Resumo do vídeo
O pecado nos rouba a paz: reconhecer, confessar e reencontrar a alegria
Neste vídeo, Gustavo Munhon conduz uma formação sobre o pecado, partindo de uma convicção que percorre toda a reflexão: o pecado é terrível, mas não é mais forte que Deus. Depois de definir o pecado como "a transgressão da lei", ele mostra o quanto essa transgressão fere o ser humano por inteiro — no corpo, na mente e no espírito — e concentra o foco naquilo que mais o inquieta: o pecado rouba a nossa alegria e a nossa paz. O caminho de saída, insiste, é o reconhecimento sincero, a confissão sacramental e a entrega das nossas preocupações a Deus.
A meditação alterna a exposição bíblica com exemplos concretos do cotidiano e com um testemunho pessoal recente. Gustavo entrelaça textos das Lamentações, de São João, de São Paulo e dos profetas para descrever a miséria de quem se entrega ao pecado e o contraste com a abundância que espera na "casa do Pai". O tom é ao mesmo tempo severo diante do mal do pecado e profundamente esperançoso, culminando numa oração de contrição e de confiança na paz de Cristo.
O pecado não é mais forte que Deus
Logo no início, Gustavo esclarece o horizonte da formação. O pecado, diz ele, é "uma desgraça", "o que de pior a gente pode fazer" — muitas vezes nos faz perder o foco, o tempo e as graças que Deus nos deu. Ainda assim, a última palavra não é do pecado: "Deus é mais poderoso que o nosso pecado." Por isso a mensagem se dirige também ao sacramento da confissão, para aqueles que deixam o pecado permanecer no caminho sem confessá-lo, ou que se entregam a ele achando que é invencível.
O que é o pecado: a transgressão da lei
Apoiando-se na Primeira Carta de São João — "todo aquele que peca transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei" —, Gustavo explica que essa lei são os mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, além dos dez mandamentos da lei de Deus e dos cinco mandamentos da Igreja. Recorrendo ao Catecismo, ele apresenta duas verdades que parecem opostas mas se completam: ninguém pode ser julgado por aquilo que desconhece, mas quem tem acesso ao conhecimento pode ser julgado por não buscá-lo. Assim, quem sabe o que a Bíblia e a Igreja ensinam é chamado a seguir os mandamentos. E lembra que, se no Antigo Testamento a lei estava gravada nas tábuas, no Novo Testamento, a lei do amor está gravada no coração — de modo que, mesmo quem não crê, sente-se de alguma forma incomodado diante do pecado.
Uma ferida no corpo, na alma e no espírito
Gustavo mostra que o pecado atinge o ser humano em todas as dimensões. Primeiro a vida espiritual; depois a vida psíquica, pois os vícios criam "uma necessidade psíquica de repetição, de tentar satisfazer um vazio que, no fundo, é espiritual"; e por fim o próprio corpo, que a pessoa acaba mutilando por si mesma. Com exemplos francos — a dependência da bebida que corrói o fígado, o cigarro com suas milhares de substâncias cancerígenas, o fedor e o tempo desperdiçado —, ele ilustra como o pecado, de tão habitual, deixa de ser percebido por quem o comete. E recorda São Paulo: "o salário do pecado é a morte", "todos pecaram e estão privados da glória de Deus"; e Isaías, para quem não é a mão de Deus que é incapaz de salvar, mas os nossos pecados que erguem a barreira entre nós e Ele.
Escravos que estendem a mão
Chegando ao ponto central, Gustavo afirma que, além das doenças e da destruição das famílias, o pecado "tira a nossa paz". Lembrando que a palavra grega para pecado significa "errar o alvo", ele explica que, enganados pelo desejo de sermos felizes e atendendo aos apetites da carne, acabamos justamente perdendo a alegria e a paz que buscávamos. Lendo as Lamentações, capítulo 5, ele descreve a miséria de quem se torna escravo — "todo aquele que se entrega ao pecado é seu escravo", diz São João —, comparando-a ao filho pródigo que dilapida a herança e chega a desejar comer com os porcos. Estender a mão para mendigar, observa, é também sinal de uma carência de amor, de abraço e de carinho: é o grito de "me ame" no modo de se vestir e de buscar prazer. Mas há uma saída: recordar que "na casa do Pai tem pão em abundância" e parar de se rebaixar em busca do amor ilusório do mundo.
