Resumo do vídeo

A missa como sacrifício consumado: deixar-se consumir pelo amor de Cristo

Neste vídeo de formação quaresmal do blog Vou Nessa Direção, Gustavo propõe uma reflexão que foge do lugar-comum penitencial. Em vez de tratar das três armas clássicas da Quaresma — a esmola, a oração e o jejum —, ele escolhe conduzir o ouvinte ao coração daquilo que dá sentido a tudo: o mistério da santa missa. Para ele, a Quaresma não é apenas tempo de provação e dificuldade, mas sobretudo tempo de graça e de preparação para a Páscoa, a festa litúrgica mais importante da Igreja. É o "tempo oportuno" de que falava São Paulo, ocasião para voltar a Deus e reconciliar-se com Cristo.

A formação nasce de uma inspiração recebida na missa e se organiza em torno de uma frase do Evangelho de São João: "até o extremo os amou". Gustavo mostra que o mesmo amor com que Jesus amou os seus na véspera da Páscoa é o amor com que Ele se entrega e se consome no altar em cada celebração — e que a resposta esperada do cristão é deixar-se, também ele, consumir por esse amor. Daí o título: "Consumir-nos no Sacrifício Consumado".

A missa é o único e eterno sacrifício de Cristo, renovado no altar

O ponto de partida é a natureza da missa. Ela não é um gesto meramente simbólico nem uma tradição cultural: é o sacrifício de Jesus, a renovação do único e eterno sacrifício que se realiza no altar da cruz. Recordando Santo Tomás de Aquino, Gustavo afirma que, de um único lugar da terra e num único momento da história, Jesus salvou os homens de todos os lugares e de todos os tempos. E mais: que tanto vale a morte de Jesus na cruz quanto a celebração da santa missa, porque o mesmo mistério da salvação está ali presente. Compreender isso, diz ele, foi a graça que deu origem ao próprio blog, sempre ligado à quinta-feira — dia em que a Igreja recorda a instituição da Eucaristia, "o centro da vida da Igreja", como ensinava o Papa João Paulo II.

A tristeza da superficialidade e da vida só exterior

Gustavo lamenta que muitos católicos nunca cheguem ao conhecimento profundo da missa. Vivemos, diz ele, uma vida de pura exterioridade, sem interioridade. Frequentamos a missa dezenas de vezes por ano e, ainda assim, não conseguimos adentrar o mistério: há quem conte os minutos, ache a celebração demorada ou enfadonha, cumpra apenas o preceito e espere ansioso pelo fim. A falta de reverência aparece também no descuido com a vestimenta e, mais fundo ainda, na ausência da interioridade que a missa exige. Ele recorda que a primeira missa foi a Santa Ceia, na qual Jesus consagrou o pão e o vinho — a primeira transubstanciação — e ordenou os apóstolos sacerdotes, e lamenta que, pela influência de Martinho Lutero, o protestantismo tenha afastado muitos cristãos da verdade de que a hóstia consagrada já não é pão, mas o corpo de Jesus.

A batalha espiritual e a crise dos sacerdotes

Porque no altar acontecem a graça e a salvação, o demônio odeia a missa, o altar e os padres. Citando a célebre expressão do Papa Paulo VI — "a fumaça de Satanás está dentro do templo sagrado" —, Gustavo denuncia a infiltração de quem esvazia o mistério de sua sacralidade, lotando seminários de preocupações humanas em vez de mística, santidade e doutrina verdadeira. Recorda São João Damasceno, para quem o fogo que comungamos no altar nos torna terríveis ao inferno, e insiste que a vida é uma guerra espiritual: como ensina São Paulo, a luta não é contra a carne e o sangue, mas contra as forças espirituais do mal. Nesse combate, os sacerdotes são como generais postos para nos salvar — e o padre foi consagrado não para ser administrador, mas para dar a vida pela salvação das almas. Gustavo narra uma confissão com um padre santo de Belfast, na qual sentiu a graça agir de modo quase palpável, e faz um apelo pela santidade dos sacerdotes e seminaristas.

