Santo Agostinho de Hipona

Santo Agostinho de Hipona

Tarde Te amei

Confissões, X, 27

LatimPortuguês

Sero te amavi, pulchritudo tam antiqua et tam nova, sero te amavi! Et ecce intus eras et ego foris, et ibi te quaerebam, et in ista formosa, quae fecisti, deformis inruebam. Mecum eras, et tecum non eram. Ea me tenebant longe a te, quae si in te non essent, non essent. Vocasti et clamasti et rupisti surditatem meam; coruscasti, splenduisti et fugasti caecitatem meam; fragrasti, et duxi spiritum et anhelo tibi; gustavi, et esurio et sitio; tetigisti me, et exarsi in pacem tuam.

Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Te amei! Eis que estavas dentro de mim, e eu fora, e lá fora Te procurava; e, disforme como era, lançava-me sobre as coisas belas que fizeste. Estavas comigo, e eu não estava contigo. Retinham-me longe de Ti aquelas coisas que, se não estivessem em Ti, nem existiriam. Chamaste, clamaste e rompeste a minha surdez; brilhaste, resplandeceste e afugentaste a minha cegueira; exalaste o Teu perfume, respirei-o, e agora suspiro por Ti; provei-Te, e agora tenho fome e sede de Ti; tocaste-me, e ardi no desejo da Tua paz.

OrigemSanto Agostinho de Hipona · Confissões, X, 27

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A história desta oração

Santo Agostinho (354–430) passou a juventude procurando a verdade e a felicidade longe de Deus. Converteu-se em Milão em 386, foi batizado por Santo Ambrósio na Páscoa de 387 e depois foi bispo de Hipona, no norte da África.

Por volta de 397–400, escreveu as Confissões, a história da sua alma contada a Deus. No livro X, capítulo 27, está esta página: Deus estava dentro dele, e ele o procurava fora. A festa de Santo Agostinho é em 28 de agosto, um dia depois da de sua mãe, Santa Mônica.

Perguntas frequentes

Onde está o “Tarde Te amei” nas Confissões?

No livro X, capítulo 27 (parágrafo 38 nas edições numeradas).

O “Tarde Te amei” é uma oração?

As Confissões inteiras são uma oração dirigida a Deus, e este trecho é rezado assim há séculos. A Liturgia das Horas o lê na festa de Santo Agostinho.

A frase “A morte não é nada” é de Santo Agostinho?

Não. Esse texto, muito lido em funerais, é de um sermão de Henry Scott Holland, cônego anglicano, de 1910.

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Schola Gregoriana · CC BY-SA