O engano do pecado: um bom vendedor
Gustavo alerta para a estratégia do pecado, que "sempre se apresenta como prazer, como alegria, como felicidade", nunca como aquilo que realmente é. O demônio, diz ele, é "um bom vendedor": mostra apenas o gozo momentâneo e esconde as consequências, oferecendo o pecado a prazo, como quem parcela uma compra. Mas a conta chega, "porque o salário do pecado é a morte". Recorrendo a Gálatas — "de Deus não se zomba: o que o homem planta, isso mesmo ele colherá" —, questiona o que espera colher quem planta impureza, vícios, mentira, ódio e inveja: não a alegria nem a paz, mas a própria desgraça.
A paz que volta na confissão
A parte final é um testemunho. Gustavo conta que, um mês antes, foi confessar-se, notando como o demônio retira o temor na hora de pecar e semeia a relativização na hora de confessar. Ao receber a absolvição, sentiu "uma graça tão tremenda de Deus" — graça, e não mérito, nem do sacerdote nem seu. Ele evoca a mulher a quem Jesus disse "nem eu te condeno; vai e não peques mais", e a paz que encheu aquele coração. Diante do estresse, da opressão e do desânimo que levam a "plantar pecado", convida cada pessoa a pedir a contrição perfeita pela intercessão de Maria e a apresentar a Deus todas as suas preocupações, segundo a Carta aos Filipenses: "a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar os vossos corações". A formação encerra numa oração de entrega e ação de graças, com a certeza de que "em Cristo somos mais que vencedores".
O demônio é um bom vendedor: ele vende o pecado ao preço que a gente quiser pagar, ele parcela. Mas você vai ter que pagar, porque o salário do pecado é a morte.
Para levar para a vida
- Faça um exame de consciência honesto à luz dos mandamentos: só há conversão onde há reconhecimento sincero do pecado, e ter acesso ao conhecimento nos torna responsáveis por buscá-lo.
- Não deixe o pecado permanecer no caminho: procure o sacramento da confissão, lembrando que a absolvição é graça de Deus, não mérito humano, e que Ele não te condena, mas te espera.
- Peça a graça da contrição perfeita, do profundo arrependimento, pela intercessão da Virgem Maria — reconhecendo que na "casa do Pai" há abundância, em vez de mendigar o amor ilusório do mundo.
- Diante da inquietação e da opressão, apresente a Deus todas as preocupações com oração, súplica e ação de graças, confiando que a paz que excede toda inteligência guardará o seu coração.
Passagens citadas: 1Jo 3,4; Rm 6,23; Rm 3,23; Is 59,1; 1Ts 4,3; Lm 5; Jo 8,34; Lc 15,11-32; Gl 6,7; Jo 8,10-11; Fp 4,6-7
Transcrição completa do vídeo⌄
Transcrição integral do áudio do vídeo, organizada em parágrafos para facilitar a leitura.
Olá, meus amigos, tudo bem? Bem-vindos ao blog Vou Nessa Direção. Faz um tempinho que a gente não se encontra, mas hoje estamos aqui, então estamos reunidos, na graça de Deus. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Já no início desta formação de hoje, nós pedimos o auxílio da Virgem Maria, para que ela conduza os nossos corações e nos ajude a acolher e a guardar a Palavra de Deus como ela fez. Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém. São José, rogai por nós. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Então, meus irmãos e minhas irmãs, com a graça de Deus, hoje queremos partilhar este blog sobre o tema do pecado. Muitas vezes a gente passa pelo pecado, muitas vezes a gente permanece, a gente perde tempo no pecado; muitas vezes o pecado faz com que a gente perca o nosso objetivo, perca o nosso foco, perca as graças que Deus nos deu. Mas essa mensagem de hoje é também para abrir os nossos olhos com relação ao sacramento da confissão, porque muitas vezes o pecado fica no nosso caminho e nós não confessamos, ou nos entregamos ao pecado e achamos que o pecado é mais poderoso.
Então, só para começar aqui — não é o tema, mas só porque o Espírito Santo está suscitando o meu coração —, quero falar para você que o pecado não é mais forte que Deus. O pecado é uma desgraça, o pecado é terrível, o pecado é o que de pior a gente pode fazer, mas Deus é mais poderoso que o nosso pecado.
