
Em 15 de setembro a Igreja celebra Nossa Senhora das Dores, e existe um terço feito sob medida para esse dia. Chama-se Terço das Sete Dores — também chamado Coroa das Dores ou Rosário das Sete Dores —, que leva uns vinte minutos e não exige nada que você não tenha. Aqui está ele inteiro, do sinal da cruz ao amém.
Não é o terço dos mistérios dolorosos
A confusão é comum, e vale desfazê-la logo. Os mistérios dolorosos do Rosário contemplam a Paixão de Cristo: a agonia no horto, a flagelação, a coroação de espinhos, a cruz às costas, a crucificação. O Terço das Sete Dores olha para outro lugar — para o que ela sofreu, e numa extensão muito maior: começa no Templo, com um bebê de quarenta dias nos braços, e só termina na porta do sepulcro.
É também uma conta diferente: em vez de cinco dezenas, sete grupos de sete Ave-Marias, um para cada dor.
De onde ele vem
O terço nasceu com a Ordem dos Servos de Maria, os servitas, fundados em Florença em 1233 por sete comerciantes que largaram tudo para servir a Virgem. Foram eles que deram forma à devoção e a espalharam pela Igreja ao longo dos séculos.
Nos anos 1980 ele ganhou uma segunda juventude num lugar improvável: Kibeho, em Ruanda. Nas aparições que a Igreja reconheceu em 2001, Nossa Senhora pediu a uma das videntes, Marie-Claire Mukangango, que ensinasse o mundo a rezar de novo o Rosário das Sete Dores.
7 Pai-Nossos e 52 Ave-Marias: sete vezes sete, mais três no final. Uns vinte a vinte e cinco minutos, rezando sem pressa.
A coroa própria tem sete grupos de sete contas, separados por medalhinhas. Se você não tem uma, conte nos dedos, sete de cada vez: as contas só servem para tirar da cabeça o trabalho de contar, e os dedos fazem o mesmo serviço.
O passo a passo
- Sinal da cruz. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
- Oração de abertura — a mesma com que começa cada hora da Liturgia das Horas, seguida do Glória ao Pai.
- Ato de contrição. Os servitas abrem o terço pedindo perdão, porque as dores dela foram causadas pelos pecados que o Filho carregou — também os nossos. Use as palavras que você souber, ou estas: Meu Deus, eu me arrependo de todo o coração de vos ter ofendido, porque sois infinitamente bom e digno de ser amado. Proponho firmemente, com o auxílio da vossa graça, não mais pecar e fugir das ocasiões de pecado. Amém.
- As sete dores. Para cada uma: anuncie a dor, pare um instante na cena, reze 1 Pai-Nosso e 7 Ave-Marias. Ao fim de cada grupo, se quiser, diga a estrofe do Stabat Mater que está logo abaixo.
- 3 Ave-Marias em honra das lágrimas de Nossa Senhora.
- Oração final e sinal da cruz.
Deus, in adiutórium meum inténde.
— Dómine, ad adiuvándum me festína.
Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto. Sicut erat in princípio, et nunc et semper, et in sǽcula sæculórum.
Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
— Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre.
Amém.
Sancta Mater, istud agas,
Crucifíxi fige plagas
cordi meo válide.
Santa Mãe, fazei isto:
gravai as chagas do Crucificado
bem fundo no meu coração.
As sete dores, uma a uma
A meditação de cada dor é curta de propósito: é para ser lida uma vez e depois deixada de lado, enquanto as Ave-Marias correm. Cada uma termina com uma graça para pedir.
A profecia de Simeão Lc 2,34-35
Maria entra no Templo para oferecer o Filho e sai de lá com uma espada anunciada. A partir desse dia ela sabe que o sofrimento virá, sem saber quando nem como — e ama assim mesmo, por trinta anos, sem deixar que a espera azede o amor.
Peçamos a graça de receber da mão de Deus aquilo que ainda não entendemos.
1 Pai-Nosso · 7 Ave-Marias
A fuga para o Egito Mt 2,13-15
José acorda de noite, e antes de amanhecer já estão na estrada. Sem despedidas, a casa ficando para trás, o Menino ameaçado por um rei que quer matá-lo. Ela obedece sem pedir explicação, e recomeça a vida num país estrangeiro.
Peçamos confiança nas mudanças que não escolhemos, e rezemos pelas famílias que tiveram de recomeçar longe de casa.
1 Pai-Nosso · 7 Ave-Marias
A perda do Menino no Templo Lc 2,41-50
Três dias procurando um filho de doze anos numa cidade cheia de peregrinos. Quando o encontram, ela não finge que não doeu: “Teu pai e eu, aflitos, te procurávamos”. E guarda no coração uma resposta que não entendeu.