Corresponder ao amor: a "violência" espiritual

Diante de tudo isso, a atitude do fiel deve ser a correspondência. O amor de Cristo "nos impele" e "nos constrange", diz São Paulo; se um só morreu por todos, todos devem morrer por Ele. Gustavo convida a aproveitar a Quaresma para pequenos gestos a mais — uma oração, um sacrifício, uma leitura sobre a missa e a vida dos santos —, lembrando o pedido de Nossa Senhora em Fátima. E retoma a palavra de Jesus em Mateus: o Reino dos céus se arrebata pela força, e os violentos o conquistam. É preciso, portanto, "violência espiritual": para lutar contra a carne, deixar-se inspirar pelo Espírito Santo, viver o Evangelho, tomar a própria cruz com alegria e negar a si mesmo.

Deixar a Eucaristia transformar-nos nEle

O ponto culminante é contemplativo. Com os olhos espirituais, Gustavo vê na elevação do pão e do cálice os pregos e a cruz de Jesus, o Cordeiro que é aberto e cujo sangue se derrama diante de nós. Lembra São Paulo advertindo que há muitos enfermos entre os fiéis porque não distinguem o corpo do Senhor, e afirma que na menor partícula da hóstia consagrada Jesus se dá inteiro — corpo, sangue, alma e divindade. Apoiado em Santo Agostinho, explica que a Eucaristia é o único alimento que, ao comê-lo, nos transforma nEle; e recorda o Padre Pio, que desejava a uma criança maior pureza na última comunhão, o viático, do que na primeira. O convite final é a acolher tudo o que vem do altar, deixar-se purificar e transformar, progredir sempre — como queriam Santo Agostinho e Santa Teresa de Ávila — e permanecer com Jesus para aprender a amá-Lo, adorá-Lo e fazer a sua vontade, sem voltar à frieza.

É dessa mesma forma que Ele se entrega no altar, é dessa mesma forma que Ele se consome de amor por você.

Para levar para a vida

  • Reconhecer que na missa se torna presente o único sacrifício de Cristo — e participar dela com interioridade, não apenas cumprindo o preceito.
  • Fazer desta Quaresma um tempo de "coisinhas a mais": uma oração, um sacrifício, uma leitura sobre a missa e a Eucaristia na vida dos santos.
  • Rezar pelos padres e seminaristas, e oferecer sacrifícios pela sua santidade, como pediu Nossa Senhora em Fátima.
  • Comungar com devoção e pureza, distinguindo o corpo do Senhor, e deixar que a Eucaristia transforme quem a recebe.
  • Cultivar a "violência espiritual": tomar a própria cruz com alegria, abrir-se ao Espírito Santo e progredir constantemente na fé.

Passagens citadas: Jo 13,1; 2Cor 5,14-15; Mt 6,33-34; Ef 6,12; 1Jo 5,19; Jó 7,1; Jo 6,55; 1Cor 11,29-30; Mt 11,12

Transcrição completa do vídeo

Transcrição integral do áudio do vídeo, organizada em parágrafos para facilitar a leitura.

Olá, meus amigos, tudo bem? Bem-vindos ao blog Vou Nessa Direção, e hoje com mais uma direção espiritual baseada na Palavra de Deus para nos conduzir nesse período quaresmal, vivendo junto à Igreja essa graça maravilhosa que é esse período. Muitas pessoas dizem que é um período de provações, que é um período de muita dificuldade; eu vejo com outros olhos, eu acredito que a Quaresma seja um período de muita graça. É um período de preparação para o resto do ano. É claro, a Quaresma é a preparação para a Páscoa, para a festa solene, a festa mais solene do ano, a festa litúrgica mais importante da Igreja; mas eu acredito que seja um período de muita graça. Como iniciamos ontem, na Quarta-feira de Cinzas, como Paulo dizia, este é o tempo oportuno de voltarmos para Deus, de nos reconciliarmos com Cristo, de nos reconciliarmos com Deus por meio de Jesus Cristo, o nosso Senhor.

