Existe aqui no Reino Unido, onde moro, uma visão muito negativa da Renovação Carismática Católica, no sentido de que isso se assemelha ao protestantismo, ao ponto de que chamam a RCC de "FEEL GOOD MOVEMENT" onde a única coisa que importa é o sentimentalismo: abraçar os irmãos, rir, sorrir, levantar os braços, louvar a Deus, sentir a presença do Senhor...
É claro que é uma visão pejorativa dos católicos tradicionais pois falam do que não conhecem e nunca tiveram um encontro com Cristo pelo poder do Espírito Santo como nós, mas ao mesmo tempo revela uma realidade que não podemos negar: há pessoas entre nós que foram protestantizados...
Assista essa formação e assuma o propósito conosco, nessa quaresma, de se purificar dessa mentalidade desgraçada, pois não vivemos na carne e nem nos sentimentos, mas pela fé!!
Que Deus vos abençoe!!
Resumo do vídeo
O "feel good" do cristão: sentir-se bem não é ter fé
Neste vídeo, Gustavo Munhon dá continuidade à formação quaresmal sobre Romanos 8 — cuja diretriz era "sair da carne e viver no Espírito" — para atacar aquilo que ele chama, com a expressão inglesa "feel good", de "o sentir-se bem". A tese central é dura e direta: fazer da sensação de bem-estar o critério da vida cristã é "exatamente o oposto da fé". Apoiado sobretudo na Carta aos Filipenses, ele mostra que a fé não se mede pelo que sentimos, mas pela vontade de Deus a que nos entregamos.
Ao longo da meditação, Gustavo denuncia uma mentalidade "protestantizada" que teria contaminado até a Renovação Carismática — a ideia de que Deus só agiu se eu senti algo, ou de que estou no lugar certo porque me sinto bem. Contra isso, ele opõe a figura de São Paulo, que viveu no Espírito em meio a açoites e naufrágios, a certeza da presença eucarística no sacrário e o convite quaresmal a purificar-se "de toda a imundície da carne e do espírito".
Inimigos da cruz "cujo Deus é o ventre"
Gustavo parte de Filipenses 3: os verdadeiros circuncisos são os que "prestam culto a Deus pelo Espírito, põem a sua glória em Jesus Cristo e não confiam na carne". Dali salta para o alerta chorado de São Paulo sobre "muitos que se portam como inimigos da cruz de Cristo, cujo destino é a perdição, cujo Deus é o ventre, para quem a própria ignomínia é causa de envaidecimento, e só têm prazer no que é terreno". Ele contrapõe a esses o próprio Apóstolo — uma pessoa que teve uma experiência com Cristo, parou de confiar na carne e lutou contra ela "até as últimas consequências", com plena consciência: "eu luto, eu sei contra quem eu luto".
A mentalidade "feel good" e a confiança na carne
O centro da crítica é a troca da fé pela sensação. Muitos, diz Gustavo, dão tanta importância àquilo que sentem que a própria fé se transforma naquilo que sentem — "quase uma coisa protestante". Na Renovação Carismática, isso apareceria na exigência de milagres visíveis: se eu não vejo o cego enxergar, o paralítico andar, o surdo escutar, então "Deus não fez muito". Ele reage lembrando que quem continua enxergando, vivendo e andando também é fruto de um milagre, e que Deus age mesmo quando a nossa oração dá frutos "do outro lado do mundo", longe dos nossos olhos. O desânimo nasce de colocar a confiança na carne e nos homens — e aqui ele evoca Jeremias: "maldito o homem que confia no próprio homem".
Sentir-se bem não é sinal da presença de Deus
Recordando uma colega de escola que preferia a própria igreja "porque lá me sinto bem", Gustavo insiste que a sensação boa não prova nada: "muitas vezes a igreja é o lugar onde a gente vai se sentir mal", ter náusea, enfrentar dificuldades e batalhas espirituais — e, ainda assim, Deus está lá no sacrário. A presença de Jesus não é garantida pelo clima agradável de um encontro, mas pela Eucaristia: na Igreja Católica, "por excelência", Cristo está "vivo, respirando, ressuscitado", esperando para ser adorado. Citando São Josemaria Escrivá — "quando fores ao sacrário, lembra-te de que há dois mil anos Ele te espera" — e uma canção católica ("quem sou eu para deixar o meu Senhor me esperando?"), ele denuncia o cristão que só vai ao grupo de oração pelos amigos, pela festa ou pela fala suave, e conclui: "a nossa alma tem que se converter".
