2 de novembro · Comemoração de todos os fiéis defuntos
Dia de Finados: orações pelos fiéis defuntos e a indulgência plenária
No dia 2 de novembro, logo depois da solenidade de Todos os Santos, a Igreja faz memória de todos os fiéis defuntos. Depois de celebrar os que já estão na glória, ela se volta para os que morreram na graça de Deus e ainda se purificam, e pede por eles. No Brasil, Finados é também feriado nacional, e muita gente vai ao cemitério levar flores e acender uma vela.
Esta página reúne o essencial para viver bem esse dia: de onde vem a comemoração, o que a Igreja ensina sobre o Purgatório, como ganhar as indulgências plenárias concedidas às almas nesses dias e quais orações rezar, com o texto completo de cada uma no site.
O que é o Dia de Finados
A oração pelos mortos é muito antiga na Igreja, mas a data de 2 de novembro como dia próprio de todos os fiéis defuntos tem origem monástica. Segundo a tradição, por volta de 998 Santo Odilo, abade de Cluny, determinou que os mosteiros ligados a Cluny rezassem o Ofício dos Mortos no dia seguinte a Todos os Santos. O costume passou a outras casas e dioceses e acabou adotado por toda a Igreja do Ocidente.
Em 10 de agosto de 1915, em plena Primeira Guerra Mundial, o Papa Bento XV publicou a constituição apostólica Incruentum altaris sacrificium e estendeu a todos os sacerdotes do rito latino a permissão de celebrar três Missas no dia de Finados, privilégio que antes existia só em alguns lugares, como Espanha e Portugal. Uma das Missas pode ser aplicada por uma intenção livre, outra é por todos os fiéis defuntos e outra pelas intenções do Papa. O privilégio nunca foi revogado: até hoje, o dia 2 de novembro e o Natal são os únicos dias em que a lei geral da Igreja permite a todo padre celebrar três Missas, sem depender de licença do bispo.
O que a Igreja ensina sobre o Purgatório
O Catecismo da Igreja Católica ensina que quem morre na graça e na amizade de Deus, mas ainda não está de todo purificado, tem a salvação eterna garantida; depois da morte, passa por uma purificação para alcançar a santidade necessária para entrar na alegria do céu (n. 1030). A essa purificação final dos eleitos a Igreja dá o nome de Purgatório, que é inteiramente distinto do castigo dos condenados (n. 1031).
Por isso rezamos pelos mortos. O Catecismo lembra que essa prática se apoia na Escritura, quando Judas Macabeu mandou oferecer um sacrifício de expiação pelos que tinham morrido (2Mc 12,46), e que desde os primeiros tempos a Igreja honra a memória dos defuntos e oferece por eles sufrágios, sobretudo o sacrifício eucarístico, além de esmolas, indulgências e obras de penitência (n. 1032). O mesmo número cita São João Crisóstomo: não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer por eles as nossas orações.
As indulgências plenárias pelos fiéis defuntos
O Manual das Indulgências (Enchiridion Indulgentiarum, 4ª edição, 1999, concessão n. 29) concede duas indulgências plenárias aplicáveis somente às almas do Purgatório:
1. Em cada um dos dias de 1º a 8 de novembro, a quem visitar devotamente um cemitério e rezar pelos defuntos, ainda que só mentalmente. Pode-se ganhar uma por dia, oito ao todo, cada uma por uma alma ou pelas almas em geral.
2. No dia 2 de novembro, a quem visitar devotamente uma igreja ou um oratório e ali rezar um Pai-Nosso e o Creio. A critério do Ordinário (em geral, o bispo diocesano), essa visita pode ser feita também no domingo anterior ou no posterior, ou na solenidade de Todos os Santos.
Fora desses dias, as mesmas obras rendem indulgência parcial. Também é parcial a indulgência concedida a quem reza com devoção as Laudes ou as Vésperas do Ofício dos Defuntos, ou a oração Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso.