Então, eu queria partilhar com vocês, nessa formação de hoje, sobre uma inspiração que Deus me deu na missa — eu acredito que foi domingo passado — e nós vamos entrar nesse tema com a graça do Senhor. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém. Entregamos à Virgem Maria essa formação, pedimos que ela nos envolva com o seu manto sagrado, que ela nos dê a graça de acolher e de plantar no nosso coração essa formação, para que dê frutos: trinta por um, sessenta por um, cem por um, conforme for a generosidade de cada um. Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte, amém. Nossa Senhora das Graças, rogai por nós. São José, rogai por nós. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém.

Meus irmãos, eu não vou falar aqui das penitências, dos sacrifícios, das três armas que a Igreja propõe — a esmola, a oração, a penitência, o jejum. Eu não vou falar sobre isso, porque isso você já pode ouvir no vídeo do Padre Paulo Ricardo, você pode ouvir em tantos vídeos da internet. O que eu quero focar hoje é a graça do mistério da missa.

Você que acompanha esse blog há algum tempo sabe que o motivo dele existir é por causa da missa. Há mais ou menos sete, oito anos atrás, Deus me inspirou, numa quinta-feira, a começar a partilhar das coisas que Ele colocava no meu coração; Ele me inspirou a começar a escrever, e eu jamais imaginaria que chegaria a esse número que estamos hoje, caminhando para setenta e um mil acessos. Então é uma graça de Deus: em sete, oito anos, temos uma média de dez mil acessos por ano. Significa que, quando nós fazemos a vontade de Deus, a graça dele acontece — e não é pelo fato do número de pessoas, mas pelo alcance que Deus dá a esse meio de evangelização.

Então, numa quinta-feira, há mais ou menos sete, oito anos atrás, eu comecei a escrever, e foi só depois de um ou dois anos que Deus me deu a graça de entender por que na quinta-feira. Porque a quinta-feira é, como nos lembra a Igreja, o dia em que celebramos o dia em que Jesus instituiu a Eucaristia. E a Eucaristia, como dizia o Papa João Paulo II, é o centro da vida da Igreja.

E se você nos acompanha há algum tempo, você já deve ter lido, nas postagens sobre São Paulo, que quando ele perseguia os cristãos — desculpa, na verdade — Jesus apareceu para ele e falou: "Por que me persegues?". Mas Paulo não estava perseguindo Jesus, porque ele não conhecia Jesus; estava perseguindo a Igreja. Então, a Igreja que Jesus fundou, santa, católica, apostólica, romana, da qual nós somos membros, vive da Eucaristia. A Eucaristia é o que sustenta a Igreja, é o que sustenta a vida de um católico verdadeiro, é o que deve sustentar. Então, quinta-feira, a instituição da Eucaristia.

E Deus me deu a graça, pelo mistério da missa. Quando eu morava no Brasil, por mais ou menos cinco anos, eu tive a graça de participar da missa, da santa missa, todos os dias. Isso não é um mérito, não é uma coisa assim para eu falar que tenho alguma graça especial porque participei da missa; não vou contar o quanto eu sou necessitado. É pelo fato de que Deus me deu a graça de reconhecer, de conhecer o que é a santa missa: é o sacrifício de Jesus, é a renovação do único e eterno sacrifício, é um sacrifício que acontece no altar da cruz, como nós refletimos na postagem anterior, no vídeo de formação da semana passada.

Nesse sacrifício, Jesus se entrega; nesse sacrifício, Jesus se doa; nesse sacrifício, Jesus salva a humanidade. E olha só que coisa mais linda, que eu sempre rezo em toda missa, que Santo Tomás de Aquino ensinava: de um lugar da terra, em um momento da história, Jesus salvou todos os homens, de todos os lugares e de todo o tempo. De um lugar da terra, Ele salvou os homens da terra inteira, de todos os lugares do universo; em um momento específico da história, Ele salvou os homens da história inteira, da humanidade. Que bonito, né? Isso é a santa missa.

