Resumo do vídeo
O desejo de Deus: saciar a alma na casa do Senhor
Neste vídeo, Gustavo Munhon conduz uma formação sobre o desejo de Deus — o anseio profundo do coração humano por aquele que o criou. Tomando como base o Salmo 64, um cântico de Davi, ele mostra que essa mesma sede de Deus já é obra da graça: é o Espírito Santo quem desperta em nós a vontade de buscar o Senhor, mesmo quando pensamos que a iniciativa é nossa. O fio condutor é a célebre certeza de Santo Agostinho, retomada logo no início — "o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em Deus". A partir daí, Gustavo percorre o salmo, articulando três grandes movimentos: o louvor, o perdão e a alegria de ser "saciado dos bens da casa de Deus".
Dando seguimento a uma formação anterior sobre a "sentença de libertação", ele situa este encontro como um passo adiante: depois de libertos e restaurados, somos chamados a saciar a alma naquilo que só Deus pode dar. O tom é caloroso e pastoral, alternando a exposição do salmo com apelos diretos ao ouvinte e culminando num momento de oração, às vésperas da Quaresma. Ao longo de todo o caminho, o desejo de Deus aparece como contraponto à tentativa humana de se contentar com as "migalhas do mundo".
O louvor que liberta e enche a vida
Comentando o versículo de abertura — "A vós, ó Deus, convém o louvor em Sião" —, Gustavo explica que louvar é abrir o coração e deixar fluir aquilo que há dentro dele. Quando alguém só encontra na boca palavras de reclamação, de murmuração ou de xingamento, é exatamente aí que precisa experimentar o poder do louvor, porque "a boca fala daquilo de que o coração está cheio". Ele insiste que Deus não precisa ser louvado e que o nosso louvor nada acrescenta a Deus; o louvor, porém, acrescenta em nós: "quando nós louvamos, nós somos libertos". Distingue ainda a ação de graças — louvar a Deus pelo que ele faz, pelas suas grandes obras e prodígios — do louvor propriamente dito, que é adorar a Deus por aquilo que ele é.
Conhecer o Deus que é amor e alegria
Deus é digno porque é o Criador que fez todas as coisas "maravilhosamente bem". Gustavo recorda o Gênesis, em que Deus vê que a criação é boa e, ao criar o homem, que é "muito boa", e o Salmo 138, segundo o qual fomos "tecidos" por Deus no ventre materno, como quem trabalha com esmero cada detalhe. Ele lamenta que muitos reconheçam Deus como justo e amoroso, mas não consigam enxergar que Deus é também alegria — e por isso vivem tristes e fechados, sem dar um passo na vida espiritual. Conhecemos esse Deus pela face de Cristo, pois "quem vê a Jesus vê o Pai": é através do coração traspassado na cruz, de onde saíram sangue e água porque ele já dera tudo o que tinha, que Deus nos olha e que podemos olhar para ele. E é o Espírito Santo quem nos revela os bens do céu, a face do Pai e o coração de Jesus.
O perdão que devolve a alegria
Ao chegar ao versículo em que "todo homem acorre a Deus por causa de seus pecados", Gustavo sublinha que Deus não condena nem entrega à morte: ele perdoa. Recorda o exemplo de Davi, que pecou com Betsabé e mandou o marido dela para a linha de frente do exército, a fim de que morresse; depois de jejuns e penitências inúteis para salvar o filho, ele caiu em si e escreveu o Salmo 50 — "Tende piedade de mim, ó Deus, pela imensidão da vossa misericórdia; lavai-me inteiramente do pecado". Mesmo quando estragamos a criação de Deus pelo pecado, diz ele, Deus não deixa de ser Deus, não diminui, permanece grande, poderoso e "no controle da situação". Receber o perdão é sentir sair o peso das costas e permitir que a alma, livre e sem barreiras, se una novamente àquele a quem deseja.
