Lágrimas me invadem a alma em constipação desse sentimento

Lágrimas brotam em meu coração – predizem o que não falei

Águas limpas escorrem de meus olhos – oração silenciosa

Um pranto amargo me incha a face – há dor em meu interior

Desde onde são brotadas essas fontes – até aonde alcançam

Sinto que minha inspiração vem dessa dor amarga – azeda

Assim como o adubo mal cheiroso depositado aos pés das flores

Assim como o sofrimento superado – que resulta em graça

Assim como a noite que prepara o dia

E a tempestade e agitação que preparam a paz e a calmaria

Eis o que sinto ser preparado em meu interior

Um rio de lágrimas que me purificam – e lavam

Uma constante dor selvagem que acabrunha tudo o que sinto

E que acolhida por minha alma e coração

Transformam-se em virtudes e força em mim

Não simbolizam – mas traduzem a quantidade de amor

Iluminam toda treva e escuridão que jaz aqui

É como a benção inesperada que chega

É uma tradução a esse fluente de linguagens – que me atormenta

É, sem dúvidas – a felicidade não polida

O tesouro encontrado – que ainda não foi lapidado

As grandes alegrias – ainda não convertidas

E somente o tempo nos ajuda a entender

Que as ilusões nos preparam para essa verdade

Que mesmo escondida ou apagada – está dentro de nós

E nada nos apetece mais do que encontra-la

Começamos imaginando o mundo novo e perfeito

Que começa a desmoronar quando abrimos os olhos

E percebemos que nossa vida não tinha estruturas

Então – decepcionados ante a aflição e as repulsas

Fundidos às nossas tristezas e lamentações

Fazem-nos sentir pessoas desprezadas e pequenas

Pois não estamos prontos aos desafios da vida

Pois ainda não encontramos o sentido desse sofrimento

Pois ainda estamos vivendo o passado das carências

Afetos e emoções que nos permeiam e animam

Nosso viver marcado pelas decepções e afluentes

Das lágrimas e tentativas de novos amores

Não amamos o desconhecido – nem o imaginário

Apenas enganamos o nosso ego – com fantasias

Que em momentos marcados e delimitados

Estritam a realidade que tentamos esquecer

Impossível é prosseguir sem assimilar o viver

As quedas, as dores, os tormentos e os choros

Da mesma forma que as bases sólidas de um edifício

Alicerçados em ferros e rochas Assim será o alicerce de um coração banhado

Nessas experiências – que a princípio

Parecem o fim do mundo e a destruição em nós

Mas que revelam-se em nossa força do coração

A coragem que nos impulsionará a novos horizontes

O impacto que nos fará suportar – coisas ainda piores

Motivo de grande entusiasmo – companhia penetrada

Não temeremos mais o que o futuro nos reserva...