
Hoje, 5 de outubro, a Igreja celebra Santa Faustina Kowalska. Quando viu pela primeira vez o quadro que ela mesma tinha mandado pintar, foi à capela e chorou. Escreveu depois: “Disse ao Senhor: quem Vos pintará tão belo como sois?” A resposta, conta ela, veio logo: a grandeza daquela imagem não estaria na beleza da tinta, mas na graça.
Helena, de Głogowiec

Nasceu Helena Kowalska em 25 de agosto de 1905, na aldeia polonesa de Głogowiec, terceira de dez filhos de uma família camponesa pobre. Foi batizada dois dias depois. Frequentou a escola por menos de três anos e aos dezesseis saiu de casa para trabalhar como empregada doméstica em Aleksandrów e em Łódź, ajudando os pais.
Os pais não queriam ouvir falar de convento. Ela bateu em várias portas, e só em 1.º de agosto de 1925 foi aceita pela Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia, em Varsóvia. Tomou o hábito em 30 de abril de 1926 e passou a chamar-se Irmã Maria Faustina; fez os votos perpétuos em Cracóvia, em 1.º de maio de 1933. Nunca teve um cargo de destaque: trabalhou na cozinha, na padaria, no jardim e na portaria.
22 de fevereiro de 1931: Płock
Foi numa noite, na cela do convento de Płock. Ela mesma descreveu: viu Jesus vestido de branco, com uma das mãos erguida para abençoar e a outra tocando a veste sobre o peito; da abertura da veste saíam dois grandes raios, um vermelho e outro pálido. Depois de um momento, ouviu: “Pinta uma imagem segundo o modelo que vês, com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós” (Diário, 47).
Explicou-lhe também o que significavam os raios: o pálido é a água que justifica as almas; o vermelho é o sangue, que é a vida das almas (Diário, 299) — os mesmos que saíram do lado aberto na cruz.
Vilnius: o pintor e o quadro
Em maio de 1933 foi transferida para Vilnius, onde trabalhou como jardineira e conheceu o padre Michał Sopoćko, confessor das irmãs. Foi ele quem procurou um pintor. Em 2 de janeiro de 1934, Faustina foi pela primeira vez ao ateliê de Eugeniusz Kazimirowski e passou meses indo até lá para orientá-lo. O quadro ficou pronto em junho de 1934.
Foi então que ela chorou. Não pelo trabalho do pintor, e sim porque nenhuma tinta chegava perto do que tinha visto. Entre 26 e 28 de abril de 1935, o quadro foi exposto pela primeira vez ao público, na Ostra Brama, o Portal da Aurora, em Vilnius.
Eugeniusz Kazimirowski nasceu em 1873, estudou nas academias de Belas-Artes de Cracóvia e de Munique e, em Vilnius, dava aulas em um seminário e pintava cenários de teatro. Morreu em 23 de setembro de 1939, em Białystok, cinco anos depois de terminar a obra pela qual ficou conhecido.
A tela que você vê acima, a primeira, é a de Vilnius. Ela está hoje no Santuário da Divina Misericórdia da cidade, a antiga igreja da Santíssima Trindade. O pintor morreu há mais de setenta anos, e por isso a imagem é de domínio público.
O Terço, em 13 e 14 de setembro de 1935
Na noite de sexta-feira, 13 de setembro de 1935, também em Vilnius, Faustina conta no Diário que viu um anjo encarregado de executar a ira de Deus sobre a terra. Começou a suplicar e, arrebatada diante do trono de Deus, ouviu interiormente as palavras da súplica: “Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e Sangue, Alma e Divindade…” (Diário, 474–475). Na manhã seguinte, na capela, recebeu a forma completa, para rezar “no terço comum” (Diário, 476). O texto que a Igreja usa hoje em polonês foi aprovado pelo cardeal Franciszek Macharski, em Cracóvia, em 1980.
- A imagem (Diário, 47–48): “Jesus, eu confio em Vós”, com a promessa de que a alma que venerar essa imagem não se perderá.