Saciar-se na casa de Deus: a Missa e a comunhão dos santos
O coração da formação está no versículo 5: "Possamos nós ser saciados dos bens de vossa casa, da santidade do vosso templo." Essa casa é a Igreja Católica, "imensa" e presente no mundo inteiro, onde, em qualquer lugar da terra, se celebra o mesmo sacrifício do altar e se recebe o mesmo Jesus. Partindo de uma inspiração recebida na Missa daquele dia, Gustavo identifica o altar com a cruz: é ali que o Cordeiro de Deus foi imolado para a nossa salvação. Ele evoca São João Maria Vianney — a mais simples das missas "mete terror no inferno" — e São Francisco de Assis, para quem os homens deveriam estremecer, como estremecem os anjos, quando o Filho de Deus aparece nas mãos do sacerdote. Adverte, porém, que muitos participam da Missa "de qualquer forma", sem entrar no mistério. Apresenta ainda a comunhão dos santos — a Igreja militante na terra, a padecente no purgatório e a triunfante no céu — e lamenta que tantos não recorram à intercessão de Nossa Senhora e dos santos, deixando sem uso essa imensa graça.
Migalhas do mundo ou a fartura de Deus
Na parte final, Gustavo confronta a sede legítima da alma com os falsos saciamentos: o pecado, a pornografia, as festas, a busca de fama e de reconhecimento pelo que se tem. O mundo só reconhece a pessoa quando ela faz "algo de grande", mas Deus a valoriza pelo que ela é, e não pelo que faz. Comentando o versículo 12 — "onde passastes, ficou a fartura" —, ele afirma que Deus não trata ninguém como coisa insignificante, porque conhece o valor de cada um: foi por amor a cada pessoa que ele derramou o seu sangue na cruz. Daí a síntese que atravessa todo o vídeo: Deus ama a pessoa exatamente como ela é, mas a ama demais para deixá-la como está. O encontro se encerra com uma oração ao Espírito Santo, pedindo que, como a água do salmo amolece a terra dura, ele amoleça o coração endurecido pelas decepções e reavive nele o desejo de Deus — preparação para o deserto da Quaresma, que purifica e fortalece para a batalha espiritual.
Deus te ama do jeito que você é, mas ele te ama demais para te deixar do jeito que você está.
Para levar para a vida
- Reserve um tempo de louvor mesmo quando só houver queixa no coração: louvar não acrescenta nada a Deus, mas liberta e enche quem louva.
- Faça a experiência do perdão como Davi: leve ao Senhor o peso das faltas, confiando na "imensidão da sua misericórdia", em vez de carregar sozinho a culpa.
- Participe da Missa entrando no mistério — prepare-se, cultive a vida interior e reconheça no altar a mesma cruz onde Cristo se entregou.
- Recorra à comunhão dos santos: peça a intercessão de Nossa Senhora e dos santos, em vez de deixar sem uso essa graça da Igreja.
- Examine onde você tem tentado se saciar — no mundo, nas pessoas, no reconhecimento — e deixe o Espírito Santo reavivar em você o desejo de Deus, único capaz de saciar a alma.
Passagens citadas: Sl 150,6; Sl 64,2-14; Jo 15,3; Sl 118,105; Mt 12,34; Gn 1; Ex 3,14; Jo 14,9; Jo 10,30; Sl 138,13; Sl 50,3-4; Br 3,24; Ap 6,10; Ap 21,5; Sl 112,3
Transcrição completa do vídeo⌄
Transcrição integral do áudio do vídeo, organizada em parágrafos para facilitar a leitura.
E vou nessa direção! Que alegria saber que nós podemos começar hoje, na presença dos senhores, cantando e louvando aquele que nos dá vida, aquele que nos dá todas as coisas, declarando que ele é o centro da nossa vida, que ele é a razão da nossa vida, que ele é a razão da nossa alegria, que ele é a razão da nossa existência, que ele é o nosso Deus, o nosso mestre, o nosso tudo, o nosso Senhor, aquele de quem nós dependemos para fazer tudo, para fazer todas as coisas. Aquele de quem está inscrito no Salmo 150, no versículo 5: "Tudo o que respira louve ao Senhor." Então é assim que nós iniciamos essa formação de hoje, exaltando e glorificando ao Senhor Jesus, dando graças, glórias e louvores àquele que nos salva, àquele que nos dá todos os bens, àquele que nos dá todas as coisas. Aquele que, por meio do seu amor crucificado, abre o céu para nós, perdoou os nossos pecados e nos dá a graça de sempre recomeçar. Bendito seja Jesus!
