Resumo do vídeo

O caminho estreito: quem se humilha, Deus exalta

Partindo de um trecho da carta de Tiago (Tg 4,7-10), Gustavo propõe um itinerário espiritual em quatro movimentos que se resumem numa só lógica evangélica: é humilhando-se diante de Deus que a pessoa é finalmente exaltada por Ele. O tema começa na vida de oração, mas, como ele adverte, abrange todas as áreas da existência. A tese central é direta e contracorrente: não buscamos a exaltação, buscamos a humilhação; o resultado pertence a Deus, não a nós. E o Senhor, no tempo oportuno, ergue aqueles que se abaixam sinceramente diante dele.

A reflexão se desenvolve seguindo os próprios verbos do apóstolo Tiago — submeter-se, resistir, aproximar-se, purificar-se, humilhar-se — e vai sendo confirmada por outras passagens bíblicas e por vozes da tradição da Igreja, como São Felipe Néri, São Bernardo, Santa Catarina de Sena, Santo Agostinho, Santa Teresa d'Ávila e Santo Tomás de Aquino. O ponto de chegada é Maria, apresentada como a mulher que melhor viveu esse caminho, e o encerramento é uma longa oração de humilhação diante de Deus.

Ser submisso a Deus, não aos próprios caprichos

O primeiro passo é aprender a submissão a Deus. Gustavo observa que, mesmo querendo servir ao Senhor, muitas vezes continuamos submissos aos nossos caprichos, às nossas vontades e paixões, ao trabalho e ao mundo — às vezes escravos do próprio pecado. Mais sutil ainda é o caso de quem já serve a Deus, mas insiste em fazer a própria vontade, engavetando as inspirações que recebe. Ele associa boa parte da tristeza, do desespero e da angústia contemporâneas à recusa de deixar Deus conduzir a história pessoal. Deus tem tudo sob controle, mas respeita o livre-arbítrio: cabe a cada um escolher se o deixa ou não guiar sua vida, para que a submissão não fique só nas palavras enquanto as atitudes a desmentem.

Resistir ao demônio é, antes de tudo, fugir

O segundo verbo — "resisti ao demônio, e ele fugirá" — é lido com realismo. Gustavo critica a presunção de quem se julga anjo ou santo a ponto de querer "bater de frente" com o mal e vencê-lo pela própria força. Recorda a imagem, atribuída ao Padre Léo, do demônio como um pescador paciente que conhece a isca certa para cada um e nunca se cansa. Diante disso, cita São Felipe Néri: a melhor forma de resistir às tentações e às insídias do inimigo é fugindo. Deus nos fez humanos, "carne e osso"; o espírito está pronto, mas a carne é fraca. Se os próprios apóstolos precisaram fugir das ocasiões de pecado, ninguém deveria se considerar mais forte do que eles.

Aproximar-se de Deus e purificar mãos e coração

Ao verbo "aproximai-vos de Deus", Gustavo une uma frase que atribui a São Bernardo e que costuma repetir no blog: quando damos um passo na direção de Deus, Ele dá sete passos na nossa direção. O número sete, símbolo da perfeição e da completude, indica que, feito o mínimo de nossa parte, Deus faz tudo o que pode. Em seguida, aplica o "lavai as mãos, pecadores" e o "purificai os corações, homens de dupla atitude": nossas mãos, tantas vezes impuras, são as mesmas que recebem a Eucaristia — e ele lembra que o menor fragmento da hóstia consagrada é Jesus. O coração, por sua vez, muitas vezes está dividido como o de Salomão, entre o amor de Deus e o amor do mundo. Contra essa "dupla personalidade", só há um caminho: converter o riso em pranto e a alegria em tristeza penitente.