E também, para que fique clara esta pregação: esta formação vai para as pessoas que têm conhecimento do pecado, porque o Catecismo da Igreja Católica define que não tem como você ser julgado por uma coisa que você não sabe. Mas também o fato de você não saber não é desculpa para que você não seja julgado. Então existem duas coisas que parecem contrariedades, mas que, na verdade, se completam. Uma é: você não pode ser julgado pelo que você não sabe. E a outra é: se você tem acesso ao conhecimento, você pode ser julgado por não buscar o conhecimento.
Mas, enfim, para que a gente defina e tenha claro aqui, eu queria pegar a palavra da Primeira Carta de João, no capítulo 3, no versículo 4, porque São João define o que é o pecado. Está escrito assim: "Todo aquele que peca transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei." Palavra do Senhor. Então, o pecado é a transgressão da lei. Mas como alguém pode ser julgado se ele não conhece a lei, se ele não sabe da lei? E que lei é essa? São os mandamentos. Hoje, sendo dia 3 de novembro, o evangelho de hoje, de sábado à noite — que já é o evangelho de domingo, na verdade —, um rapaz chega para Jesus e pergunta quais são os mandamentos. E Jesus diz: amar a Deus sobre todas as coisas, com todo o seu coração, com toda a sua energia, com todo o seu entendimento; e ao próximo como a si mesmo. Então, esses são os dois principais mandamentos. Mas, é claro, existem os dez mandamentos da lei de Deus e existem os cinco mandamentos da Igreja.
Então, você só pode ser condenado pelo pecado se você tem consciência dele. Se você é católico, se você é protestante, se você é cristão, se você sabe o que a Bíblia ensina sobre os dez mandamentos, se você é católico e sabe o que a Igreja ensina sobre os cinco mandamentos da Igreja, a gente tem que seguir os mandamentos. Então, o pecado é a transgressão da lei. E a lei de Deus, gravada no nosso coração, é o amor. No Antigo Testamento, antes de Jesus vir, era a lei pela lei; com a vinda de Jesus, o Novo Testamento é a lei do amor. No Antigo Testamento, os dez mandamentos estavam gravados nas tábuas da lei; no Novo Testamento, com Jesus, os mandamentos estão gravados no nosso coração. Lá no íntimo da nossa alma existe essa realidade, de modo que, mesmo que a pessoa não acredite, ela se sente incomodada, de alguma forma, com relação ao pecado.
E o pecado incomoda. O pecado é a coisa que mais afeta, primeiramente, a nossa vida espiritual, é claro. Mas não só aí. O pecado também afeta a nossa vida psíquica: os vícios criam uma necessidade psíquica de repetição, de tentar satisfazer um vazio que, no fundo, é espiritual. Mas também, de tão terrível que ele é, o pecado destrói o nosso corpo. Não é que ele nos ataca: a gente se mutila através do pecado, ao ponto de que o pecado prejudica o nosso corpo.
Como no caso de um vício de bebida, por exemplo: a pessoa quer satisfazer aquele vício e aquele vazio que o pecado gera nela, aquela dependência que o pecado criou, ao ponto de que ela bebe tanto, bebe tanto, bebe tanto, que fica de ressaca — e de ressaca várias vezes consecutivas, semana após semana, mês após mês, ano após ano —, ao ponto de que o fígado dela não aguenta tanto álcool. É até engraçada a piada que as pessoas dizem: tem mais álcool do que sangue no corpo. E ela vai destruindo, vai corroendo o fígado. O pecado do cigarro é a mesma coisa: a pessoa fuma, fuma, fuma, gasta dinheiro, gasta tempo e vai sugando aquela fumaça satânica para dentro dos seus pulmões — mais de três mil substâncias cancerígenas naquele cigarro, aquela porcaria. E aí você gasta o seu tempo, que, em vez de estar rezando, em vez de estar com a sua família, em vez de estar fazendo alguma coisa produtiva, vai ali corroendo o seu pulmão, ao ponto de tantas doenças, tantas coisas ruins: câncer, fedor nos dentes, fedor na boca, na barba — a barba da pessoa fica amarela, a roupa fica fedendo. Meu Deus do céu! Eu vou falar para você: teve um tempo da minha vida em que eu convivia com pessoas que fumavam. A pessoa fuma perto de você e acha que aquilo não incomoda, e quando ela termina de fumar está completamente fedendo, e a sua roupa também fica impregnada. De tão terrível que é, o pecado é isso: você não vê mais. Você comete o pecado e não vê mais o fedor; aquela coisa terrível fica, e os frutos são esses.
