Resumo do vídeo

Romanos 8: viver segundo o Espírito, não segundo a carne

Neste vídeo, Gustavo Munhon conduz uma formação sobre o capítulo 8 da Carta de São Paulo aos Romanos, que ele descreve como um dos textos mais ricos de todo o Novo Testamento — um verdadeiro "capítulo de pérolas". O fio condutor da reflexão é a grande antítese paulina entre a vida "segundo a carne" e a vida "segundo o Espírito". Gustavo parte da certeza que abre o capítulo — "já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo" — para mostrar que a fé cristã não é um esforço humano nem uma busca por bens deste mundo, mas uma vida nova conduzida pelo Espírito Santo.

Ao longo da meditação, ele entrelaça o texto de Romanos 8 com outras passagens de São Paulo e com o Evangelho, alertando para o quanto o cristão pode permanecer "na carne" mesmo dentro da Igreja, sem jamais amadurecer na vida espiritual. O tom é ao mesmo tempo exigente e cheio de esperança: a última palavra não é o pecado, mas a graça de Deus, "maior que todas as nossas fraquezas".

Nenhuma condenação para quem está em Cristo

Gustavo abre pela primeira sentença do capítulo: em Cristo Jesus não há mais condenação, porque "a lei do Espírito de vida" libertou o cristão "da lei do pecado e da morte". Ele explica que ser liberto dessa lei é ser liberto das paixões desenfreadas da carne — o desejo de possuir, o desejo de ter, o desejo de gozar das coisas, das pessoas e do mundo. Recordando que "o salário do pecado é a morte", ele mostra que quem vive em Cristo passa a ser governado por outra lei: a lei da graça, a graça de Cristo agindo em nós e nos fazendo viver uma vida em Deus.

Carne e Espírito: dois modos de existir

A partir do versículo 5, Gustavo desenvolve o contraste central: "os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem segundo o Espírito apreciam as coisas que são do Espírito". Ele observa que essa distinção pode ser percebida dentro da própria Igreja, onde tantas pessoas continuam presas às coisas carnais. Para reforçar, cita a admoestação de São Paulo aos Coríntios, que ainda os tratava como "criancinhas em Cristo", capazes apenas de "leite" e não de "alimento sólido", porque permaneciam carnais. A conclusão do Apóstolo é dura: "os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus", pois o desejo da carne é hostil a Deus e não se submete à sua lei.

A luta verdadeira é espiritual

Gustavo insiste que muitos erram o alvo do combate cristão. Apoiando-se na Carta aos Efésios, lembra que "a nossa luta não é contra homens de carne e sangue", e que as armas do cristão "não são carnais, mas espirituais e poderosas em Deus, capazes de arrasar fortificações". Quem é carnal, diz ele, não conhece isso e acaba tentando lutar na carne — querendo combater ideologias, homens ou a pobreza, ou instaurar o Reino "aqui na terra" por forças humanas — quando a verdadeira batalha se trava contra o demônio. Evocando a Carta aos Gálatas, ele enumera as obras da carne e recorda que quem as pratica não herdará o Reino de Deus. Até São Pedro serve de exemplo: guiado pelo Espírito, confessou Jesus como "o Cristo, o Filho do Deus vivo"; mas, movido depois pela carne, foi repreendido com um "afasta-te de mim, Satanás", porque pensava "segundo os homens, e não segundo Deus".

O Espírito da adoção: filhos e herdeiros

O coração positivo da formação está no Espírito Santo. Gustavo comenta que não recebemos "um espírito de escravidão para viver no temor, mas o Espírito de adoção, pelo qual clamamos: Abba, Pai". É o próprio Espírito que dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus e, portanto, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo. Mas essa certeza só é dada quando abandonamos a vida na carne e os seus apetites. Ele recorda ainda o versículo 26: "o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nem orar como convém, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis". A partir daí, fala com entusiasmo dos dons — o dom das línguas e o dom das lágrimas — e lamenta que tantos católicos permaneçam fechados ao Espírito por medo ou ignorância. A conclusão é direta: "a carne não dá fruto; é o Espírito que age em nós".