Não vos conformeis: renovar a mente na Quaresma
Gustavo apresenta a Quaresma como uma oração única de toda a Igreja, em comunhão, que começa pela nossa própria conversão antes de pedir a dos outros. Recorda que São Paulo, vivendo no Espírito, "não teve coisa boa": açoites, apedrejamento, naufrágios — e mesmo assim não fraquejou, a ponto de os estudiosos dizerem que "o coração de Paulo era o coração de Cristo". Com a Primeira Carta de Pedro ("como Cristo padeceu na carne, armai-vos também vós deste mesmo pensamento") e com Romanos 12 ("não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito"), ele mostra por que tantos passam "Quaresma após Quaresma, ano após ano", sem discernir a vontade de Deus: continuam a viver na carne, procurando o lugar agradável e as pessoas que não condenam os seus pecados. A meta, lembrada a partir do Sermão da Montanha, é buscar a perfeição e a santidade, "porque o nosso Pai é santo".
Purificar-se de toda a imundície da carne e do espírito
De Segunda Coríntios 7, Gustavo colhe o programa da Quaresma: "possuindo tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundície da carne e do espírito, realizando plenamente a nossa santificação no temor a Deus". Ele explica que a imundície do espírito abrange falsas religiões, falsas doutrinas e objetos contaminados, ligados ao demônio, dos quais é preciso se desfazer. As promessas que sustentam esse esforço são a vida eterna e o céu, prometidos em João 14 ("na casa de meu Pai há muitas moradas") e garantidos pela ressurreição: como Filipenses 3 anuncia, Cristo "transformará o nosso mísero corpo, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso". Evocando o Padre Léo, ele descreve a alegria de ressuscitar íntegros e plenos, "no melhor estágio em que vivemos aqui nesta terra".
Caminhar juntos: penitência e esmola espiritual
Ninguém se santifica sozinho, insiste Gustavo: Deus nos deu cônjuges, amigos, comunidades, padres e até o Papa para que nos ajudemos e nos animemos uns aos outros, como pede a Carta aos Hebreus — porque "animar é dar alma". Nesse espírito, ele reinterpreta a esmola quaresmal: além de dinheiro e alimento, existe a "esmola espiritual" de ajudar, com caridade e coerência (tirando antes a trave do próprio olho), quem vive por ignorância contra os mandamentos. A formação termina em oração, seguindo São Francisco de Assis — "fazer primeiro o necessário", depois o possível, para que Deus faça o impossível — e pedindo ao Espírito Santo que ilumine cada área do nosso ser e faça a Palavra dar frutos.
Se sentir bem na igreja não significa que você está em Deus, não significa que você está no lugar certo. Muitas vezes a igreja é o lugar onde a gente vai se sentir mal — mas Deus está lá no sacrário, e a presença dele é garantida.
Para levar para a vida
- Deixe de medir a sua fé pela sensação de bem-estar: procure a igreja e a oração pela presença real de Cristo no sacrário, não pelo clima agradável, pelos amigos ou pela "fala suave".
- Desconfie da mentalidade que só reconhece Deus no milagre visível: agradeça as graças silenciosas — continuar vivo, enxergar, andar — e confie que Ele age mesmo quando você não vê os frutos.
- Faça da Quaresma um exame concreto: identifique uma "imundície da carne ou do espírito" a combater e dê passos possíveis — confissão, sacramentos, adoração, mais oração, desfazer-se do que tem origem dúbia.
- Não caminhe sozinho: apoie-se em cônjuge, amigos e comunidade, anime os outros ("dar alma") e pratique a esmola espiritual, ajudando com caridade quem erra por ignorância.
- Peça a São Francisco de Assis o método da santidade: faça primeiro o necessário, depois o possível, e confie a Deus o impossível.
Passagens citadas: Fp 3,3; Fp 3,17-19; Jr 17,5; 1Pd 4,1; Rm 12,1-2; Mt 5,48; 2Cor 7,1; Jo 14,1-2; 1Jo 5,19; Fp 3,20-21; Mt 7,5; Hb 3,13; Jo 15,3; Rm 10,17; Tg 1,5
Transcrição completa do vídeo⌄
Transcrição integral do áudio do vídeo, organizada em parágrafos para facilitar a leitura.