São Paulo diz na sua carta aos Romanos, no capítulo 6, no versículo 23, que o salário do pecado é a morte; e no capítulo 3, no versículo 23, que todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus. Em Isaías, no capítulo 59, no versículo 1, o profeta diz que não é a mão de Deus que é incapaz de salvar, mas são os nossos pecados que colocam a barreira entre nós e Deus. Então o pecado é tudo de terrível, física, psíquica e espiritualmente.
Mas hoje o foco que eu quero dar para esta formação é que o pecado tira a nossa paz, o pecado acaba com a nossa paz. Como se não bastassem as doenças, o câncer, a destruição das famílias — e não só em relação aos vícios, porque, quando a gente fala de pecado, geralmente só fala de vícios, mas o pecado é tudo o que vai contra a lei de Deus, a lei que Deus imprimiu no nosso coração, de felicidade e de santidade. Na Primeira Carta aos Tessalonicenses, no capítulo 4, no versículo 3, diz assim: Deus não nos chamou para a impureza; esta é a vontade de Deus, que busqueis a santidade. Então existe dentro de nós esse anseio, essa coisa de buscar a santidade. E muitas vezes a gente, atendendo aos desejos da nossa carne, à vontade da nossa cabeça, àquilo que está fora de nós — que o mundo, o pecado e o demônio colocam na nossa vida —, enganado com o desejo de querer ser feliz, a gente erra o alvo. Esse é o sentido e o significado da palavra "pecado" em grego: errar o alvo. A gente tenta ser feliz, a gente tenta ficar na alegria, mas o pecado rouba a nossa alegria, o pecado rouba a nossa paz.
Santo Agostinho dizia que o pecado é a razão da tua tristeza, mas deixa que a santidade seja o motivo da tua alegria. E, inspirado nessa palavra, das Lamentações, no capítulo 5, que eu vou ler, eu quero partilhar também aquilo que eu vivi, a minha experiência quando eu fui confessar o meu pecado. Então está escrito assim — este daqui eu leio das Lamentações, capítulo 5, versículo 1:
"Lembrai-vos, Senhor, do que nos aconteceu; olhai e considerai a nossa humilhação. A nossa herança passou a mãos estranhas, e as nossas casas foram entregues a desconhecidos. Órfãos, somos privados de nossos pais, e as nossas mães são como viúvas. Somente a preço de dinheiro nos é dado beber a nossa água; devemos pagar pela nossa lenha. Carregando o jugo ao pescoço, somos perseguidos; estendemo-nos, e não há trégua para nós. Estendemos a mão ao Egito e à Síria para obtermos o pão para comer."
Olha só: o pecado nos faz ficar miseráveis, estendendo a mão para comer. Não é isso que você vê por aí? Quantos jovens, por causa de quê, são escravos do pecado? Como está escrito em João, no capítulo 8, no versículo 34: "Todo aquele que se entrega ao pecado é seu escravo." Todo aquele que se entrega ao pecado é seu escravo. Quantos jovens estão aí, como está escrito aqui, "estendemos a mão ao Egito e à Síria para obtermos o pão para comer", estão estendendo as mãos, estão como aquele jovem que saiu de casa, quis a herança do pai, esbanjou tudo o que podia até não poder mais, até o ponto em que acabaram as suas riquezas, não tinha mais dinheiro, foi trabalhar numa fazenda e desejava comer, junto com os porcos, a lama do pecado. É isso que o pecado faz comigo e com você, é isso que faz com os jovens, é isso que faz com as famílias. A família, em vez de se satisfazer, se ajustar, se ajeitar — o marido com a mulher, com os filhos, com os outros familiares —, não: fica aqui se escondendo, se entregando ao pecado, estendendo a mão para ter o que comer.
Estendendo a mão — isso é, claro, o sentido físico, mas também o sentido espiritual. Estendendo a mão, é uma carência de amor, é uma carência de abraço, uma carência de carinho. E qualquer um que estende a mão, as pessoas estão pedindo, estão clamando, através do modo como se vestem: "Me ame." As mulheres mostrando o corpo: "Me ame." Os homens querendo se satisfazer de tudo quanto é possível: "Me ame." Querendo chamar a atenção: "Me ame." Tudo isso é fruto do pecado. O pecado faz com que a gente fique carente, que a gente fique necessitado, que a gente se humilhe ao ponto de querer se satisfazer, de querer que alguém nos ame, que alguém estenda a mão para nós, para nos dar de comer.
