Jesus Misericordioso, a primeira pintura da imagem (Eugeniusz Kazimirowski, 1934)

II Domingo da Páscoa · 4 de abril de 2027

Domingo da Divina Misericórdia: a festa, a indulgência plenária e as orações

O segundo domingo da Páscoa, oito dias depois da Ressurreição, tem na Igreja um segundo nome: Domingo da Divina Misericórdia. Em 2027 a Páscoa cai em 28 de março, e por isso a festa será celebrada em 4 de abril. Nesse dia a liturgia lê o Evangelho em que Jesus ressuscitado entra no cenáculo de portas fechadas, deseja a paz aos discípulos e lhes dá o poder de perdoar os pecados (Jo 20,19-31).

Esta página reúne o que é preciso saber para viver bem esse domingo: de onde vem a festa, quem foi Santa Faustina, o que diz o decreto que concede a indulgência plenária, o que significam a imagem e a hora das três da tarde, e como rezar o terço e a novena que preparam a festa.

Como nasceu a festa

Em 30 de abril de 2000, segundo domingo da Páscoa, São João Paulo II canonizou em Roma a religiosa polonesa Maria Faustina Kowalska. Na homilia da Missa, ele anunciou que aquele domingo, a partir de então, se chamaria em toda a Igreja Domingo da Divina Misericórdia. Poucos dias depois, em 5 de maio de 2000, o decreto Misericors et miserator, da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, acrescentou esse nome ao título do domingo no Missal Romano.

Não se trata de uma festa nova que substitui a oitava da Páscoa: as leituras e as orações da Missa continuam as do segundo domingo da Páscoa. O nome sublinha aquilo que esse domingo já celebra, a misericórdia de Cristo ressuscitado que perdoa e dá a paz.

A data ficou ligada também ao próprio João Paulo II. Ele morreu em 2 de abril de 2005, na noite de sábado, quando já se celebrava a vigília do Domingo da Divina Misericórdia. Foi beatificado em 1º de maio de 2011 e canonizado em 27 de abril de 2014, os dois atos realizados nesse mesmo domingo.

Santa Faustina e a imagem “Jesus, eu confio em vós”

Helena Kowalska nasceu em 1905, numa família pobre do interior da Polônia, e entrou na Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia com o nome de Irmã Maria Faustina. Trabalhou como cozinheira, jardineira e porteira em várias casas da congregação e morreu de tuberculose em Cracóvia, em 5 de outubro de 1938, aos 33 anos. Por ordem de seus confessores, deixou por escrito as experiências espirituais que viveu, reunidas depois no livro conhecido como seu Diário.

Segundo esse relato, na noite de 22 de fevereiro de 1931, no convento de Płock, ela viu Jesus vestido de branco, com uma das mãos erguida para abençoar e a outra tocando o peito, de onde saíam dois raios, um pálido e outro vermelho, que ela entendeu como a água e o sangue que brotaram do lado aberto de Cristo. Jesus lhe pediu que mandasse pintar essa imagem com a inscrição “Jesus, eu confio em vós” (em polonês, Jezu, ufam Tobie). Ela não sabia pintar; o primeiro quadro foi feito em Vilnius, em 1934, pelo pintor Eugeniusz Kazimirowski, sob a orientação de Faustina e de seu confessor, o padre Michał Sopoćko.

No Domingo da Divina Misericórdia muitas paróquias expõem a imagem para a veneração dos fiéis. A jaculatória da inscrição, “Jesus, eu confio em vós”, é a oração mais simples dessa devoção e pode ser rezada a qualquer hora.

A indulgência plenária do Domingo da Divina Misericórdia

Em 29 de junho de 2002, a Penitenciaria Apostólica publicou, com a aprovação de João Paulo II, um decreto que concede indulgências ligadas a esse domingo. O decreto tem valor perpétuo, de modo que vale todos os anos, inclusive em 2027.

Recebe a indulgência plenária, no segundo domingo da Páscoa, quem, nas condições de costume, fizer uma destas duas coisas:

1. Participar, em qualquer igreja ou capela, de orações e devoções feitas em honra da Divina Misericórdia; ou

2. Diante do Santíssimo Sacramento, exposto ou guardado no sacrário, rezar um Pai-Nosso e o Credo, acrescentando uma invocação piedosa a Jesus misericordioso, por exemplo: “Jesus misericordioso, eu confio em vós”.

Pede-se ainda a disposição de quem está inteiramente desapegado de todo pecado, mesmo venial. Pelas normas gerais sobre as indulgências, faltando essa disposição ou alguma das condições, a indulgência é apenas parcial. O mesmo decreto concede também indulgência parcial a quem, ao menos com o coração contrito, dirigir a Jesus misericordioso uma invocação legitimamente aprovada.

As condições de costume

As condições de costume são três: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do Papa (um Pai-Nosso e uma Ave-Maria bastam, embora se possa rezar outra oração). A confissão e a comunhão podem ser feitas alguns dias antes ou depois do domingo, mas convém que a comunhão seja recebida no próprio dia.

