Resumo do vídeo
Quaresma: recomeçar e voltar para Deus de todo o coração
Neste vídeo, Gustavo Munhon conduz uma formação de Quaresma sob o título "Quaresma, tempo de conversão". Partindo da pregação de São João Batista — "Fazei penitência, porque está próximo o Reino dos Céus" —, ele mostra que a Quaresma não é um mero costume religioso, mas um chamado urgente a voltar para Deus de todo o coração, a dar "frutos de verdadeira penitência" e a deixar que Deus seja verdadeiramente o Senhor da nossa vida. O fio condutor é a certeza de que a conversão é sempre possível, porque Deus não condena o pecador: Ele se comove, estende a mão e convida cada um a recomeçar.
A reflexão caminha do apelo profético à penitência para a experiência concreta da misericórdia. Gustavo entrelaça passagens de Mateus, Deuteronômio, do Prólogo de São João e do profeta Oseias com o testemunho da sua própria queda e reconversão, para insistir num ponto central: o obstáculo não está em Deus, sempre pronto a perdoar, mas no coração humano que se fecha, prefere as trevas e não faz "nem o necessário" para se levantar.
"Fazei penitência": o apelo de João Batista
Gustavo abre a formação convidando a abrir a Bíblia no capítulo 3 de Mateus, onde João Batista prega no deserto: "Fazei penitência, porque está próximo o Reino dos Céus" e "Dai, pois, frutos de verdadeira penitência". Ele sublinha a seriedade da advertência seguinte — "o machado já está posto à raiz das árvores; toda árvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo" — para deixar claro que a penitência não é opcional. Fazemos penitência, explica, para nos convertermos, para voltar à vida da graça e para renovar no coração a presença de Deus, num tempo em que "o Reino de Deus está próximo" e os sinais dos tempos anunciados pelos profetas se multiplicam.
Buscar a Deus de todo o coração
Apoiando-se em Deuteronômio 4,29 — "então procurarás o Senhor teu Deus, e o encontrarás, contanto que o busques de todo o teu coração e de toda a tua alma" —, Gustavo mostra que o pecado é uma barreira que impede essa busca total. Por isso, é preciso "despir as vestes velhas de egoísmo, de bebedeira, de orgia" e assumir as armas que a Igreja recomenda: o jejum contra a gula, a esmola contra a avareza e a oração contra todos os vícios. Ele lamenta que tantas vezes "passa ano, vai ano" e continuamos presos aos mesmos pecados, e convida o ouvinte a fazer desta Quaresma uma experiência diferente — apropriar-se de fato da graça que está "ao alcance das nossas mãos", com a promessa de que, ao final dos 40 dias, poderá testemunhar o quanto se aproximou de Deus e venceu vícios que antes não conseguia vencer.
Deixar Deus ser Deus na nossa vida
A conversão, insiste Gustavo, passa por entregar o coração inteiramente a Deus e "parar de querer ser o nosso próprio senhor". Muitas vezes caímos, não nos levantamos e vemos nossos planos fracassarem porque agimos "partindo do nosso lado humano", sem pedir a orientação de Deus nem nos colocarmos diante d'Ele para conhecer a sua vontade. Presos ao pecado e "acorrentados aos vícios e às paixões do mundo", não conseguimos sequer entender o que Deus quer. Daí a urgência do apelo: deixar que Ele conduza as nossas decisões, liberte do pecado, renove a vida interior e reconstrua a vida espiritual.
A luz que os seus não receberam
Recorrendo ao Prólogo de São João — "no princípio era o Verbo... a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam" —, Gustavo detém-se no versículo 11: "Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam". Jesus é a luz, mas os homens preferem as trevas; quando se encarnou, nasceu de Maria e andou pela terra, foi rejeitado pelo próprio povo, e "quem o reconhecia como Filho de Deus eram os demônios". O mesmo se repete hoje, adverte: muitas vezes Jesus está entre nós e não o recebemos, não o reconhecemos, não o acolhemos. Citando Santa Catarina de Sena — "Jesus, tu és o meu Tudo" —, ele afirma que só encontraremos quem Deus verdadeiramente é quando o buscarmos com tudo o que temos.