A esperança não está nesta terra

Comentando o versículo 18 — "os sofrimentos do tempo presente não se comparam à glória futura" —, Gustavo denuncia a chamada teologia da prosperidade como uma "doutrina satânica" que ilude protestantes e também muitos católicos, levando-os a colocar a esperança nos bens materiais, no sucesso e nos prazeres da carne. A ordem do mundo, diz ele, é "primeiro as coisas, depois Deus"; a ordem de Deus é a de Mateus 6,33: "buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas as demais coisas vos serão acrescentadas". Ele lembra também que, todos os dias, exceto na Sexta-feira Santa, o sacrifício de Cristo se torna presente na Missa em toda a face da terra — e que, vivendo na carne, muitos preferem "as suas coisas" a esse banquete celestial.

Mais que vencedores pela graça

Na parte final, Gustavo lê os grandes versículos do fim do capítulo: "Se Deus é por nós, quem será contra nós?"; nada — nem a tribulação, nem a espada, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem qualquer criatura — poderá nos separar do amor de Deus, e em tudo somos "mais que vencedores por aquele que nos amou". Ele sublinha que São Paulo pôde escrever isso porque era guiado pelo Espírito e tinha experimentado, no "espinho da carne", que por suas próprias forças nada conseguiria. Confrontando o catálogo de sofrimentos do Apóstolo — cárceres, açoites, naufrágios, fome e perigos —, Gustavo faz um exame de consciência franco: diante de bem menos, muitos de nós abandonaríamos a fé. A verdade, admite, é que frequentemente ainda vivemos na carne, como "criancinhas" que não crescem. Por isso, encerra com uma súplica ao Espírito Santo para que nos liberte dos apetites da carne e grave em nós Romanos 8: quem vive segundo a carne não pode agradar a Deus.

Deus é maior. Deus é mais forte que as nossas fraquezas, mais santo que o nosso pecado, mais puro que a nossa impureza, mais luz que as nossas trevas — não há nada que possa nos separar do amor de Deus.

Para levar para a vida

  • Faça um exame simples e honesto: em que áreas da vida você ainda decide "segundo a carne" — pelos apetites e pela própria vontade — em vez de "segundo o Espírito"?
  • Peça e cultive a vida no Espírito Santo: reserve tempo diário para a oração, a leitura da Bíblia e a participação atenta na Missa, para deixar de ser "criancinha" no leite e receber o "alimento sólido" da fé.
  • Inverta a ordem da prosperidade: busque primeiro a justiça de Deus, confiando que "todas as demais coisas serão acrescentadas", em vez de condicionar a fé a bênçãos materiais.
  • Diante das provações, apoie-se não nas próprias forças, mas na certeza de que nada pode separar você do amor de Deus — deixando o Espírito clamar em você "Abba, Pai".

Passagens citadas: Rm 8,1; Rm 6,23; Rm 8,5; Rm 7; 1Cor 3,1-3; Ef 6,10; 2Cor 10,4; Gl 5,13-21; Mt 16,15-23; Rm 8,15-18; Rm 8,26; Rm 8,28; Jo 14,15; 1Jo 3,4; Jo 1,9-11; Rm 8,31-39; Mt 6,33; 2Cor 11,20-27; 2Cor 12,7

Transcrição completa do vídeo

Transcrição integral do áudio do vídeo, organizada em parágrafos para facilitar a leitura.

