Resumo do vídeo
Amigos de Deus, não amigos do mundo: deixar a graça agir
Nesta que é a primeira formação em vídeo do blog "Vou Nessa Direção", Gustavo Munhon reflete sobre os efeitos da graça de Deus na vida do cristão e sobre a escolha radical que ela exige: ser amigo de Deus ou amigo do mundo. Partindo da Carta a Tito — "manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens" —, ele mostra que essa graça não é um enfeite religioso, mas a força que resgata o homem de si mesmo, ensinando-o a renunciar à impiedade e às paixões mundanas para viver "com toda sobriedade, justiça e piedade". A pergunta que percorre toda a meditação é simples e exigente: o que a graça de Deus realmente opera no nosso coração, na nossa história e no nosso modo de viver?
A partir daí, Gustavo denuncia o antropocentrismo que colocou o homem no lugar de Deus, contrapõe a lógica do mundo — que mede a pessoa pelo que ela pode oferecer — ao olhar de Deus, que "vê o coração", e chega ao ponto central da formação: a advertência de São Tiago de que a amizade com o mundo é inimizade contra Deus. O tom é ao mesmo tempo combativo contra a mundanização da fé e cheio de apelo à conversão, terminando com uma longa oração e com o hino de São Paulo aos Filipenses.
A graça de Deus, fonte de salvação
Gustavo abre pela Carta a Tito, na qual São Paulo, escrevendo ao seu filho na fé, anuncia que a graça de Deus se manifestou como "fonte de salvação para todos os homens", veio ensinar-nos a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver na expectativa da "aparição gloriosa de nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo". Ele explica que, do seu desígnio de bondade infinita, Deus olha do alto dos céus para a humanidade e deseja que ela se volte para Ele, porque esse é o único caminho da verdadeira felicidade e o único sentido da vida — como confessava Santo Agostinho: "Fizeste-nos para Ti, Senhor, e o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em Ti". A graça, portanto, vem resgatar o homem da condição em que o pecado original o deixou e restaurar a sua dignidade, pois por nossas próprias forças, diz ele com franqueza, "a única coisa que conseguimos fazer é pecar".
O homem no centro: antropocentrismo e hedonismo
Contra esse desígnio de Deus, Gustavo descreve o homem que "se olhou para dentro de si mesmo" e se colocou no centro do universo. Nesse antropocentrismo, o ser humano se faz senhor da própria história, busca em si mesmo a felicidade e se fecha, tornando-se cada vez mais egoísta. Ele observa o paradoxo de uma sociedade que diz promover a pessoa humana mas, na prática, diminui a sua dignidade e a reduz àquilo que ela pode oferecer: "você não vale pelo que você é, você vale por aquilo que você pode oferecer". Esse é o hedonismo das aparências, no qual só importa o corpo, o dinheiro, a exibição. A ele se opõe o modo de Deus, que, como recorda a Escritura, não julga pela aparência, mas "vê o coração" — e é justamente esse coração carente, angustiado e fechado que Deus quer resgatar e elevar pela graça.
Amigo do mundo, inimigo de Deus
O coração da formação está na Carta de São Tiago. Gustavo lê a passagem sobre a origem das lutas e contendas — que nascem das paixões que combatem dentro de nós — e a advertência: "pedis e não recebeis porque pedis mal, com o fim de satisfazer as vossas paixões". Daí extrai a sentença que dá título ao vídeo: "todo aquele que quer ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus". Apoiando-se em São Tomás de Aquino, lembra que quanto mais o homem se aproxima de Deus, mais se afasta do mundo, e vice-versa — de modo que se impõe uma escolha. Ele esclarece que "amigo do mundo" não significa amigo das pessoas, mas conivência com as máximas, as modas e o modo de ser do mundo; quem aceitou Jesus optou pelo caminho estreito, o caminho da cruz, que não pode pactuar com essa lógica.
Contra a teologia da prosperidade e a evangelização mundana
Gustavo dedica boa parte da meditação a desmascarar duas distorções. A primeira é a teologia da prosperidade, que ele chama de "teologia maligna": muitos, mesmo acreditando em Deus, usam-no para obter prazer e bens materiais, e condicionam a fé a receber casa, trabalho e luxo — "se Deus não me dá, eu não acredito". A segunda é a tentativa de evangelizar imitando o mundo: adotar a sua linguagem, as suas modas e o seu jeito para "atrair" jovens, fazer da liturgia uma bagunça e tratar a igreja como "casa da Mãe Joana". Para ele, ambas erram o alvo, porque o que faz uma pessoa se encontrar com Deus não é a adaptação ao mundo, mas a manifestação da graça, que a ajuda a renunciar às más paixões e a aprender a rezar — algo impossível "enquanto Deus não ocupa o centro do coração".