Um Deus que não condena, mas se comove
O coração da formação é a misericórdia. Deus, diz Gustavo, está sempre pronto a perdoar e a "fazer festa no céu por um pecador que se converte, muito mais do que por noventa e nove justos". Evocando a cena da mulher que o povo queria apedrejar — a quem Jesus, escrevendo no chão, diz "Eu não te condeno" —, ele resume o chamado da Quaresma: "Eu não te condeno; eu te acolho do jeito que você é". A dificuldade não está em Deus, mas em nós: muitas vezes "não fazemos nem o necessário", que é pedir perdão, confessar-se e buscar a vida da graça. Aqui ele recorda São Francisco de Assis: "Faça primeiro o necessário; depois, faça o possível; então Deus fará o impossível".
O testemunho: das trevas ao recomeço
Gustavo partilha então a sua própria história. No Jubileu dos 50 anos da Renovação Carismática, havia feito o propósito de viver na graça, mas "mal durou duas semanas": afundou-se no pecado, afastou-se de Deus e da Igreja e mergulhou nas trevas, porque, como diz Romanos 6,23, "o salário do pecado é a morte". Foi Deus quem deu o primeiro passo — "quando damos um passo na direção de Deus, Ele dá sete passos na nossa direção", lembra com São Bernardo. Numa manhã, ao colocar o pão na torradeira, ouviu no coração uma voz: "O meu coração se comove de dó e compaixão". Repetida e mais forte, ela lhe fez "cair as escamas dos olhos": era Deus, pelo anjo da guarda, tirando-o das trevas. Ali, chorando à mesa, arrependeu-se e recomeçou a vida da graça, entendendo que Deus não olha com alegria para quem está longe d'Ele, mas veio "para salvar todos aqueles que o Pai lhe deu" (1Tm 2,4).
Renunciar ao remorso e recomeçar
Gustavo distingue arrependimento de remorso a partir de Judas e Pedro: ambos traíram Jesus, mas Judas deixou-se envolver pelo demônio e ficou com o remorso — que "nunca vem de Deus" —, enquanto Pedro, tocado pelo Espírito, chorou as lágrimas mais amargas e se arrependeu. "Deus não te julga, ele não te condena; quem faz isso é o demônio", afirma. Lendo Oseias 11 e substituindo "Efraim" e "Israel" pelo próprio nome, mostra a ternura de Deus: "Como poderia eu abandonar-te?... Meu coração se revolve dentro de mim". Encerra com uma oração de renúncia ao remorso e de pedido de contrição, e com a canção do recomeço — "Eu vou recomeçar de onde caí" —, lembrando que a lâmpada só se apaga quando falta o azeite da oração, mas que Deus "nunca negou e nunca vai negar o seu perdão a um coração sincero".
O meu coração se comove de dó e compaixão. Foi essa palavra que Deus usou para me tirar das trevas do pecado, para que eu pudesse enxergar a realidade que eu estava vivendo.
Para levar para a vida
- Faça desta Quaresma um propósito concreto de conversão: assuma o jejum contra a gula, a esmola contra a avareza e a oração contra os vícios, em vez de deixar mais um ano passar preso aos mesmos pecados.
- Busque a Deus "de todo o coração": retome a confissão e os sacramentos como o "necessário", e deixe Deus ser o Senhor das suas decisões, em vez de agir só a partir da própria vontade.
- Renuncie ao remorso, que vem do demônio, e acolha o arrependimento, que vem de Deus — como Pedro, e não como Judas —, confiando que Ele "não te condena".
- Diante da cruz, reze com toda a alma: "Senhor, tu fizeste tudo isso por mim; o que eu posso fazer por ti?" — e recomece, sabendo que basta um passo em direção a Deus para que Ele dê sete na sua direção.
Passagens citadas: Mt 3,1-2; Mt 3,8; Mt 3,10; Dt 4,29; Jo 1,1-11; Lc 15,7; Jo 8,3-11; Hb 12,4; Rm 6,23; 1Tm 2,4; 1Sm 1; Os 11,7-11
Transcrição completa do vídeo⌄
Transcrição integral do áudio do vídeo, organizada em parágrafos para facilitar a leitura.
Meu querido irmão, minha querida irmã, bem-vindos ao canal Vou Nessa Direção. E hoje nós estamos aqui reunidos em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Na tua presença santa, Senhor, queremos iniciar essa formação de hoje pedindo a unção do teu Espírito Santo, que o Senhor derrame sobre nós o poder e a graça do Espírito que te conduziu, Senhor, ao deserto, para que o Senhor fosse tentado; o Espírito que conduz a Igreja, o Espírito que renova as nossas forças, o Espírito que dá vida, que convence a respeito do mundo, do pecado e do juízo. É esse Espírito que nós pedimos para iniciar essa formação, pela intercessão da Virgem Maria.
