Graças a Deus temos um tema ótimo e cheio de riquezas para nossa vida espiritual nessa semana. E começamos com essa linda frase do título: ARREPENDER-SE ANTES DE PECAR! Já dá para imaginar do que partilharemos hoje, mas queremos coisas profundas, coisas verdadeiras, coisas que nos levem a experimentar verdadeiramente isso, coisas que nos levem a um encontro pessoal com Jesus Cristo. Isso é alimento sólido.

Quais são as suas dúvidas, querido leitor? Veja se as que levantamos aqui sanam os seus questionamentos: o que é arrependimento? Ao que isso nos leva? Para que precisamos nos arrepender? O que esse tema tem a ver com outros temas recentes partilhados aqui? Por que muitas pessoas não se arrependem de seus erros? Vamos ao que importa, pois estamos sedentos da presença do Senhor!

“Não porque tu não pudesses sujeitar pela guerra os ímpios aos justos, ou destruí-los duma vez pelos animais cruéis, ou com uma palavra desabrida: mas exercitando sobre eles o teu juízo por graus, tu lhes davas LUGAR DE FAZER PENITÊNCIA, ainda que não ignoravas que a sua nação é malvada, e que a malícia lhes é natural, e que o seu pensamento nunca jamais se podia mudar. Porque a sua raça era maldita desde o princípio... nem era por temor de alguém que tu lhes perdoavas assim os seus pecados.” (Sb 12,9-11)

Que verdade linda e maravilhosa! Talvez algumas pessoas vão ler e ficar com uma má impressão dessa palavra, mas temos que entrar no cerne da Palavra de Deus. E o que temos no cerne? A essência, a verdade, a força que nos move, a alegria que nos contagia, a doçura que nos anima e impulsiona, a pessoa do próprio Deus! Estamos vivendo o tempo da Misericórdia de Deus.

O Senhor Deus já se manifestou totalmente, já conhecemos as três pessoas da Santíssima Trindade: o Pai que nos criou e criou tudo o que há, no seu amor infinito; o Filho Jesus, que morreu na cruz e ressuscitou ao terceiro dia, para nos salvar; e o Espírito Santo a plenitude do amor do Pai e do Filho, que nos santifica e nos orienta nessa direção do céu que buscamos. Não há mais pessoas na Santíssima Trindade, temos a plenitude da revelação de Deus...

Pode ser que antigamente pudessem conhecer somente o Pai, depois somente o Filho e, um tempo depois, somente o Espírito Santo. Mas hoje não podemos dizer isso, já chegou a plenitude dos tempos. Esta é a certeza que nos move a afirmar esse tempo da misericórdia, é Deus nos esperando voltar para Ele, é Deus esperando que nos convertamos, é Deus querendo-nos com Ele durante toda a eternidade. Esse tempo é o tempo propício para revermos nossa vida com Deus, e começarmos a cultivar essa vida. A paciência da Santíssima Trindade nos aguardando é nosso combustível. O imã do coração de Jesus nos atraindo, o Espírito Santo soprando e nos empurrando para Ele e o Pai nos falando através das pessoas e dos acontecimentos. Quanto amor nos atrai ao arrependimento...

“Acaso desprezas tu as riquezas da sua bondade, e paciência, e longanimidade? Ignoras que a benignidade de Deus te convida à penitência?” (Rm 2,4)

Arrependimento é uma palavra que vem do grego METANOEO e o dicionário na internet traduz: ‘Pesar por alguma falta cometida, contrição, remorso, mudança de opinião’. Vamos ficar com todas as traduções menos a tradução de ‘remorso’; isso não tem NADA A VER com arrependimento. Remorso nunca vem de Deus. Remorso é culpar-se e ficar se castigando por algo errado que se fez ou algo que não se fez! Arrependimento não é isso. Arrependimento é reconhecimento do pecado. E antes de ser qualquer coisa é um dom de Deus! Arrependimento é uma atitude pessoal que parte do nosso coração para o coração de Deus.

Quando temos a certeza do perdão de Deus e somos envolvidos por sua misericórdia, somos impelidos a reparar nossos erros, e essa reparação tem no ponto de partida o arrependimento. Esses três temas estão interligados! Como uma pessoa que não se sente perdoada vai se arrepender? Ou como uma pessoa que não está nem aí para o pecado vai acreditar que precisa se arrepender? Por isso precisamos da força do Espírito Santo para nos mostrar a verdade (cf. Jo 16,8)! Aqueles que não estão com Deus se arrependem pela metade, pois não cumprem as exigências básicas do arrependimento:

— Reconhecimento do que se fez (aceitar o perdão do Senhor);
— Pesar (tristeza) pelo pecado, contrição de coração, mudança de opinião; e
— Atitudes de arrependimento (reparação).

“Porque a tristeza que é segundo Deus, produz para a salvação uma penitência estável; mas a tristeza do século produz a morte.” (2Cor 7,10)

Tratamos aqui da única tristeza que vem de Deus, que talvez nem poderia ser chamada de tristeza, porque é uma atitude consciente que nos move a mudar de direção, ou seja, converter-se. Temos somente essa vida para nos arrepender das faltas, dos pecados que cometemos por palavras, atitudes e pensamentos, pois já sabemos que não há outra vida (cf. Hb 9,27). Mas como fazemos se não nos arrependemos?

Reflitamos: se arrependimento é um dom de Deus, e no Evangelho de São Mateus está escrito no capítulo 7, versículos 7-8: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque todo o que pede, recebe; e o que busca, acha; e ao que bate, se lhe abrirá.” temos que pedir esse dom ao Senhor, não apenas com palavras, mas também com atitudes (cf. 1Cor 5,20) e deixar-nos conduzir pelo arrependimento que vem ao nosso coração, principalmente em situações em que não sentimos vergonha de estar fazendo, de atitudes que não sentimos como são ruins, de momentos passageiros que guardamos raiva e qualquer espécie de ódio ou ira, de detalhes que não percebemos o quanto nos faz mal. Peçamos então a Deus esse dom e receberemos com toda a certeza!

