Como rezar a Via-Sacra e ganhar a indulgência
Na igreja, a Via-Sacra se reza diante das quatorze estações que ficam nas paredes da nave. Em cada uma, quem dirige diz o versículo “Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos”, ao qual todos respondem, costumeiramente de joelhos ou com uma genuflexão. Lê-se a meditação, reza-se a oração, e o grupo passa à estação seguinte cantando uma estrofe do Stabat Mater. Quem reza sozinho faz o mesmo, em silêncio ou em voz baixa.
A indulgência plenária
O Manual das Indulgências da Igreja (Enchiridion Indulgentiarum, 4ª edição, 1999, concessão 13) concede indulgência plenária a quem faz piedosamente o exercício da Via-Sacra, e também a quem se une com devoção à Via-Sacra conduzida pelo Papa e transmitida pela televisão ou pelo rádio. É uma das indulgências plenárias que se podem ganhar em qualquer dia do ano.
As normas do Manual são estas: o exercício se faz diante de estações legitimamente eretas (são necessárias quatorze cruzes, às quais se costumam juntar quadros ou imagens); é preciso ir de uma estação à outra, mas, quando a Via-Sacra é pública e o movimento de todos causaria incômodo, basta que quem dirige vá de estação em estação; e basta a meditação piedosa da Paixão e Morte do Senhor, sem que seja preciso considerar cada mistério das estações. Nenhuma oração vocal é obrigatória: o texto de Santo Afonso é um ótimo guia, mas não é exigido.
Como em toda indulgência plenária, pedem-se ainda as três condições habituais, que podem ser cumpridas alguns dias antes ou depois: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do Papa (um Pai-nosso e uma Ave-Maria bastam). E é preciso estar livre de todo apego a qualquer pecado, mesmo venial; se falta essa disposição plena, a indulgência é parcial. Só se ganha uma indulgência plenária por dia, e ela pode ser aplicada a si mesmo ou a um defunto.
IIª estação: Jesus é condenado à morte
Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera como Jesus Cristo, depois de ter sido flagelado e coroado de espinhos, foi injustamente condenado por Pilatos a morrer crucificado.
Meu adorado Jesus, não foi Pilatos, não: foram os meus pecados que vos condenaram à morte. Pelos merecimentos deste doloroso caminho, peço-vos que me assistais no caminho que a minha alma vai fazendo para a eternidade. Eu vos amo, Jesus, meu amor, mais do que a mim mesmo; arrependo-me de todo o coração de vos ter ofendido. Não permitais que eu me separe de vós. Fazei que eu sempre vos ame, e depois disponde de mim como quiserdes.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
Tende piedade de nós, Senhor.
Tende piedade de nós.
Querido Jesus, tu vais morrer por amor de mim: quero ir eu também, quero morrer contigo.
Canto (Stabat Mater)Cuius animam gementem, contristatam et dolentem pertransivit gladius.
Cuja alma, gemendo, contristada e sofrendo, uma espada trespassou.
IIIIª estação: Jesus carrega a cruz às costas
Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera como Jesus Cristo, fazendo este caminho com a cruz aos ombros, pensava em ti e por ti oferecia a Deus a morte que ia padecer.
Amabilíssimo Jesus meu, eu abraço todas as tribulações que me destinastes até a morte. Peço-vos, pelos merecimentos da dor que sofrestes ao levar a vossa cruz, que me deis ajuda para levar a minha com perfeita paciência e resignação. Eu vos amo, Jesus, meu amor; arrependo-me de vos ter ofendido. Não permitais que eu me separe de vós. Fazei que eu sempre vos ame, e depois fazei de mim o que vos agradar.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
Tende piedade de nós, Senhor.
Tende piedade de nós.
Querido Jesus, tu vais morrer por amor de mim: quero ir eu também, quero morrer contigo.
Canto (Stabat Mater)O quam tristis et afflicta fuit illa benedicta Mater Unigeniti!