E se louvamos, louvamos com as pessoas que assistem esse vídeo, louvamos com as pessoas que acompanham esse blog, que, graças ao Senhor, já passa de 70 mil visualizações — e isso significa 70 mil pessoas buscando. Segue a direção que o Senhor dá, a direção que vem do teu coração! Por isso, louvado seja Jesus! Glórias e louvores sejam dados ao Senhor, agora e para sempre. Aleluia!
Que o Senhor seja o centro da nossa vida. Nós iniciamos essa formação em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Pedindo o auxílio da Virgem Maria, aquela que nos auxilia a seguir nessa direção, a permanecer com o Senhor e a dar passos concretos na direção de Deus, sabendo que, como dizia São Bernardo, quando nós damos um passo na direção de Deus, ele dá sete na nossa direção — o que significa que, quando nós fazemos o mínimo por Deus, ele faz tudo por nós. Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém. Rogai por nós, ó Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. São José, rogai por nós. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Então, que alegria, meus irmãos, podermos estar reunidos mais uma vez aqui para partilhar da Palavra de Deus! E que graça, que graça é poder partilhar da Palavra de Deus enquanto muitos não têm essa liberdade, enquanto muitos não têm a graça de conhecer a Palavra de Deus. Nós temos a liberdade, nós temos a graça de conhecer a Palavra de Deus, que é viva, que é eficaz, que é atual, que penetra nossas almas — como está escrito em João, no capítulo 15, quando Jesus disse: "Vós já estais puros pela palavra que eu vos anunciei." A Palavra que purifica nossa vida, a Palavra que nos torna puros, a Palavra que nos santifica, a Palavra que nos alimenta, a Palavra que nos sacia, a Palavra que nos dá direção. Você não está aqui porque acha que eu sou bom, você não está aqui porque acha que eu sei alguma coisa, mas você está aqui porque acredita no poder da Palavra de Deus, porque é ela que dá direção, porque é ela que guia nossos passos, porque é ela que nos conduz. Como diz o Salmista: "A vossa palavra é lâmpada para os meus passos e luz para o meu caminho." Então, é pela Palavra de Deus que nós queremos ser direcionados nesta noite.
Na formação anterior, nós partilhávamos sobre a graça da sentença de libertação, a graça de que Deus se levanta e, do alto do céu, profere a sentença de libertação. Inspirados pela adoração, pela presença de Jesus eucarístico, nós tivemos a graça de partilhar, de receber e de comungar dessa sentença de libertação. E hoje, dando seguimento a essa Palavra, nós queremos falar sobre o desejo de Deus: o desejo do nosso coração por Deus, a vontade que a gente tem de servir a Deus, esse impulso que o Espírito Santo faz em nós para que nós busquemos a Deus. Porque, mesmo quando a gente busca a Deus, quando a gente volta a olhar para ele, é graça dele mesmo — é o Espírito Santo que age em nós e que coloca na nossa mente ideias, coloca no nosso coração esse ardente desejo. Porque, como dizia Santo Agostinho, o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em Deus.
Então, nós temos esse movimento da graça em nós, e nós temos esse movimento humano, que vai ser sempre incompleto enquanto não se derramar inteiro em Deus. Que graça que nós pudemos já iniciar em louvor, em gratidão, exaltando, cantando, bendizendo ao Senhor, nos derramando na presença dele, correspondendo ao desejo do nosso coração, que é estar com ele, que é nos consumir na presença dele. Que bonita aquela canção de Eugênio Jorge: "Só por ti, Jesus, quero me consumir como uma vela que queima no altar e me consumir de amor só em ti, Jesus; quero me derramar como um rio que se derrama ao mar, me derramar por amor." Então, esse amor também já é a inspiração do Espírito Santo.