E o mesmo Santo Tomás de Aquino dizia: tanto vale a morte de Jesus na cruz quanto a celebração da santa missa. O mistério da salvação está ali presente, é a mesma coisa que acontece. E que pena que muitos católicos não chegaram ao conhecimento profundo da santa missa. Vão à missa de qualquer jeito: mulheres vão com roupas mostrando os peitos, mulheres vão enfeitadas, com roupa curta; homens vão desleixados. E, muito mais do que isso, aqueles que ainda preservam alguma coisa de valores, quando diz respeito à vestimenta, muitas vezes não têm a interioridade que é exigida na santa missa.

Vamos entrar no mistério, para reconhecermos o que está acontecendo diante de nossos olhos, e para vivermos, junto com os santos, junto com a Virgem Maria, junto com o céu inteiro, o que acontece diante do altar. Então nós vamos ao Evangelho de São João, no capítulo 13, no versículo 1 — propício para esse tempo quaresmal, é maravilhoso — que está escrito: "Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou". Vou ler mais uma vez: "Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou". Palavra da salvação. Glória a vós, Senhor.

Meus irmãos: "até o extremo os amou". É dessa mesma forma que Jesus me ama, é dessa mesma forma que Jesus te ama, é dessa mesma forma que Ele se entrega no altar, é dessa mesma forma que Ele se consome de amor por você. Então o nome dessa formação é "Consumir-nos no Sacrifício Consumado". Por que "consumir-nos"? Porque, da mesma forma que Jesus nos amou até o extremo, nós devemos corresponder a esse amor. Ele nos chama, Ele nos ama, Ele nos dá o seu amor gratuitamente, e nós precisamos corresponder a esse amor. Como dizia São Paulo: o amor de Cristo nos impele, porque, se um só morreu, todos nós devemos morrer por Ele; o amor de Cristo nos constrange. E é esse amor que Ele derrama nos nossos corações em cada santa missa.

A gente vive uma vida de exterioridade, porque a gente não tem vida interior — essa é a mais pura realidade. A gente participa da missa, a gente vive a vida inteira indo à missa, como bons católicos, ao menos aos domingos: a gente vai uma vez por semana, quatro vezes por mês, quarenta e oito vezes por ano, pelo menos. E quantos anos você vai à missa, ao menos cinquenta vezes por ano, e a gente não consegue adentrar esse mistério? Muita gente fica contando os minutos na missa, acha que a missa é demorada; muita gente fica preocupada com o que está acontecendo lá fora; muita gente acha chata a homilia do padre; muita gente acha que não tem sentido estar ali; muita gente cumpre o preceito só, não vê a hora de acabar para poder ir para casa.

Mas Jesus, sabendo do amor do Pai, querendo transmitir esse amor, Ele se deu por completo. Nós sabemos que a primeira missa foi a Santa Ceia: tomou o pão, consagrou e ofereceu aos seus discípulos — "tomai e comei, isto é o meu corpo"; e a mesma coisa fez com o cálice de vinho e falou: "tomai e bebei, este é o meu sangue". Ali foi a primeira missa, a primeira transubstanciação da terra; ali Jesus consagrou os seus discípulos para serem sacerdotes. Mas é a mesma coisa.

Que pena, né, que pela influência de Martinho Lutero, o protestantismo afastou muitos cristãos da verdade da missa, da verdade de que, quando nós comemos aquele humilde pedaço de pão, não é mais pão, é o corpo de Jesus. Que tristeza, que tristeza saber que muitos protestantes, cristãos que creem em Jesus, na sua palavra, não creem no mistério da missa, não creem no mistério da entrega de Jesus, da renovação do sacrifício. Porque os católicos não vivem, não sabem o que é a missa, não entendem. Claro, acham bonito, é uma coisa de tradição, passada de mãe para filho, e vai passando de geração em geração.

Mas, cada vez mais, por causa da sacralidade do mistério, por causa da graça que acontece no altar, por causa da salvação, o demônio — como dizia o Papa Paulo VI, a fumaça de Satanás está dentro do templo sagrado — ele tem enganado muitas pessoas, ele tem colocado os seus servidores dentro da Igreja, ocupando cargos dentro da Igreja, tirando toda a sacralidade do mistério, tirando toda a profundidade do que acontece diante dos nossos olhos, tirando toda a graça que nós podemos receber.

