Rom 5,8: "Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós."

Resumo do vídeo

Conhecer Jesus: o bem supremo que transforma a vida

Neste vídeo, Gustavo conduz uma das últimas formações da preparação para a renovação da consagração a Nossa Senhora das Graças, e dedica esta semana a um único tema: adquirir o conhecimento de Jesus. A tese central é que conhecer Jesus não é saber coisas a seu respeito nem ter ouvido falar dele, mas ter com ele uma experiência pessoal e verdadeira, capaz de reordenar toda a existência. Quem realmente encontra Jesus, diz Gustavo, jamais permanece o mesmo. É esse conhecimento vivo, e não a mera informação religiosa, que faz de alguém um cristão.

Para desenvolver o tema, ele parte da Carta de São Paulo aos Filipenses, livro que acabara de ler e que sempre o cativou pelo amor ardente do Apóstolo a Cristo. A partir da conversão de Paulo e de seu próprio testemunho, Gustavo mostra como o encontro com Jesus leva a considerar "perda" tudo aquilo que antes parecia ganho, e convida cada ouvinte a deixar-se encontrar e conquistar novamente pelo Senhor.

Um Deus que se faz pequeno

Gustavo recorda que, na plenitude dos tempos, Deus resolveu encarnar-se e assumir a forma humana — não para ser servido como Todo-Poderoso, mas nascendo num estábulo, no meio dos animais, porque não havia lugar para ele. Muitas vezes, porém, queremos receber um Deus glorioso, poderoso, cheio de majestade e de bens materiais, e por isso não o reconhecemos quando ele vem escondido e pobre. Enquanto ficamos esperando o esplendor, uma simples estrela bastou para conduzir os magos e os pastores até ele. Ao esperar a glória, muitos perdem os encontros com Jesus e a graça de conhecê-lo.

Estar na igreja sem conhecer o Senhor da igreja

Um dos alertas mais fortes da formação é a possibilidade de viver toda a vida na igreja — na oração, nos grupos, nas pastorais, entre pessoas da igreja — e, ainda assim, não conhecer o Senhor da igreja. É possível realizar obras de caridade e amar o próximo sem conhecer o motivo que leva a esse amor. Gustavo distingue o conhecimento superficial, "da boca para fora", feito só de ouvir falar, daquele que nasce da experiência. Recorda a hemorroíssa, que teve a coragem de tocar a veste de Jesus, para lembrar que muitos nunca tocaram nem experimentaram o Senhor, sustentando uma fé baseada apenas no que os outros dizem.

A conversão de Paulo e o conhecer-se a si mesmo

Paulo era um bom judeu, excelente estudioso, conhecedor do direito e da filosofia, um homem que acreditava em Deus — mas não conhecia Jesus. Foi no caminho de Damasco, quando estava decidido a perseguir os cristãos "em nome de Deus", que teve um encontro impactante que mudou tudo. Caiu, ficou cego por três dias e esperou que Ananias lhe impusesse as mãos. Gustavo destaca um detalhe decisivo: quando Paulo parou de olhar para fora e se preocupar com as coisas exteriores, olhou para dentro de si; e, conhecendo-se, conheceu Jesus. Esse é o passo que falta a muitos. Citando o Apocalipse — "Eis que estou à porta e bato" —, ele lembra que Jesus só entra se a porta for aberta, e que não sabemos abri-la se não nos conhecemos. Por isso pede que o Espírito Santo conduza cada um ao autoconhecimento, para que o conhecimento de Jesus seja aprofundado e consumado no amor.

Tudo é perda diante do bem supremo

Lendo Filipenses 3, Gustavo mostra o antes e o depois de Paulo. O Apóstolo enumera seus títulos — circuncidado ao oitavo dia, da tribo de Benjamim, quanto à lei fariseu, irrepreensível — tudo o que lhe dava prestígio diante dos homens e de Deus. Mas, depois de encontrar Cristo, considera tudo isso perda, e até "esterco", em comparação com o bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, seu Senhor. Ele anseia por conhecer Cristo e o poder da sua ressurreição, participando de seus sofrimentos. Gustavo aplica isso à vida de cada um: quando conhecemos Jesus, tudo o que acumulamos — graças e vitórias, mas também derrotas, tristezas, dores e angústias — passa a ser migalha diante dele. Enquanto não chegarmos a essa conclusão sobre a própria vida, como Paulo, ainda não conhecemos verdadeiramente Jesus.

