Mudei demais até o ponto de não mais me reconhecer

Fingi demais o que eu não era numa ilusão tentando viver

Busquei demais várias e diversas formas de prazer

E sempre soube que nada disso pode me satisfazer

Mas sou humano e tenho um coração

Sou mais sensível do que entendo - às vezes sem razão

E machucado pela vida desiludida da solidão

Percebi que as pessoas não vivem na minha mesma ficção

Cada história e cada vida que se adapta a cada dia

Estão em busca de um caminho a seguir - quem diria?

Que encha seus dias de muita alegria - ou mesmo euforia

De algo que lhes cure de todas as suas anomalias

Que contradição a vida me trouxe

Me tirando da mesmice e das amizades - que tolice

Eu pensava que tinha sido curado

E poderia viver como um robô - isolado

Mas livre, leve e solto - em cada night

Me disfarço e me fantasio - de palhaço

Pois ninguém me ama pelas mentiras que eu conto

Melhor era ser odiado pelas verdades que eu dizia

Pelo menos a felicidade pulsava em minhas veias

Mas hoje a velha busca pelas novidades

E pelos sucessos latentes que atraem milhões

Me lapidaram e me desvestiram do que realmente sou

Como posso me reconhecer novamente?

Penso em fugir desse mundo sem graça

E viver uma nova etapa nessa vida

Mas o problema é o que trago dentro de mim

A realidade exterior é só um espelho

Do meu coração - do que tenho acumulado

Da minha pobre alma - do que trago aqui guardado

Da minha mente - reflexo de pensamentos inimaginados

De tudo o que foi escrito em minha história

E embora nunca tenha gostado dessa matéria

Muito menos da geografia estática e humana

Percebi que minha psicologia perdeu todo o sentido

Quando deixei de atualizar dentro de mim mesmo

O que fui, o que sou e o quero ser

Onde estive, onde estou e para onde vou

Agora não sei se busco dentro do meu ego

Descobrir como me perdi e tento juntar os pedaços

De tantas quebraduras - em busca de alguma moral

Ou fujo disso tudo para me afundar numa vida banal...