Converter-se: deixar a graça transformar tudo
A parte final é um chamado à conversão sem meios-termos. Gustavo denuncia a fé "mais ou menos adaptada", adocicada e misturada com o caminho do mundo, e recorda que "de Deus não se zomba: o que o homem plantar, isso colherá". Muitos se contentam com pouco, caem e se levantam sem nunca se aprofundar — mas, evocando São João Paulo II, ele afirma que santo não é quem nunca erra, e sim o pecador que se levanta toda vez que cai. Segue então uma longa oração pedindo que a graça toque todo o ser — consciente, subconsciente, corpo, alma e espírito — e liberte das correntes do pecado, do emocionalismo e do espírito do mundo, para viver "conforme o Espírito", já que "o homem natural não entende as coisas do Espírito de Deus". Encerra com o hino de São Paulo aos Filipenses, no qual tudo é tido como perda diante do "sublime conhecimento de Jesus Cristo", esquecendo o que fica para trás e correndo para o alvo, rumo ao prêmio celeste.
Santo não é quem não erra; santo é o pecador que se levanta toda vez que cai.
Para levar para a vida
- Abra-se de novo à graça: peça que a graça de Deus aja em você para renunciar às paixões mundanas e viver "com sobriedade, justiça e piedade", em vez de contar apenas com as próprias forças.
- Faça a escolha honesta entre Deus e o mundo: examine onde a sua fé anda "mais ou menos adaptada" às modas e máximas do mundo e decida romper com aquilo que não pode conviver com o caminho da cruz.
- Rejeite a lógica da prosperidade: não condicione a sua fé a bens, sucesso ou prazeres, mas coloque Deus no centro do coração — só então a oração se torna verdadeira.
- Converta-se de fato: em vez de cair e levantar sem crescer, deixe a graça transformar toda a sua vida e, quando cair, levante-se sempre, como o pecador que não desiste.
Passagens citadas: Tt 2,11-14; 1Sm 16,7; Tg 4,1-4; Rm 10,9-10; Ap 3,20; Gl 6,7; 1Cor 2,14-15; Fp 3,7-14
Transcrição completa do vídeo⌄
Transcrição integral do áudio do vídeo, organizada em parágrafos para facilitar a leitura.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Nesse momento de oração, eu entrego a minha vida nas mãos do Senhor Jesus, coloco a minha família, tudo que eu sou, tudo que eu tenho, assim como coloco também você, que está assistindo a esse vídeo, a sua vida, a sua família, tudo o que você é, tudo o que faz parte da sua vida aqui, aos pés da cruz de Jesus. E pedimos que o Senhor derrame o seu sangue preciosíssimo sobre nós, para nos purificar, para nos perdoar, para nos santificar, para nos libertar, para nos dar uma nova vida.
E consagramos todo este momento que nós vamos ter hoje, nessa primeira formação por vídeo deste blog Vou Nessa Direção, aos pés da Virgem Maria, no seu coração imaculado, para que Nossa Senhora interceda por nós, interceda pela nossa caminhada e nos leve à vontade de Deus. Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Então, seja bem-vindo você, que está nos visitando pela primeira vez; você que já nos acompanha há algum tempo. E, por inspiração de Deus, vamos estar aqui também com as formações, as direções, através dos vídeos. Que a paz do nosso Senhor Jesus Cristo possa estar nos nossos corações, que a graça de Deus venha reinar sobre as nossas vidas, que a comunhão do Espírito Santo encha o nosso ser da sua presença. Amém.
Então, meus irmãos e minhas irmãs, hoje eu quero falar com vocês sobre os efeitos da graça de Deus. O que a graça de Deus faz nas nossas vidas? O que Deus e a sua graça operam no nosso coração, na nossa história, no nosso jeito de ser, no nosso jeito de viver, em tudo em nós?