Uma vida que não pode voltar a ser comum

Que tipo de experiência alguém tem com Jesus e continua vivendo do mesmo jeito? Gustavo evoca a pecadora perdoada, que lavou com lágrimas os pés do Senhor e ouviu "vai e não peques mais", e o cego que foi curado no caminho: ambos foram reintegrados à sociedade, tornaram-se pessoas "normais", mas nunca mais foram pessoas comuns, porque haviam encontrado Jesus. Quem foi curado, liberto e restaurado não é chamado a uma vida comum, mas a uma vida como a de Paulo — de evangelizador, movida pelo amor recebido de Jesus.

Deixar-se encontrar por Jesus

Muitos acham que, por causa do próprio pecado, não podem se aproximar, ou imaginam um Deus vingativo, diante do qual não têm dignidade para se apresentar. Gustavo insiste no contrário: trata-se de deixar o amor, o coração e a presença de Jesus nos envolverem exatamente como estamos. Recordando uma frase que atribui a Eugênio Jorge, ele resume o movimento da graça: Deus nos ama como somos, mas nos ama demais para nos deixar como estamos. É por isso que o conhecimento de Jesus nos transforma — porque ele conquista o coração.

O testemunho de uma amizade

Na parte mais pessoal, Gustavo partilha que, para ele, o mais profundo é saber que Jesus se fez seu amigo. Fala da solidão que viveu, fechado no quarto, e de como, quando Jesus lhe deu a graça de conhecê-lo e conquistou seu coração, nada mais fez sentido fora dele: ganhou "o amigo mais certo das horas incertas", que nunca o abandonou. Recorda o Batismo aos quinze anos, a Eucaristia — receber Jesus em corpo, sangue, alma e divindade —, experiências de libertação e perdão, e o amor e o carinho que sempre lhe faltaram e que encontrou nele. Como Pedro, muitas vezes negou, caiu e se afastou; e sempre foi perdoado, levantado e restaurado. É esse Jesus, diz ele, que hoje quer fazer o mesmo com cada ouvinte.

Deus te ama do jeito que você é, mas ele te ama demais para te deixar do jeito que você está.

Para levar para a vida

  • Examine se o seu conhecimento de Jesus é vivido e experimentado, ou apenas "de ouvir falar".
  • Peça ao Espírito Santo a graça de se conhecer, para poder abrir a porta do coração ao Senhor.
  • Não espere ser digno para se aproximar: deixe-se encontrar e conquistar por Jesus como você está.
  • Reveja o que hoje ocupa o lugar do "bem supremo" e o que precisa ser considerado perda diante de Cristo.
  • Peça uma nova experiência com Jesus e um desejo ardente e insaciável de conhecê-lo mais e mais.

Passagens citadas: Fp 3,4-16; Ap 3,20; Gl 4,4

Transcrição completa do vídeo

Transcrição integral do áudio do vídeo, organizada em parágrafos para facilitar a leitura.

Eu vou nessa direção, e hoje nós vamos fazer a penúltima, eu acredito, formação antes do dia vinte e sete, de Nossa Senhora das Graças. E dessa vez eu estou na última semana da preparação para a renovação da consagração, e essa última semana é empregada em adquirir o conhecimento de Jesus. Então é sobre o Senhor Jesus que nós vamos partilhar hoje, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Colocando-nos na tua presença, Senhor Deus, queremos pedir que o Senhor revele o teu amor, revele-nos a face do teu Filho, revele-nos o seu coração que, aberto na cruz, se tornou meio pelo qual o Senhor olha para nós; através do coração de Jesus, concedei-nos a graça de também olhar para ti e te conhecer. Que a Senhora, a Virgem Maria, que é mãe do Filho, filha do Pai e esposa do Espírito Santo, nos revele o teu Filho. Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. São José, rogai por nós. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Então, meus irmãos, que alegria. Que alegria podermos partilhar sobre a pessoa de Jesus. Que alegria saber que, como está escrito em Gálatas, quando chegou a plenitude dos tempos, Deus resolveu se encarnar. Deus resolveu assumir a forma humana. Ele não assumiu uma forma humana para ser servido como Deus, como Todo-Poderoso. Não; ele começou nascendo no estábulo, no meio dos animais, no meio do esterco, porque não havia lugar para ele.

