Imagino e reflito dentro de mim

O que me aconteu recentemente!?

Tento rever o passado longínquo

Ou enxergar o presente oportuno

Imensa confusão escura me atormenta

Não posso ver além - ou não me importo

Indiferença entrelaçada em complexos

De pensamentos e sensações

Estranhos, desconhecidos, irremedíaveis

Pluralidades antagônicas de emoções

Onde vou percorrer o caminho do inconsciente?

Onde tem me levado as escolhas de um desolo?

Futuro causa incômodo ensaboado na alma

Mudanças me querem fazer extirpar essa bola

De angústia que jaz - matando a vida em mim

Como uma facada no peito

Mas ultrapassa o conhecido - farol que ilumina

Atrai os passos dos jantares ao luar

Dos brilhos apagados em janelas estilhaçadas

Empurrando os blocos de saudade - porta afora

Vestindo como que se fosse uma fera ornada

Impulsos repentinos me queimam e trazem brilho

Tão suspeitos quanto aparecem - tão desaparecidos quanto espalhados

É como não entende o que conduz ao refletir

É como uma tristeza que não quer ser evacuada

Nem sempre percebo que preciso jogar fora - muitas coisas

Que carrego no coração e na alma - há tanto tempo

Mas por muitas vezes sou guarda dessas inutilidades

Sou zagueiro e quero estar no ataque

Trago a explosão corroída e destrutiva

E me afeiçoo a um vírus que se aniquila

Não pela matéria que oferece para a multiplicação

Mas como que concordando com a permanência

Por que muitas vezes não condenei e julguei

E cortei o mal pela raiz - para não mais sofrer?

Não é mais o que sinto que importa - mas o que quero ser

Não é a ideia que me pega de calça curta - eu quero ver

A impaciência de um soquete de erupção

A bagunça de um vago quarto - sem razão

A atormentada história de uma vida amargurada

Não mergulhando seu presente de bodas de choro

Em ilusões apagadas de um amadurecimento precoce

Mas a irrisão alongada dos momentos selados

E pensar que curto durou o verão

E tão logo se foi a primavera

Pois com a cortina da vida fechada - opcionalmente

As geladas estimações do que era cultivado na estação

Tornou-se aquilo que mais te contamina - radiação

Venadavais de chamas sagradas - dispostas em fileiras

Mas inúteis sem controle e administração

Como rebanhos de riquezas - enchampanhadas

E marcas ao redor que trazem paz - ilu-emancipadas

De cores vibrantes opacas - entre dores e gemidos

Mesmo que não haja mais sonho - sempre é tempo

Suficiente e permanente - pois enquanto o teatro da vida

Traz a esperança aos pobres errantes

As luzes do céu - entre sol, lua e estrelas

Fazem refletir o que significa - ainda hoje

Aquilo que não foi escrito...