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Que alegria ter você aqui hoje! Nós vamos refletir, é claro, sobre o tema da Quaresma, que se inicia na próxima Quarta-feira de Cinzas, dia 14 de fevereiro de 2018. Nós já refletimos no ano passado, mais ou menos nessa época — temos uma formação escrita —, e hoje nós vamos ter essa formação em vídeo. Vou citar a Escritura, e eu convido você a abrir a sua Bíblia no capítulo 3 de Mateus, no versículo 1. Nós vamos iniciar, então, pela intercessão de São João Batista.
Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judeia. Dizia ele: "Fazei penitência, porque está próximo o Reino dos Céus." "Dai, pois, frutos de verdadeira penitência." Isso é no versículo 8. E no versículo 10: "O machado já está posto à raiz das árvores; toda árvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo." Palavra da salvação. — Glória a vós, Senhor.
Então, hoje, meus irmãos, vamos refletir aqui na Quaresma, como você já sabe. Se você quiser ler um pouco mais sobre a Quaresma, não vou entrar especificamente no mesmo tema, mas você pode clicar aqui, neste link, na postagem, e vai ler o que nós escrevemos sobre a Quaresma no ano passado, que é "Quaresma, tempo de violência". O tema de hoje será "Quaresma, tempo de conversão".
Então, naquela época, já preparando a vinda de Jesus, João Batista dizia: "Fazei penitência, porque está próximo o Reino dos Céus." E por que a gente precisa fazer penitência? Para a gente se converter, para voltar para Deus, para voltar à vida da graça, para renovar no nosso coração a presença de Deus. É para isso que a gente precisa estar aberto; mas muitas vezes o pecado faz com que a gente fique fechado a Deus. O pecado faz com que a gente esqueça a vida da graça e passe a viver na vida de pecado.
Nós precisamos fazer penitência porque o Reino de Deus está próximo — está próximo de mim, está próximo de você, e o fim dos tempos está próximo. Nós estamos vendo cada vez mais os sinais dos tempos que os profetas pregavam, que São Paulo disse que aconteceriam — as coisas que estão acontecendo. E muitas vezes, eu e você, porque não fazemos penitência, estamos distantes de Deus.
No livro do Deuteronômio, no capítulo 4, no versículo 29, diz assim, meus irmãos: "Então procurarás o Senhor teu Deus, e o encontrarás, contanto que o busques de todo o teu coração e de toda a tua alma." Muitas vezes o pecado é uma barreira entre mim e Deus, entre você e Deus, que impede a gente de buscar a Deus de todo o coração. O livro do Deuteronômio diz que nós só vamos encontrar Deus quando o buscarmos de todo o nosso coração.
Então nós temos que nos despir de todo pecado. Nós temos que nos despir das vestes velhas de egoísmo, de bebedeira, de orgia, de tudo aquilo que nós já sabemos. Eu e você sabemos o que é pecado, mas não conseguimos nos libertar dele. Então a palavra de João Batista para mim e para você hoje é: fazer penitência, fazer jejum, como a Igreja recomenda. O jejum é para combater a gula, a esmola para combater a avareza, a oração para combater todos os vícios, os pecados capitais, um pecado atrás do outro.
E muitas vezes passa ano, vai ano, e nós continuamos presos nos nossos pecados. Nós tentamos rezar, tentamos viver a vida da graça, buscamos os sacramentos. A Igreja, muito sábia — é o Espírito Santo que dá sabedoria à Igreja —, e esse mesmo Espírito, que neste momento toca o seu coração, quer convidar você a fazer, neste ano, uma experiência diferente: a realmente se apropriar da graça que está diante dos nossos olhos, ao alcance das nossas mãos, para que possamos buscar Deus de todo o coração e de toda a nossa alma.
E assim, eu te garanto: se você viver uma Quaresma santa, se você fizer o propósito de viver a Quaresma, de fazer isso que está escrito na Bíblia — fazer penitência, fazer jejum —, eu tenho certeza de que, ao final desses 40 dias, você vai poder testemunhar o quanto se aproximou de Deus, o quanto conseguiu vencer os vícios que não conseguia vencer, o quanto conseguiu renunciar ao pecado e ter uma vida com retidão diante de Deus.
