Queremos agora adentrar o mundo espiritual e trazer algumas revelações, para que abramos os nossos olhos a essa realidade.

São Paulo, como um glorioso e consciente soldado de Cristo era um guerreiro que sabia por que sofria, onde tinha posto sua confiança e por isso não tinha dúvidas:

“Por cuja causa também padeço isto, mas não me envergonho. Porque sei a quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito para aquele dia.” (2Tm 1,12)

Quantos cristãos hoje só sabem se queixar, reclamar, murmurar (que é o louvor do encardido, como dizia o padre Léo, SCJ), contestar diante de Deus e dos homens os motivos dos seus sofrimentos, das suas dores, daquilo que acontece em suas vidas e não aceitam de forma alguma nada do que lhes acontece. Nada nunca está bom. Isso quando não atestam que Deus não existe porque sofrem muito.

A esses São Tomás de Aquino já se dirigia na Suma Teológica e em seus sermões, dizendo que Deus existe sim, e Ele age da mesma forma como um médico. Ele não vai fazer as coisas para agradar alguns e destratar a outros porque Ele ama a todos da mesma forma, mas nem todos aceitam a pedagogia e o modo como nos trata. Ele sabe o que é melhor para nós!

Queridos e queridas de Deus, começamos declarando que estamos em guerra, estamos em batalha, estamos em combate espiritual. Isso é uma coisa constante e não apenas um momento, pois aqueles contra os quais lutamos estão constantemente a esperar nossas quedas e nossas fraquezas para que sucumbamos e percamos o combate para que desistamos de lutar.

A questão que se levanta é: lutar contra o quê? Mas também podemos perguntar: para que lutar? De que forma lutar? Com quais armas? Precisamos urgentemente acordar e levantar de todo sono espiritual!

Irmãos e irmãs, os amigos de Cristo, são Pedro, são Tiago e são João, dormiram quando Jesus mais precisou deles vigilantes, pois talvez até então não tinham entendido que estavam em guerra. E Jesus não passou a mão na cabeça deles não, mas repreendeu-os com uma severa admoestação:

“Depois veio, e achou-os dormindo. Então disse a Pedro: Simão, dormes? não pudeste vigiar uma hora? Vigiai, e orai, para que não entreis em tentação. O espírito na verdade está pronto, mas a carne é fraca. E foi outra vez a orar, dizendo as mesmas palavras. E tornando a vir, achou-os outra vez dormindo (porque tinham carregados os olhos), e não sabiam que lhe respondessem. E veio terceira vez, e disse-lhes: Dormi agora, e descansai. Basta! É chegada a hora! Eis aqui vai o Filho do homem a ser entregue em mãos de pecadores.” (Mc 14,37-41)

Se você é um amigo de Cristo, saiba que você também vai ser chamado a testemunhar o Senhor e precisa estar acordado e pronto para toda batalha. A nossa batalha é contra três coisas específicas, que vamos explorar nessa noite: contra o mal que está dentro de nós (a nossa carne), contra o mal que está fora de nós (o mundo) e o agente causador de todo mal (o demônio).

Para não perder tempo vamos começar com o mal que está dentro de nós, e essa passagem que acabamos de ver cabe perfeitamente nesse contexto. O espírito está pronto, mas a carne é fraca!

Isto já virou tema de música, de novela, de moda, de sem-vergonhice e motivo para pecado, mas nós que queremos seguir a Jesus Cristo e agradá-Lo em nossa vida, temos que lutar contra nós mesmos, contra o nosso homem velho que precisa morrer para que o novo viva. Não é questão de esquecer quem somos e as nossas más tendências naturais, fraquezas humanas e desejos da carne, mas é viver uma vida pautada na fé que professamos, alimentando o homem espiritual e verdadeiro que nós somos chamados a ser.