E muitas vezes nós somos como aquele povo de Deus e queremos receber um Deus glorioso. Queremos receber na nossa casa um Deus poderoso, um Deus cheio de glória e de majestade, um Deus que vem com abundância, um Deus que vem com bens materiais; e muitas vezes nós não recebemos Jesus porque nós estamos focados nessas coisas, enquanto que, num simples, através de uma simples estrela, os três reis magos, os três pastores foram levados a Jesus. Muitas vezes nós não somos levados porque nós ficamos esperando a glória, o esplendor; enganados pelo demônio, nós perdemos os encontros com Jesus, a presença de Jesus, nós perdemos de conhecer Jesus.

Nós passamos a vida muitas vezes na igreja, nós passamos a vida muitas vezes na presença de Deus, em oração, em grupos, em pastorais, com gente da igreja, e nós não conhecemos o Senhor da igreja. Muitas vezes nós fazemos coisas para Deus, muitas vezes nós estamos realizando obras de caridade, muitas vezes nós estamos realizando coisas pelo amor ao próximo, mas nós não conhecemos o motivo que nos leva a amar o próximo, nós não conhecemos aquele que vem escondido muitas vezes, nós não conhecemos Jesus verdadeiramente.

E quando nós conhecemos, muitas vezes é um conhecimento superficial, é uma coisa da boca para fora, é uma coisa de ouvir falar; nós nunca experimentamos Jesus, nós nunca tocamos Jesus, como nós refletimos duas semanas atrás, como aquela hemorroíssa que teve a coragem de tocar na veste de Jesus. Muitas vezes o conhecimento que nós temos de Jesus é baseado naquilo que os outros falam para nós, porque nós mesmos nunca tivemos uma experiência com ele.

A passagem que eu escolhi para poder partilhar hoje está no livro de Filipenses, esse livro que eu terminei de ler, porque uma das coisas que sempre me cativou foi o amor de Paulo a Jesus. Paulo é aquele que, como nós sabemos, era um bom judeu, era um excelente estudioso, falava várias línguas, conhecia do direito, conhecia da filosofia, um homem que acreditava em Deus, mas ele não conhecia Jesus. E foi no caminho de Damasco, quando ele estava com a decisão de assassinar os cristãos em nome de Deus — olha só —, que ele teve um encontro impactante com Jesus, e a sua vida nunca mais foi a mesma.

Eu gosto de lembrar da história de Paulo porque isso também aconteceu na minha vida, isso também teve uma repercussão muito grande na minha vida, e eu também me transformei, eu também fui transformado por essa realidade, eu também fui transformado por Jesus. Muitas vezes me encontro nos escritos de Paulo, e ele consegue traduzir perfeitamente muitos dos sentimentos que eu tenho. E eu creio que seja o sentimento de todo cristão, de todo aquele que teve o encontro com Jesus.

Meus irmãos, na Bíblia da Ave-Maria, uma espécie de título diz "o que Paulo fez por Cristo". Então nós sabemos que Paulo, depois de ele ter esse encontro com Jesus, tem aquela famosa expressão: que ele caiu do cavalo, ficou cego por três dias, teve que esperar o profeta Ananias ir lá e impor as mãos sobre ele. Depois de três dias sem comer, sem beber e cego, ele recobrou a vista. E, nessa seguida, quando ele parou de olhar para fora, quando ele parou de se preocupar com as coisas exteriores, ele olhou para dentro dele e, se conhecendo, ele conheceu Jesus.

Muitas vezes esse é o passo também que falta para muitos de nós: se conhecer. Porque Jesus é aquele que, como está escrito em Apocalipse, no capítulo 3, no versículo 20: "Eis que estou à porta e bato. Se você abrir a porta, eu entro e ceio com você. Se você não abrir, eu simplesmente não entro." E como que nós vamos abrir a porta do nosso coração se nós não sabemos como abrir? Como nós vamos dar liberdade para Jesus entrar na nossa casa? Como nós vamos abrir a porta da nossa história, do nosso passado, presente e futuro, para Jesus? Se nós não conhecemos, que o Espírito Santo te leve a se conhecer, para que o conhecimento que você tem de Jesus possa ser aprofundado, para que o conhecimento que cada cristão tem de Jesus seja consumado no amor dele.