Então, eis o que diz João Batista — já tinha perdido aqui a passagem, deixa eu voltar: "Dai, pois, frutos de verdadeira penitência." A nossa penitência vai dar frutos se a gente a fizer realmente como ela deve ser feita. "O machado já está posto à raiz das árvores; toda árvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo." Meus irmãos, isso aqui é muito sério.
A gente precisa se converter, precisa voltar para Deus de todo o coração, precisa abrir e entregar o nosso coração inteiramente a Deus. A gente precisa deixar Deus ser Deus na nossa vida, precisa parar de querer ser o nosso próprio senhor, de querer fazer a nossa própria vontade, de querer fazer aquilo que a gente acha que é certo. A gente tem que se abrir a Deus, deixar Deus conduzir a nossa vida e fazer o que Ele sabe que é certo.
Muitas vezes, sabe por que nós vacilamos, por que caímos, por que não nos levantamos? Porque nos falta penitência, falta estar aberto à vontade de Deus, falta colocar Deus no lugar que é d'Ele, de direito, na nossa vida. Ele é o Senhor; é Ele que tem que estar à frente, é Ele que tem que conduzir as nossas decisões, conduzir a nossa vida. A gente tem que estar aberto à vontade d'Ele, não à nossa vontade.
Muitas vezes nós fazemos planos, temos sonhos, temos projetos, mas muitas vezes não dão certo, porque nós agimos partindo do nosso lado humano e não pedimos a orientação de Deus, não nos colocamos diante da presença de Deus para saber qual é a vontade d'Ele. E, muitas vezes, nós até fazemos isso, mas, porque estamos apegados ao pecado, porque estamos presos, acorrentados aos vícios e às paixões do mundo, não conseguimos entender realmente a vontade de Deus. Esse apelo de Deus é urgente, e nesta Quaresma nós precisamos nos converter.
Olha aqui o real sentido. No princípio — está escrito no livro de João, no capítulo 1, no versículo 1 —: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam." No versículo 9: "O Verbo era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu."
E esse versículo 11 é o motivo que tem que queimar no nosso coração — para que a gente faça penitência, faça jejum, dê esmola, se aprofunde numa vida de oração nesta Quaresma: "Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam." Palavra da salvação. — Glória a vós, Senhor.
Olha só, meus irmãos: Jesus é a luz que resplandece nas trevas, mas os homens preferem as trevas. Ele veio para os seus, mas os seus não o receberam. Jesus, mais de dois mil anos atrás, quando se encarnou, nasceu de Maria e se fez homem, andava pela terra, e os discípulos o rejeitaram, o povo de Deus o rejeitou. Quem reconhecia que ele era o Filho de Deus? Os demônios. E isso significa que eu e você, muitas vezes, temos Jesus entre nós, mas não o recebemos, não o reconhecemos, não o acolhemos.
É por isso que nós precisamos nos voltar para ele, precisamos fazer penitência, precisamos fazer jejum, precisamos abrir o nosso coração e deixar Deus fazer o que ele quiser na nossa vida: deixar que ele nos liberte do pecado, que renove a nossa vida interior, que reconstrua a nossa vida espiritual, que seja o Senhor da nossa vida.
Muitas vezes, como católicos, nós ficamos apegados às coisas que não dão fruto. E São João Batista vem nos pedir: "Dai frutos de verdadeira penitência." Nós não damos fruto na nossa vida espiritual; nós nem sequer convertemos a nós mesmos — quanto mais poderíamos ajudar os outros! —, porque não fazemos penitência, porque não recebemos Jesus como Senhor, como Salvador, como o nosso Tudo.
Santa Catarina de Sena dizia: "Jesus, tu és o meu Tudo." Enquanto Jesus não for o Tudo, enquanto Jesus não for verdadeiramente Deus na sua vida, na sua história; enquanto você não o buscar com tudo o que você tem, com todo o seu coração, com toda a sua alma, você nunca vai poder encontrá-lo, conhecer quem ele verdadeiramente é.
Ele é um Deus de amor, um Deus de misericórdia, um Deus de compaixão, um Deus que está pronto para amar, pronto para perdoar, pronto para acolher aquele que se afastou; que está pronto para fazer festa no céu por um pecador que se converte, muito mais do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão.
