Talvez seja verdade que eu esteja te assustando

Talvez seja verdade que eu te cause algum espanto

Talvez seria melhor se eu não tivesse atração alguma – por você

Ou que impedisse o que flui do meu coração – naturalmente

Como posso deixar de ser humano e viver obtusamente?

Porque não entendo o que se passa no seu interior

Apesar de supor algumas vezes e refletir no que pode ser

Por acaso deveria ser culpado por ter a coragem de expressar o que estou sentindo?

Ou teria que ser acusado por sentir uma paixão repentina?

Pode ser que seja assustador saber que há alguém querendo você

Ou que tenha um grande desejo de te conhecer

Não sou um homem sem religião

Não sou um traficante da saúde e da vida

Não sou amigo do acusador nem da iniquidade

Sou apenas alguém que te quer – de verdade

Sou nada mais que um romântico solitário

Que gostaria de ter você ao meu lado

Por que se mostra no escuro vão de um coração pálido?

O que te leva a ser ou agir com tanto medo?

Pelo receio de ser novamente machucada e iludida

Suas marcas e feridas se evidenciam

E o que percebo é que não descobriu ainda

Um caminho de crescimento diante do sofrimento

Um meio de progredir em meio aos tormentos

A maturidade que poderia ser ocasionada gera regressão

E isso que te afasta e a mantém na escuridão

Impede a luz de novo brilhar em seu rosto

E o farol que refletia o clarão das vivas chamas agora é desgosto

Está cintilando em seus olhos inchados

Em sua voz amarga – respingada de bruscos tons

A estação suave das flores e o fogo do verão

Passam despercebidos ante o tempo – pois fuga não é solução

Encare-se no espelho – perceba o reflexo do seu sorriso

De suas formas risonhas – vai perceber o que vejo

Um romance que escapa de suas mãos

Uma história que nasce e grita para brotar

O desespero de um refúgio encontrar

O drama de uma paixão mal resolvida

Onde o conflito gera caos

E acende uma luz em sua vida

Não apague o fogo que arde e quer queimar

Dê espaço e tempo – a verdade vai revelar

Se é fiel no que aparenta – vai desdobrar

Aos poucos esse leque de sentimentos – que vão ventilar

E mandar embora as mágoas que estão enraizadas

As cicatrizes desse machucado – que não sarou

O mertiolate do carinho e da paciência

Que vão perfurar esse terreno agudo

Vão ajudar a permitir escoar todo escombro

E vai jorrar felicidade do seu peito

Pois não tem como trancar esse deleite de prazeres

Que corre veloz ao encontro de sua nascente

E restaura os refluxos que encontrar – não pode mais voltar

Purifica as curvas dos rios e o leito das águas

Poderás então deitar com segurança em meu corpo

E revelar o paradigma desse momento enxuto – envolto

Pelas contradições que sempre aparecem

Como que para me fazer desistir de sonhar

Mas já me acostumei com isso – e parece que assim sempre será

Como não percebi antes que minha alma queria repousar

Junto a sua no coração de Deus

Em sua face eu enxergo desejos – e vontades

Em seu corpo um facho de anseios

Em suas reações um ímpeto que me chama

E me convida a degustar – os desafios de uma possível união

Que me anima e me encoraja a pensar diferente

Do que o costume me fez chegar e dessentir

O que atingiu o íntimo dos sentidos descontrolados

Que jazem espalhando o sangue escuro das hemorragias passadas

Pois você sara e contagia a auto cura – ao lançar um olhar de esperança

Sobre o renovado interior de onde flui essa paixão

Acidentalmente – ou proposital

Escolhido a dedo – ou sem pensar e tal

Movido pelo coração – ou pela emoção

Na sensação de um sabor de morango

Ou de um chocolate deixado no seu portão

Quero reencontrar nessa sua vida sarada

O que me move a tanto te querer

E descobrir os efeitos dessa atração que dói agora

Nesse começo desconjunturado

Mas que acredito que será aliviado

Com mais tempo ou menos

Não me importarei com os atritos dessa aproximação

Nem pelo que terei de enfrentar

Pois nessa vida louca – é só você que cura essa loucura

É apenas você que me sara...