Olá, meus irmãos e minhas irmãs, bem-vindos ao blog Vou Nessa Direção. E hoje nós vamos ter uma formação muito especial chamada Romanos 8. Claro, essa formação é sobre o livro de Romanos, a carta que São Paulo escreveu, no capítulo 8, e nós vamos tocar em alguns temas aqui, porque esse capítulo 8 é riquíssimo. Então, bem-vindos aqui também; esse é o novo interior, o novo estilo do blog que eu estou gravando aqui agora.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Queremos te pedir, Virgem Maria, que a senhora nos cubra com o seu manto sagrado e nos conceda a graça que nós precisamos para esta formação, para reter a palavra de Deus no nosso coração como a senhora fazia. Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém. São José, rogai por nós.

Então, meus irmãos, como eu estava dizendo, essa carta de São Paulo aos Romanos é riquíssima, esse capítulo 8. E ele começa dessa forma: "De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo." Eu gostava muito de citar essa palavra quando eu dava o meu testemunho. Se você ainda não viu o meu testemunho, está escrito em duas partes aqui, até os meus 24 anos, até antes de eu sair do Brasil; você pode conferir aqui no primeiro link da descrição deste vídeo. E que maravilha que é estar em Jesus Cristo! Não há condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo.

E isso porque a lei do Espírito de vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte. A lei do Espírito de vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte. E o que significa ser liberto da lei do pecado e da lei da morte? É ser liberto das paixões desenfreadas da carne: o desejo, como nós refletimos durante esse período da Quaresma, os desejos dos nossos olhos, o desejo de possuir, o desejo de ter e o desejo de gozar das coisas, das pessoas e do mundo. E, como nós sabemos, o próprio São Paulo escreve um pouco mais para trás, no capítulo 6, em Romanos 6,23, que o salário do pecado é a morte. Então, vivendo em Cristo, nós somos libertos da lei do pecado e da morte, porque a lei que começa a reinar na nossa vida é a lei da graça: a graça de Cristo agindo em nós, a graça de nós vivendo uma vida em Deus.

E, se a gente continuar, vamos pelo versículo 5: "Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem segundo o Espírito apreciam as coisas que são do Espírito." Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal — lembra até aquele filósofo, o Leandro Karnal. Quem vive na carne gosta do que é carnal, mas quem vive no Espírito gosta do que é espiritual. Isso nós podemos distinguir em muitas pessoas dentro da Igreja. Quantas pessoas se preocupam com as coisas carnais! Pessoas carnais, pessoas que gostam da carne, pessoas que estão presas à carne.

A respeito disso, São Paulo escreveu, na Primeira Carta aos Coríntios, no capítulo 3 e no versículo 1 — olha só a recomendação, a admoestação de São Paulo: "A vós, irmãos, não vos pude falar como a homens espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo. Eu vos dei leite a beber, e não alimento sólido, que ainda não podíeis suportar; nem ainda agora o podeis, porque ainda sois carnais." E que interessante, né? É ele mesmo que escreve, na carta aos Efésios, no capítulo 6, no versículo 10, sobre a luta espiritual: a nossa luta não é contra homens de carne e sangue. Mas quantas pessoas focam nisso: "Eu tenho que combater os homens desse mundo, eu tenho que combater as ideologias, eu tenho que combater a pobreza, eu tenho que instaurar o Reino de Deus aqui na terra." A nossa luta é contra o demônio.

São Paulo diz aqui, mais para frente também, na carta aos Coríntios: não são carnais as armas com que lutamos; são espirituais e poderosas em Deus, capazes de arrasar fortificações. Mas, como as pessoas são muito carnais, não têm esse conhecimento, não sabem disso, ficam tentando lutar na carne. Olha só, ele mesmo explica na hora: a inspiração da carne é a morte, enquanto a inspiração do Espírito é a vida e a paz, porque o desejo da carne é hostil a Deus, pois a carne não se submete à lei de Deus, e nem o pode. E ele conclui essa parte: os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus.