Oh, quão triste e aflita esteve aquela bendita Mãe do Unigênito!
IIIIIIª estação: Jesus cai pela primeira vez
Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera esta primeira queda de Jesus Cristo debaixo da cruz. Tinha a carne toda dilacerada pelos açoites, a cabeça coroada de espinhos, e já havia derramado muito sangue; por isso estava tão fraco que mal podia caminhar. Levava ainda aos ombros aquele grande peso; os soldados o empurravam, e assim caiu muitas vezes neste caminho.
Meu amado Jesus, não é o peso da cruz, mas o dos meus pecados que vos faz sofrer tantas dores. Ah, pelos merecimentos desta primeira queda, livrai-me de cair em pecado mortal. Eu vos amo, meu Jesus, de todo o coração; arrependo-me de vos ter ofendido. Não permitais que eu vos ofenda mais. Fazei que eu sempre vos ame, e depois fazei de mim o que vos agradar.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
Tende piedade de nós, Senhor.
Tende piedade de nós.
Querido Jesus, tu vais morrer por amor de mim: quero ir eu também, quero morrer contigo.
Canto (Stabat Mater)Quae maerebat et dolebat, pia Mater, dum videbat nati poenas inclyti.
Chorava e se doía a piedosa Mãe, vendo as penas do Filho glorioso.
IVIVª estação: Jesus encontra sua Mãe aflita
Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera o encontro do Filho com sua Mãe neste caminho. Jesus e Maria olharam-se, e os seus olhares tornaram-se como outras tantas setas que feriram aqueles corações que tanto se amavam.
Amantíssimo Jesus meu, pela dor que sentistes neste encontro, concedei-me a graça de ser verdadeiro devoto de vossa santíssima Mãe. E vós, minha Rainha dolorosa, alcançai-me por vossa intercessão uma lembrança contínua e amorosa da paixão de vosso Filho. Eu vos amo, Jesus, meu amor; arrependo-me de vos ter ofendido. Não permitais que eu vos ofenda mais. Fazei que eu vos ame, e depois fazei de mim o que vos agradar.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
Tende piedade de nós, Senhor.
Tende piedade de nós.
Querido Jesus, tu vais morrer por amor de mim: quero ir eu também, quero morrer contigo.
Canto (Stabat Mater)Quis est homo qui non fleret, Matrem Christi si videret in tanto supplicio?
Quem haveria que não chorasse, se visse a Mãe de Cristo em tamanho suplício?
VVª estação: Simão Cireneu ajuda Jesus a levar a cruz
Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera como os judeus, vendo que Jesus, de tão fraco, parecia a cada passo prestes a expirar, e temendo que morresse no caminho, eles que o queriam ver morrer a morte infame da cruz, obrigaram Simão Cireneu a levar a cruz atrás do Senhor.
Dulcíssimo Jesus meu, não quero recusar a cruz como o Cireneu: eu a abraço e a aceito. Aceito especialmente a morte que me está destinada, com todas as dores que a acompanharem; uno-a à vossa morte e vo-la ofereço. Vós morrestes por amor de mim; eu quero morrer por amor de vós e para vos agradar. Socorrei-me com a vossa graça. Eu vos amo, Jesus, meu amor; arrependo-me de vos ter ofendido. Não permitais que eu vos ofenda mais. Fazei que eu vos ame, e depois fazei de mim o que vos agradar.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
Tende piedade de nós, Senhor.
Tende piedade de nós.
Querido Jesus, tu vais morrer por amor de mim: quero ir eu também, quero morrer contigo.
Canto (Stabat Mater)Quis non posset contristari, Christi Matrem contemplari dolentem cum Filio?
Quem não se entristeceria ao contemplar a Mãe de Cristo sofrendo com o Filho?