Com o maravilhoso exemplo de São Paulo que dizia que fazia o mal que não queria e o bem que queria fazer não conseguia por causa do pecado que estava em sua carne (cf. Rm 7,19ss) vamos entender um pouco melhor o ministério que cada um dos cristãos batizados é chamado a exercer:


“Porquanto, se prego o Evangelho, não tenho de que gloriar-me, pois me é imposta essa obrigação; porque ai de mim se eu não evangelizar. Pelo que, se o faço de vontade, terei prêmio; e se for por força, a dispensação me veio só a ser encarregada. Qual é, portanto, a minha recompensa? Que, pregando o Evangelho, dispense eu o Evangelho, sem causar gasto, para não abusar do meu poder no Evangelho. Porque, sendo livre para com todos, me fiz servo de todos, para ganhar muitos mais. E me fiz para os judeus como judeu, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se eu estivera debaixo da lei (não me achando eu debaixo da lei), por ganhar aqueles que estavam debaixo da lei; para os que estavam sem lei, como se eu estivera sem lei (ainda que não estava sem a lei de Deus, mas estando na lei de Cristo), por ganhar os que estavam sem lei. Fiz-me fraco com os fracos, por ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, por salvar a todos. E tudo faço pelo Evangelho, para dele me fazer participante. Não sabeis que os que correm no estádio, correm sim todos, mas um só é que leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que tem de contender, de tudo se abstém; e aqueles certamente por alcançar uma coroa corruptível, nós porém uma incorruptível. Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim pelejo, não como quem açoita o ar; mas castigo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que não suceda que, havendo pregado aos outros, venha eu mesmo a ser reprovado.” (1Cor 9,16-27)

Essa é a grande atitude que quem descobriu estar em batalha contra a própria carne precisa tomar: castigar o corpo e mantê-lo em servidão — mesmo que seja no sentido da coerência, como São Paulo, com receio de dar contratestemunho depois de ter pregado a verdade aos outros.

Santo Agostinho dizia: “Tenha cuidado para que a sua vida não transcorra contrário ao testemunho de sua boca”. É por isso que São Francisco de Assis dizia: “Pregue sempre o Evangelho, e, quando for necessário, use palavras”.

São Paulo só podia pregar e fazer-se tudo para todos porque vivia em constante batalha contra si mesmo. Não deixava que sua carne fosse barreira ao que ele acreditava e ao que Jesus pedia dele. Ele fazia da própria vida uma pregação. Ele sabia que tinha que lutar consigo mesmo, por isso não dava golpes no ar, mas buscava a perfeição e dar o melhor de si para honrar seu chamado.

Sabe qual é o negócio dos cristãos hoje, principalmente dos católicos? Ou vivem uma vidinha medíocre e muito longe do que é o Evangelho puro, ou seja, nosso Senhor Jesus Cristo, que é o verbo de Deus que se fez carne (cf. Jo 1,14), ou falam bonito e pregam coisas extraordinárias sobre Jesus, mas vivem de forma totalmente oposta.

Não podemos julgar pois não sabemos o que há no interior de cada um, mas podemos perceber a vida cristã que uma pessoa leva pelos frutos que ela produz (cf. Lc 6,44). Seja pela sabedoria, pelas boas pregações, pela fama de santidade, pela humildade, pela vida de oração, pelo que nós conseguimos enxergar, o fato de uma pessoa estar verdadeiramente trilhando o caminho de Cristo, leva-a a produzir frutos, pois foi para isso que Cristo nos chamou (cf. Jo 15,16).

Pode ser que muitos estejam satisfeitos vendo os frutos que estão sendo produzidos na sua vida, talvez até enxergando que isso é graça de Deus, mas veja o que Jesus diz:

“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todas as varas que não derem fruto em mim, ele as tirará, e todas as que derem fruto, limpá-las-á, para que o deem mais abundante.” (Jo 15,1-2)

Não podemos parar nunca! Temos que caminhar e caminhar e seguir Jesus até o fim da nossa vida, até as últimas consequências, até o martírio se for preciso, crendo que nosso sangue derramado servirá de semente para novos cristãos. Mas onde estão os verdadeiros apóstolos de Jesus Cristo que estão dispostos a dar a vida por Cristo? Estão em extinção! Se você sente seu coração arder por esse motivo, saiba que você é chamado a dar testemunho, pois esse é o sentido e o significado do martírio.

Mas, voltando ao nosso primeiro ponto, muitos não têm querido lutar contra a própria carne, mas têm alimentado a carne, alimentado as paixões desordenadas, as tendências da vida velha, dando livre curso ao pecado e ao que der vontade. A esses São Paulo exorta:

“Isto, pois, digo, e requeiro no Senhor, que não andeis já como andam também os gentios na vaidade do seu sentido, tendo o entendimento obscurecido de trevas, alienados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela cegueira do coração dos mesmos; que, desesperando, se entregaram a si mesmos à dissolução, à obra de toda a impureza, à avareza. Mas vós não haveis assim aprendido a Cristo, se é que o haveis ouvido, e haveis sido ensinados nele, como está a verdade em Jesus: a despojar-vos do homem velho, segundo o qual foi a vossa antiga conversação, que se vicia segundo os desejos do erro. Renovai-vos, pois, no espírito do vosso entendimento; e vesti-vos do homem novo, que foi criado segundo Deus em justiça, e em santidade de verdade.” (Ef 4,17-24)

Irmãos essa palavra diz tudo para fecharmos essa primeira parte da luta contra o mal que está em nós! Quantos hoje, na Igreja, querem persistir em viver como os pagãos, andando à mercê de ideias frívolas — isto é, medonhas, pavorosas. Exemplos desses não faltam.