Amados amigos, tudo bem? Bem-vindos ao blog Vou Nessa Direção. Hoje nós vamos continuar com as nossas formações quaresmais e, na semana passada, nós refletimos sobre o tema de Romanos 8, e podemos chegar à conclusão de que uma das diretrizes desse capítulo 8 de Romanos era sair da carne e viver no Espírito. Hoje nós vamos dar uma continuação a esse tema, mas o tema de hoje será aquilo que ele chama em inglês de "feel good", você se sentir bem, que é exatamente o oposto da fé.
Nós vamos iniciar, claro, na presença de Deus: em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém. Queremos pedir a intercessão de São José, aquele que soube fazer a vontade de Deus, aquele que não viveu na carne, mas se entregou inteiramente ao Senhor. São José nos ensine a ser homens e mulheres — ele que é o patrono da Igreja universal de Deus —, homens e mulheres melhores, católicos, e que ele inspire no nosso coração a santidade. Nossa Senhora das Graças, rogai por nós. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Então vamos começar, meus irmãos, na palavra de Filipenses, no capítulo 3. Olha só, nós podemos iniciar aqui, dando um pontapé inicial, usando essa palavra que São Paulo disse para nos prevenir, quando ele escreveu para a comunidade de Filipos. Capítulo 3, versículo 3: "Porque os verdadeiros circuncisos somos nós, que prestamos culto a Deus pelo Espírito de Deus, e pomos a nossa glória em Jesus Cristo, e não confiamos na carne."
Do versículo 3, nós vamos pular, meus irmãos, lá para o versículo 17 — é só virar a página na Bíblia Ave-Maria, página 1506. Olha só: "Irmãos, sede meus imitadores e olhai atentamente para os que vivem segundo o exemplo que nós vos damos, porque há muitos por aí, de quem repetidas vezes vos tenho falado — e agora eu digo chorando —, que se portam como inimigos da cruz de Cristo, cujo destino é a perdição, cujo Deus é o ventre, para quem a própria ignomínia é causa de envaidecimento, e só têm prazer no que é terreno."
Eu vou repetir esse versículo — é o versículo 18 e o versículo 19, para nós gravarmos: "Porque há muitos por aí, de quem repetidas vezes vos tenho falado — e agora eu digo chorando —, que se portam como inimigos da cruz de Cristo, cujo destino é a perdição, cujo Deus é o ventre, para quem a própria ignomínia é causa de envaidecimento, e só têm prazer no que é terreno." Palavra do Senhor. Graças a Deus.
Olha só, meus irmãos: Paulo, sendo quem ele é, como nós refletimos na semana passada, era uma pessoa que viveu no Espírito, uma pessoa que teve uma experiência com Cristo e parou de confiar na carne, que lutou contra a carne até as últimas consequências. Como ele diz: "Combato, mas não em vão; eu luto, eu sei contra quem eu luto, e o meu destino é a glória que me está reservada no céu." Paulo não era uma pessoa carnal; Paulo era uma pessoa que tinha consciência do que estava fazendo. Então é por isso que ele nos alerta, aqui no versículo 3: nós somos verdadeiros circuncisos porque prestamos culto a Deus pelo Espírito de Deus, pomos a nossa glória em Jesus Cristo e não confiamos na carne.
Meus irmãos, infelizmente, muitos de nós têm confiado na carne. Muitos de nós têm dado tanta importância àquilo que sentimos, que a nossa fé se transforma naquilo que nós sentimos — quase uma coisa protestante. É uma desgraça dentro da Igreja. E muitos de nós, na Renovação Carismática, infelizmente, estamos contaminados, protestantizados, com essa ideia de que, se Deus não agir de uma forma que eu sinta na minha carne, então Deus não agiu.
Se eu não vejo o poder de Deus se manifestando a ponto de eu conseguir enxergar os milagres acontecendo — uma pessoa levantada da cadeira de rodas, um cego voltar a enxergar, uma pessoa surda voltar a escutar, uma pessoa que era paralítica voltar a andar —, então eu não vou acreditar: "não, Deus não fez muito". Mas e aqueles que continuam enxergando? Que Deus permite que continuem vivendo? Que Deus permite que continuem andando? É um milagre. Deus realiza tantas graças, mas nós não estamos acostumados a ver.