Peçamos perseverança para procurar Deus quando ele parece ausente, e rezemos pelos pais que perderam um filho de vista — na rua ou na fé.
1 Pai-Nosso · 7 Ave-Marias
O encontro com Jesus a caminho do Calvário cf. Lc 23,26-27
Os Evangelhos não descrevem esse encontro; a Via-Sacra o guardou na quarta estação. Uma mãe abre caminho pela multidão e cruza o olhar com o Filho coberto de sangue. Não pode tirar-lhe a cruz. Pode não sair dali.
Peçamos a coragem de acompanhar quem sofre quando não temos nenhuma solução para oferecer.
1 Pai-Nosso · 7 Ave-Marias
A crucificação e a morte de Jesus Jo 19,25-30
Três horas de pé junto à cruz. Entre as últimas palavras do Filho, uma é para ela: “Mulher, eis aí o teu filho”. No momento em que o perde, recebe outros filhos — recebe a nós.
Peçamos amor à Santa Missa, onde esse mesmo sacrifício se torna presente, e a graça de uma boa morte.
1 Pai-Nosso · 7 Ave-Marias
Jesus descido da cruz nos braços da Mãe Jo 19,38
José de Arimateia pede o corpo a Pilatos, e o corpo desce. A arte chamou esse momento de Pietà: o mesmo colo de Belém, agora com o Filho morto. Ela o recebe com o cuidado com que o recebeu no presépio.
Peçamos consolo para quem perdeu alguém que amava, e a graça de receber a Comunhão com o mesmo cuidado.
1 Pai-Nosso · 7 Ave-Marias
O sepultamento de Jesus Jo 19,39-42
A pedra fecha o túmulo e começa o Sábado Santo. Os discípulos se dispersam; ela espera. A Igreja sempre viu nesse dia de silêncio a fé de Maria sustentando, sozinha, a fé de todos.
Peçamos esperança nas horas em que Deus se cala, e rezemos pelas almas do purgatório.
1 Pai-Nosso · 7 Ave-Marias
Terminada a sétima dor, reze três Ave-Marias em honra das lágrimas de Nossa Senhora e conclua com a oração tradicional dos servitas:
℣. Ora pro nobis, Virgo dolorosíssima.
℟. Ut digni efficiámur promissiónibus Christi.
Intervéniat pro nobis, quǽsumus, Dómine Iesu Christe, nunc et in hora mortis nostræ, apud tuam cleméntiam beáta Virgo María, Mater tua, cuius sacratíssimam ánimam in hora tuæ passiónis dolóris gládius pertransívit. Per te, Iesu Christe, Salvátor mundi, qui cum Patre et Spíritu Sancto vivis et regnas in sǽcula sæculórum.
℣. Rogai por nós, Virgem dolorosíssima.
℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Interceda por nós, Senhor Jesus Cristo, agora e na hora da nossa morte, junto à vossa clemência, a bem-aventurada Virgem Maria, vossa Mãe, cuja santíssima alma foi trespassada pela espada da dor na hora da vossa Paixão. Por vós, Jesus Cristo, Salvador do mundo, que com o Pai e o Espírito Santo viveis e reinais pelos séculos dos séculos.
Amém.
Quando rezar
- No dia 15 de setembro, festa de Nossa Senhora das Dores — e em setembro inteiro, o mês tradicionalmente dedicado a elas.
- Às sextas-feiras, o dia da semana da Paixão.
- Na sexta-feira antes do Domingo de Ramos, a antiga Sexta-feira das Dores, que muitas paróquias ainda guardam.
- Quando o tempo é curto, reze uma dor por dia: em uma semana você completa o terço, e a dor do dia fica com você até a noite.
A tradição atribui a Santa Brígida da Suécia (século XIV) sete graças prometidas por Nossa Senhora a quem honrar todos os dias as suas dores com sete Ave-Marias — entre elas paz nas famílias, consolo nas dores, defesa na luta espiritual e assistência na hora da morte.
São revelações particulares: ninguém é obrigado a crer nelas, e a devoção não depende delas. O terço vale pelo que é — vinte minutos ao lado dela, olhando para o Filho.
“Uma espada trespassará a tua própria alma, para que se revelem os pensamentos de muitos corações.”— Lucas 2,35
“Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena.”— João 19,25
Sancta Maria, Mater dolorosa, ora pro nobis. Se nunca rezou este terço, comece pela primeira dor, hoje à noite. É uma frase dita sobre um bebê — e é por ela que tudo começa.
- Como rezar o terço passo a passo — o Rosário comum, para quem está começando.
- A Exaltação da Santa Cruz — a festa de 14 de setembro, véspera das Dores.
- Santo Afonso de Ligório e as Glórias de Maria — o livro que acompanhou gerações na meditação das sete dores.


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