São aqueles que insistem em querer fazer da Igreja palco de shows de rock, de bailes funk, de baladas e raves que têm a cara de pau de chamar de santas, cristoteca, de lugares impuros e propícios para o pecado, deixando transparecer mais a imagem de um local profano, criando um ambiente de inferno, do que um lugar sagrado, como realmente é, para ser o Céu para todos. Eita pancada de pagãos e ateus que existem hoje na Igreja! Não entenderam ainda que nem tudo convém (cf. 1Cor 6,12), estão com o entendimento obscurecido, na ignorância e com o coração endurecido, porque viveram tão atolados no pecado, que não percebem hoje o mal que estão fazendo e a influência que está sendo deixada para as próximas gerações, isto é, se der tempo antes da ira de Deus ser desencadeada sobre a Terra, já que os próprios cristãos cometem tais pecados. Se não fosse a Misericórdia de Deus, a Virgem Maria e a Santa Missa, o que seria desse mundo!?

Cada um pode dizer, a partir da própria vida e das próprias fraquezas, onde sua batalha precisa ser mais intensa. Algumas pessoas são cegas pelo amor ao dinheiro. E quantos hoje, nessa busca desenfreada por dinheiro, não usam até mesmo da fé e da piedade dos outros como motivo para ganharem dinheiro? É o que vemos ao monte hoje, principalmente em templos protestantes (cf. 1Tm 6,3-5).

Outros têm vícios e não querem ou não conseguem renunciar de forma alguma, pois se entregaram ao pecado e são escravos (cf. Jo 8,34). Pecados de qualquer vício como o cigarro, bebidas, drogas, jogos, fofoca, inveja, disputas, orgulho, vaidade e outros diversos são todos motivos de lutarmos contra nós mesmos. Mas o que mais destrói e acaba com tudo são os pecados sexuais.

Precisamos entender que a tendência homossexual que muitos têm não é pecado. Caso você tenha essa tendência, saiba que Deus te ama da mesma forma que ama a todos, mas o que você faz com essa tendência pode transformar-se em pecado, da mesma forma que uma pessoa que tem desejo de transar antes do casamento numa relação natural. Isso não é pecado de forma alguma, mas o que você faz com esse desejo.

Os homens e mulheres que se masturbam, os casais que já assumiram um compromisso diante de Deus e dos homens e que adulteram, aqueles que pecam por malícia e batem palma para a impureza estão todos no mesmo barco. São paixões e forças que podem nos arrastar para o inferno. São João da Cruz já dizia: “Por causa de prazeres momentâneos, sofrem-se grandes tormentos eternos”.

O maravilhoso São Filipe Neri dizia: “Na luta contra a impureza, vence quem foge”.

Temos que aprender a controlar nossas paixões desordenadas, pois o nome já diz: estão bagunçadas em nós, fora de ordem, fora de lugar, fora de tempo. Temos que batalhar conosco mesmo para não cairmos em pecado e nos mantermos na graça de Deus, obedecendo e buscando a vontade de Deus, sempre progredindo na graça e dando mais frutos para o Senhor Deus todo-poderoso.