Humilhar-se: chorar os pecados e vencer o orgulho

Este é, segundo o próprio pregador, o ponto principal da formação. Humilhar-se é reconhecer as quedas, as omissões e as vezes em que quisemos viver à nossa maneira. Citando Santa Catarina de Sena, ele afirma que quem se afasta de Deus se enche de vazio e se torna vão. O convite é ao arrependimento concreto: chorar pelos próprios pecados, pela salvação e pela conversão, derramar lágrimas diante do Santíssimo. Com Santo Agostinho, adverte que o orgulho é pecado demoníaco por excelência — foi por orgulho que Satanás, anjo de luz, foi precipitado do céu —; com Santa Teresa d'Ávila, ensina que a humildade é a chave que abre o coração de Deus, sempre misericordioso, justo e fiel, de braços abertos para acolher.

A exaltação vem no tempo oportuno

Reforçando Tiago com Pedro (1Pd 5,5-6 — "Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes") e com 1Pd 2,19, Gustavo insiste que a exaltação não é buscada: é dom de Deus, que conhece o coração. Ele dá um testemunho pessoal — dez anos de dificuldades e perseguições desde o batismo, nove deles de sofrimento no escuro da fé, e depois a experiência da cidadania italiana, marcada por humilhações e, no tempo certo, pela exaltação que não humilhou ninguém, mas manifestou que ele servia verdadeiramente a Deus. Apoiado em Gálatas (Gl 6,7-9 — "não vos enganeis, de Deus não se zomba... não nos cansemos de fazer o bem"), encoraja quem está prestes a desistir da santidade a fugir das mentiras do demônio, que odeia a humildade.

Maria, modelo de humildade exaltada

O vídeo culmina em Nossa Senhora, a mulher que se humilhou diante de Deus e que hoje contemplamos exaltada. Gustavo lembra o espanto de Maria diante do anjo e o Magnificat, no qual ela reconhece que Deus olhou para a humildade da sua serva. Embora pura, santa e imaculada, considerava-se a última e a menor — e por isso foi elevada a Mãe de Deus e Rainha dos anjos e dos santos. Contra o desejo de sermos líderes e de estarmos à frente, ressoa a palavra de Jesus: quem quiser ser o primeiro, seja o último. O caminho de Cristo é a porta estreita, o caminho da cruz que desagrada ao mundo, mas que conduz à ressurreição — pois não há vida eterna sem passar pela morte.

Quando nós damos um passo na direção de Deus, Deus dá sete passos na nossa direção.

Para levar para a vida

  • Examine onde a submissão a Deus está só nas palavras, e coloque em prática ao menos uma inspiração que você vem "engavetando".
  • Diante da tentação, prefira fugir da ocasião a "encarar" o pecado confiando nas próprias forças.
  • Dê o primeiro passo — por menor que seja — certo de que Deus corre ao seu encontro; procure a Confissão e trate a Eucaristia com reverência.
  • Reserve um tempo de oração de arrependimento sincero, se possível diante do Santíssimo, chorando os próprios pecados sem orgulho.
  • Não desista de fazer o bem: a colheita vem "a seu tempo", e a exaltação é obra de Deus, não conquista da vaidade.
  • Peça a Maria a graça da humildade e da entrega, aprendendo com ela a dizer sim sem calcular as consequências.

Passagens citadas: Tg 4,7-10; 1Pd 5,5-6; 1Pd 2,19; Gl 6,7-9; Mc 9,35; Lc 1,46-55; Jo 3,30

Transcrição completa do vídeo

Transcrição integral do áudio do vídeo, organizada em parágrafos para facilitar a leitura.

Olá, meu irmão, minha irmã. Seja bem-vindo ao blog Vou Nessa Direção. Estamos aqui reunidos na presença de Deus, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. E hoje nós queremos iniciar com a Virgem Maria, pedindo que ela venha nos envolver, que venha nos cobrir com o seu manto sagrado, nos colocar dentro do seu Coração Imaculado e nos atrair para Deus.

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

Pedimos também a intercessão do nosso Anjo da Guarda para este momento, em que vamos partilhar a poderosa palavra de Deus, para que o nosso coração esteja em sintonia. Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarda, me governa, me ilumina. Amém.

Então, meu querido, hoje nós vamos refletir sobre um tema muito importante para a nossa vida, que começa com a vida espiritual, mas abrange todas as áreas da nossa vida. Se você tem a sua Bíblia, eu gostaria de convidar você a abri-la no livro de Tiago, no capítulo 4 e no versículo 7.

