Gosto muito do silêncio profundo das madrugadas

Onde os tiques do relógio parecem mais intensos – mais cheios de vigor

Como que para relembrar com mais clareza que o tempo passa

Que essa vida é efêmera e que o silêncio é muito necessário

Para nos ensinar a escutar o som que parece que só é produzido

Quando a agitação do mundo esfria - e a escuridão da noite

Acabrunha a visão do dia que reluzia com os brilhos do sol

Quase que sem perceber, uma luz do céu me atingiu - e me dei conta de que não sou mais só

De que o silêncio de dois corações que se uniram - após o ruído de dois "sims" num altar

Gerou uma família num milagre chamado sacramento do matrimônio

E do ruído silencioso e ensurdecedor de um amor aberto à vida que gera muitos frutos

Você foi concebido – nas entranhas enamoradas da sua mãe terrena

Que receberam fisicamente o impacto de uma alma – em sua concepção

E consagrado e separado – com uma vocação ímpar, por sua mãe do céu

Sua história carrega o barulho fulgurante da luz que vem de Deus

O milagre da vida que é gerada em meio aos espinhos que surgem

No caminho especial e inebriante de uma gestação saudável

Tantos dias e tantas noites – tantos momentos e tantas horas

Entraram para as lembranças mais doces – de uma estrada de nove meses

Ou 41 semanas – para ser mais específico

Que preparam sua vinda a esse mundo que passa com o tique dos relógios

Você chegou e trouxe consigo a experiência mais forte – a ansiedade mais intensa

O desejo mais ardente – uma comoção permanente

O amor em pessoinha – a visão prefigurada da glória e do esplendor

Na simplicidade do seu nascimento pude contemplar – e sentir e apreciar

Uma forma tão singela de ver o mundo – que trouxe sentido e explicação

Que trouxe mais fé e mais razão – que trouxe ao mundo uma explosão

No silêncio de um entardecer – onde um coraçãozinho bateu veloz

Na velocidade que uma emoção sem precedentes – relampejou e choveu

Na velocidade do olhar que te contemplou - sem palavras

No barulho das lágrimas que escorreram – sem parar

Na luz do quarto que ficou opaca – porque você apareceu

E o mundo nunca mais foi mais igual – pois você veio completar

O espaço que já era seu – desde a eternidade

Nessa família que ansiava por seus choros

Nessa casa que aguardava há tanto tempo as suas risadas

Nesse chão que te esperava - a sua presença que transformou tudo

Que encheu com o combustível da felicidade – duas almas

Que ficaram honradas por poder partilhar das coisas dessa vida ao seu lado

E ao mesmo tempo perplexas – pois num piscar de olhos

Você – que com o fulgor de um olhar azulado

Pintou a nossa existência de um ouro bramido de alegria

E encheu de cores as fotos dos nossos scrapbooks - e albums

E se tornou um mocinho muito rápido

Um rapazinho com personalidade - de um caráter forte e viril

O amorzinho da mamãe e o grudinho do papai

Há um ano você apareceu naquela sala chamada Haven

Vindo de um local de príncipes e realeza – Royal Victoria Hospital

E mexeu as mãozinhas que estavam apertadas e os dedinhos que agora podiam se esticar

E abriu os olhinhos que agora iam se ajustando a luz do sol

E recebeu o leite puro do amor – pela primeira vez

E dormiu num bercinho improvisado – num quarto aquecido

Não importam as noites mal dormidas – e nem o sono

E nem o ligeiro incômodo que às vezes pode causar no silêncio das madrugadas

Ou no barulho dos dias maduros

E nem todo o tempo que precisa de atenção

Pois mais do que prazer – tudo isso é satisfação

Te ter em nossas vidas é um compromisso divino

Exercer a paternidade e a maternidade de um ser tão especial

É um dom e um privilégio, Tomás!

Uma responsabilidade que abraçamos com carinho

Um afeto que inunda nossa vida

Uma direção que molda nosso destino