VIVIª estação: Verônica enxuga o rosto de Jesus
Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera como a santa mulher Verônica, vendo Jesus tão aflito e com o rosto banhado de suor e de sangue, lhe ofereceu um pano; e Nosso Senhor, enxugando-se com ele, deixou nele impressa a sua sagrada imagem.
Meu amado Jesus, o vosso rosto era antes formoso, mas neste caminho já não parece formoso: está todo desfigurado pelas feridas e pelo sangue. Ai de mim! Também a minha alma foi formosa quando recebeu a vossa graça no batismo, mas eu depois a desfigurei com os meus pecados. Só vós, meu Redentor, podeis restituir-lhe a antiga formosura: fazei-o pela vossa paixão.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
Tende piedade de nós, Senhor.
Tende piedade de nós.
Querido Jesus, tu vais morrer por amor de mim: quero ir eu também, quero morrer contigo.
Canto (Stabat Mater)Pro peccatis suae gentis vidit Iesum in tormentis et flagellis subditum.
Pelos pecados do seu povo, viu Jesus entre tormentos, entregue aos açoites.
VIIVIIª estação: Jesus cai pela segunda vez
Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera a segunda queda de Jesus debaixo da cruz, na qual se renova no Senhor aflito a dor de todas as feridas de sua venerável cabeça e de todos os seus sagrados membros.
Mansíssimo Jesus meu, quantas vezes me perdoastes, e quantas vezes eu tornei a cair e a ofender-vos! Ah, pelos merecimentos desta nova queda, dai-me ajuda para perseverar na vossa graça até a morte; fazei que, em todas as tentações que me assaltarem, eu sempre me recomende a vós. Eu vos amo, Jesus, meu amor, de todo o coração; arrependo-me de vos ter ofendido. Não permitais que eu vos ofenda mais. Fazei que eu sempre vos ame, e depois disponde de mim como vos agradar.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
Tende piedade de nós, Senhor.
Tende piedade de nós.
Querido Jesus, tu vais morrer por amor de mim: quero ir eu também, quero morrer contigo.
Canto (Stabat Mater)Vidit suum dulcem Natum moriendo desolatum, dum emisit spiritum.
Viu o seu doce Filho morrer desamparado, ao entregar o espírito.
VIIIVIIIª estação: Jesus fala às mulheres que choram
Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera como as mulheres, vendo Jesus Cristo tão aflito, derramando sangue pelo caminho, choravam de compaixão; mas Jesus lhes disse: “Não choreis por mim, mas por vossos filhos.”
Meu Jesus cheio de dores, eu choro as ofensas que vos fiz, pelas penas que mereci; mas ainda mais pelo desgosto que dei a vós, que tanto me amastes. Não é tanto o inferno, mas o vosso amor que me faz chorar os meus pecados. Meu Jesus, eu vos amo mais do que a mim mesmo; arrependo-me de vos ter ofendido. Não permitais que eu vos ofenda mais. Fazei que eu sempre vos ame, e depois disponde de mim como vos agradar.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
Tende piedade de nós, Senhor.
Tende piedade de nós.
Querido Jesus, tu vais morrer por amor de mim: quero ir eu também, quero morrer contigo.
Canto (Stabat Mater)Eia, Mater, fons amoris, me sentire vim doloris fac, ut tecum lugeam.
Ó Mãe, fonte de amor, fazei-me sentir a força da dor, para que eu chore convosco.
IXIXª estação: Jesus cai pela terceira vez
Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera a terceira queda de Jesus Cristo. Era extrema a fraqueza de Jesus, e extrema a crueldade dos algozes, que queriam que ele apressasse o passo quando mal tinha forças para caminhar.
Meu Jesus maltratado, pelos merecimentos da fraqueza que quisestes padecer no caminho do Calvário, dai-me a força necessária para vencer todo respeito humano e todos os meus maus apetites, que no passado me levaram a desprezar a vossa amizade. Eu vos amo, Jesus, meu amor, de todo o meu coração; arrependo-me de vos ter ofendido. Não permitais que eu vos ofenda mais. Fazei que eu sempre vos ame, e depois disponde de mim como vos agradar.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
Tende piedade de nós, Senhor.