Então, vamos ver. Sede submissos a Deus; resisti ao demônio, e ele fugirá para longe de vós. Aproximai-vos de Deus, e Ele se aproximará de vós. Lavai as mãos, pecadores; purificai os corações, homens de dupla atitude. Reconhecei a vossa miséria, afligi-vos e chorai; converta-se o vosso riso em pranto e a vossa alegria em tristeza. Humilhai-vos na presença do Senhor, e Ele vos exaltará. Palavra do Senhor. Graças a Deus.

Então, meus irmãos, o apóstolo Tiago — vocês sabem que, depois que Jesus morreu e ressuscitou, ele se separou dos apóstolos e foi pregar na Espanha. Hoje nós conhecemos aquele caminho que se chama Caminho de Santiago de Compostela, que é o Campo da Estrela. Esse mesmo Tiago, que tem esse caminho na Espanha até hoje, é o Tiago que vem dar o caminho para mim e para você hoje, o caminho que nós temos que seguir, o caminho que nós temos que trilhar.

Meu irmão, minha irmã, nós precisamos aprender a ser submissos a Deus. Quantas vezes eu e você queremos servir a Deus, mas muitas vezes ainda continuamos sendo submissos aos nossos caprichos, às nossas vontades, às nossas paixões! Somos submissos ao nosso trabalho, somos submissos ao mundo, muitas vezes somos escravos do mundo, escravos do pecado; o pecado nos atormenta e nós estamos submissos a ele, estamos abaixo dele. Mas muitas vezes nós, que estamos servindo a Deus, em vez de sermos submissos a Ele, queremos fazer a nossa própria vontade. Muitas vezes Deus traz uma inspiração ao meu e ao seu coração, e o que nós fazemos? Colocamos numa gaveta, escondemos lá na nossa memória e não realizamos.

Meus irmãos, precisamos aprender a ser submissos a Deus. Tiago vem nos dar o caminho que eu e você precisamos trilhar para que possamos ser cristãos de verdade. Precisamos ser submissos a Deus na nossa vida, precisamos deixar que Ele conduza a nossa história. Quantas pessoas são tristes hoje em dia porque não deixam Deus conduzir! Quantas pessoas estão desesperadas, quantas estão em depressão, sofrendo ataque de pânico, porque não estão submissas ao Deus Todo-Poderoso! Ele é o Senhor, Ele controla o universo com as palmas das suas mãos, Ele tem a minha vida e a sua vida, Ele tem tudo sob controle. Mas, porque Ele te dá o livre-arbítrio, você pode escolher se quer que Ele conduza a sua vida ou não. Muitas vezes nós temos dito com as palavras: "Tu és o Senhor, Jesus", mas com as atitudes não temos sido submissos a Deus.

Meus irmãos, continuando, o conselho de Tiago para mim e para você é resistir ao demônio, e ele fugirá para longe de vós. Quantos pensam que são anjos, pensam que vivem uma vida super espiritual, uma vida sobrenatural! Acham que são santos e querem batalhar com o demônio. Quem você está achando que é? Pare com essa ideia besta de que você pode combater o demônio, pare com essa ideia besta de que você pode derrotar o demônio.

O demônio é como aquele pescador — muitos de nós conhecem a história que o Padre Léo contava —, é como aquele pescador que sabe a isca certa para fisgar eu e você. Mas, como aquele bom pescador, ele tem uma paciência incrível, nunca cansa, e joga a isca que vai fisgar a mim e a você. Muitas vezes nós achamos: "Não, eu posso encarar a tentação, eu posso bater de frente com o pecado, eu vou vencer, porque a graça de Deus é maior, porque Aquele que está em mim é maior do que aquele que está no mundo."