Ele é aquele que veio para os doentes, aquele que veio para os pecadores — como aquela pecadora aos pés de Jesus. O povo queria apedrejá-la, mas ele escrevia no chão, pronto para perdoar, e disse: "Eu não te condeno." E é isso que, nesta Quaresma, é o nosso chamado à conversão: "Eu não te condeno. Eu te acolho do jeito que você é." Vem para Jesus! Vamos buscá-lo com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, com todo o nosso ser, com tudo o que temos, com tudo o que somos.
Mas, muitas vezes, você pode dizer: "Eu não sei como buscar Deus." São Francisco de Assis dizia assim: faça primeiro o necessário; depois, faça o possível; então Deus fará o impossível.
Sabe o que acontece? Muitas vezes você fala: "Eu não consigo voltar para Deus, não consigo largar as drogas, o sexo, a bebida, a prostituição, não consigo largar a masturbação, não consigo largar o pecado." Mas, muitas vezes, você não faz nem o necessário, que é o primeiro passo: pedir perdão a Deus, se confessar, buscar a vida da graça para se libertar, evitar as ocasiões de pecado, lutar — como está escrito no livro de Hebreus: "Ainda não resististes até o sangue na luta contra o pecado." A gente não faz nem o que é possível; como é que a gente espera que o impossível de Deus aconteça na nossa vida? Nós temos que voltar para Deus.
Enquanto eu rezava por este momento, meus irmãos, Deus colocou no meu coração a palavra "recomeçar". É muito parecida com a palavra "conversão": recomeçar. Quem precisa de conversão? Eu preciso de conversão, você precisa de conversão. Para todos aqueles que estão na presença de Deus, sempre há um jeito de voltar mais intimamente para Deus, sempre há um jeito de dar o coração de uma forma como nós nunca o entregamos a Deus.
Sempre há um jeito de se converter mais a Deus, de dar mais tempo à vida espiritual, de se focar mais na oração, de fazer mais jejum, de fazer mais por Deus. Olha o tanto que ele fez por nós! A Igreja ensina, quando a gente se prepara para a confissão, uma oração maravilhosa para depois de a gente se confessar, olhando para a cruz: "Jesus, o Senhor fez tudo isso por mim; o que eu posso fazer por ti?"
Cada um de nós pode fazer essa oração para recomeçar, para se converter verdadeiramente a Deus. Olhando para a cruz, faça essa oração no íntimo do seu coração, com todo o seu ser, com toda a sua alma, rasgando a alma como Ana fazia no livro de Samuel — derramando a sua alma na presença de Deus: "Eu não consigo, Senhor. Mas, Jesus, o Senhor fez tudo isso por mim; o que eu posso fazer por ti?"
É tempo de recomeçar a vida em Deus. É tempo de retomar a vida espiritual. É tempo de deixar Deus ser Deus nas nossas vidas.
E eu quero dar um testemunho do que aconteceu comigo no ano passado. Foi no Jubileu dos 50 anos da Renovação Carismática. Eu tinha feito um propósito, no final de 2016, no começo de 2017, de viver uma vida na graça com Deus. Fiz o que era necessário — fui, me confessei — e fiz o que era possível: voltei a rezar, voltei a viver a vida da graça. Mas muitas vezes a fraqueza, o pecado, a carência, tudo, todo o pecado que habita na carne, que a gente tem que combater, faz com que a gente se afaste de Deus.
E foi isso que aconteceu comigo. Mal durou duas semanas o meu compromisso de viver o ano de 2017 na graça: eu me afundei no pecado, me afastei de Deus, me afastei da Igreja e comecei a viver uma vida totalmente estragada pelo pecado. É isso que o demônio gosta, porque ele sabe — como está escrito no livro de Romanos, no capítulo 6, no versículo 23 — que o salário do pecado é a morte. É isso que ele quer da gente. E, vivendo uma vida de morte, eu me vi totalmente nas trevas, e não havia mais nenhum sentido para nada, porque eu tinha visto como era fraco, como não conseguia voltar para Deus.
Mas, como diz esse maravilhoso santo da Igreja, São Bernardo: quando nós damos um passo na direção de Deus, ele dá sete passos na nossa direção. Deus ouviu a minha oração. E um dia, quando eu acordei envolvido por trevas, numa vida sem sentido, sem a graça de Deus, senti uma luz que eu não sabia de onde vinha, senti uma alegria; olhei para o meu quarto, vi tudo sujo, vi o pecado, vi a lama em que eu estava, e comecei a organizar as coisas.