E, como nós dissemos já no início aqui, o que significa viver segundo a carne? É viver de acordo com as suas paixões. Olha só, falando disso, São Paulo escreveu no livro aos Gálatas, na sua carta aos Gálatas, sobre as obras da carne: "Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis da liberdade como pretexto para os prazeres carnais; pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade, porque toda a lei se encerra num só preceito: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Digo-vos, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne, porque o desejo da carne se opõe ao do Espírito, e o do Espírito ao da carne, pois são contrários uns aos outros; é por isso que não fazeis o que quereríeis. Se, porém, vos deixais guiar pelo Espírito, não estais sob a lei. Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. A respeito destas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticam não herdarão o Reino de Deus."

E São Paulo pega muito nisso quando ele escreve. A gente pode ver que na carta aos Coríntios, na carta aos Romanos, na carta aos Gálatas, nos Efésios, em muitas das suas cartas ele fala sobre isso. E é interessante que, se a gente voltar um capítulo aqui em Romanos, ele vai explicar: "Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita o bem; porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo. Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero." Infelizmente, quantos de nós, e muitas vezes, quanto nós vivemos na carne, não é verdade?

O próprio São Pedro, guiado pelo Espírito, ele disse — quando Jesus perguntou "quem dizem que eu sou?", disseram: "Dizem que tu és um profeta, que tu és Elias." "E vós, quem dizeis que eu sou?" E Pedro, guiado pelo Espírito Santo, disse: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo." E Jesus elogia: "Bem-aventurado és, Simão, porque não foi nem a carne nem o sangue que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu." Mas, ao mesmo tempo, quando Jesus fala que é necessário que o Filho do homem padeça e ressuscite ao terceiro dia, ele, movido pela carne, diz: "Senhor, que isso não te aconteça." E Jesus repreende, e diz: "Afasta-te de mim, Satanás, porque os teus pensamentos não são como os de Deus, mas como os dos homens." E é isso que significa: os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Mesmo o primeiro Papa, quando foi conduzido pela sua carne, pelos seus pensamentos humanos, e no segundo momento por Jesus — isso significa que isso não agrada a Deus. Nós temos que viver segundo o Espírito.

E olha só, esse capítulo 8 de Romanos é um capítulo de pérolas: "Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viver ainda no temor, mas recebestes o Espírito de adoção, pelo qual clamamos: Abba, Pai!" O Espírito Santo clama em nós. O Espírito Santo nos convence de que nós somos filhos de Deus. O Espírito Santo nos leva a viver uma vida espiritual. O Espírito Santo se une ao nosso espírito, e é ele mesmo que nos dá o testemunho. Olha só: o Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus; e, se filhos, também herdeiros — herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo, já que somos glorificados.

O Espírito Santo nos convence, mas ele só pode nos convencer quando nós deixamos, quando nós abandonamos a vida na carne, quando nós abandonamos os apetites, quando nós abandonamos o desejo da carne, que é hostil a Deus. E olha só o que ele continua, no versículo 18: "Tenho para mim que os sofrimentos da vida presente não têm comparação alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada." Quantas pessoas colocam a sua esperança nessa terra! Que, infelizmente, muitos protestantes confiam em Deus para ter os bens materiais. A famosa teologia da liberta... teologia da libertação, não, que é outra desgraça — mas isso surgiu no meio católico, a teologia da libertação, uma desgraça plena. Mas eu estou falando da teologia da prosperidade. Quantos que colocam a sua esperança em Cristo para alcançar bens nessa terra! A sua fé é para alcançar graças nessa terra, é para alcançar sucesso nessa terra, é para satisfazer os prazeres da sua carne, é para ter uma casa grande, é para ter uma bênção material, para ter um trabalho onde você ganhe muito — não só as condições necessárias.

É aquilo que diz São Paulo: o pior dos males é o apego ao dinheiro. Essa é a coisa da carne. Sinto muito, muitos católicos também, iludidos, estão vivendo na carne, estão querendo ser doutrinados com essa doutrina satânica da teologia da prosperidade. Isso não é de Deus, isso não vem de Deus.