Meu irmão, larga de ser besta de achar que você é santo, larga de ser besta de achar que você é anjo. Deus te fez humano, carne e osso; o espírito está pronto, mas a carne é fraca, e é para você aprender a resistir, a fugir. Sabe, São Felipe Néri dizia que a melhor forma de resistir às tentações e às insídias do demônio é fugindo. Não tem jeito de encarar, não tem jeito de manter essa ideia besta de que a gente pode vencer, de que "porque Deus está comigo, eu vou e eu vou conseguir". Não vai. Foge, foge! Se os apóstolos eram assim, quem sou eu e quem é você para pensar que somos maiores do que eles? Fugir das insídias, das ocasiões de pecado, de tentação.

E São Tiago continua: aproximai-vos de Deus, e Ele se aproximará de vós. Aquela frase de São Bernardo é uma frase que sempre queimou o meu coração, e muitas vezes eu a escrevo aqui neste blog: quando nós damos um passo na direção de Deus, Deus dá sete passos na nossa direção. O que significa isso? Que quando fazemos o mínimo para nos aproximar de Deus, Ele faz tudo o que pode. Você sabe que o número sete é o número da perfeição, o número da completude. Então, quando fazemos o mínimo para nos aproximar de Deus, Ele faz tudo o que pode para se aproximar de nós. Está nas nossas mãos: nós temos que buscar a Deus enquanto Ele se deixa encontrar.

Olha só o que Ele diz ali: lavai as mãos, pecadores, e purificai os vossos corações, homens de dupla atitude. Meus irmãos, quantos pecados nós cometemos com as nossas mãos! Como as nossas mãos muitas vezes são impuras! E são essas mesmas mãos com que você vai à Missa. Na verdade, se você vai à Missa e é um católico mais ou menos, relaxado, morno, você ainda recebe Jesus nas mãos. Você sabe que o menor fragmento da hóstia consagrada é Jesus, e muitas vezes você o deixa se perder. Mas essas mesmas mãos que condenamos, que julgamos impuras, vamos lavá-las, lavá-las no sangue de Cristo.

Assim como também o nosso coração: purificai os vossos corações, homens de dupla atitude. O nosso coração muitas vezes está como o de Salomão, dividido entre o amor de Deus e o amor do mundo. Nós falamos no último vídeo que o amor de Deus não se compara a nada; ou o seu coração está em Deus, ou está no mundo. Dupla atitude, dupla personalidade. Nós precisamos converter o nosso riso em pranto, a nossa alegria em tristeza.

E esse é o ponto principal desta formação de hoje: humilhai-vos na presença do Senhor, e Ele vos exaltará. Nós precisamos aprender a nos humilhar na presença de Deus. Quantas vezes você caiu em pecado? Quantas vezes você deixou de fazer o que deveria fazer? Quantas vezes você abandonou a obra de Deus? Quantas vezes você quis viver a sua vida como eu quis viver a minha? Sabe, como nós somos bestas, como somos orgulhosos, como somos vaidosos, como nos tornamos hipócritas!

Mas Santa Catarina de Sena dizia que, quando o homem se afasta de Deus, ele se enche do vazio e se torna vão. Nós nos tornamos vãos. Mas, graças a Deus, eu voltei; e se você aí está afastado, eu convido você a voltar também, a voltar para a presença de Deus.

Mas como voltar? Humilhando-se na presença dele. Chora, converte o teu riso em pranto, converte a tua alegria em tristeza, rasga as tuas vestes, chora pelos teus pecados, chora pela tua salvação, chora pela tua conversão, derrama as tuas lágrimas na presença de Deus. Se você tem oportunidade, vai diante do Santíssimo, do sacrário, e chora; enche o chão daquele lugar com as tuas lágrimas. Mas não permita que o pecado reine na sua vida, não permita que o demônio tire sarro de você porque você é orgulhoso.

Não queira se parecer... Na verdade, Santo Agostinho dizia que, quando a gente é orgulhoso, a gente se assemelha ao demônio. Ele dizia que o orgulho é um pecado demoníaco por excelência, porque Satanás era anjo de luz e, por causa do seu orgulho, foi precipitado do céu. Então, quando nós somos orgulhosos, somos como Satanás.