Mas que graça, quando nós, naquela miséria desgraçada, naquele inferno, lembramos: na casa do meu Pai tem pão em abundância! Meu irmão, se você que está assistindo aí já sentiu isso no seu coração — que você está se humilhando, clamando o amor das pessoas, que você está se rebaixando demais, que você está se tornando um escravo, está se tornando qualquer um, sabe? —, está na hora de você acordar e se lembrar de que na casa do Pai tem pão em abundância. Significa que Deus tem fartura, abundância, abundância para você. Para de se humilhar querendo ser amado como um miserável, com o amor do mundo. Querer ser amado pelo que você tem, isso é a maior ilusão.
Enfim, no versículo 7: "Os nossos pais pecaram, e já não existem; e nós carregamos o castigo das suas iniquidades. Um pão de escravo domina sobre nós, e ninguém nos arrebata de suas mãos. Com perigo da nossa vida, arriscamos a espada que ataca no deserto. A nossa pele esbraseou-se como um forno, sob os ardores da fome. Foram violadas as mulheres de Sião, e as jovens nas cidades de Judá. Chefes foram executados pelas mãos dos inimigos, que nenhum respeito tiveram pelos anciãos. Os jovens tiveram que girar a mó, e os adolescentes vergaram sob o peso dos fardos de lenha."
É isso: o peso nas costas dos jovens, dos adolescentes, que os faz se humilhar para tentar se adaptar às máximas do mundo, às máximas da carne, às máximas que o demônio quer que a gente viva. Você não foi feito para isso. Você não foi feito para ficar comendo migalha como um cachorrinho, como aquele filho pródigo comendo das lavagens do mundo, dos restos da miséria, da desgraça, da pobreza em que o pecado faz com que você viva. Você foi feito para viver na graça, na abundância da casa de Deus, da graça de Cristo. Cristo morreu na cruz para nos alcançar a vida, a salvação, o perdão, a reconciliação com Deus. E, mesmo assim, muitas pessoas preferem ficar no pecado.
"Já não se assentam às portas os anciãos, e os jovens deixaram de dedilhar as cordas da lira." Olha só, no versículo 15: "Fugiu-nos a alegria dos corações, e as nossas danças se converteram em luto. Caiu-nos da cabeça a coroa. Desgraçados de nós, porque pecamos! Amargurou-se o nosso coração, e os nossos olhos toldaram-se de lágrimas, porque o monte Sião foi assolado, e nele andam à solta os chacais. Vós, porém, Senhor, sois eterno; o vosso trono subsiste através dos tempos. Por que persistis em esquecer-nos? Por que nos abandonais para sempre? Reconduzi-nos a vós, Senhor, e voltaremos; fazei-nos reviver os dias de outrora — a menos que definitivamente nos tenhais rejeitado, e vos tenhais irritado demasiadamente contra nós." Palavra do Senhor. Graças a Deus.
Olha só: "Fugiu-nos a alegria dos corações." O pecado sempre se apresenta como prazer, como alegria, como felicidade. O pecado nunca vai se apresentar como uma coisa ruim. Não fique pensando que, ao ter uma proposta de cometer um pecado — por exemplo, da fornicação, do sexo; quantas pessoas dão em cima de você, quantas pessoas quiserem ter relações sexuais com você —, não fique pensando que isso vai se apresentar como uma doença que você pode ter, como uma gravidez, como um vício. Não: isso vai se apresentar só como prazer. Sabe qual é o negócio do demônio, do pecado? É apresentar as coisas ruins focando só naquilo que é bom, naquilo que é o menorzinho, que é o prazer que você sente; o resto — as consequências, as coisas negativas, tudo o mais que é mau e que vem junto — não é apresentado.