Mas, mesmo se Ele não fizesse nada; mesmo se a obra que Deus fizesse através da nossa vida, dentro de um grupo de oração, através da nossa oração em comunidade, durante esse período da Quaresma, se realizasse do outro lado do mundo — de modo que nós não estamos vendo os frutos da nossa oração —, mesmo assim Deus está agindo. E muitas pessoas ficam desanimadas porque não conseguem ver, porque estão colocando a sua confiança na carne, colocando a sua confiança em homens. Jeremias já advertia: "Maldito o homem que confia no próprio homem." Isso é uma desgraça, esse negócio de querer se sentir bem.
Eu me lembro de que, quando eu fui batizado, quando eu tinha 16 anos, eu estava no terceiro ano do ensino médio, e uma das pessoas com quem eu conversava, que eu levava e que não gostava muito, dizia: "Eu gosto de ir para a minha igreja porque lá eu me sinto bem." Se sentir bem não significa que Deus está lá. É isso que Paulo diz: eles se portam como inimigos da cruz, cujo destino é a perdição, cujo Deus é o ventre, e só têm prazer no que é terreno.
Se sentir bem na igreja não significa que você está em Deus, não significa que você está no lugar certo. Muitas vezes a igreja é o lugar onde a gente vai se sentir mal, onde a gente vai ter náusea, onde a gente vai ter dificuldades pessoais, onde a gente vai ter batalhas espirituais — mas Deus está lá no sacrário, Jesus está lá, a presença dele é garantida. Não há outra igreja, nenhuma igreja protestante, onde a presença de Jesus seja garantida como Ele disse: "Estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo." E Jesus faz isso através da sua presença eucarística; na Igreja Católica, por excelência, Jesus está lá vivo, respirando, ressuscitado, está lá esperando a gente para ser adorado.
E, a respeito disso, São Josemaria Escrivá dizia: "Quando fores ao sacrário, lembra-te de que há dois mil anos Ele te espera." E, me preparando para essa formação, vinha ao meu coração aquela música que muitos de nós conhecemos, do Juninho Casimiro, "O que me rouba de Ti", em que ele diz: "Quem sou eu para deixar o meu Senhor me esperando?" Somos nós que colocamos a nossa glória na carne, somos nós que temos prazer só no que é terreno, somos nós que buscamos, até mesmo dentro da Igreja Católica, dentro da Renovação Carismática, esse sentimento de coisa boa: "Ah, eu gosto de ir lá porque a pessoa fala suave"; "eu gosto de ir nesse grupo de oração porque tenho amigos e depois a gente vai para a festa"; "eu gosto de ir lá porque eu me sinto bem." Então, com essa palavra de Paulo, a nossa alma tem que se converter.
Sabe, meus irmãos, a Igreja se une nesse período da Quaresma, e é como se fosse uma oração só, um poder só da Igreja, em comunhão, em união, elevada a Deus pela conversão — primeiro a nossa conversão, e depois a gente pede a conversão dos outros. É claro, isso é a coisa mais maravilhosa: a gente tem que continuar rezando pelos pagãos, pela nossa família, pela conversão do mundo inteiro, pela salvação das nossas almas; mas a gente também tem que rezar pela nossa própria conversão. Nesse poder espiritual da Quaresma, de batalha contra a carne, contra o mundo e contra o demônio, a gente tem que se apropriar dessa graça, se abrigar no peito de Jesus rasgado na cruz, e deixar que o sangue e a água que dele brotam curem a nossa alma e nos libertem dessa mentalidade protestantizada de que a gente precisa se sentir bem para estar em Deus.
São Paulo, vivendo no Espírito, fazendo a vontade de Deus, não teve coisa boa, não: ele passou por açoites, foi apedrejado, foi esmagado, naufragou. Mas o São Paulo não fraquejou — essa é a vida no Espírito, meus irmãos. E olha os frutos da vida dele: aquilo que ele escreveu, o amor que ele manifestou, o tamanho da santidade dele, a ponto de os apologistas, aqueles que estudam a Bíblia, dizerem que o coração de Paulo era o coração de Cristo. Tamanho amor, tamanha vida de santidade, de entrega, de rompimento com o pecado, contra a carne, contra o mundo, contra o demônio, que ele teve.
Olha só, o primeiro Papa fala assim, na Primeira Carta de Pedro, no capítulo 4: "Pois, como Cristo padeceu na carne, armai-vos também vós deste mesmo pensamento: quem padeceu na carne rompeu com o pecado, a fim de que, no tempo que lhe resta para o corpo, já não viva segundo as paixões humanas, mas segundo a vontade de Deus." Principalmente nesse tempo de Quaresma, a gente tem que acabar com essa mentalidade de que a gente vai para a igreja, de que a gente busca Deus, de que a gente é cristão porque se sente bem.