Mas, meus irmãos, vamos para a palavra que nós vamos partilhar hoje, e nós vamos entrar mais nesse tema do nosso desejo por Deus, a nossa vontade de buscar a Deus. Então, nós vamos partilhar hoje do Salmo 64, que é um salmo de Davi e que se inicia desta forma: "Ao mestre de canto. Salmo de Davi. Cântico. A vós, ó Deus, convém o louvor em Sião; a vós todos vêm cumprir os seus votos, vós que atendeis às preces. Todo homem acorre a vós por causa de seus pecados; oprime-nos o peso de nossas faltas, mas vós no-las perdoais. Feliz aquele que vós escolheis e chamais para habitar em vossos átrios! Possamos nós ser saciados dos bens de vossa casa, da santidade de vosso templo. Vós nos atendeis com os estupendos prodígios de vossa justiça, ó Deus, nosso Salvador, vós que sois a esperança dos confins da terra e dos mais longínquos mares. Vós que, com a vossa força, sustentais as montanhas, cingido de vosso poder; vós que aplacais os vagalhões do mar, o bramir de suas vagas e o tumultuar das nações pagãs. À vista de vossos prodígios, temem-vos os habitantes dos confins da terra; saciais de alegria os extremos do oriente e do ocidente. Visitastes a terra e a regastes, cumulando-a de fertilidade. De água encheu-se a divina fonte, e fizestes germinar o trigo. Assim, pois, fertilizastes a terra" — assim é que Deus trabalha no nosso coração — "e regastes os seus sulcos, nivelastes as suas glebas, amolecendo-as com as chuvas, abençoastes a sua sementeira. Coroastes o ano com os vossos benefícios; onde passastes, ficou a fartura. Umedecidas, as pastagens do deserto revestem-se de alegria; as colinas, os prados são cobertos de rebanhos, e os vales se enchem de trigais. Tudo é júbilo e cantos de alegria." Amém.
Nós sabemos que, nos salmos, nós não dizemos palavras do Senhor nem palavras da salvação — coisa que fica reservada ao Novo Testamento — e às palavras que estão fora do salmo. Ó meus irmãos, olha só o que Davi nos ensina: "A vós, ó Deus, convém o louvor em Sião." E aí você pode dizer na sua cidade, eu posso dizer aqui na minha cidade: "A vós, ó Deus, convém o louvor em Belfast." A Deus convém o louvor. E o que é louvor? O que é louvar a Deus? É o ato de você abrir o seu coração e deixar fluir aquilo que está dentro de você. Mas você pode me perguntar, como está escrito em Mateus — "a boca fala daquilo de que o coração está cheio" —: "Se eu só tenho palavras de reclamação, se eu só tenho palavras de murmuração, se eu só tenho palavras de xingamento, palavras de todo tipo que seja, se é só isso que eu tenho quando eu abro a boca, só isso..." É aí que nós precisamos experimentar o poder do louvor. O louvor é uma graça tão grande que ele nos liberta também — e isso só podemos testemunhar quando o experimentamos. Por isso nós precisamos experimentar o poder do louvor.
Quando nós louvamos a Deus, não é porque Deus precisa ser louvado, nem porque o nosso louvor acrescenta algo em Deus, mas ele acrescenta em nós. Quando nós louvamos, nós somos libertos; quando nós louvamos, nós somos livres; quando nós louvamos, nós nos enchemos da graça de Deus; quando nós damos glória a Deus, a glória de Deus enche a nossa vida. Então, a Deus convém o louvor. Ele é digno pelo que ele faz. Nós lhe rendemos toda ação de graças aqui, como nós lemos: "O Senhor fez grandes obras, o Senhor revelou os seus prodígios." Isso se chama ação de graças: nós louvamos a Deus pelo que ele faz. Mas o louvor é também louvar por aquilo que ele é.
Deus é digno, Deus é grande, Deus é o Criador, Deus fez todas as coisas maravilhosamente bem. Quando nós vemos lá no Gênesis 1: Deus criou o céu, Deus criou a terra, Deus criou a luz, Deus criou os animais, Deus criou o homem, e viu que isso era bom; e, quando ele criou o homem, viu que isso era muito bom. Então, Deus se rejubila quando faz as suas coisas, quando ele é aquilo que ele é. Quando Moisés encontrou lá a sarça ardente e perguntou: "O que eu vou dizer quando os israelitas perguntarem o vosso nome?", ele respondeu: "Eu sou aquele que sou." Então, Deus é ele, ele mesmo. E ele se revelou em Jesus. Então, nós podemos conhecer Deus pela face de Cristo, porque Jesus disse: "Quem vê a mim vê o Pai; eu e o Pai somos um." Então, nós conhecemos Deus por meio de Jesus — aquele coração que foi traspassado na cruz, de tanto amor, e que, quando não saía mais sangue, porque ele já tinha dado tudo o que tinha, saiu água. E Deus olha para nós através do coração rasgado de Jesus na cruz; é assim que ele olha para nós, e é assim que nós podemos olhar para ele também, através do coração de Jesus. Nós podemos ver quanto Deus nos ama. Então, nós podemos louvá-lo pelo amor dele, por tudo o que ele é.