“Que boa coisa é que o corrigido manifeste o seu arrependimento! Porque assim evitarás tu o pecado voluntário.” (Eclo 20,4)

Como a Palavra de Deus é magnífica! Donde vem essa sabedoria senão de Deus? Como é bom que a pessoa corrigida, convertida, ajudada pelas pessoas e pelo próprio Deus manifeste o SEU arrependimento. Essa é a atitude que destacamos acima. E procedendo dessa forma, somos protegidos e guardados contra o pecado. É exatamente disso que estamos falando neste capítulo.

Nosso maior desejo é arrepender-se antes de pecar. Como fazer isso? Mantendo-nos em comunhão com Deus, buscando sua vontade, firmando-se em oração para afastar-se do pecado (não é por isso que vamos deixar de pecar, mas o pecado vai ser involuntário, ou seja, contra a nossa vontade)... Se os cristãos tomassem essa decisão no coração, como as coisas seriam diferentes! Como teríamos um mundo transformado! Como o cristianismo se expandiria, cada vez mais, sobre a face da terra, espalhando o amor de Deus e a palavra do arrependimento dos pecados, como fazia o precursor de Cristo:

“Havendo João pregado antes da manifestação da sua vinda, o batismo de penitência a todo o povo de Israel.” (At 13,24)

Independentemente de quem seja, da religião que seja, da vida que leve, Deus não fica preso a esses condicionamentos humanos para amar, derramar sua misericórdia e dar o dom do arrependimento, assim como nos ensina São Pedro e os apóstolos com seus atos:

“Eles, tendo ouvido este arrazoamento, se aquietaram; e deram glória a Deus, dizendo: Logo também aos gentios participou Deus o dom da penitência, que conduz à vida!” (At 11,18)

Mas fazer isso com o roteiro de São Paulo:

“Que corrija com modéstia aos que resistem à verdade, na esperança de que poderá Deus algum dia dar-lhes o dom da penitência, para lhes fazer conhecer a verdade.” (2Tm 2,25)

Uma coisa que deve ficar bem clara em nosso coração: temos acesso a esse maravilhoso dom por causa do nosso grande Deus e Senhor Jesus Cristo:

“A este elevou Deus com a sua destra por Príncipe, e por Salvador, para dar o arrependimento a Israel, e a remissão dos pecados.” (At 5,31)

É a graça de Deus manifestada nas nossas vidas! Temos uma necessidade interior e exterior do arrependimento, pois se a tristeza do mundo leva à morte, essa tristeza (contrição/arrependimento) de Deus nos leva à vida. Precisamos nos arrepender para viver e ser vivificados, isso nos leva à vontade do Senhor:
“O ladrão não vem senão a furtar, e a matar, e a perder. Mas eu vim para elas (nós) terem vida, e para a terem em maior abundância.” (Jo 10,10)

Muitas pessoas acham que Deus quer que vivam na miséria, tristes, uma vida mesquinha, incolor, inodora e insípida, mas a palavra de Deus nos garante totalmente o contrário: é a vontade de Deus não somente que tenhamos vida, mas que tenhamos excelência de vida, qualidade de vida, uma vida abundante de amor, felicidade e verdade.

Como explicamos acima, muitas pessoas não se arrependem porque não pedem para Deus isso. O arrependimento é uma graça do Pai, que Jesus pagou o preço para que tenhamos acesso e que o Espírito Santo nos traz. Para recebermos esse dom precisamos estar e permanecer abertos ao Espírito Santo. Somente quando fazemos isso é que temos essa percepção, logo quando começamos a sentir que estamos sendo tentados a cair no pecado para nos afastar de Deus, mas o segredo é confiar na providência do Deus todo-poderoso...

Esse arrependimento em nós produz um sentimento que nos leva a pensar assim: “Eu confio na misericórdia de Deus, Ele sempre me perdoa e me ama; um dia eu me arrependo e volto para Deus. Mas e se eu morrer antes de me arrepender? E se acontecer alguma coisa e eu não conseguir me arrepender com a graça de Deus? Esse é um detalhe importante para vivermos o arrependimento antes de pecar:

“Em todas as tuas obras lembra-te dos teus novíssimos, e nunca jamais pecarás.” (Eclo 7,40)

Afinal meus irmãos e irmãs, é claro que conta e Deus entende quando nos arrependemos depois de pecar. Mas quão maravilhoso seria se nos arrependermos antes... Isso nos levaria a evitar os pecados, tais como: ter relações sexuais antes do casamento e ter filhos; roubar e ser preso; fumar drogas e morrer; entrar no mundo da prostituição e não conseguir mais viver a pureza; viver uma vida totalmente longe de Deus; etc.

Mesmo que você tenha pecado, se apresenta seu coração arrependido ao Senhor, você será motivo de festa no céu:

“Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu, sobre um pecador que fizer penitência, que sobre noventa e nove justos, que não hão mister de penitência.” (Lc 15,7) Independentemente de onde você já tenha chegado, independentemente dos motivos e das consequências desses atos, independentemente das marcas que você carrega hoje em decorrência dos acontecimentos negativos, independentemente do que você já viveu e ainda vai viver; se você chegar à santa e maravilhosa experiência do arrependimento, tudo será diferente, tudo será novo, tudo na sua vida será transformado.

Que Deus nos abençoe derramando sobre nós esse dom e, dessa forma, vacinando-nos contra o pecado para que vivamos cada vez mais na direção que o Senhor nos levar.