No dia 22 de julho a Igreja celebra a festa de Santa Maria Madalena — a mulher de quem o Senhor expulsou sete demônios, que permaneceu junto à Cruz quando quase todos haviam fugido e que, na luz cinzenta da manhã de Páscoa, tornou-se o primeiro ser humano a ver Cristo ressuscitado e a primeira a ser enviada a anunciá-lo. A tradição antiga lhe dá um título que nenhuma outra mulher do Evangelho carrega: apostola apostolorum, a Apóstola dos Apóstolos.

El Greco, A Madalena Penitente — Maria Madalena com o olhar voltado ao céu, um livro e um crânio ao lado
El Greco (Doménikos Theotokópoulos, 1541–1614), A Madalena Penitente, c. 1580 — domínio público

Sua vida nos Evangelhos

Maria é chamada "Madalena" por causa de Magdala, uma cidade de pescadores na margem ocidental do mar da Galileia. São Lucas a apresenta entre as mulheres que seguiam Jesus e o serviam com os seus bens: "Maria, que se chama Madalena, da qual Jesus havia expelido sete demônios" (Lc 8,2). Fosse o que fosse aquela posse dos "sete demônios" — o número sete significando uma escravidão total —, ela havia sido inteiramente libertada por Cristo, e toda a sua vida restante foi a resposta de uma alma que fora devolvida a si mesma.

Desde essa cura, jamais o deixou. Ela é nomeada na Crucificação nos quatro Evangelhos, de pé junto à Cruz, com a Mãe de Deus, quando os apóstolos — exceto João — se haviam dispersado. Seguiu o corpo até o sepulcro e observou onde fora posto. E, passado o sábado, foi ela quem chegou primeiro, ainda no escuro, para ungir o morto — e encontrou a pedra removida.

"Maria": a primeira testemunha da Ressurreição

São João nos dá a cena com uma ternura inesquecível. Chorando junto ao túmulo vazio, ela toma o Senhor ressuscitado pelo jardineiro: "Mulher, por que choras? A quem buscas?", pergunta ele; e ela responde: "Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei" (Jo 20,15). Então vem um dos momentos mais belos de toda a Escritura — uma única palavra:

"Disse-lhe Jesus: Maria. Ela, voltando-se, disse-lhe: Rabôni (que quer dizer Mestre)" (Jo 20,16).

Ele se dá a conhecer ao chamá-la pelo nome. E logo ela não pode retê-lo para si, mas é voltada para fora, para a missão: "Não me toques, porque ainda não subi a meu Pai; mas vai a meus irmãos" (Jo 20,17). Ela obedece no mesmo instante — "Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: Vi o Senhor" (Jo 20,18). O Evangelho da Ressurreição é confiado primeiro a uma mulher, e os homens que o pregariam ao mundo o recebem primeiro dos seus lábios.

A penitente que amou muito

No Ocidente latino, uma veneranda tradição — moldada sobretudo pelo Papa São Gregório Magno em uma homilia do ano 591 — uniu Maria Madalena à mulher pecadora que lavou os pés do Senhor com as suas lágrimas em Lucas 7, e a Maria de Betânia, irmã de Marta e Lázaro. Daquela penitente disse Jesus: "São-lhe perdoados muitos pecados, porque amou muito" (Lc 7,47) — palavra que o Ocidente ouviu como o próprio retrato da Madalena. O Oriente cristão, ao contrário, manteve as três figuras distintas, e o estudo moderno inclina-se no mesmo sentido; o calendário romano, desde 1969, já não as identifica.

Contudo, a imagem que o Ocidente recebeu não é um erro a ser simplesmente descartado, pois carrega uma doutrina verdadeira: que nenhum passado, por mais sombrio, está fora do alcance da misericórdia de Cristo, e que um grande perdão gera um grande amor. Como já refleti no texto Aprendendo a conviver com o mal, Maria Madalena reconheceu o seu pecado e o derramou todo aos pés de Jesus — e permanece, na memória da Igreja, o ícone do coração convertido, a penitente cujo amor superou o seu pecado e superou, no fim, a fé dos Doze.

O que os santos e a Igreja dizem dela

Os Padres e Doutores não hesitaram em elevá-la. São Gregório Magno louvou a perseverança do seu amor: os apóstolos deixaram o sepulcro, mas "o amor daquela mulher a prendeu ao lugar". Santo Agostinho viu nela aquela que, amando, "buscava o vivo entre os mortos". Acima de tudo, São Tomás de Aquino deu-lhe o título que toda a tradição guardaria — apostolorum apostola, "a Apóstola dos Apóstolos" — porque foi enviada pelo próprio Cristo a anunciar a Ressurreição àqueles que seriam enviados a anunciá-la ao mundo. O beneditino Rabano Mauro e Santo Anselmo a cantaram no mesmo tom. É honrada como padroeira dos penitentes e dos convertidos, dos contemplativos e de todos os que choram e buscam o Senhor.

Como é venerada santa

Maria Madalena é venerada como santa desde os primeiros séculos, no Oriente e no Ocidente. Suas relíquias foram guardadas em Vézelay e, desde o século XIII, em Saint-Maximin-la-Sainte-Baume, na Provença, onde os frades dominicanos ainda velam o seu santuário. No dia 3 de junho de 2016, o Papa Francisco elevou a sua celebração litúrgica de memória a festa, dando-lhe no calendário o mesmo grau dos apóstolos. O decreto, intitulado com acerto Apostolorum Apostola, explicou que o Santo Padre desejava que os fiéis meditassem mais profundamente "sobre a dignidade da mulher, sobre a nova evangelização e sobre a grandeza do mistério da misericórdia divina" — pois aquela que foi a primeira testemunha do Senhor ressuscitado é um sinal da própria Igreja, chamada a buscar Cristo, a encontrá-lo e a anunciá-lo.

É por isso que a Igreja no-la dá hoje: não como relíquia de uma controvérsia sobre a sua identidade, mas como modelo vivo do Evangelho. Ela ensina que Cristo pode curar o que sete demônios arruinaram; que o amor vela junto à Cruz e ao sepulcro quando a coragem faltou; e que a recompensa desse amor é ouvir o Senhor pronunciar o próprio nome, e ser enviada. Santa Maria Madalena, apóstola dos apóstolos, rogai por nós.