Deus é amor, Deus é alegria. Muitas pessoas têm dificuldade em enxergar o amor de Deus, e também não têm facilidade em enxergar a alegria de Deus. Vivem uma vida de depressão, vivem uma vida fechada, vivem uma vida triste, não conseguem dar um passo em Deus, não conseguem fazer nada, porque só ficam com esse olhar: "Deus é justo, Deus é amor", mas não veem que Deus é alegria. Deus se rejubilou e se alegrou quando fez cada um de nós, com as suas próprias mãos. Está escrito no Salmo 138 que ele nos teceu no ventre da nossa mãe; ele colocou a mão lá no ventre e, como aquelas pessoas que sabem fazer crochê, que pegam a agulha e vão tecendo, isso é o que Deus fez comigo e com você. E está escrito no Gênesis que ele viu que isso era muito bom — ele se rejubilou. Então, nós podemos louvar a Deus, porque ele é o Deus da alegria, ele é o Deus da graça.
E, através do Espírito Santo, também nós conhecemos a Deus. O Espírito Santo nos revela as coisas que vêm do céu, o Espírito Santo nos revela os bens de Deus, o Espírito Santo age em nós e nos traz o conhecimento da justiça, do julgamento, do juízo; o Espírito Santo nos recorda aquilo que Jesus nos ensina, o Espírito Santo nos revela a face do Pai, o Espírito Santo nos revela o coração de Jesus. Então, isso é louvar a Deus: nós agradecemos ao Senhor por aquilo que ele é.
"Todo homem acorre a vós por causa de seus pecados; oprime-nos o peso de nossas faltas, mas vós no-las perdoais." Nós já partilhamos aqui sobre o perdão de Deus, nós já partilhamos sobre o pecado, que é uma desgraça; mas, por causa dos pecados, todos acorrem a Deus. E o que Deus faz? Não condena, não manda para a morte, não faz nada disso: ele perdoa. Deus perdoa as nossas faltas. E que graça é receber o perdão de Deus! Davi experimentou isso profundamente quando pecou com Betsabé, que era a mulher do comandante, do general dele. Ele mandou matar o rapaz — não diretamente, mas indiretamente, colocando-o à frente do exército — e depois teve um filho com ela. E aí Natã disse que o filho ia morrer. Ele fez jejum, fez penitência, vestiu-se de saco, fez tudo o que podia para que o filho fosse salvo, e não conseguiu. Mas, quando ele caiu em si, escreveu o Salmo 50: "Tende piedade de mim, ó Deus, por causa da imensidão da vossa misericórdia; perdoai a minha falta, lavai-me inteiramente do pecado, então terei um coração fortalecido e serei cheio da alegria da minha salvação." Que maravilha a experiência do perdão! Que maravilha!
E, se você aí está oprimido pelo peso dos seus pecados, eu convido você a fazer essa experiência: louve a Deus. Sabe? Louve a Deus. O Senhor fez todas as coisas maravilhosamente bem, e, se a gente, pelo nosso pecado, estraga, ou se a gente destrói, ou se a gente faz o que for, Deus não deixa de ser Deus, Deus não diminui. Deus continua sendo grande, poderoso, onipotente, no controle da situação — como dizia Santo Agostinho, e como diz aquela música maravilhosa que a Adriana Arydes lançou no seu CD novo, "Sagrado": "Deus está no controle." Mas que alegria quando nós recebemos o perdão! Nós somos livres; parece que sai o peso das nossas costas. É a nossa alma que, livre, sem barreiras entre nós e Deus, pode novamente se unir àquele a quem ela deseja. Aquilo que São João da Cruz escrevia — que coisa maravilhosa, não é, a vida dos santos da Igreja! —, um místico: "Ó minha alma, correi, correi apressadamente ao encontro daquele que pode te saciar. É o Senhor."
