Meu tesouro é corroído – como o ouro que desvanece

Minha coroa é passageira – como a fama que escorre por entre os meses

Minha vitória é melindrosa – em meus pés vejo a vergonha dos passos falsos

Minha certeza é espaçosa – às vezes não cabe apenas em mim

Minha verdade é imperfeita – introduzida em últimos momentos

Minha ferida – essa é grande, dolorida – entre anos e anos, permanece

Meu amor é inventado – imaginado há muito tempo

Meus escritos são memórias – retratos de uma vida pequena

Histórias passadas revividas trazem mágoas e reclusão – solitário

Me encontro nesse Universo de erros e acertos – acometido em meio às falhas

Mais do que menos – imparcial é o destino que traz confusão

O passado é a distinção que me faz ser hoje – da forma e jeito

Penas e desculpas – não me fazem viver diferente dos moldes do ontem

Instituído num mundo exterior – imagino como seria impecável

Idéias e dores de uma vida no relento – jogada aos desatinos

Lançada em ilhas e nuvens de carências e sentidos inconformados

Situação de chuva a derramar-se – é o que faz transformar

Em novos horizontes de vistas belas – apenas com as lembranças

Que dentro corroem a alma e fazem degustar a palidez de tal sentimento

Mas entre dores e espinhos de um coração aveludado – encoberto pelas raízes fortes

Prefiro permanecer nesse corroer de incoerências – palpitantes e sugestivas

Do que me inebriar de falsidade gloriosa – em que não quero experimentar

Por mais vinte anos – entre doçuras e suspiros de enlaces irreais

Ou amarguras e torturas de espinhos que prendem o existir

Antes queimar a alma em momentos verdadeiros doloridos

Do que permanecer nessas experiências de lucidez infindáveis

Dentro dos escombros de novas realidades experimentais