte, "é normal". Agora, se você quer ser santo, quer ser santo, quer ler a Bíblia, quer fazer a vontade de Deus, quer ser de Deus, quer ser cheio do Espírito Santo, aí "não pode".

Aí eu passei por muitas dificuldades. Claro, com quinze anos meu encontro com Jesus mudou completamente a minha vida, mas eu não deixei de ser, não deixei de carregar aquilo que estava dentro de mim; eu tinha ainda muita dificuldade de relacionamento com a minha mãe. E ela escreveu isso para mim, e eu cheguei, eu não consegui nem dar um abraço nela, dessas coisas de ódio. E levou cinco anos. Cinco anos. Eu caí, me afastei, por causa que eu tinha uma namorada, e aí a gente quase caiu num pecado de transar — que eu era virgem — e me afastei, comecei a fazer faculdade. Depois eu voltei, e aí, de novo, no sábado à noite, diante de Jesus Eucarístico, eu fiquei ali diante daquele altar, e eu tive uma experiência maravilhosa com Jesus. Eu recebi o batismo do Espírito Santo, eu recebi no meu corpo, minha mão começou a queimar, começou a subir pelo meu corpo, meus pés, a minha perna. Na hora que eu caí no chão, meu corpo estava dormente, eu fui arrebatado, eu senti a glória de Deus, eu tive uma experiência maravilhosa.

Eu tive uma experiência aqui, como São Paulo diz, meus irmãos, e daqui eu separei para eu falar também, e nada começou a fazer sentido para mim. Filipenses 3,8: "Na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por ele tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo e estar com ele, não com a justiça que vem da lei, mas com a justiça que se obtém pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus, pela fé. Anseio pelo conhecimento de Jesus Cristo, pelo poder da sua ressurreição, pela participação em seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na morte, com a esperança de conseguir a ressurreição dentre os mortos." E eu, uma pessoa que queria me matar, já tinha sido transladado da morte para a vida pelo sangue de Jesus. Isso é tão sério que o padre Epil falava: "a vida sem amor é pior do que a morte". Essa era a vida que eu tinha. E Jesus veio e mostrou que era amor, me amou, me carregou no colo, e aí toda essa morte se transbordava no meu coração, levava a vida para a escola, e muitas coisas aconteceram.

Mas no versículo 12: "Não pretendo dizer que já alcancei esta meta e que cheguei à perfeição, não; mas eu me empenho em conquistá-la, uma vez que também eu fui conquistado por Jesus Cristo." Eu fui conquistado por Jesus Cristo. É isso que você, que está pensando em se matar, precisa: deixe-se conquistar por Jesus. Busque a Deus, busque a igreja, busque a Renovação Carismática, busque rezar, faz uma promessa para Deus, faz alguma coisa. E olha só, aquela promessa que eu fiz lá atrás, eu vim a cumprir depois. É claro, aí, como eu fiquei um bom tempo sem a igreja, meu número já devia estar lá uns cinco anos, e a graça de Deus me levou aí para a igreja todos os dias, durante cinco anos da minha vida. É Deus que faz as coisas maravilhosamente bem, e ele faz bem todas as coisas.

Mas aí, meus irmãos, eu continuando na igreja, depois dessa experiência que eu tive na segunda experiência de oração, e fiz um propósito com Deus, e passei por muitas dificuldades, tive um namoro, quase caí em pecado. Aí, num certo dia, quando eu tinha vinte anos, eu fui curado da coisa que mais me atormentou durante a minha vida, que é a solidão — a solidão que faz muitos jovens hoje ainda pensarem em se matar também. Jesus me curou da solidão depois de cinco anos que eu estava na igreja. Então, as coisas de Deus levam tempo. E aí, nesse cair, levantar, cair, levantar, eu tive muitas graças de Deus, de entender aquilo que eu passava. E é por isso que eu posso falar para você isso hoje, porque eu passei por isso, e eu posso falar com autoridade, porque Deus me deu a graça de entender.