Se eu não me engano, meus irmãos, São João Damasceno dizia assim: que o fogo que nós comungamos no altar nos torna terríveis ao inferno. E é por isso que o inferno odeia a missa, é por isso que o inferno odeia o altar, é por isso que o inferno odeia os padres, é por isso que o inferno lotou seminários de homossexualismo, lotou seminários de urbanismo, lotou seminários de teologia da libertação, lotou seminários de tudo quanto é coisa, de preocupações humanas — menos mística, menos mistério, menos santidade, menos doutrina verdadeira, católica.

Esses dias eu estava na missa e senti no meu coração uma agonia tão grande, porque o padre falava de coisas humanas. Sabe? Eu não tenho nenhum problema de vocês se preocuparem com coisas humanas, eu não vejo nenhum problema nisso. Jesus falou: a cada dia basta o seu cuidado; mas buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo isso vos será acrescentado. O demônio tem feito com que os padres, que são consagrados para trazer o corpo de Jesus na terra, em vez de serem sacerdotes, em vez de serem servos de Deus, em vez de morrerem para o mundo e se preocuparem com as coisas do céu, com a salvação das almas, eles têm sido administradores da Igreja.

Então o demônio tem lotado os padres de reunião, de preocupação com dinheiro, de preocupação com isso, preocupação com aquilo, um olhar social sobre a Igreja; mas eles têm se esquecido do olhar espiritual. O olhar é a salvação: as pessoas estão ali para serem salvas, as pessoas estão ali para ir para o céu. O padre não tem que ficar se preocupando com coisas humanas; o padre foi consagrado, recebeu a autoridade da Igreja para dar a vida, para salvar.

Fui me confessar com um padre, de Belfast, muito santo — ele se chama Andrew Black — e, no momento da confissão, ele estendeu a mão para mim enquanto pronunciava — como você diz em português? — enquanto ele dizia as palavras: "Jesus Cristo, pela sua paixão e pela autoridade da Igreja, te perdoa dos seus pecados", e isso com as mãos sobre mim. Eu vi uma coisa preta saindo de mim, a mão dele sugava; e eu vi que a graça... O padre é para ser aquele que está ali como um general, porque a gente está no meio da guerra.

O mundo, a batalha espiritual, como São Paulo diz: não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar — em Efésios, no capítulo 6 — mas é contra os príncipes deste mundo, as forças espirituais do mal espalhadas nos ares; é contra os demônios. E a gente está em guerra, e os padres estão ali para nos salvar. A gente, com nossos pecados, a gente se detona; a gente, andando nas estradas do mundo, tem uma mina e a gente se explode, e a gente precisa estar na graça de Deus para ser curado. Dos sacramentos a gente precisa, da missa a gente precisa, se alimentar do corpo de Jesus para sobreviver. Como está escrito na Primeira Carta de São João, no capítulo 5, versículo 19: o mundo jaz sob o domínio do maligno. E a gente vive nesse mundo. No livro de Jó, no capítulo 7, no versículo 1, diz que a vida do homem sobre a face da terra é uma luta. E a gente está nessa luta.

A gente precisa, sabe, de sacerdotes que entendam o que está acontecendo, o que eles estão celebrando enquanto sacerdotes. Sacerdotes celebram a missa de qualquer jeito, celebram a missa com uma frieza... Poxa, você vai com desejo de Deus e vê aquilo e se desanima. Mas a gente não está por causa das pessoas, a gente está por causa de Deus. A gente sabe que Jesus, antes da Páscoa, sabendo que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou. Isso tem que ativar o nosso coração, isso tem que encher a nossa alma: saber que Deus todo-poderoso se fez homem e, sendo homem, Ele amou a humanidade, Ele mostrou o seu amor, Ele deu o seu sacrifício, Ele instituiu a Eucaristia na quinta-feira. É até por isso que a gente está tendo essa formação hoje, na quinta-feira, para fazer o seu coração queimar de amor pela missa novamente, para atrair você para a Eucaristia, para atrair você, para você viver a graça que Jesus quer te dar, para você abrir os seus olhos, para receber a vida eterna.