O demônio é um bom vendedor: ele vende bem o seu produto, ele vende o pecado ao preço que a gente quiser pagar, ele parcela — sabe, Brasil, cartão de crédito, quantas vezes você quiser pagar. Você não precisa pagar tudo de uma vez; não, você começa a pagar daqui a três meses pelo preço do seu pecado, não se preocupa. Mas você vai ter que pagar, porque o salário do pecado é a morte. E está escrito em Gálatas, no capítulo 6, no versículo 7, que de Deus não se zomba: o que o homem planta, isso mesmo ele colherá. E o quanto a gente está plantando! Plantando o pecado, plantando impureza, plantando droga, plantando tráfico, plantando roubo, plantando tudo o que dá na cabeça, tudo o que o mundo oferece — plantando, plantando com gosto, com prazer, tendo relação sexual, vivendo uma vida dissoluta, na balada, nas bebidas, nas drogas, no prazer, na mentira, no ódio, na inveja, pagando o mal com o mal, vivendo de uma forma que desagrada a Deus. E o que você acha que vai colher disso? Vai colher alegria? Você acha que vai colher felicidade? Vai colher paz — depois de ter desejado o mal, de ter feito o mal, de ter pecado, conhecendo todos os juízos de Deus, conhecendo o que está escrito na Palavra, conhecendo os mandamentos católicos, sendo um cristão que teve uma experiência com Cristo, que te mostrou que o pecado é desgraçado, é maldito, que fere a Deus e que mata você — e mesmo assim você escolhe o pecado, eu escolho o pecado?
Meus irmãos, há um mês atrás eu fui me confessar. Terrivelmente, sabe: o pecado é uma desgraça que tira a alegria dos nossos corações. Quando a gente vai pecar, o demônio tira todo o temor do nosso coração; e quando a gente vai se confessar, o demônio coloca na nossa cabeça que nada é pecado, que tudo é relativizado, que não tem problema a gente fazer nada. Então, eu fui me confessar, e na hora em que o sacerdote me deu a absolvição — "eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, e que Deus te abençoe" —, nossa, sabe, eu senti uma graça tão tremenda de Deus! Graça é graça, não é mérito. É graça de Deus, não é mérito do sacerdote, não é mérito meu: é graça de Deus. Encheu o meu coração de uma forma que eu nunca tinha experimentado.
Porque muitas vezes, quando Jesus se encontrava com as pessoas, como ele se encontrou com aquela pecadora, ele falou: "Ninguém te condenou?" Ela disse: "Não." "Nem eu te condeno; vai e não peques mais." Imagina: "não peques mais". Imagina a paz que encheu o coração daquela mulher, a alegria de saber que Deus te perdoa, que Deus não te condena, que Deus te ama, que Deus te quer, seja qual for a situação em que você estiver — mas você precisa voltar para ele. E na hora em que eu me ajoelhei na igreja, depois de me confessar, e fui rezar, a paz de Cristo me encheu de uma forma... Porque muitas vezes a gente anda estressado, anda preocupado, anda revoltado, anda com a cabeça em tantas coisas: "eu tenho que fazer isso, tenho que fazer aquilo." E, por causa dessa preocupação, já se gera um estresse, e há uma pressão psicológica, há uma opressão maligna, há uma depressão do mundo. E a gente vai andando de cabeça baixa, olhando para baixo, pensando que as coisas vão dar erradas, e já plantando pecado — só porque uma coisa não deu certo, já joga tudo para o ar, já abandona, já quer desistir de tudo. E isso vai gerando uma reviravolta dentro de nós, dizendo: "não adianta nada continuar com Deus, não adianta nada lutar pela santidade, não adianta nada, porque eu sou fraco, porque eu nunca vou conseguir vencer, porque eu sou assim mesmo." E a gente vai se entregando à lamúria, sabe, ao pecado. E a única forma de a gente esquecer, de certa forma, tudo isso, é se entregar ao pecado. E eu me entreguei ao pecado por conta de tantas coisas que aconteceram na minha vida — e eu acredito que você também muitas vezes fez isso.
Mas que graça tremenda quando Deus traz o nosso coração ao arrependimento, meus irmãos! A paz que eu sentia quando me entreguei ao pecado foi um momento passageiro, porque você planta vento, você planta desgraça na sua vida, você planta tristeza, você perde os bens que Deus te deu, você perde as promessas, você quebra a comunhão com Cristo, você perde tudo. O pecado te rouba a alegria, te rouba a paz, te rouba a felicidade, te rouba a confiança, te rouba a fé; e depois, quando você tenta voltar, você não se sente arrependido.