Então, pessoal, o que aconteceu depois que ele teve esse encontro? Assumiu a sua missão de pregador dos pagãos. E o que ele descreve à comunidade dos filipenses? No entanto — Filipenses 3, versículo 4 —, "no entanto, eu poderia confiar também na carne. Se há quem julgue ter motivos humanos para se gloriar, mais os possuo eu: circuncidado ao oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu e filho de hebreus. Quanto à lei, fariseu; quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça legal, declaradamente irrepreensível."

Olha só que homem fantástico que era. Tudo o que ele era antes de conhecer Jesus: ele tinha prestígio enorme diante dos homens e diante de Deus, ele era respeitado, ele era temido, ele era sábio. Mas, quando ele encontrou com Jesus, olha o que ele vai dizer: "Mas tudo isso, que para mim eram vantagens" — no versículo 7 — "considerei perda por Cristo." No versículo 8: "Na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por ele, tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar a Cristo e estar com ele, não com a justiça que vem da lei, mas com a justiça que se obtém pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus pela fé."

No versículo 10: "Anseio pelo conhecimento de Cristo e do poder da sua ressurreição, pela participação de seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na morte, com a esperança de conseguir a ressurreição dentre os mortos." No versículo 12: "Não pretendo dizer que já alcancei esta meta e que cheguei à perfeição. Não. Mas eu me empenho em conquistá-la, uma vez que também eu fui conquistado por Jesus Cristo." Palavra do Senhor. Graças a Deus.

A vida daqueles que se encontram com Jesus verdadeiramente — seja boa, seja ruim, seja ótima, seja péssima — não vale nada. Quando nós conhecemos Jesus, quando nós temos um encontro com Jesus, tudo aquilo que nós acumulamos na nossa vida — seja de graças, seja de bênçãos, seja de vitórias, seja de derrotas, seja de tristezas, seja de sofrimentos, seja de dor, seja de angústia — tudo isso passa a ser esterco, passa a ser nada, passa a ser uma migalha, passa a ser uma coisa que não faz diferença na nossa vida.

Paulo não só considerou todo prestígio, toda dignidade, tudo o que ele alcançou a vida inteira diante dos homens — não só considerou isso como inútil, como perda —, mas ele disse que tudo o que ele conquistou a vida inteira dele, antes de conhecer Jesus, é esterco, é um monte de bosta. Enquanto nós não chegarmos nessa conclusão da nossa própria vida, da vida, como Paulo, nós não conhecemos Jesus.

Por quê? Que tipo de experiência alguém tem com Jesus e continua a sua vida da mesma forma? Imagina aquela pecadora que nós refletimos também, que foi perdoada por Jesus, que chorou os seus pecados, que com as suas lágrimas lavou os pés de Jesus, que enxugou depois com os cabelos, que enxugou com o perfume que ela usava na prostituição; e quando Jesus disse "os seus pecados são perdoados, vai e não peques mais", imagina que experiência mais fantástica que ela teve com Jesus. Imagina se ela continuasse a vida da mesma forma. Não; aquilo foi só uma coisa momentânea, como muitos dizem, um fogo de palha. E ela, por algum tempo, perseverou, mas depois ela viu que a vida era muito difícil, que não tinha como continuar nessa loucura do amor de Jesus, nessa vida de pureza, nessa vida de castidade, nessa vida de negação de si mesmo, nessa vida de renúncia do pecado, nessa vida de batalha espiritual, e ela voltasse ao pecado, à prostituição.

Imagina se aquele cego que encontrou com Jesus no meio do caminho, imagina se ele, depois que Jesus o curasse, continuasse sendo a mesma pessoa. Imagina como a vida dele mudou, porque ele foi aceito na sociedade, ele passou a ser uma pessoa normal, mas ele nunca mais foi uma pessoa comum, porque ele encontrou com Jesus. E Jesus tocou nele, e ele ouviu a palavra de Jesus, a palavra de Jesus curou; foram milagres na vida dele. Quantas pessoas que têm a cara de pau de ser curada, de ser liberta, de ser restaurada, e depois vão viver uma vida comum. Você, que teve um encontro com Jesus, você não é chamado para ter uma vida comum, você é chamado a ter uma vida como um Paulo. Eu sou chamado a ter uma vida como um Paulo, como evangelizador, como esse amor que nós recebemos de Jesus.