E, aqui, continuando no versículo 26: "O Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza, porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém; mas o próprio Espírito intercede por nós; e aquele que perscruta os corações sabe o que deseja o Espírito, o qual intercede pelos santos segundo Deus." Meus irmãos, muitas pessoas vivem na carne porque ainda não conhecem o poder do Espírito Santo. Muitas pessoas vivem na carne porque ainda não experimentaram a graça que são esses gemidos inefáveis do Espírito, que ele produz em nós, que ele produz em nossa alma. Ele se une ao nosso espírito, ele eleva a nossa oração a Deus de uma forma que Deus entende. Isso aqui a gente pode falar: aquele dom das línguas, que é maravilhoso; na renovação carismática a gente aprende muito sobre isso. Muitos dos católicos ficam fechados por medo, por ignorância, ou por qualquer coisa que seja, mas fechados ao Espírito Santo, a qualquer dom que seja. Se você não vive o dom do Espírito, você vai acabar vivendo na carne.

E é por isso que muitas pessoas leem a Bíblia e não entendem. É por isso que muitas pessoas fazem as coisas para Deus e não conseguem ir mais além, porque ficam na carne. A carne não dá fruto; é o Espírito que age em nós, é o Espírito que perscruta o nosso coração, que eleva o nosso clamor. É o Espírito que nos leva às lágrimas — outro dom maravilhoso do Espírito Santo é o dom das lágrimas. É o Espírito que nos revela as coisas de Deus, é o Espírito que nos inspira a buscá-lo, é o Espírito que inspira a nossa oração, é o Espírito que nos estimula quando nós estamos fracos, é o Espírito que nos ilumina quando nós estamos nas trevas, é o Espírito que nos dá força quando nós estamos fracos. É o Espírito. Nós temos que viver uma vida espiritual.

Bom, esse é o título do capítulo 8. Quando as pessoas estão na morte porque vivem na carne — que tristeza, meus irmãos! Aquela frase de Santo Agostinho: o pecado é o motivo da tua tristeza; deixa que a santidade seja o motivo da tua alegria. Nunca a santidade vai ser o motivo da nossa alegria enquanto a gente continuar vivendo na carne, de acordo com os apetites da carne, de acordo com os desejos da carne. São João da Cruz dizia: "Deseje os desejos; deseje os desejos", e encontrarás o que o seu coração deseja. O nosso coração deseja Deus, a nossa alma tem de ser de Deus, o nosso espírito suplica por Deus de noite. Mas, quando essa sede de Deus vem, a gente pensa que é a nossa carne que está querendo ser saciada, e a gente tenta se satisfazer com comida, bebida, sexo, droga, festa, qualquer coisa que seja — mas nunca vai te satisfazer, porque é um desejo interno.

E olha só, continuando aqui no versículo 28: "Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos segundo os seus desígnios." Posso te falar: para você, já são dez horas da noite, aqui eu estou com sono, mas eu quero fazer essa formação, queria pelo menos uma vez por semana. Sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus. E olha só como a gente pode falar que a gente ama a Deus se a gente está vivendo na carne; como a gente pode falar que a gente ama a Deus se a gente está vivendo de acordo com a nossa própria vontade. Jesus disse: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos." E guardar os mandamentos é viver os mandamentos. Muitas pessoas querem falar que amam a Deus, mas amam na carne — e a gente não sabe, a gente não sabe, a gente não sabe que ama a Deus mas ama na carne, porque não guarda o mandamento, porque não vive a vontade de Deus.