"Feliz aquele que vós escolheis e chamais para habitar em vossos átrios." Meus irmãos, isto aqui é muito sério. Que alegria eu e você podermos partilhar dessa graça! "Feliz aquele que vós escolheis e chamais para habitar em vossos átrios" — na sua casa, na sua Igreja, Santa, Católica, Apostólica, Romana. Que alegria nós podermos ser católicos! Que alegria nós podermos dizer que fomos escolhidos por Deus e podemos habitar nos átrios da casa do Senhor! Meus irmãos, isso que Davi experimentava lá no Antigo Testamento era a prefiguração do que nós podemos experimentar hoje na Santa Igreja Católica — e que muitos de nós não temos experimentado, que alegria.
Em Baruc, no capítulo 4, diz que a vossa casa é imensa. Não consigo, sabe, não cabe na minha cabeça a imensidão da vossa casa, a extensão dos vossos átrios! A Santa Igreja está no mundo inteiro. Você pode ir ao Brasil, a Portugal, à Espanha, ao Japão; ainda que você esteja do outro lado do mundo, numa cultura que não tem nada a ver com a sua, vai ter uma igreja católica lá, e vai estar celebrando o santo sacrifício do altar, a Santa Missa, e você vai poder receber Jesus da mesma forma que o recebe em qualquer lugar da terra. Bendito seja Deus pela sua casa! Bendito seja Deus por nos chamar a habitar nos átrios da sua casa, na sua Santa Igreja!
E olha só, meus irmãos, no versículo 5: "Possamos nós ser saciados dos bens de vossa casa, da santidade do vosso templo." Isso é o que nós desejamos, isso é o que Deus nos dá, isso é o que nós pedimos, é isso que Deus nos concede: ser saciados dos bens da vossa casa. E hoje eu estava participando da Santa Missa, e me veio essa inspiração do altar. Assistindo à celebração da Santa Missa, participando da renovação do sacrifício de Jesus, vendo o sacerdote reverenciar o altar, reverenciar o altar, reverenciar o altar, o Espírito Santo soprou no meu coração: o altar é a cruz, a cruz é o altar, onde o sacrifício do Cordeiro de Deus foi imolado para a nossa salvação. Como não reverenciar? Como não amar? Como não nos dobrar diante da cruz, como São Pedro? A tradição da Igreja nos conta que, depois que ele traiu Jesus, ele voltou à cruz, e ali, diante da cruz, ele chorou e derramou a sua alma, e recebeu — diante da cruz, no lugar onde Jesus tinha morrido, tocando ainda ali no sangue de Cristo — recebeu a força, recebeu a graça, recebeu o poder, recebeu aquilo de que ele precisava: o perdão.
Sabe? Muitas vezes a gente, depois de ser liberto — como nós proclamamos semana passada, uma sentença de libertação —, depois que nós somos restaurados, depois que nós somos chamados para ser de Deus, para ser católicos, para seguir uma vida na graça, nós não temos firmeza, nós não temos força, nós não temos capacidade, nós não temos sabedoria, nós não temos nada. Nós dependemos de Deus, nós precisamos de Deus. E que alegria quando nós descobrimos isso e vamos nos saciar dos bens da casa de Deus, dos sacramentos, da comunhão com os santos!
Meus irmãos, me desculpe se você é protestante e está assistindo, mas na Igreja Católica nós temos uma coisa que se chama comunhão espiritual. Existe a Igreja na terra, que nós chamamos de Igreja padecente — existe a Igreja no céu, que se chama Igreja triunfante, lá estão os santos, aqueles que morreram e deram a vida por Jesus, aqueles que derramaram o seu sangue. E, como está escrito no livro do Apocalipse, o sangue dos mártires clama; as orações dos santos estão lá, e nós podemos nos unir a eles e receber dos seus méritos as graças de Deus. E também tem a Igreja do purgatório, que são aqueles que morreram, mas não alcançaram a glória ainda. Então, nós temos essa comunhão maravilhosa: a Igreja padecente, a Igreja triunfante e a Igreja militante. Me perdoe, então: militante aqui na terra, padecente no purgatório e triunfante no céu. Nós temos essa graça, e muitas pessoas não a usam, não a usam, não rezam, não têm santos, sabe, aos quais peçam a intercessão e alcancem as graças.