Olha só, em Romanos, no capítulo 12, no versículo 1, São Paulo diz para oferecermos os nossos corpos — não sermos guiados pelos nossos corpos, não colocarmos a nossa esperança na carne, não colocarmos a nossa glória no que é terreno, não esperarmos deste mundo, mas esperarmos do céu. A gente tem que mudar a forma como pensa, tem que mudar a forma como vive, tem que se educar e se reeducar constantemente.
Para que aconteça aquilo que São Paulo continua no versículo 2 de Romanos 12: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito." Isso tem que ser um exercício constante; a gente tem que estar sempre se renovando, sempre deixando o Espírito de Deus transformar a nossa mentalidade, transformar a nossa vida, se unir ao nosso espírito e nos mostrar onde precisamos mudar, renunciar, abandonar, diluir, tirar da nossa vida essa vida mundana. Porque o mesmo São Paulo diz, em outra passagem que eu não vou me lembrar agora, mas sobre a qual eu já escrevi aqui no blog, que nós temos que viver neste mundo, usar das coisas do mundo, mas sem ser mundanos.
Olha só, no versículo 2: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus." Essa é a razão pela qual muitos de nós passam Quaresma após Quaresma, ano após ano, fazem propósito com Deus, fazem tudo, mas nunca conseguem discernir qual é a vontade de Deus para a nossa vida: porque a gente não se deixa renovar, ser transformado pelo Espírito Santo, porque a gente está vivendo uma vida carnal, está buscando o lugar que é agradável, as pessoas que falam aquilo que a gente quer ouvir, as pessoas que não condenam os pecados que a gente vive.
"Para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito." Jesus disse isso no sermão da montanha, em Mateus 5: nós temos que buscar viver a perfeição, "porque o vosso Pai é perfeito"; nós temos que buscar a santidade, porque o nosso Pai é santo; nós temos que buscar a vida que agrada a Deus, não aquilo que agrada a nossa carne — a não ser que já estejamos, como Santa Teresa d'Ávila, como São João da Cruz, como Santa Teresa do Menino Jesus, lá na sétima morada, já não nos importando com o que é carnal, como São João Maria Vianney, que não estava nem aí para as coisas da carne.
Meu irmão, eu estou lendo o livro da vida de São João Maria Vianney, e estou bem no final, mas o autor começa a explicar as lutas que ele travava contra o demônio. Teve momentos da vida dele em que ele ouvia, como se fosse fora da casa paroquial, uma multidão de gente gritando; ele colocava a cabeça na janela e não tinha ninguém. Ele começou a ficar com medo, humanamente falando, e depois, mais para a frente na sua vida, ele se lembrava dando risada: "Eu tinha medo."
Em outros momentos, a casa começava a tremer, a janela começava a tremer. Um dia ele chamou um amigo da comunidade para ir dormir lá na casa e, na hora em que o amigo estava lá e a casa começou a tremer, ele pegou o fuzil e olhou para a janela — e não tinha ninguém; no andar inferior não tinha ninguém, não estava acontecendo nada. E, da mesma forma que a casa estava tremendo, as pernas da gente ficavam bambas; o São João Maria Vianney conta que se lembra desse dia em que o amigo ficou verde.
Eu também nunca travei esse tipo de luta — pode ser que você tenha travado, muitos santos travaram —, mas imagina: isso é santidade. O demônio não se incomoda com a gente, que está aqui colocando a nossa esperança na carne, fazendo tudo o que agrada a nossa carne; o demônio não está nem aí para nós. Ele está irritado mesmo é com aqueles que estão vivendo no Espírito, que estão avançando de morada em morada, aqueles que estão chegando lá no nível dos santos, que estão vivendo uma santidade, buscando a perfeição, buscando melhorar. É claro que a gente não tem que fazer isso para se tornar alvo do demônio — mas isso vai acontecer —; a gente faz é pelo amor de Deus.