Mas quando nós nos humilhamos... Santa Teresa d'Ávila dizia que a humildade é a chave que abre o coração de Deus. Ah, meu irmão, quando nós nos humilhamos na presença de Deus, quantas maravilhas acontecem! Porque Deus é misericordioso, porque Deus é bondoso, porque Deus é justo, porque Deus é fiel. Ele não julga; Ele perdoa, Ele acolhe, Ele está sempre com os braços abertos a nos receber. Nós temos que aprender a fazer isso com constância na nossa vida: humilhar-nos diante da presença de Deus.

Olha só: enquanto eu rezava por esta formação, Deus me deu esta palavra de Tiago e também esta palavra de Pedro. Olha só, meus irmãos: no vosso mútuo tratamento, revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes. E olha aqui o que Pedro diz, que confirma o que Tiago está dizendo: humilhai-vos debaixo da poderosa mão de Deus, para que Ele vos exalte no tempo oportuno.

Sabe, muitas pessoas também vão com dupla intenção para a presença de Deus. Muitas vezes eu e você fizemos isso. Mas nós precisamos pedir perdão, precisamos nos humilhar, precisamos chorar, precisamos nos arrepender, pedir a Deus uma verdadeira contrição de coração, com todo o nosso ser. Humilhai-vos debaixo da poderosa mão do Senhor, e Ele vos exaltará no tempo oportuno.

A gente não está buscando exaltação, meus irmãos, e sim a humilhação. O resultado depende de Deus, não depende de nós. A gente não quer ser exaltado; a gente quer se humilhar diante de Deus, porque nós não passamos de vermes, pecadores miseráveis, pó desta terra.

Sabe, eu quero dar um testemunho aqui para você, um testemunho de humilhação. Porque também está escrito um pouquinho para trás, na primeira carta de Pedro, no versículo 19: com efeito, é coisa agradável a Deus sofrer contrariedades e padecer injustamente, por motivo de consciência para com Deus.

Eu quero dar um testemunho a você sobre o tempo oportuno. Se você se humilha na presença de Deus, não buscando exaltação — porque Deus conhece o nosso coração —, Ele te exalta no tempo oportuno. Durante dez anos da minha vida, desde quando fui batizado, eu passei por muitas dificuldades, por muitas contrariedades. Eu me senti muito perseguido, porque queria viver verdadeiramente a vontade de Deus, queria fazer o que Deus queria para mim, queria me deixar humilhar, ser humilhado, e deixar que a glória de Deus se manifestasse na minha vida. Então fui muito humilhado pelas pessoas, muito perseguido, passei por muitas dificuldades sem entender, no escuro da fé, porque é isso que agrada a Deus.

E depois de nove anos — olha quanto tempo demorou na minha vida, nove anos sofrendo, chorando, lutando, clamando, caindo e levantando — chegou o tempo em que Deus falou: na hora. E Ele fez assim, e Deus me exaltou. Não para que eu pudesse aparecer, mas para mostrar que eu era servo dele, para mostrar ao mundo que Ele exalta os seus. Eu tive a graça, depois de tudo isso, de ter a revelação da minha vida, de tudo o que vivi, de tudo o que passei. Este blog conhece um pouco da minha história; se você não a conhece, busque aqui do lado, eu acho que é deste lado aqui, nos marcadores; procure "testemunho", e lá está o testemunho da minha vida, o testemunho de conversão, que conta as dificuldades que passei.

Mas, no tempo oportuno, Deus me revelou que o sofrimento que passei era todo compensado com o amor dele. O amor de Deus supera tudo, o amor de Deus compensa tudo. Ah, meu irmão, neste momento você sabe que o amor de Deus... Santo Tomás de Aquino dizia que quem encontrou o amor de Deus nesta vida encontrou tudo o que precisava. Sabe, você que está aí me escutando pode estar pensando: qual é o sentido da minha vida? Se você encontrou o amor de Deus, você encontrou tudo o que precisava para esta vida.

