Vexilla Regis prodeunt:
Fulget Crucis mysterium,
Qua Vita mortem pertulit,
Et morte vitam protulit.
Avançam os estandartes do Rei,
refulge o mistério da Cruz,
na qual a Vida sofreu a morte
e pela morte nos deu a vida.
Quae, vulnerata lanceae
Mucrone diro, criminum
Ut nos lavaret sordibus,
Manavit unda et sanguine.
Ferida pela ponta cruel
da lança, para nos lavar
das manchas dos pecados,
verteu a Vida água e sangue.
Impleta sunt quae concinit
David fideli carmine,
Dicendo nationibus:
Regnavit a ligno Deus.
Cumpriu-se o que Davi
cantou em versos fiéis,
anunciando às nações:
Deus reinou do alto do lenho.
Arbor decora et fulgida,
Ornata Regis purpura,
Electa digno stipite
Tam sancta membra tangere.
Árvore bela e refulgente,
ornada com a púrpura do Rei,
escolhida, tronco digno,
para tocar membros tão santos.
Beata, cujus brachiis
Pretium pependit saeculi,
Statera facta corporis,
Tulitque praedam tartari.
Bendita, de cujos braços
pendeu o preço do mundo;
feita balança do Corpo,
arrebatou ao inferno a sua presa.
O Crux, ave, spes unica,
Hoc Passionis tempore
Piis adauge gratiam,
Reisque dele crimina.
Salve, ó Cruz, esperança única!
Neste tempo da Paixão,
aumentai aos justos a graça
e apagai as culpas dos pecadores.
Te, fons salutis, Trinitas,
Collaudet omnis spiritus:
Quibus Crucis victoriam
Largiris, adde praemium. Amen.
Ó Trindade, fonte de salvação,
louve-vos todo espírito;
aos que dais a vitória da Cruz,
dai também o prêmio. Amém.
OrigemSão Venâncio Fortunato (c. 530-c. 609) · O hino da Cruz do tempo da Paixão, escrito para uma relíquia da Santa Cruz em 569