Quando você pensa em se matar, um espírito maligno começa a soprar no seu ouvido: "se mata, vai no trem, se joga, pega uma faca, toma veneno, corta seu pulso, faz isso, faz aquilo". Mas isso é um espírito maligno. E agora eu fui liberto disso, eu espero que você seja liberto pela cruz de Cristo, pelo poder do sangue de Jesus — o sangue de Jesus purifica de todo pecado. Você, que está preso com esse espírito de suicídio, seja liberto agora, em nome de Jesus. Você, que está preso com esse espírito de morte, você acha que a sua vida não vale a pena: saiba que tem um Deus que levou 5.480 pancadas por você, e ele, com o seu sangue derramado na cruz, diz que vale a pena, sim; você vale a pena. Não desista de viver, não desista da sua vida, porque ele não desistiu de você. Deus quer fazer novas todas as coisas em você.

Não sei se você assistiu àquele filme do Mel Gibson, A Paixão de Cristo. Quando Jesus está passando com a cruz, e quando Nossa Senhora vai ao encontro dele, ela olha nos olhos dele, e ele diz uma frase para ela que está no Livro do Apocalipse, no capítulo 21, no versículo 5: "Eis que faço novas todas as coisas". Deixa Jesus renovar o seu coração — todas as coisas; ele tem poder para transformar.

Eu vim de uma situação de desejo de morte, tinha ódio da minha mãe. Depois de muito tempo, perdoei a minha mãe de todo o meu coração, porque também Deus me deu a graça de entender o que ela passava. Deus me levou a ver a vida com os olhos dela, e eu consegui entender, porque ela também não recebeu amor, ela não sabia me dar amor. E eu comecei a me aproximar da minha mãe, e eu falei: "eu vou dar um abraço", porque a gente não se abraçava antes, a gente só se sentava e brigava. Eu dei um abraço — no dia que eu... lembro até hoje que eu dei um abraço nela, ela meio que me empurrou e achou a coisa mais estranha do mundo, porque a gente, quando a gente está longe de Deus, a gente se transforma em animal. E aí, depois, eu comecei, eu fiz um propósito: "eu vou abraçar minha mãe todo dia".

Você também, que tem ódio, tem dificuldade de relacionamento com a sua mãe, com o seu pai, por qualquer situação que seja: a sua coração, a forma como você a vê, peça o Espírito Santo, a graça de você ver a vida com os olhos deles, para você ver como foi difícil para eles também criar e educar você. Mas enfim, eu comecei a fazer esse propósito com Jesus: "eu vou abraçar minha mãe todo dia e vou falar uma coisa que eu não consigo falar: eu te amo". E no começo foi muito difícil, mas o amor de Jesus supera todas as coisas, ele renova todas as coisas. Ele renovou a minha história, e eu comecei a fazer isso, abraçar minha mãe todo dia, antes de dormir, e falar que eu amava ela. Porque, se tinha um Deus que me amava, ele me dava a capacidade de amar. E você também, que não recebeu o amor de seus pais, você que não se sentiu amado: Deus te dá a capacidade de você dar amor para eles. E o amor de Deus que transforma você vai transformar eles também. Em nome de Jesus, receba essa graça.

E aí, meus irmãos, nessa caminhada, eu escrevi um poema. É claro, eu escrevi muitas coisas contando a minha história com Deus; se você quiser ver, depois você entra lá, GustavoMunhao.blogspot.com, tem lá todos os poemas que eu escrevi, as músicas, desde a minha primeira experiência com Jesus, que eu fiz uma música com o nome de Jesus, depois muitas coisas. Mas a pessoa que às vezes pensa em se matar é porque ela não encontrou o seu lugar ainda. E eu encontrei o meu lugar, foi com Jesus. E, nessa caminhada, eu quero contar, eu quero ler para vocês esse poema, que a gente já vai terminar também, já está estendendo quase cinquenta minutos, para poder cair lá no nosso coração essa graça. Esse poema se chama "Meu Lugar", e essa é a história da minha vida:

"Busquei o meu lugar no mundo que vivo. Conversei e brinquei na roda dos amigos, na bola, na faculdade, e fingi o que eu não era para me encaixar no grupo. Dou até um bom tempo de piadas e risadas, mas, com a verdade desnudada, me recolhi na solidão. Busquei o meu lugar no mundo dos outros; fui um ator impecável durante certo tempo. Não tenho problema em fingir que gosto de certas coisas ou pessoas, já que não tenho muitos gostos ou ideias pré-formadas; sempre me afastava em decisões que comprometiam. Busquei o meu lugar dentro de casa; o desentendimento e a incompreensão me fizeram isolado da família, dos parentes de sangue e vizinhos. Não tenho alguém para conversar e ouvir o que digo.