Então, nós vamos começar aqui com a carta de São Paulo, com a sua Epístola a Tito, no capítulo 2, no versículo 11: "Manifestou-se, com efeito, a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens. Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas, e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade, na expectativa da nossa esperança feliz, a aparição gloriosa de nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo, que se entregou por nós a fim de nos resgatar de toda a iniquidade, nos purificar e nos constituir seu povo de predileção, zeloso na prática do bem." Palavra do Senhor. Graças a Deus.
Então, meus irmãos, Paulo, falando para o seu filho na fé, Tito, reflete sobre a graça de Deus, que é a fonte de salvação para todos os homens. O que é a graça de Deus? Como a graça de Deus se manifesta? Do seu desígnio de bondade infinita, Deus olha do alto dos céus para a humanidade e Ele quer que a humanidade se volte para Ele, porque esse é o único jeito, o único meio, o único modo de a gente ser feliz de verdade. Esse é o único sentido da vida. Santo Agostinho, no seu livro Confissões, dizia: "Fizeste-nos para Ti, Senhor, e o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em Ti."
Então, Deus, vendo o homem que se fechou para Ele, vendo o homem que se olhou para dentro de si mesmo e se colocou no centro do universo, a partir do antropocentrismo — onde Deus não ocupava mais o centro do universo, não ocupava mais o centro da vida, não ocupava mais o centro da sociedade —, cada vez mais antropocentrismo, antropocentrismo, antropocentrismo. O homem está no centro do universo, o homem é senhor de si mesmo, o homem é senhor da história, o homem é senhor da sua vida, o homem é que dá felicidade para o homem, o homem busca a felicidade, o homem busca a satisfação, o homem busca o seu prazer, o homem busca a sua alegria, o homem busca o seu jeito de viver, centrado nele mesmo.
E Deus olha do alto dos céus e vê essa humanidade carente, mesquinha, hipócrita, impiedosa, que não se preocupa com ninguém mais. Cada vez mais o homem se deixa levar pelos seus instintos humanos naturais, cada vez mais se fecha em si mesmo, cada vez mais é egoísta. Você pode ver isso na sociedade: uma sociedade que cada vez mais quer promover a pessoa humana, mas ao mesmo tempo não promove o ser humano; cada vez mais diminui a dignidade da pessoa humana e eleva aquilo que ela pode oferecer. Ou seja, você não vale pelo aquilo que você é, você vale por aquilo que você pode oferecer. Então, as mulheres, se elas têm um corpo bonito, elas têm que mostrar o corpo, porque é a única coisa que elas têm. Os homens, se eles têm lá o seu corpo bonito, têm o seu dinheiro, eles têm que mostrar, porque a sociedade vive de aparências. Esse é o hedonismo — enquanto que Deus, como diz no segundo livro de Samuel, capítulo 16, versículo 7, vê o coração.
E por que Ele vê o coração? Ele olha para o coração dessa humanidade carente, angustiada, triste, mesquinha, fechada, egoísta, e Ele quer resgatar o homem. Ele quer tirar o homem dessa condição em que o pecado original o deixou e quer elevá-lo pela graça, quer salvar o homem, salvar o homem do pecado. Muitas pessoas hoje em dia não acreditam mais que existe o pecado. Quanto mais o ser humano evolui, quanto mais o homem ocupa o centro do universo, quanto mais evolucionismo, menos espiritualidade, menos Deus. É uma visão tão pejorativa e tão negativa de Deus, como se Deus fosse o causador do caos e o homem viesse para restaurar — quando, na realidade, é a graça de Deus que vem agindo em mim e na sua vida para restaurar a nossa dignidade. Nós, levados por nossos próprios instintos, com as nossas próprias forças, com as nossas próprias capacidades, não conseguimos fazer nada. A única coisa que nós conseguimos fazer é pecar.
Então, meu irmão, eu convido você, que está me assistindo, a se abrir à graça de Deus, a deixar que a graça de Deus se manifeste na sua vida, para te salvar de você mesmo, para te salvar do pecado. Essa graça de salvação de Deus vem nos ensinar a renunciar a toda impiedade, a toda imundície, a toda paixão mundana, e a viver neste mundo com sobriedade, justiça e piedade. Nós precisamos permitir que a graça de Deus aja nas nossas vidas.