E por isso, nesta formação de hoje, eu quero convidar você a pedir o arrependimento a Deus, a pedir a conversão, a pedir uma contrição perfeita — essa graça, pela intercessão da Virgem Maria —, a pedir a contrição do coração, o profundo arrependimento, o reconhecimento dos nossos pecados, para que a gente possa se confessar, e o sacerdote possa nos dar essa absolvição, e o nosso coração possa se encher de paz. Essa é a minha vontade para você, esse é o meu desejo mais profundo: que você possa ser envolvido pela paz de Cristo.
Aquela paz de que São Paulo falou, sabe, no capítulo 4 de Filipenses, nos versículos 6 e 7: "Meus irmãos, não vos inquieteis com nada" — ele coloca ali um ponto de exclamação. Você que está inquieto, sabe, é o pecado que tira a sua quietude, é o pecado que tira a sua paz. "Em todas as circunstâncias, apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças" — oração, súplica e ação de graças. E, olha, no versículo 7: "E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus." Palavra do Senhor. Graças a Deus.
Meus irmãos, a nossa vida é urgente. O pecado já tem roubado demais dos nossos bens, do nosso tempo, da nossa energia, das nossas capacidades; e aquilo que está escrito no mandamento — amar a Deus com toda a força, com todo o entendimento — a gente tem dedicado ao pecado. Então a gente precisa se converter, a gente precisa se arrepender. E essa é a graça que nós pedimos: para que não nos inquietemos com nada. E isso só pode ser possível apresentando a Deus as nossas preocupações, com súplicas, com orações e com ação de graças; e então a paz dele vai nos encher.
É isso que nós queremos pedir nesta noite, Senhor Jesus. A tua Palavra garante que, se nós não nos inquietarmos com nada e apresentarmos todas as nossas preocupações a ti, com oração, súplica e ação de graças, a tua paz maravilhosa vai envolver todo o nosso ser e guardar os nossos corações em ti. É isso que nós queremos apresentar a ti, Senhor. Você que está aí também assistindo neste momento, apresente tudo o que te inquieta, tudo o que tira a sua paz, todo o pecado que você está vivendo, toda a tristeza, toda a depressão, a opressão, todas as suas preocupações — apresente agora para Deus.
Eu quero apresentar a ti, Senhor, todas as dificuldades que eu tenho passado, todos os problemas que eu tenho enfrentado dentro da minha casa, com a minha família, com os meus amigos, com a minha caminhada; como tem sido difícil caminhar e permanecer firme na tua graça, como tem sido difícil lutar contra o pecado e não me entregar ao pecado, como tem sido difícil lidar com tanta coisa. Mas eu quero apresentar a ti todas e cada uma dessas situações, Senhor. Eu, em particular aqui — e você vai apresentando aí, nessa oração, a sua situação particular —, eu apresento a situação do meu matrimônio, o meu casamento, que vai acontecer no mês que vem, todas as coisas que envolvem o meu casamento, para que aconteça conforme a tua vontade, Senhor. Eu apresento a ti a minha noiva, apresento a ti a nossa casa, apresento a ti o nosso futuro, apresento a ti a família que queremos constituir com a tua graça; que a tua vontade possa se sobrepor — não sobrepor, né, mas que a tua vontade possa prevalecer sobre tudo, porque o Senhor é o Senhor de tudo. Apresento a ti as preocupações com relação ao meu trabalho, com relação à minha família. Vem e enche todas essas situações.
Eu quero te agradecer, porque eu sei que o Senhor cuida de tudo, porque o Senhor está no controle de tudo, porque o Senhor tem o melhor para mim, porque o Senhor é o meu Deus e eu sou o teu servo; porque o pecado não tem poder sobre a minha vida, porque o teu sangue me purifica de todo o pecado, Jesus, porque o teu Espírito me enche — o teu Espírito, que me dá felicidade, o teu Espírito, que satisfaz a ânsia, o vazio que existe na minha alma. Eu te agradeço, Senhor, eu te dou glórias, graças e louvores, porque em ti eu sou mais que vencedor. E esse meu irmão e essa minha irmã também, em nome de Jesus, são mais do que vencedores. Que a Virgem Maria cuide das suas intenções, que São José interceda pela nossa família, e que Cristo, com a sua cruz, nos liberte de todo o pecado. Eis a Cruz do Senhor: fugi, potências inimigas! Venceu o Leão da tribo de Judá, o rebento de Davi. Em nome do Pai...


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