Busquei o meu lugar no mundo dos internautas; joguei muita conversa fora e fingi me preencher com amigos virtuais e conversas baratas ou chulas até altas horas. Encontro companhias distantes; no mundo real, percebo que sempre corro atrás das pessoas, mas não agrado ninguém, sempre me decepciono no final; parece que todos se afastam. A sociedade vive de aparências, pois se odeia pelo hedonismo; o que tem valor é o ter coisas — quanto mais coisas, mais você vale. Acho que esse é o motivo de eu não ser interessante. Cheguei ao fundo do poço em busca do meu lugar. Lá encontrei alguém que me amou sem perguntar de onde eu vinha ou o que eu tinha; ele não se importou se eu sabia truques ou meios de agradar e atrair as pessoas, ou o amor. Hoje sei que nada tem sentido sem Jesus, tudo é vazio. Quando cansei de buscar o meu lugar, fui encontrado pelo meu amado. Cheguei, Senhor: meu lugar é o seu coração."

Eu vou terminar essa pregação com uma música que eu escrevi também, relacionada ao Coração de Jesus, que é o meu lugar. Mas eu quero terminar falando para você por que eu cheguei até aqui. Porque, depois de quase dez anos que eu estava na igreja, eu fiz um encontro chamado Ágape Terapia. E lá, nessa Ágape Terapia, eu revivi o momento em que eu estava desde a minha concepção, dentro da barriga da minha mãe, até a minha vida, até os vinte e quatro anos de idade — isso já era bem mais para frente. E aí eu tive a graça de rever, tipo, poder reviver aquilo que aconteceu comigo enquanto eu estava na barriga da minha mãe, todo esse negócio de aborto, o negócio com o meu pai, as dificuldades que a minha mãe passou, as amigas que iam ajudar ela.

E aí, quando eu nasci, teve uma enfermeira — isso foi dia 28 de novembro de 1990, nove horas da manhã — teve uma enfermeira que me pegou no colo, que era muito católica, e aí ela ofereceu a minha vida para Nossa Senhora, ela me entregou, lá do meu nascimento, para Nossa Senhora. Nessa Ágape Terapia, Nossa Senhora me pegou no colo. E, como se não bastasse todas as experiências que eu tive com Jesus, eu tive uma experiência muito forte com ela, e Jesus me levou a entender tudo o que tinha acontecido na minha vida. E eu percebi que Nossa Senhora esteve sempre presente. Foi ela que me alcançou as graças de Deus para eu não me matar, foi ela que me deu o dom de escrever — hoje são mais de duzentos poemas que eu escrevi desde os treze anos, quando eu estava querendo me matar. Foi ela que alcançou a graça da minha tia me inscrever na catequese, e foi por causa de uma Ave-Maria que rezaram por mim, quando eu tinha os meus quatorze, quinze anos, que a minha vida foi transformada, que eu fui liberto do espírito de suicídio.

E hoje eu cheguei aonde eu estou, e eu sou a pessoa mais feliz do mundo, casado com a esposa mais maravilhosa que podia existir nessa terra. Tudo na minha vida sempre foi por causa de Nossa Senhora. E eu queria terminar isso rezando uma Ave-Maria por você. Essa Ave-Maria, que rezaram por mim, foi a minha salvação; talvez pode ser a sua também. Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém. Que Deus te abençoe, e a gente se vê na próxima formação. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, amém. Louvado seja o nosso Senhor Jesus Cristo.

Ai, aqui eu não consegui achar aquela hora, mas eu achei: a primeira vez que eu participei do grupo, em que eles rezaram uma Ave-Maria por mim, é esse negócio que eu ganhei aqui, que a gente não caia nunca, mas, se cair, a mão de Deus irá nos segurar. Ele escreveu essa mensagem aqui para mim: "Deus abençoe a sua vida, pela sua força de vontade e o seu sim para Deus. Parabéns pelo primeiro passo, te esperamos no próximo domingo. Grupo de Jovens Messias da Paz."