Jesus disse, em João, capítulo 6, no versículo 55: quem come a minha carne e bebe o meu sangue, eu o ressuscitarei no último dia. É isso: o essencial da nossa vida é Deus. Santo Tomás de Aquino também dizia que aquele que encontrou Deus encontrou tudo o que precisava na vida; o resto é acréscimo. Isso é para você que está aí no seminário — eu tenho um querido irmão no seminário, Lucas, e eu rezo pela sua vocação. A gente precisa de sacerdotes santos, que tenham essa consciência de que a gente está em guerra; a gente precisa de gente que quer salvar as almas, que quer fazer a vontade de Deus; que pare de se preocupar com o ano, de se preocupar com o social; que pare de deixar essas doutrinas malignas, satânicas, fazer tudo normal, tudo humano, como se não existisse mais pecado, que celebra a missa como se fosse um culto protestante. Gente, a gente celebra o sacrifício de Jesus, Ele estando com os seus até o fim, amou até o extremo — e como a gente vive a missa e como o padre celebra a missa!

Mas é claro, muitas vezes falta a oração dos leigos, eu e você, que somos leigos, de rezar pelos padres, de rezar pelos seminaristas, de ajudar, sabe, de fazer sacrifícios. Quando Nossa Senhora apareceu lá em Fátima, ela pediu para fazer sacrifícios. Vamos aproveitar essa Quaresma para a gente fazer uma coisinha a mais, fazer uma oraçãozinha a mais, fazer um sacrificiozinho a mais — o mínimo que a gente pode fazer. Quando a gente faz o mínimo para Deus, o máximo... a gente não tem noção da graça que Ele derrama quando Ele enxerga no coração o desejo de amá-Lo.

A gente fica querendo ver resultado na nossa oração, a gente fica querendo ver fruto das nossas obras, e a gente esquece que a graça de Deus é infinita, não depende de nós, depende de Deus. Mas, quando Ele quer fazer alguma coisa, Ele faz; e quando Ele vê que nós queremos corresponder à graça dele, Ele abre os nossos olhos para nós vivermos o mistério da missa, para enxergarmos que a primeira missa celebrada na face da terra foi o próprio Jesus que celebrou, e que foi consumada na cruz.

Quando o padre ergue o pão para ser consagrado, ali é Jesus na cruz, e eu vejo, com os olhos espirituais, ali os pregos entrando na mão de Jesus. Quando o sacerdote levanta o cálice, eu vejo os pés de Jesus sendo pregados na cruz. Quando o sacerdote reza, com toda a Igreja, "Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo", vejo Jesus ali sendo aberto, e o sangue dele é derramado, e a graça dele ali, diante de nossos olhos. E como nós temos vivido isso? A gente não tem consciência, e a gente tem dado ouvido a doutrinas de homens e de demônios, e a gente tem vivido a missa de qualquer jeito.

Dessa Quaresma, eu acho que o maior sacrifício, a maior penitência que a gente pode fazer é fazer um sacrifício e ler uma coisinha a mais sobre a missa, uma coisa da vida dos santos que explica sobre a missa, sobre a Eucaristia, sobre a entrega de Jesus. Sabe, tantos documentos dos papas, tanta coisa escrita pelos santos... Aqui, nesse blog, você pode achar tanta coisa que nós escrevemos também sobre a missa. E esse é o centro da nossa vida, é o centro da nossa fé, essa é a razão da nossa alegria, essa é a força que nós precisamos para caminhar. Muitas pessoas perdem a fé porque não se alimentam; precisa de Jesus.

E Paulo disse isso: essa é a razão pela qual há muitos doentes e enfraquecidos entre vós, porque eles tratam a missa, a Eucaristia, o corpo de Jesus como se fosse pão, e não distinguem o corpo do Senhor, e bebem o vinho sem examinar a própria consciência — que é o sangue de Jesus que estão bebendo. E quando nós comemos a menor partícula da hóstia consagrada, a gente come e bebe o corpo, o sangue, a alma e a divindade de Jesus; e Jesus está inteiro ali. Jesus se dá por inteiro no mínimo fragmento de uma hóstia consagrada; é Ele nos amando até o extremo. E aí, é o que falta da nossa parte.

