As coisas sem sentido desse mundo deturpado

Me roubaram o desejo e a vontade - de fazer algo

O desequilíbrio me equilibra numa vida sem graça

As diversões e ilusões estão próximas demais e não se distinguem mais

Entrei de cabeça sem querer nessa jornada sem rumo

E não consigo entender o que move essas paixões desordenadas

Que tantos vivem como se fossem boas

Há um vazio profundo que desnuda as razões

Há um limite desmedido que guia os corações

Há um sentimento estúpido de orgulho oco

Há uma ânsia cega de preencher a alma

Nada disso tem princípio ou fundamento

Me canso muitas vezes das repetições ridículas

Do modo treinado de agir e de viver estipulado

Mas as pessoas individuais não percebem

Que a sociedade de massa as manipula

Não enxergam que são marionetes da moda

Das tendências de estação que mudam como os dias

Não fui feito para ser controlado por essas coisas passageiras

Não concordo com a idiossincrasia pálida dos sistemas

Dessa violência que nos bombardeia a cada dia

Ditando as regras do jogo da vida

Não quero mais ser amador ou profissional

Apenas não vou mais participar desse circo

Vou romper esse cárcere miserável da minha visão

Aderir a ótica pura que dá alicerce a decisão

De ser o que fui feito para ser

Vou continuar desconformado e ser mais disforme

Dos padrões que impulsionam à babaquice

Nesse simulacro perfeito de compulsividade