Olha só o que São Paulo vai continuar dizendo, na Segunda Carta aos Coríntios, no capítulo 7, no versículo 1: "Depositários de tais promessas, caríssimos..." Quais promessas, meus irmãos? A vida eterna, a santidade, o céu. Jesus disse, em João 14: "Não se perturbe o vosso coração; na casa de meu Pai há muitas moradas; vou preparar-vos um lugar, e, onde eu estiver, vós também estareis." A promessa da vida eterna, a promessa da salvação, a promessa da felicidade que a gente vai viver — não neste mundo corrompido, não neste mundo em que, como está escrito em Primeira de João, capítulo 5, versículo 19, "o mundo inteiro jaz sob o domínio do maligno", não nesta carne corrompida, mas numa carne ressuscitada, quando nós ressuscitarmos com Ele.
Deixa eu voltar aqui no versículo 20, que lemos de Filipenses, capítulo 3: "Nós, porém, somos cidadãos do céu, e é de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso mísero corpo, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a si toda criatura." O nosso corpo vai ser transformado.
E você já parou para pensar que é por isso que Jesus, quando ressuscitou, teve o seu corpo transformado, ressuscitado? É por isso que, quando Ele apareceu para Maria Madalena, ela não O reconheceu e achou que Jesus fosse o jardineiro — ela falou: "Senhor, onde O pusestes?" — e só O reconheceu quando Ele falou: "Maria", porque Jesus estava ressuscitado. É assim que a gente vai ser também.
E o Padre Léo dizia, meus irmãos, que coisa mais maravilhosa: a gente vai ser transformado e vai viver a eternidade inteira no céu, da melhor forma em que já estivemos nesta terra. O Padre Léo disse que aqueles que, infelizmente, passaram pela desgraça de às vezes perder um braço, vão ter os dois braços no céu; aquele que teve as pernas amputadas vai ter as duas pernas no céu. A gente vai estar no melhor estágio em que viveu aqui nesta terra; é assim que a gente vai viver na eternidade.
Então, olha que promessas! "Possuindo tais promessas, caríssimos, purifiquemo-nos de toda a imundície da carne e do espírito, realizando plenamente a nossa santificação no temor a Deus." Palavra do Senhor. Graças a Deus. "Purifiquemo-nos de toda a imundície da carne e do espírito."
E aqui, só abrindo umas aspas: a imundície do espírito — o que é? São as falsas religiões, as falsas doutrinas, as contaminações espirituais, as coisas que a gente às vezes tem até fisicamente dentro da nossa casa, mas que estão contaminadas pelo demônio, que foram oferecidas ao demônio, que vieram de religiões falsas, de religiões demoníacas; nós temos que nos purificar disso.
"Depositários de tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundície da carne." E essa é uma boa reflexão para nós fazermos nesta Quaresma: qual é a imundície da carne que eu tenho que combater nesta Quaresma? Qual é a imundície da carne que você tem que combater? Qual é a imundície de que nós temos que nos purificar, para realizar a nossa santificação no temor a Deus? Eu sei qual é a minha fraqueza, você sabe qual é a sua. Por que é que nós não vencemos? Por que é que nós não damos um passo na fé? Por que é que nós não progredimos? Por que é que nós não vamos além de onde já chegamos? A Quaresma é esse tempo oportuno.
Vamos, meus irmãos, vamos dar a mão, vamos juntos! O nosso destino é o céu, o nosso destino é a salvação, o nosso destino é a felicidade eterna, o nosso destino é viver o céu aqui na terra. É por isso que você está neste blog, é por isso que você está ouvindo esta formação: nós queremos fazer a vontade de Deus, nós queremos viver a santificação, nós queremos ser plenamente santificados no temor a Deus.
Nós sabemos que não conseguimos sozinhos; é por isso que nós temos pessoas ao nosso lado, temos amigos. Nós, os casados, temos o nosso cônjuge; os padres têm a comunidade, têm os outros amigos padres, os religiosos que estão em comunidade, os bispos e até mesmo o Papa. É para isso que Deus colocou pessoas ao nosso lado: para nos ajudarmos uns aos outros, para podermos crescer juntos, para nos animarmos uns aos outros, para que se cumpra aquilo que está escrito em Hebreus: "Animai-vos uns aos outros." Animar é dar alma — com a palavra, com a atitude, com o amor, com a alegria, com a santidade, no temor a Deus.