E o que é o pecado? João explica, em 1João 3,4: o pecado é a transgressão da lei. E a gente, conhecendo os decretos de Deus, a gente, conhecendo a vontade de Deus — é aquilo que está escrito em João, no capítulo 1: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas. Ah, meus irmãos, que tristeza para nós, para nós católicos! Semana passada eu falei sobre a Missa. Que tristeza para nós católicos: sabemos que o sacrifício de Jesus está lá, diante dos nossos olhos, todos os dias — com exceção da Sexta-feira Santa, todos os dias do ano tem uma Missa sendo celebrada em cada um dos lugares da face da terra. E a gente, vivendo na carne, prefere fazer as nossas coisas, viver as nossas coisas, do que participar do mistério do banquete celestial.

Mas olha só, no versículo 31: "Que diremos, então? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, mas que por todos nós o entregou, como não nos dará também com ele todas as coisas?" Isso remete àquela passagem de Mateus, no capítulo 6, no versículo 33: buscai em primeiro lugar o Reino de Deus, e as demais coisas vos serão acrescentadas. Quantas pessoas, vivendo na carne, querem buscar primeiro as coisas para depois buscar Deus! Essa é a regra, é a ordem da teologia da prosperidade: primeiro as coisas. "Se Deus me der, eu acredito; se Deus me abençoar, eu creio; se Deus fizer, me der o carro que eu quero, eu mudo de vida, eu abandono o vício e venho para a Igreja." A ordem de Deus é a seguinte: primeiro a justiça de Deus, e depois todas as coisas. Quem vive na carne quer primeiro as coisas, e depois Deus — isso quando não fica se iludindo com as coisas e se esquece de Deus.

Olha só, versículo 35: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? Realmente está escrito: por amor de ti somos entregues à morte o dia inteiro, somos tratados como gado destinado ao matadouro. Mas, em todas essas coisas, somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou." Imagina uma pessoa carnal falando uma coisa dessas! Imagina uma pessoa que quer fazer justiça nesse mundo, uma pessoa que quer viver segundo os seus próprios apetites, falando uma coisa dessas! Não tem como, não tem como ser mais que vencedor na virtude daquele que nos amou se nós não vivemos no Espírito. É o Espírito Santo quem nos assevera isso no íntimo da nossa alma.

E por que São Paulo escreveu isso, meus irmãos? Olha só: "Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem as alturas, nem os abismos, nem qualquer outra criatura nos poderá apartar do amor de Deus, que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor." Por que ele escreveu isso? Porque ele era guiado pelo Espírito, porque ele tinha a certeza — mesmo com o espinho da sua carne, aquele anjo de Satanás que, como ele disse, lhe foi dado para esbofeteá-lo. Ele tinha a certeza de que, dependendo dos seus próprios esforços, ele não conseguiria nada; dependendo da vida na carne, ele não conseguiria nada. Mas o Espírito atestava: "Abba, Pai!" O Espírito intercedia por ele, o Espírito trazia certeza ao seu coração.

Olha só como começou no capítulo 8: "De agora em diante, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Cristo. A lei do Espírito de vida me libertou." E é isso que tem que acontecer comigo e com você, meus irmãos: a lei do Espírito de vida tem que nos libertar. A lei do Espírito de vida me libertou. E, para que a gente aprenda com São Paulo o que é viver no Espírito, é isso daqui, meus irmãos, na Segunda Carta aos Coríntios, no capítulo 11, versículo 20: "Tolerais quem vos escraviza, quem vos devora, quem vos faz violência, quem vos trata com orgulho, quem vos dá no rosto. Sinto vergonha de o dizer: temos mostrado demasiada fraqueza. Entretanto, de tudo aquilo de que outro se ufana — falo como um insensato —, disso também eu me ufano. São hebreus? Também eu. São ministros de Cristo? Falo como um menos sábio: eu ainda mais. Muito mais pelos trabalhos, muito mais pelos cárceres, pelos açoites sem medida, muitas vezes vi a morte de perto. Cinco vezes recebi dos judeus os quarenta açoites menos um; três vezes fui flagelado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes naufraguei, uma noite e um dia passei no abismo. Viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte de meus concidadãos, perigos da parte dos pagãos, perigos na cidade, perigos entre falsos irmãos, trabalhos e fadigas, repetidas vigílias, com fome e sede, frequentes jejuns, frio e nudez. Além de outras coisas, a minha preocupação cotidiana, a solicitude por todas as igrejas."