Tende piedade de nós.
Querido Jesus, tu vais morrer por amor de mim: quero ir eu também, quero morrer contigo.
Canto (Stabat Mater)Fac, ut ardeat cor meum in amando Christum Deum, ut sibi complaceam.
Fazei que arda o meu coração no amor de Cristo Deus, para que eu lhe seja agradável.
XXª estação: Jesus é despojado de suas vestes
Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera como Jesus foi despojado com violência pelos algozes. Como a túnica interior se havia colado à carne dilacerada pelos açoites, ao lhe arrancarem aquela veste arrancaram-lhe também a pele. Compadece-te do teu Senhor e dize-lhe:
Meu inocente Jesus, pelos merecimentos da dor que então sentistes, ajudai-me a despojar-me de todo apego às coisas desta terra, para que eu ponha todo o meu amor em vós, que sois tão digno de ser amado. Eu vos amo de todo o coração; arrependo-me de vos ter ofendido. Não permitais que eu vos ofenda mais. Fazei que eu vos ame, e depois disponde de mim como vos agradar.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
Tende piedade de nós, Senhor.
Tende piedade de nós.
Querido Jesus, tu vais morrer por amor de mim: quero ir eu também, quero morrer contigo.
Canto (Stabat Mater)Sancta Mater, istud agas, Crucifixi fige plagas cordi meo valide.
Santa Mãe, fazei isto: gravai fundo em meu coração as chagas do Crucificado.
XIXIª estação: Jesus é pregado na cruz
Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera como Jesus, lançado sobre a cruz, estende as mãos e oferece ao Eterno Pai o sacrifício de sua vida pela nossa salvação. Aqueles bárbaros o pregam e depois, levantando a cruz, deixam-no morrer de dor naquele patíbulo infame.
Meu Jesus desprezado, pregai vós este meu coração aos vossos pés, para que ali permaneça sempre, amando-vos, e nunca mais vos deixe. Eu vos amo mais do que a mim mesmo; arrependo-me de vos ter ofendido. Não permitais que eu vos ofenda mais. Fazei que eu sempre vos ame, e depois disponde de mim como vos agradar.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
Tende piedade de nós, Senhor.
Tende piedade de nós.
Querido Jesus, tu vais morrer por amor de mim: quero ir eu também, quero morrer contigo.
Canto (Stabat Mater)Tui Nati vulnerati, tam dignati pro me pati, poenas mecum divide.
Do vosso Filho chagado, que por mim se dignou padecer tanto, reparti comigo as penas.
XIIXIIª estação: Jesus morre na cruz
Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera como o teu Jesus, depois de três horas de agonia na cruz, consumido enfim pelas dores, se abandona ao peso do corpo, inclina a cabeça e morre.
Ó meu Jesus morto, beijo com ternura esta cruz em que morrestes por mim. Pelos meus pecados mereci uma morte desgraçada, mas a vossa morte é a minha esperança. Ah, pelos merecimentos da vossa morte, dai-me a graça de morrer abraçado aos vossos pés e ardendo de amor por vós. Em vossas mãos entrego a minha alma. Eu vos amo de todo o coração; arrependo-me de vos ter ofendido. Não permitais que eu vos ofenda mais. Fazei que eu sempre vos ame, e depois disponde de mim como vos agradar.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
Tende piedade de nós, Senhor.
Tende piedade de nós.
Querido Jesus, tu vais morrer por amor de mim: quero ir eu também, quero morrer contigo.
Canto (Stabat Mater)Fac me tecum pie flere, Crucifixo condolere, donec ego vixero.
Fazei que eu chore piedosamente convosco e me compadeça do Crucificado enquanto eu viver.