Que essa mensagem possa ficar cravada na nossa alma, possa ficar cravada no nosso coração, possa nos incomodar: o que é que eu preciso purificar? Qual é a imundície da minha carne ou do meu espírito? Qual é a imundície de que eu preciso ser purificado? Qual é a imundície que, às vezes, meu irmão não está vendo? É claro, a gente tem que ser coerente com a nossa fé, conforme aquilo que Jesus disse: tira primeiro a trave do teu olho para depois poder ajudar o teu irmão que tem uma palha. Nós temos que ser coerentes; mas também quantas coisas os nossos irmãos não veem, não têm ainda essa dimensão, não conseguem enxergar que não agradam a Deus — e nós, pela misericórdia de Deus, já conseguimos enxergar.
Nós temos que nos ajudar uns aos outros. Na Quaresma, nós somos convidados à oração, à esmola e à penitência. E a esmola não é só dar dinheiro para quem precisa, não é só dar alimento para quem está passando necessidade; é também essa esmola espiritual: uma pessoa que está fazendo uma coisa que, às vezes, é contra os mandamentos, que é contra a doutrina da Igreja — e nós sabemos, mas a pessoa faz por ignorância —, e a nossa esmola pode ser ir lá ajudar essa pessoa a sair dessa imundície espiritual. Que o Espírito de Deus se una ao nosso espírito e ajude.
Motivados pela palavra de Deus, motivados pela Quaresma, motivados por São José, que celebramos nesta semana, motivados pela Mãe de Deus, a toda-santa, nós queremos te pedir, Jesus, que, pela ação do teu Espírito — Tu, que disseste na tua palavra, em João 15: "Já estais purificados pela palavra que eu vos anunciei"; Tu, que pela ação do teu Espírito colocaste no coração de Paulo aquilo que está escrito em Romanos, que a fé provém da pregação, e a pregação, da palavra de Deus —, dá-nos o ânimo, dá-nos a força da tua palavra, dá-nos a graça de realizar aquilo que humanamente não conseguimos.
Senhor, pedimos sabedoria, pedimos aquilo que Tiago diz no capítulo 1: "Peça a sabedoria a Deus, e ela lhe será dada" — a quem pedir de bom coração, com o nosso coração humilhado diante da tua presença. Queremos pedir a tua sabedoria. Espírito de Deus, concede-nos a graça de fazer aquilo que São Francisco de Assis diz: fazer primeiro o necessário. Ilumina dentro de nós aquilo que é necessário fazermos nesta Quaresma, para nos purificarmos de toda a imundície da nossa carne e do nosso espírito.
Espírito de Deus, ilumina-nos, ilumina o nosso interior, ilumina a nossa mente, o nosso coração, o nosso consciente, o nosso subconsciente, o nosso inconsciente; toca cada área do nosso ser, toca o nosso corpo, toca a nossa alma e toca o nosso espírito. Dá-nos a tua sabedoria e, depois de fazermos o que é necessário, inspira-nos a fazer o que é possível — aquilo que nós podemos fazer para sermos purificados: buscar a confissão, buscar os sacramentos da Igreja, buscar a adoração, buscar intensificar a nossa vida de oração, buscar nos desfazer de tudo o que pode ter origem dúbia, que não vem de Deus. E então o Senhor fará aquilo que é impossível — mas só quando nós fizermos o necessário e o possível.
Confirma, Espírito de Deus, no nosso coração aquilo que nós refletimos durante esta formação de hoje; confirma no nosso coração a graça de que essa palavra possa realmente dar frutos para a nossa vida. Filipenses 3, versículo 17: "Irmãos, sede meus imitadores e olhai atentamente para os que vivem segundo o exemplo que nós vos damos, porque há muitos por aí, de quem repetidas vezes vos tenho falado — e agora eu digo chorando —, que se portam como inimigos da cruz de Cristo, cujo destino é a perdição, cujo Deus é o ventre, para quem a própria ignomínia é causa de envaidecimento, e só têm prazer no que é terreno. Nós, porém, somos cidadãos do céu, e é de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso mísero corpo, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a si toda criatura."
Bendito sejas Tu, louvado sejas pela tua palavra, que nos fortalece, que nos cativa, que nos anima, que nos dá força. Bendito sejas por esta formação de hoje. Bendito sejas pela comunhão com os anjos, com os santos, com a Igreja militante, padecente e triunfante. Nós somos um só corpo em Ti, e Tu és a nossa cabeça. Jesus, nós Te adoramos e Te bendizemos, agora e para sempre; no céu, continuaremos a Te adorar e a Te bendizer. Bendito sejas Tu, Jesus. Louvado seja o nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado.


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