Quando eu desci para tomar o meu café da manhã, na hora em que coloquei o pão na torradeira, senti uma voz no meu coração que há muito tempo eu não sentia, e essa voz dizia: "O meu coração se comove de dó e compaixão." E eu, pensando no que estava vivendo no pecado, falei: "Que que é isso?" Mas nem dei bola. Fui lá, peguei o meu chá, tirei o pão da torradeira, peguei a manteiga, sentei na mesa. Antes de eu dar a primeira mordida no pão, de novo aquela voz, e foi mais forte: "O meu coração se comove de dó e compaixão."
Aí, como se tivessem caído escamas dos meus olhos, como se tivesse saído cera dos meus ouvidos, eu percebi que era Deus falando comigo. Deus enviou o meu anjo da guarda com essa mensagem: "O meu coração se comove de dó e compaixão." Foi essa palavra que Deus usou para me tirar das trevas do pecado, para que eu pudesse enxergar a realidade que eu estava vivendo.
E ali, naquela mesa, enquanto comia o meu pão, eu chorava, me arrependi dos meus pecados, porque Deus usou de misericórdia comigo para que eu pudesse me converter, para que eu pudesse recomeçar a vida da graça. Porque ele não está feliz quando nós estamos longe dele. Você acha que Deus olha com alegria quando você está afundado nas trevas do pecado, na lama em que o diabo quer que você viva? Está escrito no livro de Timóteo — na Primeira Carta a Timóteo, capítulo 2, versículo 4 — que Jesus veio para salvar todos aqueles que o Pai lhe deu. E, quando ele vê você perdido, ele estende a mão.
Mas muitas vezes o pecado envolve tanto a gente que a gente não consegue enxergar, não consegue sentir, não consegue ouvir a voz de Deus. Naquele dia, porém, ele usou de misericórdia: veio pelo meu anjo e falou: "O meu coração se comove de dó e compaixão" — quando ele olha para mim, para você, afogado no pecado, envolvido pelos vícios, sem conseguir se libertar das correntes, das algemas.
Pode ser que você esteja tão afundado, tão envolvido pelas trevas, que os seus olhos não conseguem ver nada. Deus, neste momento, quer usar de misericórdia com você, quer abrir o seu coração para entender, abrir os seus olhos para enxergar, abrir os seus ouvidos para escutar a voz dele, que diz: "O meu coração se comove de dó e compaixão. Volta para mim."
Muitas vezes a gente está afastado de Deus, a gente acha que Deus julga, a gente pensa: "Eu não tenho nem coragem de olhar, não tenho nem coragem de rezar, não tenho nem coragem de olhar para a cruz." Deixe de lado esse pensamento do diabo! É o demônio que coloca isso no nosso coração; não vem de Deus. Renuncie a isso agora.
Veja a diferença entre Judas, que traiu Jesus, e Pedro, que também traiu Jesus. Judas se deixou envolver pelo demônio, e o que sobrou no coração dele foi o remorso — e o remorso nunca vem de Deus. Pedro, porém, foi envolvido pelo Espírito Santo e, no colo de Maria, chorou os seus pecados e se arrependeu; foi ali, diante da cruz, que ele derramou as lágrimas mais amargas da sua vida, quando traiu Jesus. É esse arrependimento que Deus quer derramar no meu e no seu coração, meu irmão.
Deus não te julga, ele não te condena. Quem faz isso é o demônio. A forma como Deus olha, quando a gente está no pecado, quando a gente está longe dele, quando a gente está vivendo uma vida humana, carnal, sem graça, é esta. Às vezes a gente acha que Deus está pronto, com uma pedra na mão, como aqueles fariseus, para apedrejar eu e você, porque nós somos como aquela pecadora por causa do nosso pecado. Mas não! A gente se esquece de que Jesus está ali, escrevendo na areia, para perdoar os nossos pecados, para trazer a gente de volta à vida da graça.
E é isso que ele diz para mim e para você hoje. Você, que acha que Deus te esqueceu; você, que acha que Deus não vai ouvir a sua oração; você, que acha que às vezes Deus demora a agir; você, que acha que não compensa tentar de novo, não compensa recomeçar, não compensa se converter, não compensa abandonar os vícios, não compensa abandonar os pecados, não compensa abandonar essa infidelidade, essa traição aos homens e a Deus — escuta o que Deus tem para dizer para você.