XIIIXIIIª estação: Jesus é descido da cruz
Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera como, tendo já expirado o Senhor, dois de seus discípulos, José e Nicodemos, o desceram da cruz e o depuseram nos braços de sua Mãe aflita, que o recebeu com ternura e o apertou ao peito.
Ó Mãe dolorosa, pelo amor deste Filho, aceitai-me como vosso servo e rogai a ele por mim. E vós, meu Redentor, já que morrestes por mim, aceitai que eu vos ame, pois só a vós quero, e nada mais. Eu vos amo, meu Jesus, e arrependo-me de vos ter ofendido. Não permitais que eu vos ofenda mais. Fazei que eu sempre vos ame, e depois disponde de mim como vos agradar.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
Tende piedade de nós, Senhor.
Tende piedade de nós.
Querido Jesus, tu vais morrer por amor de mim: quero ir eu também, quero morrer contigo.
Canto (Stabat Mater)Iuxta crucem tecum stare, et me tibi sociare in planctu desidero.
Estar convosco junto à cruz e unir-me a vós no pranto: é o que desejo.
XIVXIVª estação: Jesus é colocado no sepulcro
Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera como os discípulos levaram a sepultar Jesus, já morto, acompanhado também de sua santíssima Mãe, que o acomodou no sepulcro com as próprias mãos. Depois fecharam o sepulcro, e todos se retiraram.
Ah, meu Jesus sepultado, beijo esta pedra que vos encerra. Mas vós, ao terceiro dia, ressuscitastes. Peço-vos, pela vossa ressurreição, que me façais ressuscitar glorioso convosco no último dia, para estar sempre unido a vós no céu, louvando-vos e amando-vos para sempre. Eu vos amo e arrependo-me de vos ter ofendido. Não permitais que eu vos ofenda mais. Fazei que eu vos ame, e depois disponde de mim como vos agradar.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai.
Tende piedade de nós, Senhor.
Tende piedade de nós.
Querido Jesus, tu vais morrer por amor de mim: quero ir eu também, quero morrer contigo.
Canto (Stabat Mater)Quando corpus morietur, fac, ut animae donetur paradisi gloria. Amen.
Quando o corpo morrer, fazei que à alma seja dada a glória do paraíso. Amém.
De onde vem a Via-Sacra
Desde os primeiros séculos, os peregrinos que iam a Jerusalém percorriam com devoção os lugares da Paixão do Senhor. Em 1342 os franciscanos receberam a guarda dos Lugares Santos, e foram sobretudo eles que levaram o costume para a Europa, erguendo em suas igrejas estações que permitiam fazer em espírito a mesma peregrinação. Durante muito tempo o número e os temas das estações variaram bastante de um lugar para outro.
Em 1731 o Papa Clemente XII estendeu a todas as igrejas a faculdade de ter a Via-Sacra com as suas indulgências, desde que erigida por um franciscano com a licença do bispo, e fixou o número de quatorze estações. Bento XIV, em 1742, exortou todos os sacerdotes a enriquecer as suas igrejas com ela. O grande pregador da devoção nesse tempo foi São Leonardo de Porto Maurício, frade franciscano que erigiu a Via-Sacra em centenas de lugares da Itália; a mais célebre é a do Coliseu de Roma, inaugurada em 27 de dezembro de 1750, no Ano Santo, com a aprovação de Bento XIV.
Poucos anos depois, em 1761, Santo Afonso Maria de Ligório, fundador dos redentoristas e mais tarde Doutor da Igreja, publicou o seu “Esercizio della Via Crucis”: um texto breve, simples, pensado para o povo, que foi reeditado e traduzido sem cessar e até hoje é o mais rezado nas paróquias de muitos países.
Em 1991, na Sexta-feira Santa, São João Paulo II introduziu uma Via-Sacra bíblica, cujas estações seguem apenas episódios narrados nos Evangelhos. Ela não substitui a forma tradicional, que continua sendo a mais conhecida.