Meus irmãos, muitos de nós nem começaria. Se a gente fosse — se a gente passasse pelo mínimo que São Paulo passou: os trabalhos, trabalhos para Deus, cárceres por Cristo — eu duvido muito que, se um de nós fosse encarcerado pelo nome de Jesus, a gente manteria a fé e não abandonaria o Espírito, e começaria a viver totalmente na carne. Açoites sem medida! Quantos de nós, se fosse — não, só ameaçado, só ameaçado — a gente abandonaria a fé, deixaria o Espírito Santo e começaria a viver como pagãos. Imagina ser açoitado, muitas vezes vendo a morte de perto: cinco vezes recebeu dos judeus os quarenta açoites menos um — eles acreditavam que, se descesse do número quarenta, a pessoa morria — recebeu isso cinco vezes; três vezes fui flagelado com varas, uma vez apedrejado. Irmãos, nem precisa continuar lendo.

A gente vive na carne, essa é a verdade. A gente está como São Paulo escreveu aqui no capítulo 3 de Coríntios: criancinhas. Como em outra passagem São Pedro vai dizer: ainda não cresceu, não pode receber o alimento sólido, porque a gente está na carne. É isso que a gente faz: a gente vive uma vida na carne, a gente não tem vida espiritual, a gente não entende as coisas de Deus, a gente não busca entender, a gente não lê a Bíblia, a gente não reza, a gente não participa da Missa direito, a gente não faz as coisas como o Espírito nos inspira. E é por isso que a gente nunca vai progredir na nossa vida espiritual, é por isso que vai passar ano, vai passar Quaresma, vai passar Natal, vai passar festa, vai passar encontro, vai passar tudo, e a gente nunca vai se converter enquanto a gente não abandonar a carne, enquanto a gente não decidir viver no Espírito.

Independente das nossas fraquezas, independente dos nossos pecados, Deus é maior. Deus é mais forte que as nossas fraquezas, Deus é mais santo que o nosso pecado, Deus é maior que a nossa pequenez, Deus é mais puro que a nossa impureza, Deus é mais luz que as nossas trevas. Então, não tem nada que possa nos separar do amor de Deus. Deixa que o Espírito Santo convença o coração dessa verdade, como ele convenceu São Paulo, como ele me convenceu.

Queremos te pedir, Senhor, porque não temos o Espírito: o Senhor nos molde, o Senhor nos revele a tua força, o Senhor nos revele o teu amor, o Senhor nos leve a viver uma vida no Espírito, o Senhor nos atraia a ti, nos liberte dos desejos da carne, dos apetites da carne, para que essa palavra, Romanos 8,8, fique cravada no nosso coração: "Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus." Nós não queremos viver segundo a carne, queremos viver segundo o teu Espírito Santo, queremos viver uma vida espiritual, não queremos mais ser criancinhas, ficar só no leitinho, Senhor, mas queremos alimento sólido, queremos o compromisso contigo, queremos a tua graça, queremos nos posicionar contigo e fazer a tua vontade na nossa vida.

Vem, Espírito Santo, nos dá a sabedoria, nos dá o teu poder, une-te ao nosso espírito, intercede por nós com teus gemidos inefáveis. Vem, Espírito Santo, e clama em nós: "Abba, Pai!" Essa certeza do amor de Deus, essa certeza da graça, da presença, da vontade de Deus. Bendita seja a tua atuação, louvado seja o teu nome, louvado sejas por essa formação de hoje, louvado sejas pela tua palavra, pela tua Igreja, pela tua Mãe, que o Senhor nos deu como nossa Mãe. Louvado sejas, agora e para sempre. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Louvado seja o nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado.