Esta é a oração que o Padre Pio rezava depois de comungar. Chama-se, pelas suas primeiras palavras, Fica comigo, Senhor — e não pede nada. Não pede cura, nem graça particular, nem sequer consolação. Pede uma coisa só, repetida trinta vezes: que Ele não se vá embora.
De onde ela vem
Da estrada de Emaús. Dois discípulos caminham com um desconhecido que lhes vai explicando as Escrituras; ao chegarem, Ele faz menção de seguir adiante, e eles fazem-Lhe força para ficar. O Evangelho guarda a frase exata com que O seguraram:
Et coégerunt illum, dicéntes: Mane nobíscum, quóniam advespe&raacute;scit, et inclináta est jam dies. Et intrávit cum illis.
E forçaram-no, dizendo: Fica conosco, porque se faz tarde e o dia já declina. E entrou com eles.
Repare no verbo: forçaram-no. Não convidaram com delicadeza — agarraram-se. E foi depois de Ele ficar que O reconheceram, ao partir o pão. A oração do Padre Pio é essa mesma frase alongada por um homem que acabou de comungar e sabe o que vem a seguir: a manhã, o trabalho, a distração, o esquecimento.
Esta oração é publicada em toda a parte como sendo dele, e era de fato a que ele rezava depois da Comunhão. Mas o texto parece ser mais antigo do que ele: várias fontes dizem que o Padre Pio a difundiu mais do que a compôs.
Isso não lhe tira nada. Uma oração não vale pela assinatura; vale por ser verdadeira — e esta foi a que um homem com as chagas de Cristo escolheu dizer depois de O receber, todos os dias, durante cinquenta anos.
A oração
Reze-a devagar. Ela foi feita para o quarto de hora depois da Comunhão — aquele em que quase toda a gente já está pensando no almoço.
Fica comigo, Senhor, porque preciso da tua presença para não te esquecer. Bem sabes com que facilidade te abandono.
Fica comigo, Senhor, porque sou fraco e preciso da tua força, para não cair tantas vezes.
Fica comigo, Senhor, porque tu és a minha vida, e sem ti fico sem fervor.
Fica comigo, Senhor, porque tu és a minha luz, e sem ti fico nas trevas.
Fica comigo, Senhor, para me mostrares a tua vontade.
Fica comigo, Senhor, para que eu ouça a tua voz e te siga.
Fica comigo, Senhor, porque desejo amar-te muito e estar sempre na tua companhia.
Fica comigo, Senhor, se queres que eu te seja fiel.
Fica comigo, Senhor, porque, por mais pobre que seja a minha alma, quero que ela seja para ti um lugar de consolação, um ninho de amor.
Fica comigo, Jesus, porque se faz tarde e o dia declina, e a vida passa; a morte, o juízo e a eternidade aproximam-se. É preciso renovar as forças para não parar pelo caminho — e para isso preciso de ti.
Faz-se tarde e a morte aproxima-se. Temo as trevas, as tentações, a aridez, a cruz, as dores. Ó como preciso de ti, meu Jesus, nesta noite de exílio!
Fica comigo esta noite, Jesus, nesta vida com todos os seus perigos. Preciso de ti.
Faz que eu te reconheça como te reconheceram os teus discípulos ao partir o pão, para que a Comunhão eucarística seja a luz que dispersa as trevas, a força que me sustenta, a única alegria do meu coração.
Fica comigo, Senhor, porque na hora da minha morte quero permanecer unido a ti — se não pela comunhão, ao menos pela graça e pelo amor.
Fica comigo, Jesus. Não peço consolações divinas, porque não as mereço; mas o dom da tua presença, ah, esse peço-te!
Fica comigo, Senhor, porque é só a ti que eu procuro: o teu amor, a tua graça, a tua vontade, o teu Coração, o teu Espírito — porque te amo e não peço outra recompensa senão amar-te cada vez mais.
Com amor firme, amar-te-ei com todo o coração enquanto estiver na terra, e continuarei a amar-te perfeitamente por toda a eternidade.
Amém.
O que ela ensina, se a rezarmos a sério
Ela não pede coisas. Trinta vezes seguidas, o mesmo pedido: fica. É a oração de quem já percebeu que a presença Dele é a graça, e que tudo o resto vem por acréscimo ou não vem.
Ela admite a fraqueza sem drama. «Bem sabes com que facilidade te abandono.» Nenhuma promessa de melhorar, nenhuma justificação. Um homem que sangrava das chagas de Cristo dizia isto de si mesmo — e você, que não sangra, hesita em admitir o mesmo.
Ela recusa a consolação e pede a presença. Esta é a linha mais dura: não peço consolações divinas, porque não as mereço; mas o dom da tua presença, ah, esse peço-te. É a diferença entre querer sentir Deus e querer Deus. Quase toda a nossa aridez vem de confundir as duas coisas.
E ela tem pressa. Faz-se tarde. Não é melancolia: é a consciência exata de que o tempo de dizer isto é agora.
Um conselho prático, e termino. Não tente rezá-la inteira da primeira vez. Escolha uma linha — aquela que o incomodou ao ler — e reze só essa no próximo domingo, depois de comungar, em vez de sair da igreja pensando no resto do dia. O Padre Pio levou cinquenta anos nisto. Você pode começar com uma frase.
Sancte Pie a Pietrelcina, ora pro nobis. São Pio de Pietrelcina, rogai por nós.
- Padre Pio: cinquenta anos com as chagas — a vida, o sacerdócio, os terços e os milagres.
- Novena a Santa Teresinha — nove dias, de 22 a 30 de setembro.
- Frases dos santos — uma coleção crescente, em português e inglês.

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