Vamos refletir agora sobre a luta que precisamos travar contra o mundo. Sabemos que nossa luta não é contra as coisas maravilhosas e santas que Deus criou no mundo, mas precisamos lutar contra a perversidade e a mentalidade que impera no mundo, ou seja, o Aeon, os valores corrompidos dessa sociedade.
Nosso Senhor Jesus Cristo nos dá dicas valiosas para abrirmos os olhos e entendermos que o mundo odeia a todos aqueles que estão e que permanecem com Ele, como odeia a Ele mesmo:
“Se o mundo vos aborrece, sabei que primeiro do que a vós, me aborreceu ele a mim. Se vós fosseis do mundo, amaria o mundo o que era seu; mas porque vós não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece. Lembrai-vos da minha palavra, que eu vos disse: Não é o servo maior do que seu senhor. Se eles me perseguiram a mim, também vos hão de perseguir a vós; se eles guardaram a minha palavra, também hão de guardar a vossa. Mas eles far-vos-ão todos estes maus tratamentos por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou. Se eu não viera e não lhes tivera falado, não teriam eles pecado; mas agora não têm desculpa no seu pecado. Aquele que me aborrece, aborrece também a meu Pai. Se eu não tivera feito entre eles tais obras, quais não fez outro algum, não haveria da parte deles pecado; mas agora eles não somente as viram, mas ainda me aborreceram, tanto a mim, como a meu Pai. Mas isto é para se cumprir a palavra que está escrita na sua lei: Eles me aborrecerão sem motivo (Sl 34,19; 68,5). Quando porém vier o Consolador, aquele espírito de verdade, que procede do Pai, que eu vos enviarei da parte do Pai, ele dará testemunho de mim. E também vós dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio.” (Jo 15,18-27)
Perceba a seriedade das palavras do Salvador: Se você é do mundo, o mundo te ama; mas, se você é meu servo, o mundo te odeia — porque me odeia, e o servo não é maior que o seu senhor. Perseguiram-me, e vão te perseguir; mas tudo é por causa do nome de Jesus Cristo.
É por causa de Cristo e do testemunho dEle que os cristãos têm que sofrer. Você já deve saber o que São Paulo escreve à comunidade de Filipos mas vamos retomar para dar ênfase:
“Pelo que Deus também o exaltou, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, na terra e nos infernos. E toda a língua confesse que o Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Padre.” (Fl 2,9-11)
O mundo Aeon que é regido e governado pelo príncipe das trevas, isto é, o demônio (cf. 1Jo 5,19) odeia a Cristo, tem nojo e medo do nome de Jesus Cristo, e consequentemente de todos aqueles que trazem em sua vida o nome do Senhor e fazem ecoar esse nome com sua forma de viver um cristianismo autêntico. Por isso o ódio!
O testemunho que trazemos é muito forte e incomoda muito as pessoas que vivem na mentira, na mágoa, na morte que o mundo oferece como regra de vida. Santo Agostinho dizia: “Quanto melhor é uma pessoa mais incomoda as pessoas más”.
Aquele que está nas trevas e vê uma pessoa que reflete uma luz forte, que é o próprio Deus (cf. 1Jo 1,5), é claro que vai ficar incomodada, da mesma forma que aquele que está no pecado fica incomodado diante de uma pessoa que vive a santidade. E quanto mais santidade, mais incômodo vai trazer.
É por isso que nós que lutamos contra o mundo precisamos conhecer, amar, saborear, viver e nos alimentar constantemente da poderosa Palavra de Deus, pois precisamos brilhar nesse mundo de trevas e de pecados. Quando assumirmos e engolirmos o rolo que são as Sagradas Escrituras, como Ezequiel fez (cf. Ez 3,1-3) e comermos esse Livro santo, como são João fez (cf. Ap 10,8-10) vamos poder brilhar, como São Paulo pede:
“Fazei logo todas as coisas sem murmurações e sem dúvidas, a fim de serdes sem nota, e sem refolho, como filhos de Deus irrepreensíveis no meio duma nação depravada e corrompida, onde vós brilhais como astros no mundo, retendo a palavra da vida para glória minha no dia de Cristo, pois não corri em vão, nem trabalhei em vão. Mas ainda quando eu seja imolado sobre o sacrifício e vítima da vossa fé, me alegro, e me dou o parabém com todos vós.” (Fl 2,14-17)
A sociedade em que vivemos é depravada e maliciosa. Então queridos, caso nossa fraqueza seja nessa área da malícia e da impureza nos pensamentos e nos atos, temos que redobrar nossas forças para lutar contra nossa própria paixão desordenada, que é influenciada e alimentada pelo mundo. Ou melhor, para entendermos bem: todas as nossas paixões desregradas e pecaminosas são potencializadas pelo que há no mundo.
Pecado atrai pecado; vício atrai vício; morte atrai morte; desgraça atrai desgraça. Tudo o que há de mal em nós — fruto do nosso pecado e da nossa escolha — é como que bombardeado e elevado à combustão pelo mal que há fora de nós. Precisamos ficar alertas.
Também por esse motivo, devemos ficar com olhos bem abertos com as companhias que temos em todos os lugares onde vamos, onde ficamos ou frequentamos:
“Não vos deixeis enganar: as ruins conversações corrompem os bons costumes.” (1Cor 15,33)
Temos que tomar cuidado, mesmo com os mínimos detalhes que há no mundo, para que não nos corrompamos e percamos a graça que são João nos narra em sua primeira carta:
“Vede que amor nos teve o Pai, que quis que nós fossemos chamados, e realmente fossemos filhos de Deus. Por isso o mundo não nos conhece, porque a ele não conheceu. Caríssimos, agora somos filhos de Deus, e não apareceu ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele aparecer, seremos semelhantes a ele: porquanto nós outros o veremos bem como ele é.” (1Jo 3,1-2)
Isto significa que por sermos de Cristo, por sermos filhos de Deus e por termos o Espírito Santo em nós, o mundo não nos conhece, nos odeia, nos rejeita e nos persegue. Mas quando se se manifestar o que havemos de ser, veremos a Deus face a face. É uma glória eterna que nos aguarda!
Enquanto estamos com essa esperança, o mundo continua a nos odiar, porque temos a vida eterna, amamos e somos a imagem daquele que nos fez:

“Não vos admireis, irmãos, de que o mundo vos tenha ódio. Nós sabemos que fomos trasladados da morte para a vida, porque amamos a nossos irmãos. Aquele que não ama, permanece na morte. Todo o que tem ódio a seu irmão, é um homem homicida; e vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanente em si mesmo. Nisto temos nós conhecido o amor de Deus, em que ele deu a sua vida por nós; e nós devemos também dar a nossa vida pelos nossos irmãos.” (1Jo 3,13-16)

Ser cristão é ser imitador de Cristo, ser outro cristo na Terra, fazendo o mesmo que Jesus fez, dando a vida pelos irmãos, plantando Céu e dando a oportunidade a todas as pessoas que convivem conosco conheçam e experimentem as maravilhas do Reino de Deus, o Céu na Terra.
Em vez de fazer isso, quantos cristãos e diversas pessoas de outras religiões vivem na morte!? Assassinam as pessoas, matam seus semelhantes, desejam o mal, amaldiçoam-se mutuamente, proferem palavras perniciosas uns contra os outros, fazem guerras e disputas por coisas à toa, mas não percebem que o nosso único inimigo está agindo no mundo e fazendo com que fiquemos confusos nessa loucura de século XXI.
Não podemos compactuar com os valores desse mundo. Por isso precisamos lutar! Precisamos brigar pela santidade, para manter-nos em pé, para não nos deixarmos levar pelos prazeres passageiros e vazios que o mundo oferece, pela forma fácil e mole de viver.
O padre Léo, SCJ, já dizia que a vida é dura só para quem é mole. Que belíssimo testemunho esse padre deu, em sua última pregação, no Hosana Brasil de 2005, quando disse: “O mundo pode tirar tudo o que eu tenho de fora, mas não tem como tocar naquilo que eu tenho aqui dentro”. É claro, isso só é válido para aquelas pessoas que têm verdadeiramente valores cristãos, que buscam a santidade, que não desistem diante de nada nesse mundo, mas nadam contra a correnteza, pois Deus é quem dá forças.
Precisamos ser soldados para lutar contra o mundo. Não podemos dormir e nem desanimar, temos que saber que estamos lutando e batalhando pela nossa salvação, porque a maior vitória que o mundo pode ter sobre a nossa vida é tirar-nos da presença de Deus, fazer de nós cristãos molengas e tirar de dentro de nós a fé, que é o presente de Deus.
Não pense também que o mundo quer te derrubar, te fazer mais um qualquer do sistema e te corromper porque você é importante; é que, quando ele fizer isso com você, Deus que está dentro de você, Jesus que você recebe em cada Santa Missa, o Espírito Santo do qual você é templo são vilipendiados junto com você — e o seu testemunho vai todo por água abaixo.
São Paulo escreveu a Timóteo e o convite se estende a cada um de nós hoje. Precisamos ser bons soldados de Cristo, ir contra o mundo e lutar pelo Reino de Deus:
“Trabalha como um bom soldado de Jesus Cristo. Ninguém que milita para Deus se embaraça com negócio do século, para assim agradar àquele que o alistou. Porque também o que combate nos jogos públicos, não é coroado senão depois que combateu conforme a lei.” (2Tm 2,3-5)
E não precisamos nos preocupar com o ódio e com a morte que há no mundo, pois embora sejamos fracos, tenhamos muitas inclinações para o pecado e o mundo nos influencia a cada dia para cairmos no pecado sem possibilidade de voltar à graça de Deus, nunca tudo o que há no mundo poderá nos vencer se nós tomarmos posse do que a Palavra de Deus nos garante:
“Vós, filhinhos, sois de Deus, e o vencestes (os espíritos do mundo), porque o que está em vós é maior do que o que está no mundo.” (1Jo 4,4)
É por isso que Santo Antônio Maria Claret dizia, com relação à salvação, mas assim é que devemos permanecer: “Para se salvar é preciso ter a eternidade na mente, Deus no coração e o mundo debaixo dos pés”.
O mundo e seus valores contra os quais lutamos devem permanecer debaixo dos nossos pés, no sentido que precisamos ser missionários e levar a palavra de Deus a todos os povos e no sentido de que não somos dominados por nada do que há no mundo, pois em Cristo somos mais que vencedores (cf. Rm 8,37).