Quantas pessoas... — e, no extremo, claro, Nossa Senhora está acima de todos os santos, ela é a Mãe de Deus — mas quantas pessoas não recorrem a ela! Quantas pessoas não recorrem aos santos! Quantas pessoas não recorrem àqueles que a Igreja considera santos, porque deram a vida e têm milagres que foram realizados através deles, ou por qualquer outro meio pelo qual eles alcançaram a santificação, e a Igreja declara que eles estão na Igreja triunfante, no céu! Quantas pessoas não alcançaram milagres, quantas pessoas não alcançaram graças — coisas impossíveis, curas, conversões! Nós precisamos nos apropriar disso, sabe, ser saciados pelos bens da casa de Deus, comer com os anjos. Eu tenho uma devoção muito grande a São Miguel Arcanjo, eu gosto muito, sabe, eu amo muito a presença de São Miguel na minha vida. Mais do que a gente os escolher, eu acredito que eles nos escolhem, sabe. Quando você escuta, por exemplo, a história de um santo e você fica atraído, não é você que o escolhe, é ele que te escolheu — e isso é ser saciado pelos bens da casa de Deus.
Quantas pessoas estão aí querendo se saciar no pecado, querendo se saciar na pornografia, querendo se saciar com o mundo, com as festas, com as baladas, e nunca param, não têm paz, e nunca vão ter, porque isso não sacia a nossa alma, não sacia o nosso coração. Que nós possamos aprender esse segredo que Davi nos ensina: possamos nós ser saciados pelos bens da vossa casa, da santidade do vosso templo — a santidade que vem do altar, meus irmãos. A nossa alma clama, a nossa alma deseja, o nosso coração sabe, pula de anseio por isso. E quantas pessoas vão participar da Missa de qualquer forma, não entram no mistério, não penetram na graça que está acontecendo ali, quando o sacerdote traz o Filho de Deus, a renovação do sacrifício, e Jesus aparece!
São João Maria Vianney falava que a mais simples das missas celebradas, na mais simples das igrejas, mete terror no inferno. São Francisco de Assis dizia que os homens deviam se comover até estremecer, porque os anjos se comovem quando, no altar, nas mãos do sacerdote, aparece o Filho de Deus — e a gente participa de qualquer forma, não se prepara, sabe, não entra, não tem interioridade, não tem vida interior, não entra no mistério, e nunca vai ser saciado, porque tenta se enganar. Sabe, essa é a grande tristeza: tenta se enganar. Isso é o pecado: é você errar o alvo. É, enquanto você sabe que o seu coração, a sua alma tem desejo, tem fome de uma coisa maior, você fica querendo se contentar com migalhas do mundo, com festas, com pessoas que estão pouco se lixando para você, com pessoas que não se importam com você, que só olham para você como olham para uma coisa, que não enxergam o seu valor.
Porque nós temos um Deus que deu a vida por nós. Ele nos conhece, ele sabe a nossa miséria, ele conhece o nosso pecado, ele conhece a nossa vida, ele conhece as nossas fraquezas, ele sabe que a gente é capaz de fazer coisas ruins, mas ele também sabe que a gente é capaz de fazer coisas boas. Ele nos ama independentemente de tudo. E, mesmo assim, nós desprezamos a graça que ele nos dá, a graça da vida; nós não agradecemos, nós reclamamos, nós só olhamos para as coisas ruins, nós não sabemos louvar a Deus, nós não fazemos nada, meus irmãos. Nós somos libertos e voltamos a viver como os animais, porque nós não saciamos a nossa alma dos bens da casa de Deus, nós não nos saciamos da santidade que vem do templo, do altar, da cruz, onde comíamos com os santos, com os anjos.
Então, eu quero convidar você, no final já dessa formação — nós vamos passar um pouquinho dos 30 minutos, mas, sabe —: deixe-se saciar por Deus, o único que pode saciar a sua alma, o único que pode preencher o seu coração, o único que pode dar sentido à sua vida, o único que pode te perdoar, te fazer livre, te fazer novo. Está escrito no livro do Apocalipse, no capítulo 21, no versículo 5: "Eis que faço novas todas as coisas." Deixa ele te renovar, deixa ele te tocar, deixa ele te saciar, sabe.
