São José, padroeiro da boa morte

São José, padroeiro da boa morte

Ó São José, cuja proteção é tão grande

Uma oração popular a São José, e a verdade sobre a lenda que a acompanha

Ó São José, cuja proteção é tão grande, tão forte e tão pronta diante do trono de Deus, em vós deposito todos os meus interesses e desejos.

Ó São José, assisti-me com a vossa poderosa intercessão e alcançai-me do vosso divino Filho todas as bênçãos espirituais, por Jesus Cristo, Nosso Senhor; para que, tendo experimentado aqui na terra o vosso poder celeste, eu possa oferecer a minha ação de graças e a minha homenagem ao mais amoroso dos pais.

Ó São José, nunca me canso de vos contemplar com Jesus adormecido nos vossos braços; não ouso aproximar-me enquanto ele repousa junto ao vosso coração. Abraçai-o em meu nome, beijai por mim a sua cabeça e pedi-lhe que me devolva esse beijo quando eu der o último suspiro.

São José, padroeiro dos agonizantes, rogai por mim.

Amém.

OrigemSão José, padroeiro da boa morte · Uma oração popular a São José, e a verdade sobre a lenda que a acompanha

A história desta oração

É uma das orações a São José mais espalhadas em santinhos, correntes e mensagens. O texto em si é bonito e piedoso: confia a São José todos os nossos interesses, pede por ele as bênçãos espirituais e termina com uma cena terna, Jesus menino adormecido nos braços de José, e o pedido de uma boa morte. Por isso São José é chamado, no fim, padroeiro dos agonizantes.

A lenda que acompanha a oração

Quase sempre a oração vem acompanhada de uma nota: teria sido “encontrada no ano 50 de Nosso Senhor”, enviada pelo Papa “ao imperador Carlos” em 1505, quando ele ia para a guerra; quem a lesse, ouvisse ou levasse consigo não morreria de morte repentina, nem afogado, nem envenenado, nem queimado; rezada por nove manhãs, alcançaria qualquer pedido, porque “nunca falhou”.

Nada disso tem fundamento. Não existe nenhum documento que ligue esta oração ao século I; a sua linguagem, com Jesus “adormecido” nos braços de José e São José como padroeiro da boa morte, é a da piedade dos séculos recentes, e a devoção pública a São José só se desenvolveu muito mais tarde. Em 1505 não havia nenhum imperador Carlos: o futuro Carlos V tinha então cinco anos e só foi eleito imperador em 1519. O autor da oração é desconhecido.

As promessas automáticas também não são cristãs. O Catecismo da Igreja Católica ensina que atribuir a eficácia das orações à sua simples recitação exterior, independentemente das disposições interiores que elas pedem, é cair na superstição (n. 2111). Nenhuma oração funciona como amuleto, e nenhuma obriga Deus a conceder o que pedimos.

Como rezar

Rezada com fé, sem as promessas, é uma boa oração para confiar a São José as necessidades da família e do trabalho e, sobretudo, para pedir a graça de uma boa morte. Combina com as quartas-feiras, com o mês de março e com a novena de São José. A tradução para o português foi feita aqui, a partir do texto inglês que circula nos santinhos.

Perguntas frequentes

Esta oração foi mesmo encontrada no ano 50?

Não. Não há nenhum documento que a ligue ao século I, e a história do envio ao “imperador Carlos” em 1505 é impossível: Carlos V tinha cinco anos e só foi imperador em 1519.

É verdade que essa oração nunca falha?

Nenhuma oração funciona de forma automática. O Catecismo chama de superstição atribuir a eficácia de uma oração à simples recitação (n. 2111). Rezada com fé, ela é uma boa oração a São José, sem promessas.

Posso rezar esta oração?

Sim. O texto é piedoso e pede, por intercessão de São José, as bênçãos espirituais e uma boa morte. Basta deixar de lado a lenda e as promessas.

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Schola Gregoriana · CC BY-SA