Temos por fim a luta contra o agente do mal, que atua no mundo e que quer nos levar à concupiscência da nossa carne, para que percamos a salvação, deixemos de andar com Cristo, nos afastemos dos planos de Deus para a nossa vida e não façamos diferença alguma no mundo.
O padre Léo, SCJ, dizia para nos alertar: “O encardido tem um plano muito claro e objetivo a meu e a seu respeito. Ele vai fazer o possível e o impossível, o imaginável e o inimaginável para nos seduzir. E com um detalhe: ele não desiste nunca”!
A nossa luta constante precisa ser intensificada a cada dia, pois nosso adversário não desiste de nos tentar, de lançar no mundo e em nós seus dardos inflamados de oportunidades para pecarmos gravemente e deixarmos de ser instrumentos nas mãos de Deus.
Até aqui, você já deve ter as respostas das nossas perguntas levantadas no início, pois precisamos lutar por Deus, lutar pela santidade, lutar pela salvação, lutar pelo céu, lutar pelo Reino de Deus, lutar para que a Palavra de Deus seja propagada, lutar pela conversão dos nossos, lutar para sermos santos, lutar para mantermo-nos firmes no combate até o fim da vida aqui na Terra, pois nossa vida continuará no céu.
Quais as armas que usamos nessa luta? De que forma lutar? Essas perguntas serão respondidas nessa última dimensão de batalha que precisamos travar contra o demônio. Aqui não estamos incitando e nem incentivando ninguém a lutar contra o encardido, mas estamos afirmando que ele continuará fazendo o possível e o impossível para nos seduzir. Não podemos aceitar o que ele nos oferece, por isso precisamos lutar.
Quem nos ensina é o glorioso São Paulo, homem que tinha consciência da batalha espiritual que precisa ser travada, pois não lutamos contra os homens de carne e sangue. Precisamos estar fortalecidos pela armadura de Deus:
“Quanto ao mais, irmãos, fortalecei-vos no Senhor, e no poder da sua virtude. Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as ciladas do diabo; porque nós não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, e potestades, contra os governadores destas trevas do mundo, contra os espíritos de malícia espalhados por esses ares. Portanto, tomai a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e estar perfeitos em tudo.” (Ef 6,10-13)
Nosso revestimento deve ser dos pés à cabeça, com as partes da armadura que Paulo continua citando no capítulo 6 da carta aos Efésios: a verdade, a justiça, prontidão, fé, capacete da salvação, espada do espírito e oração em todas as circunstâncias, porque nossa luta é contra os principados e potestades, contra os demônios, que produzem essa força espiritual do mal que está espalhada nos ares.
PRECISAMOS RESISTIR ÀS CILADAS DO DEMÔNIO, PRECISAMOS ESTAR VIGILANTES, PRONTOS E BEM ACORDADOS PARA NÃO VACILAR E NÃO CAIR EM TENTAÇÃO. O PODER DO DEMÔNIO É NOS TENTAR, QUE PARECE UMA COISA SIMPLES, MAS COMO NÃO ESTAMOS REVESTIDOS DESSA ARMADURA, MUITAS E MUITAS VEZES CAÍMOS SEM PENSAR NAS CONSEQUÊNCIAS.
São Pedro, o primeiro papa, escreveu em sua carta a mesma coisa que o padre Léo, SCJ, disse, tratando o demônio como um leão, dizendo que nós precisamos ser sóbrios e vigiar:

“Sede sóbrios, e vigiai; porque o vosso adversário, o diabo, anda ao redor de vós como um leão que ruge, buscando a quem devore. Resisti-lhe fortes na fé, sabendo que os vossos irmãos, que estão espalhados pelo mundo, sofrem a mesma tribulação.” (1Pd 5,8-9)

Perceba que parece que tudo ao nosso redor concorre para que caiamos em tentação e nos vejamos numa situação sem saída: o mundo oferece todos os meios possíveis e imagináveis para que não sejamos sóbrios e o que nos é oferecido é justamente nas áreas em que somos mais fracos e temos mais tendência a cair e aceitar o mal. É justamente nessas ocasiões que não estamos sóbrios que o demônio devora e ataca com toda a intensidade.
Mas quem é que o demônio consegue devorar? Todos aqueles que não são e não permanecem na sobriedade, isto é, na integridade de consciência e controle de si mesmos, e na vigilância.
Muitos abaixam a guarda em festas da Igreja e o demônio que já está andando ao nosso redor vai nos pegar numa ocasião dessas. Em muitas comunidades, onde os padres não rezam e os bispos não honram seu bispado, há bebidas alcoólicas sendo vendidas e tudo o mais que cria um clima típico onde o pecado é cometido e onde as pessoas cedem à tentação.
Quantos pais de família traíram suas esposas e acabaram com seu matrimônio depois de uma festa dessas!? Quantas mulheres voltaram aos vícios depois de uma brincadeira nesse tipo de festa!? Quantos jovens tiveram seu primeiro porre e primeira relação sexual depois (ou até mesmo durante) essas festas religiosas levianas?! Isso é muito sério! Precisamos vigiar em todos os locais, em todas as circunstâncias, em todas as áreas, estando diante de quem quer que seja!
Mas além de estarmos revestidos, protegidos, fortificados e resistindo ao demônio, temos armas, que Paulo explica um pouco em sua carta à comunidade de Corinto:

“Porque ainda que andamos em carne, não militamos segundo a carne. Porquanto as armas da nossa milícia não são carnais, mas são poderosas em Deus para destruição das fortificações, derribando os conselhos, e toda a altura que se levanta contra a ciência de Deus, e reduzindo a cativeiro todo o entendimento para que obedeça a Cristo.” (2Cor 10,3-5)