Eu estava rezando, meus irmãos, aqui antes de começar essa formação, e o engraçado que me veio à minha mente uma música que muitos de vocês devem conhecer, do Jota Quest, que diz "encontrar alguém que te dê amor". A minha recomendação é que você encontre Jesus — ou, melhor, deixe-se encontrar por Jesus.

Muitas pessoas acham que, por causa do seu pecado, elas não conseguem chegar. Muitas pessoas acham que Deus é vingativo, que ele vai te negar quando você quiser rezar. Muitas pessoas acham que, por causa das coisas erradas que elas fizeram na vida, elas não têm dignidade de se achar diante da presença de Deus, de ter uma experiência com Jesus. Mas é exatamente o contrário: é você deixar o amor de Jesus, é você deixar o coração de Jesus, é você deixar a presença de Jesus te envolver do jeito que você está.

Tem uma frase muito maravilhosa do Eugênio Jorge, que ele diz assim: "Deus te ama do jeito que você é, mas ele te ama demais para te deixar do jeito que você está." É por isso que o amor de Jesus, é por isso que a presença de Jesus, é por isso que o conhecimento de Jesus Cristo faz com que a gente mude, porque ele conquista o nosso coração.

Olha o que Paulo diz: "Não pretendo dizer que já alcancei esta meta e cheguei à perfeição. Não; mas eu me empenho em conquistá-la, uma vez que também eu fui conquistado por Jesus Cristo." Ele continua consciente — no versículo 13 —, "consciente de não tê-la ainda conquistado, só procuro isso: prescindindo do passado e atirando-me ao que me resta pela frente, persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama em Jesus Cristo." No versículo 16: "Contudo, seja qual for o grau a que chegamos, o que importa é prosseguir decididamente."

Pode ser, meus irmãos, que muitos de vocês, muitos de nós, incluindo eu, tivemos o encontro com Jesus, tivemos a graça de conhecer Jesus, de ouvir dizer que ele morreu por nós, que ele deu a vida, e que ele derramou todo o seu sangue a ponto de não ter mais sangue, saindo água do seu corpo. Pode ser que você tenha ouvido isso, isso mexeu muito com a sua vida, mas hoje em dia você ouve e isso parece que não faz diferença para você. Pode ser que você tenha escutado aquela canção do Martín Valverde, "ninguém te ama como eu", e hoje você ouve como uma música qualquer; que você tenha escutado que Jesus te ama, e hoje falar, ouvir sobre o amor de Jesus não faz muita diferença na sua vida.

Pode ser que você tenha ficado estacionado em determinado lugar na sua vida espiritual, e as preocupações do mundo, as coisas dessa terra, dessa verdade perversa, tenham te tirado da presença de Deus. Pode ser que a vida que você leva hoje não revele que você conhece a Jesus. Mas aquele que teve uma experiência pessoal, íntima, verdadeira com Jesus nunca mais é o mesmo. Deixa que o amor de Jesus, a presença de Jesus, pela intercessão de São Paulo, entre no seu coração mais uma vez. Deixa que a graça do Espírito Santo aja na sua vida poderosamente, como ela agiu uma vez, e te trouxe o conhecimento da sua miséria, o conhecimento da sua falta de dignidade, o conhecimento da sua pequenez, o conhecimento dos seus pecados, o conhecimento da justiça.

E muitas vezes, inundados pelas vozes do mundo, nós esquecemos isso; mas deixa que o Espírito Santo agora venha te relembrar, deixa que o Espírito Santo venha revelar Jesus ao seu coração mais uma vez, deixa que ele venha te conquistar, deixa que ele venha encher o seu coração de amor. Se você precisa encontrar alguém que te dê amor, deixe-se encontrar por Jesus, deixe-se ser conquistado por Jesus, deixe que Jesus toque o mais íntimo do seu ser.

Não importa o grau que você chegou, não importa a intimidade que você já teve com ele, não importa se você era uma pessoa de muita oração e hoje você não é, não importa o que você sabe dele, não importa aquilo que você na teoria já conheceu, já leu, já refletiu, já aprofundou — não importa nada disso. O que importa é a vida que você tem hoje e a diferença que faz saber que tem um Deus que te ama, que é capaz de entregar todas as coisas: reinos, nações, o mundo inteiro; o seu próprio Filho, para ser humilhado, ser pisado, ser escarnecido, ser morto, deixar sair todo o seu sangue, instituir o seu sacrifício eterno, a missa da sua Igreja, o poder de perdoar os pecados, entregar a sua própria mãe como nossa. O que importa é hoje: o conhecimento de Jesus e qual a diferença que faz você conhecer Jesus.