Sabe, eu tive a graça de encontrar o amor de Deus, de passar por muitas humilhações, mas Deus me exaltou no tempo oportuno, depois de nove anos. E eu fui para a Itália, meus irmãos, pela primeira vez, buscando a minha cidadania, e fui muito humilhado lá: não sabia falar italiano, fiquei perdido, passei, sabe, muita humilhação diante das pessoas. E depois de sete meses, quando voltei à Itália para buscar o meu documento italiano, Deus me exaltou. E não porque eu quisesse humilhar ninguém — não que eu tivesse inimigos —, mas Ele fez com que as pessoas que me humilharam vissem que eu verdadeiramente sirvo a Ele. E elas não tiveram palavras para poder falar nada, só admiraram o que Deus fez na minha vida e o que Ele é capaz de fazer na sua também.

Sabe, porque também está escrito — eu queria pegar uma palavra que está no livro dos Gálatas, aqui já é São Paulo falando: não vos enganeis, de Deus não se zomba; o que o homem semeia, isso mesmo colherá. Quem semeia na carne, da carne colherá corrupção; quem semeia no espírito, do espírito colherá a vida eterna. Não nos cansemos de fazer o bem, porque, a seu tempo, colheremos, se não relaxarmos.

Sabe, você que está quase desistindo de fazer o bem, você aí que está pensando "não compensa ser de Deus, não compensa esse negócio de santidade, não compensa esse negócio de ficar na igreja todo dia, de ir à Missa, de rezar o terço, rezar o rosário, fazer jejum, fazer penitência, a gente não melhora"... Ah, meu irmão, foge! Foge dessas ideias do demônio, foge do demônio, e ele fugirá para longe de vós. Humilha-te na presença de Deus. Humilha-te, porque o demônio odeia a humildade.

E se você se humilha, sabe de quem o demônio se lembra? Desta mulher aqui. Quando nós nos humilhamos, o demônio se lembra de Nossa Senhora, porque ele odeia a humildade e porque ele a odeia.

Sabe, meu querido, minha querida, eu vou terminar já — sabe, esta formação não vai ser muito longa —, mas eu quero terminar com Nossa Senhora, porque esta aqui é a mulher que se humilhou diante da presença de Deus, e hoje nós podemos ver quanto Deus a exaltou. Sabe, ela sonhava em ser a serva, na época dela, quando tinha os seus quatorze anos; e quando o anjo apareceu, grande foi a surpresa dela ao saber que Deus queria que ela fosse a Mãe do Senhor, a Mãe de Deus. E ela se espantou, e ela se humilhou diante do anjo.

E quando ela visitou Isabel, ela cantou, e nesse canto revela quem ela é: a minha alma glorifica o Senhor, e o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para a sua pobre serva. Em outras traduções está: porque Deus olhou para a humildade, para a humilhação da sua serva.

Sabe, meus irmãos, nós muitas vezes queremos ser líderes; eu e você queremos estar à frente, queremos fazer as coisas acontecerem. Mas nós nos esquecemos de que somos chamados a ser servos. Deus disse: aquele que quiser ser o primeiro, seja o último. Nós temos que aprender a nos humilhar como Nossa Senhora, temos que aprender a deixar Deus fazer o que Ele quiser.

Imagine se existe alguma mulher como Nossa Senhora, que foi tão submissa a Deus que, embora fosse pura, fosse santa, fosse imaculada, ainda assim se considerava a última, a mais pequenininha, a mais humilde, aquela que não merecia nada. E Deus a exaltou até o mais alto do céu, coroou-a como a Mãe do seu Filho, como a Rainha dos anjos e dos santos.

Sabe, Deus quer fazer isso com você: exaltar-te no céu, não para que sejas glorioso e nada mais, mas para Ele mostrar que é o Deus da sua vida. No tempo oportuno, Ele vai te exaltar. No tempo oportuno, se você não cansar de fazer o bem, você vai colher o fruto do bem diante da presença de Deus.

Eu mesmo, e todos esses meus irmãos que me assistem, que acompanham este blog Vou Nessa Direção, queremos seguir essa direção que Tiago, que Pedro, que Paulo, que os apóstolos e que a própria Senhora nos apontam: o caminho de Cristo. Ele disse que é a porta estreita, que não é agradável aos olhos do mundo, porque é o caminho da humilhação, é o caminho do carregamento da cruz. Mas, no final, no final vai haver ressurreição. Não se pode chegar à ressurreição sem passar pela cruz; sabe, não se pode chegar à vida eterna sem passar pela morte.