Essas armas espirituais com as quais lutamos são poderosas, mas somente em DEUS e são capazes de arrasar fortificações. São Paulo está dizendo que as armas espirituais que lutamos são capazes de desestruturar todo um exército de demônios, toda uma estrutura infernal que esteja causando aflição sobre a Terra. Temos que tomar posse dessas armas!
Jesus venceu o demônio no deserto, quando foi tentado porque estava revestido da armadura de Deus, estava cheio da unção do Espírito Santo, estava buscando fazer a vontade do Pai e porque tinha pleno conhecimento e sabia usar sua espada do espírito que é a Palavra de Deus. Quantas pessoas são seduzidas pelo demônio através da própria Palavra de Deus!?
Os cristãos hoje sabem sobre a roupa que está na moda, sobre a música que está rolando, sobre as últimas da novela, sobre as fofocas dos famosos, sobre os livros que fazem sucesso no mundo (que são uma desgraça de Autoajuda), sabem sobre os acontecimentos do mundo, sobre as tecnologias, sobre os filmes, seriados e tudo o mais. Só não conhecem e não sabem nada sobre a Palavra de Deus, sua maior arma contra o demônio. Por isso tem caído aos milhões nas ciladas do encardido!
Você pode perguntar: essa luta contra a carne, contra o mundo e contra o demônio vai acabar quando? E nós podemos responder, para entrarmos em clima de oração: SOMENTE QUANDO CHEGARMOS NO CÉU! ATÉ LÁ, VAMOS PERCORRER ESSE CAMINHO DE LUTAS E BATALHAS, CONFIANDO NO DEUS QUE LUTA CONOSCO.
Vamos nos colocar na presença de Deus:
“Pai amado e glorioso me coloco na tua presença nesse momento para suplicar a Ti essa graça sobre a minha vida: dai-me a graça de ser um guerreiro. Tomando posse de toda palavra profética hoje quero me revestir da tua graça e ser fortalecido pelo dom da fé que o Senhor me deu, pedindo que aumente em mim a fé, clamando pelo Teu amor infinito, que o Senhor revista dos pés à cabeça da Tua armadura. Quero meu Senhor e meu Deus, resistir e lutar contra tudo o que quer me afastar da Tua santa presença, mas uma coisa é certa: eu não consigo. Por isso eu te peço nesse momento: santifica minha vida Pai, enche-me com teu amor, com tua graça e com teu poder. Quero renunciar a tudo o que faz com que eu seja essa pessoa molenga que não tem compromisso contigo e que por qualquer coisinha deixa de lutar. Mas eu creio nas Tuas promessas, eu creio na Tua palavra, eu creio na Tua misericórdia e Te peço que me encha também com a esperança e com a caridade.
Jesus amado, pelo poder do teu nome, ao qual todo joelho se dobra no céu, na terra e nos infernos, quero te suplicar que me livreis de todo mal e de toda tentação. Eu preciso que o Senhor derrame sobre mim o teu Sangue santíssimo e me proteja contra as tentações do mundo e do demônio, contra tudo aquilo que está em mim Senhor. Liberta-me de todo pecado, liberta-me de todo vício, liberta-me de toda prisão e vem me fazer, pelo poder da tua cruz, do teu sangue derramado, das tuas cinco chagas e pela intercessão da Tua mãe santíssima livre, uma nova criatura, um novo cristão. Quero me despojar de tudo o que me faz ficar dormindo e apegado a toda vida velha, mas somente pela Tua graça é que poderei prosseguir decididamente. Salva-me Senhor! Salva-me de mim mesmo, salva-me daquilo que pode comprometer a minha salvação, salva-me do perigo de viver uma vida afastada da Tua presença. Derrama sobre mim o poder do teu Espírito envolve-me com a plenitude do teu poder.
Vem Espírito de Deus, amor do Pai e do Filho, vem consolador, vem meu doce hóspede da alma, advogado, amigo fiel. Vem lutar comigo e em mim contra toda concupiscência, contra toda fraqueza, contra toda inclinação que eu tenho para o pecado e para o mal. Vem me ajudar, unindo-se ao meu espírito e fazendo-me forte em Ti. Espírito Santo, fazei-me ser um nobre guerreiro de Cristo, um bom soldado da Palavra de Deus. Vem me transformar e clamar em mim com teus gemidos inefáveis, selando esse momento de oração, dando-me a força que eu preciso para fugir de toda ocasião de pecado, de todo laço pernicioso do demônio que me envolve disfarçadamente. Dai-me forças para resistir a todo mal e lutar pelo bem, pela santidade, pela manifestação da glória e do amor do Senhor.
Virgem Santíssima, minha intercessora, esmaga a cabeça da serpente maldita, cobre-me com teu manto sagrado e ajuda-me a estar sempre aberto ao poder do Espírito Santo, como a Senhora esteve no cenáculo. São Miguel, príncipe dos anjos, ajuda-me e vem gritar quem como Deus no meu coração para trazer à minha vida o santo temor de Deus. Livra-me meu anjo da guarda das ciladas e das tentações do demônio, livra-me de toda contaminação espiritual e ajuda-me a permanecer com meus olhos fixos em Cristo.
Muito obrigado Senhor Deus por toda proteção, todo revestimento da Tua graça e do Teu poder, todo auxílio e todo avivamento na minha alma. Glorifico a Ti Jesus por toda bondade e toda misericórdia, pelo teu sangue derramado sobre mim. Obrigado Espírito Santo, que me fortalece e me enche com tua glória. Graças te dou Pai, por toda graça e todo amor do Senhor para comigo. Glórias ao Senhor para sempre!”

Vamos assumir essa luta, se realmente queremos ganhar.
Não precisamos ter medo de nenhuma luta nem de nenhuma batalha, pois em todas somos mais que vencedores.

“A graça de Deus nos é dada para fazer o bem e evitar o mal”. (São Tomás de Aquino)

Que lutando conscientemente contra o mal que está dentro de nós, o mal que está fora de nós e o agente causador do mal no mundo, possamos crescer e nos tornar bons combatentes espirituais, confiando sempre na graça e na proteção do Senhor dispensada na nossa vida, nos dando forças para evitar todo mal e praticar o bem, instaurando o Reino de Deus em todos os lugares, precipitando o Céu na Terra.

Que Deus nos abençoe e nos dê a graça de lutar sem nunca desistir.