- A festa (Diário, 49; 299): o primeiro domingo depois da Páscoa deveria ser a festa da Misericórdia.
- O Terço (Diário, 476): cinco dezenas em um terço comum, com palavras próprias nas contas.
- A hora da Misericórdia (Diário, 1320): às três da tarde, pedir misericórdia para o mundo e meditar por um instante na Paixão.
O fim, e o reconhecimento
Voltou para Cracóvia em 11 de maio de 1936; a saúde foi piorando, e ela foi internada duas vezes no hospital de Prądnik. Morreu no convento de Cracóvia-Łagiewniki em 5 de outubro de 1938, às 22h45, com trinta e três anos. Foi sepultada em 7 de outubro, primeira sexta-feira do mês e festa de Nossa Senhora do Rosário.
A devoção não teve caminho fácil: em 6 de março de 1959 o Santo Ofício proibiu a difusão das imagens e dos escritos na forma recebida por ela, e a proibição foi declarada sem efeito em 15 de abril de 1978. Em 30 de abril de 2000, na praça de São Pedro, São João Paulo II a canonizou e, na mesma Missa, determinou que o segundo domingo da Páscoa passasse a se chamar, em toda a Igreja, Domingo da Divina Misericórdia. Em 2020 a memória dela, facultativa, foi inscrita no Calendário Romano Geral.
“A grandeza desta imagem não está na beleza da tinta nem do pincel, mas na minha graça.”— palavras atribuídas a Jesus no Diário de Santa Faustina, 313
“Estendo aos homens um vaso, com o qual devem vir às graças na fonte da misericórdia. Esse vaso é esta imagem com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós.”— Diário de Santa Faustina, 327
“O silêncio é uma espada na luta espiritual; jamais chegará à santidade uma alma tagarela.”— Santa Faustina, Diário, 477
As orações
O Terço da Misericórdia, rezado no terço comum, com o texto polonês aprovado à esquerda e, ao lado, o texto em português como se reza no Brasil:
No início: Ojcze nasz, Zdrowaś Maryjo, Wierzę w Boga.
Nas contas grandes:
Ojcze Przedwieczny, ofiaruję Ci Ciało i Krew, Duszę i Bóstwo najmilszego Syna Twojego, a Pana naszego Jezusa Chrystusa, na przebłaganie za grzechy nasze i całego świata.
Nas contas pequenas (dez vezes):
Dla Jego bolesnej męki miej miłosierdzie dla nas i całego świata.
No fim (três vezes):
Święty Boże, Święty Mocny, Święty Nieśmiertelny, zmiłuj się nad nami i nad całym światem.
No início: Pai-Nosso, Ave-Maria e Creio.
Nas contas grandes:
Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e dos do mundo inteiro.
Nas contas pequenas (dez vezes):
Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.
No fim (três vezes):
Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro.
— Diário de Santa Faustina, 476 · texto polonês aprovado em Cracóvia, 1980
Deus, qui sanctæ Faustínæ múnus tribuísti imménsas tuæ infínitæ misericórdiæ divítias diffundéndi, ipsa intercedénte nobis concéde, ut eius exémplo de tua bonitáte plene confídere atque caritátis ópera generóse perfícere valeámus. Per Dóminum.
Ó Deus, que concedestes a Santa Faustina a missão de difundir as imensas riquezas da vossa infinita misericórdia, concedei-nos, por sua intercessão, que possamos, seguindo o seu exemplo, confiar plenamente na vossa bondade e praticar com generosidade as obras de caridade. Por nosso Senhor.
Amém.
Sancta Faustina, ora pro nobis. Santa Faustina, rogai por nós. Jezu, ufam Tobie — Jesus, eu confio em Vós.
- São Bruno — o silêncio que fundou a Cartuxa, no dia 6.
- Nossa Senhora do Rosário — o dia do sepultamento de Santa Faustina, em 7 de outubro.
- Como rezar o terço, passo a passo — a base sobre a qual se reza o Terço da Misericórdia.
- Frases dos santos — uma coleção crescente, em português e inglês.

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