Olha só, no versículo 12, meus irmãos: a gente fica buscando miséria, migalha, o que resta do mundo, o que resta das pessoas, querendo ser famoso, querendo aparecer, querendo que as pessoas nos amem por aquilo que a gente tem — mas Deus nos ama por aquilo que a gente é. "Onde passastes, ficou a fartura" — Salmo 64, versículo 12 —, "onde passastes, ficou a fartura." Isso significa que Deus não nos trata como qualquer coisa, como algo insignificante; Deus nos trata assim porque ele viu o nosso valor, porque ele vê que foi por causa de mim e de você que ele derramou o sangue na cruz. Então, ele sabe o nosso valor. Pare de querer se saciar com aqueles que não sabem o seu valor, com o mundo, que não reconhece quem você é até que você faça alguma coisa de grande, para você valer só por aquilo. Enquanto isso, Deus nos valoriza, tenhamos ou não alguma coisa para mostrar, porque não é o que nós fazemos, é o que nós somos. Deus te ama do jeito que você é, mas ele te ama demais para te deixar do jeito que você está. E é por isso que ele nos oferece... ele nos escolheu, ele nos chama para sermos saciados dos bens da sua casa, da sua Igreja, da sua Palavra. Que maravilha! Que maravilha!
Eu quero convidar você, então, para nós encerrarmos com esse momento de oração, pedindo ao Senhor a graça de que o Espírito Santo venha nos mostrar onde nós estamos querendo saciar a nossa vida, para onde nós estamos direcionando o nosso coração, como que nós estamos querendo ser saciados. Espírito Santo de Deus, toca-nos agora, pela intercessão da Virgem Maria e do coração rasgado de Jesus na cruz. Vem sobre nós. Como nós lemos nesse salmo a água que o Senhor derramou, que molhou e amoleceu a terra dura daquele lugar, Senhor, também derrama sobre nós, Espírito Santo. Tu que és a água viva, tu que és a água pura, derrama sobre o nosso coração essa água, para amolecer toda a dureza que ficou no nosso coração quando nós tentamos nos saciar com o mundo, com as coisas do mundo, com as pessoas, e fomos feridos, ficamos machucados, ficamos decepcionados, porque as pessoas nos traíram, porque as pessoas nos desejaram o mal, porque as pessoas nos fizeram o mal, e o nosso coração ficou fechado, e nós perdemos a graça de confiar, nós perdemos a humildade, porque nós fomos tratados como lixo, e nós queríamos, Senhor, ser reconhecidos pelo mundo, queríamos ser reconhecidos por aquilo que nós temos, por aquilo que nós podemos fazer, e escondemos, Senhor, o nosso coração, que deseja a ti.
Espírito Santo, vem trazer à tona tudo isso; traz à tona aquilo que nós escondemos no mais íntimo do nosso ser, que é o nosso desejo por ti. Vem trazer à tona e vem reavivar em nós esse desejo; vem trazer à tona e vem reinflamar em nós o desejo de Deus, para que nós possamos fazer como Davi: quando nós pecamos, Deus vem e nos perdoa. Nós reconhecemos que todo o louvor, toda a glória, toda a honra tem de ser dada ao Senhor. "Do nascer ao pôr do sol, seja louvado o nome do Senhor." Louvar a Cristo pelo seu sacrifício, louvar o Espírito que habita em nós, que nos traz os sentimentos de Cristo, que coloca em nós o desejo de buscar a Deus. Te louvamos, Espírito Santo, porque nos assistes, porque falas conosco, porque, através da nossa história, o Senhor vem mostrar onde nós caímos, onde nós estamos errando, para que nós possamos acertar.
Para que, preparando-nos juntamente com a Igreja para entrar no período da Quaresma, o Senhor nos conduza ao deserto para nos purificar; o Senhor nos conduz para nos fortalecer. E não é para ficar no deserto, mas é para sair dali fortalecido, é para sair dali como um guerreiro firme para a batalha espiritual, para progredir na nossa vida espiritual, para realizar a nossa vocação, para realizar o nosso chamado com toda a alegria, ao Deus que merece todo louvor. Louvado seja o nosso Senhor Jesus Cristo, para sempre seja louvado!


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