Quantas pessoas hoje, até mesmo dentro da Igreja, têm como única preocupação os problemas sociais! O único empenho da pessoa, o único empenho dessa elite que comanda, que quer dar ordens, é o aspecto social. Nunca olham para o lado espiritual. Querem resolver os problemas da pobreza, querem resolver os problemas da fome, querem resolver o problema da guerra, mas não querem resolver o problema das almas que estão se perdendo e indo para o inferno — porque a graça de Deus quis depender de nós. Deus, uma vez que Ele manifesta a sua graça na minha vida, me chama a ser um instrumento dessa graça na vida dos outros também. Então, eu e você, muitas vezes, somos os problemas. Está escrito na carta de São Tiago, no capítulo 4, que o julgamento começará pela casa de Deus. Então, eu e você somos os primeiros. A graça de Deus se manifestou nas nossas vidas e nós somos responsáveis para que essa graça se manifeste na vida dos outros também.
Mas esse não é o tema central dessa formação que eu quero partilhar com vocês. E tem uma coisa muito interessante aqui que eu quero ler também com vocês, nessa carta de Tiago, aqui no capítulo 4, em que ele explica as más paixões — isso que nós estamos refletindo, que a graça de Deus vem nos ensinar a renunciar à iniquidade, às paixões mundanas, às más paixões. Então, ele começa dizendo, no capítulo 4, no versículo em que fala: "De onde vêm as lutas, as contendas entre vós? Não vêm elas das vossas paixões, que combatem nos vossos membros? Cobiçais e não tendes, sois invejosos e ciumentos, e não conseguis o que desejais; litigais e fazeis guerras. Não obtendes porque não pedis. Pedis e não recebeis porque pedis mal, com o fim de satisfazer as vossas paixões."
Aqui é a realidade. Ainda quando as pessoas acreditam em Deus, muitas vezes não colocam Deus no centro, porque elas usam Deus para obter o prazer, usam Deus para obter algum bem material. E muitos, que acreditam nessa teologia maligna da prosperidade, acreditam que podem usar Deus para obter bens materiais. Então, "se Deus não me dá uma casa, se Deus não me dá um trabalho em que eu possa ganhar 30 mil por mês, se Deus não me dá condição de luxo de vida, eu não acredito em Deus". Mas que hipocrisia do inferno! Essa palavra de Tiago aqui é para você, meu irmão, você que gosta tanto de promover a teologia da prosperidade; isso daqui é para combater você. A palavra do apóstolo, primo de Jesus: "Pedis e não recebeis porque pedis mal, com o fim de satisfazer as vossas paixões. Adúlteros! Não sabeis que o amor do mundo é abominado por Deus? Todo aquele que quer ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus." Palavra do Senhor. Graças a Deus.
Então, meus irmãos, esse é o ponto central que eu queria tratar com vocês aqui. Todo aquele que se constitui amigo de Deus se constitui inimigo do mundo; todo aquele que se constitui amigo do mundo se constitui inimigo de Deus. São Tomás de Aquino dizia que, quanto mais o homem se aproxima de Deus, mais ele se afasta do mundo; e quanto mais ele se aproxima do mundo, mais ele se afasta de Deus. Então, é uma escolha que nós temos que fazer.
Você, que já experimentou a graça de Deus na sua vida, essa graça que já te ensinou a renunciar ao pecado; você que já aceitou Jesus, como está escrito na carta de São Paulo aos Romanos: "Se creres no teu coração e professares com a tua boca que Jesus é o Senhor, e que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo"; você que já professou a fé em Jesus, você que já teve uma experiência com Deus, você que já teve a graça de Deus manifestada na sua vida, você que já foi lavado pelo sangue de Jesus, você que já teve uma caminhada, que está na sua caminhada, ou você que ainda nem começou a sua caminhada, você que ainda nem ouviu falar de Jesus: saiba que há um Deus que olha do alto do céu o seu coração. Ele vê a sua sede, a sua insatisfação com o mundo, e Ele vê até a sua boa vontade.
Às vezes você, que está aí querendo resolver os problemas sociais, querendo acabar com essas coisas, olhe para dentro de você, olhe o mais íntimo do seu ser, deixe Deus te tocar agora, deixe a graça de Deus se manifestar na sua vida mais uma vez, deixe a graça de Deus renovar o seu coração, deixe a graça de Deus encher você de uma forma que você nunca experimentou antes, e se volte para Deus. Não seja o centro do universo, não seja o centro da sua própria vida, não seja o senhor da sua história; deixe que Jesus o seja. Assim como hoje, na Igreja Católica, no domingo, nós proclamamos Jesus Rei do Universo, deixe que Ele seja o rei, que Ele governe com cetro de ferro, com glória; deixe Ele entrar no seu coração. Ele que está aí, como está escrito no livro do Apocalipse, no capítulo 3, no versículo 20: "Eis que estou à porta e bato; se alguém abrir a sua porta, entrarei e cearei com ele; mas, se não abrir, não entrarei." Deixe Ele entrar e ser o rei da sua vida nesse momento. Abra o seu coração para Jesus.