Nós queremos, Mãe, a exemplo da Senhora, nos humilhar neste momento na presença de Deus. Nós queremos nos despir das nossas máscaras, do nosso orgulho, da nossa vaidade, da nossa mesquinhez, da nossa hipocrisia, da nossa dupla atitude. Nós queremos ser lavados no sangue de Deus. Mãe, nós queremos nos arrepender dos nossos pecados, nos humilhar verdadeiramente, em todo o nosso ser, porque nós não somos nada, não merecemos nada, não merecemos a salvação de Cristo, não merecemos o amor de Jesus — mas Ele nos ama.

Nós queremos nos humilhar, queremos deixar Jesus fazer o que Ele quiser na nossa vida, tocar o nosso coração. Você aí que está na sua casa, humilhe-se agora na presença de Deus. Nós queremos, Mãe, Mãe de Deus e nossa, ser submissos a Deus. Se até hoje temos feito a nossa própria vontade, a partir de hoje queremos assumir o compromisso de fazer a vontade de Deus, mesmo que doa, mesmo que a gente não entenda. Mãe, guia-nos, Mãe, Mãe de Deus.

A Senhora, que foi a primeira das servas, a Senhora que se humilhou diante de Deus, a Senhora que esmagou a cabeça de Satanás, vem nos proteger do orgulho, dos prazeres do mundo, dos prazeres da carne. Nós queremos a graça de nos aproximar de Deus. Nós não sabemos o que fazer, não sabemos como fazer, mas a Senhora sabe; por isso, ajuda-nos, toma a nossa mão, porque nós somos como crianças mimadas, que não querem seguir o caminho da cruz, que só querem saber de glória, de aplauso, de prazer. Mas leva-nos pelo caminho estreito que conduz à salvação.

Mãe de Deus e da Igreja, Mãe de Cristo e nossa Mãe, queremos aprender com a Senhora a ser humildes, queremos aprender com a Senhora a nos humilhar, queremos aprender com a Senhora a nos entregar inteiramente a Deus, sem pensar nas consequências. Por isso, Mãe, nós começamos com a Senhora e queremos terminar com a Senhora, glorificando a Deus, porque a sua misericórdia é eterna; glorificando a Deus, porque a sua bondade é infinita, porque o seu amor não cessa.

Porque Deus é o Senhor, é o nosso Salvador, porque Jesus derramou o seu sangue para nos salvar. Por isso nós glorificamos o teu nome, Jesus. A Ti, honra e glória, pelo mistério da cruz que nos alcança. Porque, de um lugar da terra, o Senhor lavou e salvou a terra inteira. Obrigado, Senhor, porque, em um momento da história, o Senhor redimiu todos aqueles que vieram antes e que viriam depois de ti. Senhor, glória ao teu nome, Jesus. Bendito sejas pelas tuas chagas, que hoje nos libertam do pecado. Glória a ti! Nós nos humilhamos diante da tua cruz para declarar que tu és o nosso Salvador.

Com a Virgem Maria, nós queremos reconhecer a nossa miséria, a nossa pequenez, e queremos engrandecer a Deus. Com São João Batista, nós queremos pedir que o Senhor cresça em nós e que nós diminuamos. A minha alma glorifica ao Senhor, e o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para a sua pobre serva. Por isso, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas Aquele que é poderoso e cujo nome é santo. Sua misericórdia se estende de geração em geração sobre os que o temem. Manifestou o poder do seu braço, desconcertou os corações dos soberbos, derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes, saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. Acolheu Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e da sua posteridade, para sempre. Amém.

Que a Senhora Virgem Maria e a sua bênção, pela virtude da cruz do Senhor, nos abençoe, nos santifique; e que a Senhora, através desta imagem que vem de Medjugorje, Nossa Senhora Rainha da Paz, nos dê a paz. Que a bênção venha sobre mim, sobre a minha família, sobre esses meus irmãos que me assistem e sobre as suas famílias e as suas casas, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.