Quem não pode ir à igreja

O decreto pensa expressamente nos marinheiros em alto-mar, nos que foram expulsos da própria terra por guerras, crises políticas, violência local e outras causas semelhantes, nos doentes e em quem cuida deles, e em todos os que, por justa causa, não podem sair de casa ou têm um trabalho para a comunidade que não pode ser adiado. Essas pessoas podem receber a indulgência plenária nesse domingo se, detestando todo pecado e com a intenção de cumprir as três condições assim que possível, rezarem o Pai-Nosso e o Credo diante de uma imagem de Jesus misericordioso, com uma invocação piedosa. Se nem isso for possível, basta que se unam espiritualmente aos que fazem a obra prescrita e ofereçam a Deus suas orações e seus sofrimentos, com a mesma intenção de cumprir as condições depois.

O decreto pede ainda aos sacerdotes, sobretudo aos párocos, que avisem os fiéis, atendam confissões com generosidade e conduzam as orações prescritas no domingo, depois da Missa ou das Vésperas.

A Hora da Misericórdia e o Terço da Misericórdia

Nos escritos de Santa Faustina, Jesus pede que às três da tarde, hora em que morreu na cruz, se faça memória da sua Paixão e se implore a misericórdia para o mundo, sobretudo para os pecadores. Muitas paróquias reúnem os fiéis nessa hora no Domingo da Divina Misericórdia; quem não puder ir à igreja pode parar onde estiver, ainda que por um instante.

A oração mais ligada a essa hora é o Terço da Misericórdia, que Santa Faustina recebeu em Vilnius, em 1935. Reza-se num terço comum: nas contas grandes, o oferecimento ao Pai do Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus, e nas pequenas, “pela sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro”. O texto completo e o modo de rezar estão na página do terço.

A novena que começa na Sexta-feira Santa

Segundo o Diário, Jesus pediu a Santa Faustina uma novena que começa na Sexta-feira Santa e termina no sábado anterior ao Domingo da Divina Misericórdia. Em 2027, vai de 26 de março a 3 de abril. Para cada dia há uma intenção, e a prática mais comum é rezar a oração do dia e, em seguida, o Terço da Misericórdia.

As intenções dos nove dias, resumidas: 1º, toda a humanidade, sobretudo os pecadores; 2º, os sacerdotes e os religiosos; 3º, os fiéis devotos; 4º, os que não creem em Deus e os que ainda não conhecem Jesus; 5º, os irmãos separados da Igreja; 6º, os mansos e humildes de coração e as crianças pequenas; 7º, os que veneram e anunciam a misericórdia de Deus; 8º, as almas do Purgatório; 9º, as almas tíbias.

As orações de cada dia fazem parte do Diário de Santa Faustina, cujo texto tem direitos autorais, e por isso não o reproduzimos aqui. Ele se encontra nas edições autorizadas do Diário e em muitos folhetos paroquiais. Quem não tiver o texto pode rezar o terço todos os dias com a intenção correspondente. A novena não é condição para a indulgência plenária.

Preparar-se com a confissão

O Evangelho desse domingo é o da instituição do sacramento da penitência: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados” (Jo 20,22-23). A melhor preparação para a festa é uma boa confissão, feita na Semana Santa ou na própria oitava da Páscoa, que já serve como uma das condições da indulgência.

Como muitas paróquias têm filas longas nos dias que antecedem a Páscoa, vale a pena procurar o confessionário com antecedência, já nas últimas semanas da Quaresma.

Perguntas frequentes

Quando é o Domingo da Divina Misericórdia em 2027?

É sempre o segundo domingo da Páscoa, oito dias depois da Ressurreição. Em 2027 a Páscoa é em 28 de março, e o Domingo da Divina Misericórdia cai em 4 de abril. A novena que o prepara começa na Sexta-feira Santa, 26 de março.

Quais são as condições da indulgência plenária?

Confissão sacramental, comunhão eucarística, oração pelas intenções do Papa e desapego de todo pecado, mesmo venial. No domingo, é preciso participar de orações em honra da Divina Misericórdia numa igreja ou capela, ou rezar diante do Santíssimo um Pai-Nosso e o Credo com uma invocação como “Jesus misericordioso, eu confio em vós”.

Doentes e quem não pode sair de casa podem receber a indulgência?

Sim. O decreto de 2002 permite que rezem o Pai-Nosso e o Credo diante de uma imagem de Jesus misericordioso, com uma invocação piedosa, e cumpram a confissão e a comunhão assim que puderem. Se nem isso for possível, basta unir-se espiritualmente aos que rezam e oferecer a Deus suas orações e sofrimentos.

É obrigatório rezar a novena para ganhar a indulgência?

Não. A novena e o terço são devoções recomendadas para preparar a festa, mas o decreto da Penitenciaria Apostólica pede apenas as obras próprias do domingo e as condições de costume.

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Schola Gregoriana · CC BY-SA