Esta é a oração que o Padre Pio rezava depois de comungar. Chama-se, pelas suas primeiras palavras, Fica comigo, Senhor — e não pede nada. Não pede cura, nem graça particular, nem sequer consolação. Pede uma coisa só, repetida trinta vezes: que Ele não se vá embora.

De onde ela vem

Da estrada de Emaús. Dois discípulos caminham com um desconhecido que lhes vai explicando as Escrituras; ao chegarem, Ele faz menção de seguir adiante, e eles Lhe fazem força para ficar. O Evangelho guarda a frase exata com que O seguraram:

Lucas 24,29 · a frase que está por baixo de toda a oração
Latim · Vulgata

Et coégerunt illum, dicéntes: Mane nobíscum, quóniam advespe&raacute;scit, et inclináta est jam dies. Et intrávit cum illis.

Português

E forçaram-no, dizendo: Fica conosco, porque se faz tarde e o dia já declina. E entrou com eles.

Repare no verbo: forçaram-no. Não convidaram com delicadeza — agarraram-se. E foi depois de Ele ficar que O reconheceram, ao partir o pão. A oração do Padre Pio é essa mesma frase alongada por um homem que acabou de comungar e sabe o que vem a seguir: a manhã, o trabalho, a distração, o esquecimento.

Uma nota honesta sobre a autoria

Esta oração é publicada em toda a parte como sendo dele, e era de fato a que ele rezava depois da Comunhão. Mas o texto parece ser mais antigo do que ele: várias fontes dizem que o Padre Pio a difundiu mais do que a compôs.

Isso não lhe tira nada. Uma oração não vale pela assinatura; vale por ser verdadeira — e esta foi a que um homem com as chagas de Cristo escolheu dizer depois de O receber, todos os dias, durante cinquenta anos.

A oração

Reze-a devagar. Ela foi feita para o quarto de hora depois da Comunhão — aquele em que quase toda a gente já está pensando no almoço.

Fica comigo, Senhor · oração depois da Comunhão

Fica Senhor comigo, pois preciso da tua presença para não te esquecer.

Sabes quão facilmente posso te abandonar.

Fica Senhor comigo, porque sou fraco e preciso da tua força para não cair.

Fica Senhor comigo, porque és minha vida, e sem ti perco o fervor.

Fica Senhor comigo, porque és minha luz, e sem ti reina a escuridão.

Fica Senhor comigo, para me mostrar tua vontade.

Fica Senhor comigo, para que ouça tua voz e te siga.

Fica Senhor comigo, pois desejo amar-te e permanecer sempre em tua companhia.

Fica Senhor comigo, se queres que te seja fiel.

Fica Senhor comigo, porque, por mais pobre que seja minha alma, quero que se transforme num lugar de consolação para ti, um ninho de amor.

Fica comigo, Jesus, pois se faz tarde e o dia chega ao fim; a vida passa, e a morte, o julgamento e a eternidade se aproximam. Preciso de ti para renovar minhas energias e não parar no caminho. Está ficando tarde, a morte avança e eu tenho medo da escuridão, das tentações, da falta de fé, da cruz, das tristezas. Oh, quanto preciso de ti, meu Jesus, nesta noite de exílio.

Fica comigo nesta noite, Jesus, pois ao longo da vida, com todos os seus perigos, eu preciso de ti. Faze, Senhor, que te reconheça como te reconheceram teus discípulos ao partir do pão, a fim de que a Comunhão Eucarística seja a luz a dissipar a escuridão, a força a me sustentar, a única alegria do meu coração.

Fica comigo, Senhor, porque na hora da morte quero estar unido a ti, se não pela Comunhão, ao menos pela graça e pelo amor.

Fica comigo, Jesus. Não peço consolações divinas, porque não as mereço, mas apenas o presente da tua presença, ah, isso sim te suplico!

Fica Senhor comigo, pois é só a ti que procuro, teu amor, tua graça, tua vontade, teu coração, teu Espírito, porque te amo, e a única recompensa que te peço é poder amar-te sempre mais. Com este amor resoluto desejo amar-te de todo o coração enquanto estiver na terra, para continuar a te amar perfeitamente por toda a eternidade.

Amém.

O que ela ensina, se a rezarmos de verdade

Ela não pede coisas. Trinta vezes seguidas, o mesmo pedido: fica. É a oração de quem já percebeu que a presença Dele é a graça, e que tudo o resto vem por acréscimo ou não vem.

Ela admite a fraqueza sem drama. «Bem sabes com que facilidade te abandono.» Nenhuma promessa de melhorar, nenhuma justificação. Um homem que sangrava das chagas de Cristo dizia isto de si mesmo — e você, que não sangra, hesita em admitir o mesmo.

Ela recusa a consolação e pede a presença. Esta é a linha mais dura: não peço consolações divinas, porque não as mereço; mas o dom da tua presença, ah, esse eu te peço. É a diferença entre querer sentir Deus e querer Deus. Quase toda a nossa aridez vem de confundir as duas coisas.

E ela tem pressa. Faz-se tarde. Não é melancolia: é a consciência exata de que o tempo de dizer isto é agora.

Um conselho prático, e termino. Não tente rezá-la inteira da primeira vez. Escolha uma linha — aquela que o incomodou ao ler — e reze só essa no próximo domingo, depois de comungar, em vez de sair da igreja pensando no resto do dia. O Padre Pio levou cinquenta anos nisto. Você pode começar com uma frase.

Sancte Pie a Pietrelcina, ora pro nobis. São Pio de Pietrelcina, rogai por nós.

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