As condições de costume
Para a indulgência ser plenária, pedem-se as condições habituais: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do Papa (um Pai-Nosso e uma Ave-Maria bastam, embora se possa rezar outra oração), além da disposição interior de desapego de todo pecado, mesmo venial. Faltando alguma delas, a indulgência é parcial. Segundo a Penitenciaria Apostólica, essas condições podem ser cumpridas alguns dias antes ou depois da obra prescrita (cerca de vinte dias); uma confissão vale para várias indulgências plenárias, mas cada uma pede sua comunhão e sua oração pelo Papa. Só se ganha uma indulgência plenária por dia.
E o mês inteiro de novembro?
Em 2020 e em 2021, por causa da pandemia, a Penitenciaria Apostólica publicou decretos que estenderam a visita ao cemitério a oito dias à escolha em todo o mês de novembro e permitiram transferir a indulgência do dia 2 para outro dia do mês. Eram decretos temporários, válidos só para aqueles anos. Fora de uma nova concessão, vale a norma ordinária descrita acima; vale perguntar na sua paróquia ou diocese se há alguma disposição especial para este ano.
Como rezar pelos mortos
O maior bem que se pode oferecer a um falecido é a Santa Missa. Mandar celebrar uma Missa pela alma de alguém, ou assistir a ela com essa intenção e comungar por ele, é a forma de sufrágio que a Igreja sempre colocou em primeiro lugar.
Junto da Missa, a tradição recomenda o Terço oferecido pelas almas, a visita ao cemitério, as esmolas e os pequenos sacrifícios. E há orações próprias, curtas e antigas, que cabem em qualquer momento do dia: o Requiem aeternam, rezado depois de cada dezena ou ao passar diante de um cemitério; o salmo De profundis, que a Igreja reza há séculos pelos defuntos; a oração atribuída a Santa Gertrudes; e a sequência Dies irae, que por muito tempo foi cantada na Missa de defuntos.
Quem acompanha alguém à beira da morte pode rezar com ele a recomendação da alma, o Proficiscere. E para quem quer se preparar com tempo, a novena pelas almas do Purgatório pode ser começada no fim de outubro, terminando perto de Finados, ou rezada em qualquer época do ano.
Um texto que muita gente lê em velórios
Nesta época circula muito o texto "A morte não é nada", quase sempre atribuído a Santo Agostinho. Ele não é de Santo Agostinho: vem de um sermão do cônego inglês Henry Scott Holland. Contamos a história do texto, e o que a fé católica acrescenta a ele, numa página própria.
Perguntas frequentes
Quando posso ganhar a indulgência plenária de Finados?
Visitando um cemitério e rezando pelos defuntos em qualquer dia de 1º a 8 de novembro (uma por dia), e visitando uma igreja ou oratório no dia 2 de novembro, onde se reza um Pai-Nosso e o Creio. O bispo pode permitir essa visita no domingo anterior ou posterior, ou em Todos os Santos. Em qualquer caso, pedem-se confissão, comunhão, oração pelas intenções do Papa e desapego de todo pecado.
Preciso me confessar no mesmo dia?
Não. A Penitenciaria Apostólica explica que a confissão, a comunhão e a oração pelo Papa podem ser feitas alguns dias antes ou depois da obra prescrita, cerca de vinte dias. Uma única confissão serve para várias indulgências plenárias, mas cada uma pede sua própria comunhão e sua oração pelas intenções do Papa.
Posso aplicar a indulgência a mim mesmo ou a um vivo?
Não. As indulgências de 1º a 8 de novembro e do dia 2 são aplicáveis somente às almas do Purgatório. Você pode oferecê-las por um falecido em particular ou pelas almas em geral.
A indulgência vale para o mês inteiro de novembro?
Pela norma ordinária, não: a visita ao cemitério com indulgência plenária vai de 1º a 8 de novembro. A extensão a todo o mês foi concedida em 2020 e 2021 por decretos temporários da Penitenciaria Apostólica, por causa da pandemia. Nos outros dias de novembro, a visita ao cemitério com oração pelos mortos dá indulgência parcial.
Por que o padre pode celebrar três Missas no dia de Finados?
Porque Bento XV, em 1915, estendeu a toda a Igreja latina esse privilégio, que antes existia só em alguns países. Uma Missa pode ser por uma intenção livre, outra é por todos os fiéis defuntos e outra pelas intenções do Papa.