"Meu povo é inclinado a separar-se de mim; convidam-no a subir para o Altíssimo, mas ninguém procura elevar-se." Deus vê a nossa condição, ele entende a gente, porque Jesus passou por esta carne, com exceção do pecado. Ele viveu tudo o que eu e você vivemos; ele entende a gente. O Espírito que habita em mim, em você, compreende o que a gente vive, e eleva ao Pai, na sua própria linguagem, aquilo que a gente não consegue exprimir em palavras.
E é por isso que a resposta de Deus é: "Como poderia eu abandonar-te, ó Efraim, ou entregar-te, ó Israel?" E esse Efraim, esse Israel, simboliza o povo de Deus, simboliza os escolhidos, simboliza eu e você. Você pode trocar aqui e colocar o seu nome — isto está no capítulo 11 de Oseias, no versículo 8. E a gente vai ler de novo, colocando o nosso nome: "Como poderia eu abandonar-te, ó Gustavo? Como poderia tratar-te como Admá, ou tornar-te como Seboim? Meu coração se revolve dentro de mim, eu me comovo de dó e compaixão. Não darei curso ao ardor da minha cólera, já não destruirei Efraim, porque sou Deus e não homem; sou santo no meio de ti, e não gosto de destruir."
"Eles seguirão o Senhor, que rugirá como um leão; e, ao seu rugido, tremerão os filhos do ocidente. Os egípcios tremerão como uma ave, e os assírios como uma pomba; e eu os farei habitar em suas casas — oráculo do Senhor." Graças a Deus! "Meu coração se revolve dentro de mim, e eu me comovo de dó e compaixão." É assim que Deus olha para mim, para você; é assim que ele estende a mão para a gente voltar para ele; é assim que ele convida a mim e a você a recomeçar.
Nós queremos, Senhor, agarrar as tuas mãos e, olhando para a tua cruz, como Pedro, no colo de Maria, deixar o Espírito Santo agir no nosso coração e nos conduzir ao arrependimento. Nós renunciamos a todo remorso, Senhor, a todo culpar-se, porque o Senhor, que é Deus e conhece o nosso pecado, conhece a nossa falta, conhece o nosso coração, não nos culpa. Quem somos nós? Nós renunciamos a todo esse pensamento diabólico de remorso, e queremos, neste momento, nos arrepender, pedindo a ação do teu Espírito, a mais íntima e santa contrição que já tivemos, Senhor, para que possamos recomeçar a nossa vida em ti.
Se nós, por causa do nosso pecado, Senhor, deixamos a lamparina do nosso coração se apagar, porque não a alimentamos com o óleo da tua unção, porque não buscamos os sacramentos, porque ficamos afastados da tua Igreja, nós queremos recomeçar, Senhor. Que sejam genuínas, para que esta Quaresma gere frutos de verdadeira penitência, para que esta Quaresma gere frutos de graça. Nós queremos ver o Senhor agindo na nossa vida, queremos ver o teu poder, queremos ver os teus milagres, a tua graça agindo, sendo derramada como nós nunca vimos antes, Senhor: na nossa vida, na nossa família, na vida daqueles que estão ao nosso redor. É por isso que nós queremos recomeçar.
Se você não conhece esta canção, deixe o Espírito Santo falar ao seu coração aquilo que você precisa retomar, aquilo que você precisa fazer de novo. Faça aquilo que é necessário; depois, faça o que é possível; então você estará fazendo o impossível, com a graça de Deus.
Eu vou recomeçar de onde caí, eu vou me levantar, sair do chão; não vou mais me enganar com a solidão e a dor: só posso ser feliz voltando ao meu amor. Se a lâmpada apagou, faltou azeite — Jesus quer me tirar da escuridão; se a fé esfriou, se eu fugi de mim, Jesus nunca negou o seu perdão. E eu vou voltar aos átrios do Senhor, ferido, mas fui eu quem quis assim; mas Deus vai restaurar, curar o meu coração — eu sou eleito, Deus me ama, me ama, me quer. Se a lâmpada apagou, faltou azeite — Jesus quer me tirar da escuridão; se a fé esfriou, se eu fugi de mim, Jesus nunca negou o seu perdão.
Se a lâmpada apagou, é porque faltou azeite — o azeite da oração. Faltou azeite, faltou a busca, faltou a nossa parte, porque a parte de Deus está garantida. Saiba disto: ele nunca negou e nunca vai negar o seu perdão a um coração sincero, que se arrepende e que quer voltar para ele.
Louvado seja o nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre! Como era no princípio, agora e sempre. Amém.


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