Atribuída a Wipo da Borgonha, séc. XI

Victimae Paschali Laudes — A Sequência da Páscoa

Cantada antes do Evangelho no Domingo de Páscoa

LatimPortuguês

Victimae paschali laudes
immolent Christiani.

À Vítima pascal
ofereçam os cristãos sacrifício de louvor.

Agnus redemit oves:
Christus innocens Patri
reconciliavit peccatores.

O Cordeiro remiu as ovelhas:
Cristo, o inocente,
reconciliou com o Pai os pecadores.

Mors et vita duello
conflixere mirando:
dux vitae mortuus,
regnat vivus.

A morte e a vida travaram
um duelo admirável:
o Senhor da vida, que morreu,
reina vivo.

Dic nobis, Maria,
quid vidisti in via?

Dize-nos, Maria,
o que viste no caminho?

Sepulcrum Christi viventis,
et gloriam vidi resurgentis:

“Vi o sepulcro de Cristo vivo
e a glória do Ressuscitado;

Angelicos testes,
sudarium et vestes.

os anjos que davam testemunho,
o sudário e as vestes.

Surrexit Christus spes mea:
praecedet vos in Galilaeam.

Ressuscitou Cristo, minha esperança:
ele irá adiante de vós para a Galileia.”

Scimus Christum surrexisse
a mortuis vere:
tu nobis, victor Rex, miserere.
Amen. Alleluia.

Sabemos que Cristo ressuscitou
verdadeiramente dos mortos:
vós, ó Rei vitorioso, tende piedade de nós.
Amém. Aleluia.

OrigemAtribuída a Wipo da Borgonha, séc. XI · Cantada antes do Evangelho no Domingo de Páscoa

A história desta oração

A Victimae paschali laudes é a sequência da Páscoa: o canto que, no Domingo da Ressurreição, vem antes do Evangelho. É atribuída a Wipo da Borgonha, capelão do imperador Conrado II, no século XI, embora já tenha sido atribuída também a Notker, a Roberto II da França e a Adão de São Vítor.

Na Idade Média havia centenas de sequências; o Missal Romano de 1570 conservou apenas quatro — esta, o Veni Sancte Spiritus, o Lauda Sion e o Dies irae (o Stabat Mater entrou em 1727). Hoje ela é obrigatória no Domingo de Páscoa e facultativa nos dias da oitava.

O texto é quase um pequeno drama: os cristãos perguntam a Maria Madalena o que ela viu no caminho, e ela responde — o sepulcro vazio, os anjos, o sudário. Em latim, “Galilaeam” se lê “Galiléam” e “Christiani”, “Cristiáni”.

A forma medieval tinha mais uma estrofe, que começava com “Credendum est” e trazia uma referência ofensiva aos judeus; o Missal de 1570 a retirou e acrescentou o “Amém. Aleluia” final. Em alemão, a sequência deu origem ao cântico “Christ ist erstanden”.

Perguntas frequentes

Quando se canta a Victimae Paschali Laudes?

No Domingo de Páscoa, antes do Evangelho (é obrigatória nesse dia); durante a oitava da Páscoa é facultativa.

Quem escreveu a sequência da Páscoa?

É atribuída a Wipo da Borgonha, capelão do imperador Conrado II, no século XI.

Quais sequências ainda estão no Missal?

Victimae paschali laudes (Páscoa), Veni Sancte Spiritus (Pentecostes), Lauda Sion (Corpus Christi) e Stabat Mater (Nossa Senhora das Dores).

Outras orações: Hinos

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Schola Gregoriana · CC BY-SA