Sabe, Jesus ensinou isso quando falava do Reino do céu, em Mateus 11, versículo 12: desde a época de João Batista até o presente, o Reino dos céus é arrebatado à força, e são os violentos que o conquistam. A gente precisa de violência — essa é a palavra, sabe? A gente precisa de violência espiritual: violência para lutar contra a carne, violência para não ceder aos desejos da nossa vontade humana, violência para não dar bola, às vezes, aos pensamentos estranhos que nós temos; mais violência para deixar o Espírito Santo nos inspirar, violência para estar em comunhão com os santos, violência para andar em comunhão com a Igreja, violência para cumprir os mandamentos, violência para viver o Evangelho, violência para nos negarmos a nós mesmos e fazer aquilo que Jesus disse: tomar a nossa cruz, e tomar a cruz com alegria, e participar do mistério que nos alimenta, do banquete do Cordeiro.

Nos alimentar desse mistério que penetra a nossa alma, um mistério que nos cura. Quantas pessoas foram curadas pela Eucaristia, por receber Jesus com devoção, com o amor que Ele merece! Sabe, meus irmãos, que essa Quaresma possa servir para mim e para você, para nós repararmos todas as vezes que não vivemos a missa da forma como ela merece ser vivida. Mais do que qualquer penitência de comida, mais do que qualquer sacrifício, mais do que qualquer coisa que nós possamos fazer, essa — eu acredito — é o melhor exercício da Quaresma: entrar no mistério da missa e viver, e deixar o mistério da missa entrar em nós.

Sabe, acolher tudo o que vem do altar, como nós partilhamos, né: nos alimentar da santidade do templo, da santidade do altar, da santidade do banquete do Cordeiro; nos encher da graça de Cristo, nos encher, nos envolver, deixar o seu sangue nos purificar, deixar a sua presença nos envolver, deixar a sua graça transformar a nossa vida, e dar um passo na fé, e crescer espiritualmente, fortalecer, e lutar contra os vícios, lutar contra os pecados, e progredir. É isso que Santo Agostinho dizia: a meta da nossa vida aqui nessa terra é progredir constantemente.

E como não falar de Santa Teresa de Ávila, né: a Eucaristia que vai nos levar a entrar no castelo das moradas e chegar lá. Que maravilha a gente ver os exemplos das pessoas que tiveram a coragem de deixar o mistério de Cristo do altar penetrar a sua alma! Nós precisamos de violência nessa Quaresma, nós precisamos nos abrir ao Espírito Santo e deixar Ele transformar o nosso coração.

Sabe, uma coisa que o Padre Pio dizia, eu acho muito, muito forte: quando ele ministrou a primeira comunhão a uma criança, ele disse assim — que você esteja mais puro quando for receber a sua última comunhão, que a Igreja chama de viático, do que agora. Que você esteja mais puro quando for receber a sua última comunhão do que agora. Porque, como dizia Santo Agostinho, diferente dos outros alimentos, que nós comemos e transformamos em nós, a Eucaristia é o único alimento que nós comemos e nos transformamos nele.

Que nós deixemos a Eucaristia nos transformar nele, em Jesus, que nos amou até o extremo; que Ele nos transforme nele cada vez que nós participamos da missa, cada vez que vivermos com seriedade esse mistério maravilhoso de Cristo, cada vez que nós abrimos o nosso coração e acolhermos Ele que vem e fica em nós. Como dizia o Padre Pio: permanece, para nos ensinar a Te amar, para nos ensinar a Te adorar, para nos ensinar a fazer a Tua vontade, para não permitir que a gente volte à frieza, e para que a gente seja santo.

Esse é o meu desejo: de uma Quaresma abençoada para você. Se você gostou dessa mensagem, compartilhe com alguém que ainda não sabe o valor da santa missa. Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo! Para sempre seja louvado.