Para mim, a coisa mais profunda é saber que Jesus se fez amigo meu. Eu era uma pessoa que muitas vezes vivia por muito tempo a solidão, vivia fechado no meu quarto, ouvia minhas músicas, às vezes tinha alguém para conversar, às vezes não tinha. Mas quando Jesus me deu a graça de conhecê-lo, quando ele conquistou meu coração, nada mais fez sentido na minha vida. Eu ganhei o amigo — como diria a canção de São Paulo, digo, aquela expressão — eu ganhei o amigo mais certo das horas incertas, aquele que nunca me abandonou, aquele que me deu a graça de viver em plenitude, eu que não via graça em viver.

Jesus, com a sua luz, me tirou das trevas, me deu a sua amizade, me deu a graça de ser batizado quando eu tinha quinze anos, de recebê-lo em corpo, sangue, alma e divindade na Eucaristia — ele que é o pão vivo descido do céu —, me deu a comer da sua carne e a beber do seu sangue, a participar do seu sacrifício, a ser membro do seu corpo místico. Ele me deu a graça de, na minha crisma, aparecer no altar, sentado ao meu lado, colocar uma corrente na minha perna e dizer: "Aonde você for, eu vou com você."

Ele que me deu a graça de experimentar o seu amor através do seu poder, através da libertação que ele realizou na minha vida, de quebrar aquela maldição, aquela praga demoníaca, aquela oferta que fizeram da minha vida para o demônio; ele que derramou sangue sobre mim e perdoou os meus pecados; ele que me deu dignidade; ele que me deu amor, o amor que faltava dentro de mim, o amor que eu sempre careci, o carinho que eu sempre precisei. Da minha adolescência, eu não me encontrava muito bem; ele me compreendeu quando ninguém mais me compreendia, ele me deu a vida tantas vezes. Quando, como o Pedro, eu neguei, ele me perdoou; quando tantas vezes eu caí, pequei, me afastei, ele me levantou, ele me restaurou. E ele me chama para falar para você hoje que ele quer fazer isso com você também. Deixa você ser conquistado pelo amor de Jesus.

Ó Senhor, que, sem eu merecer, me deu tantas experiências; o Senhor que, por tanta bondade, me deu a graça de conhecer o teu amor; o Senhor que me iluminou, o Senhor que me chamou, o Senhor que me tocou tantas vezes e perdoou, me acolheu de volta, Senhor. Como um animal, eu me afastei, tentei me ver longe da tua presença tantas vezes; o Senhor sempre me chamou de volta, o Senhor sempre me abraçou, o Senhor sempre me acolheu.

Conquistai a vida de tantos irmãos, tantas irmãs que não sabem como voltar à tua presença, tantas pessoas que estão perdidas, estão sem direção. Tu, que és o caminho, a verdade, vem trazer de volta a uma vida verdadeira aqueles que estão vivendo na mentira, na farsa, vivendo de máscaras, vivendo uma ilusão, uma euforia que não preenche os seus corações — de festa em festa, de balada em balada, de pecado em pecado —, que estão satisfeitos e nunca vão estar, porque só o Senhor pode preencher o nosso coração. Jesus, vem devolver a direção a tantos desses que estão perdidos.

Aqui, juntos, nós possamos proclamar que nós vamos nessa direção que o Senhor nos chama, o caminho estreito que o Senhor nos chama, que para o mundo parece loucura: o caminho da cruz, o caminho da santidade, o caminho da verdade, o caminho da vida, que aqui neste mundo parece morte. A renúncia, a autonegação é o único caminho que vai nos levar à vida verdadeira, e a nossa alma clama e grita por isso. Jesus, dá-nos uma nova experiência contigo, dá-nos a graça de te conhecer mais uma vez, dá-nos a graça de ter no nosso coração avivada essa palavra de Paulo, Jesus, quando nós também decidimos considerar tudo como esterco, que abandonamos o Senhor... tudo por ti.

E, pela ação do teu Espírito Santo, Senhor, seja em nós a tua graça, a tua presença; coloca em nós esse desejo ardente, insaciável, de te conhecer mais e mais. Que seja o nosso Senhor Jesus Cristo para sempre louvado.