Você que até hoje tem se feito amigo do mundo; você que tem aí tentado evangelizar de uma forma nova, para falar com a juventude, tem sido amigo das modas do mundo, das máximas do mundo, do jeito de ser do mundo; você que até hoje tem aceitado aquilo que o mundo diz que tem que ser o seu jeito de ser, que essas coisas da Bíblia não devem ser levadas tão a sério, que as coisas da Igreja são coisas do passado; você que aí acha que está fazendo bem, sendo desse jeito agradável ao mundo, para atrair jovens para Deus — porque quantas pessoas têm isso, né? "Então, vamos cantar aqui um rap católico, vamos fazer um funk católico, vamos fazer uma balada cristã para atrair a juventude, para falar do jeito que eles entendem." Não! Está tudo errado, tudo errado, errado, gente. Pelo amor de Deus! Não é do jeito do mundo, usando a linguagem do mundo, se vestindo como as pessoas do mundo, para agradar ao mundo, que a gente vai trazer pessoas para Deus; é fazendo do jeito que Deus quer.
E isso vale muito para vocês aí que são modernistas, vocês que gostam de fazer bagunça na liturgia da missa, vocês que gostam de fazer uma zona na igreja, pensando que a igreja é a casa da Mãe Joana. Vocês estão muito errados! O que vai fazer um jovem se encontrar com Deus, uma pessoa que não conhece a Deus se encontrar com Deus, é a graça de Deus, é a manifestação da graça de Deus, que vai ajudar a pessoa a renunciar à iniquidade, a renunciar às más paixões, a aprender a rezar — porque a gente não sabe rezar quando a gente é o centro da nossa própria vida. Enquanto Deus não ocupa o centro do seu coração, enquanto Jesus não é o senhor da sua história, do seu passado, do seu presente, do seu futuro, enquanto você não dá liberdade para Ele agir, para fazer o que Ele quiser, você não vai saber o que é rezar de verdade.
Então, nós temos que parar de ser amigos do mundo. Essa é a mensagem que eu quero deixar para você hoje: nós temos que parar de ser amigos do mundo. Não é parar de ser amigo das pessoas; é amigo do mundo. Quando nós aceitamos Jesus na nossa vida, nós fizemos uma opção de seguir o caminho estreito, nós aceitamos seguir o Senhor até o último dia, o último respirar aqui nesta terra. E esse caminho de cruz não pode pactuar com as máximas do mundo. A gente tem que renunciar a essa ideia protestante do inferno, essa do bem-estar. Seguir Jesus não é bem-estar, seguir Jesus não é caminho de rosas; seguir Jesus é caminho de cruz. É o mesmo caminho que Ele seguiu: cair, agarrar essa cruz e sofrer; cair, levantar; cair, levantar; cair, levantar. E aqui vem aquela frase de São João Paulo II, que tantos de vocês aí gostam: santo não é quem não erra; santo é o pecador que se levanta toda vez que cai.
Então, meus irmãos, a gente tem que parar com essa ideia maluca de querer se adaptar ao mundo; a gente tem que se converter. A conversão é mudar a via que a gente estava seguindo. Então, até hoje, eu e vocês estávamos seguindo a via de Cristo mais ou menos adaptada, adocicada, misturada com o caminho do mundo, porque a gente pensa: "Não, você é assim, ou não tem como seguir Jesus hoje em dia; ou é assim, ou eu vou desistir, vou abandonar tudo." A gente tem que se converter, a gente tem que criar vergonha na cara, parar de querer jogar, de brincar com Deus. Está escrito no livro de Gálatas, no capítulo 6, no versículo 7: de Deus não se zomba; o que o homem plantar, isso mesmo ele colherá.
Então, a gente só está colhendo aquilo que a gente está plantando. A gente está plantando uma vida espiritual fraca, a gente está plantando uma vida espiritual mesquinha, a gente não se aprofunda realmente nas coisas de Deus, a gente não se permite. Muitas pessoas aí se contentam com pouco; elas têm uma experiência com Jesus, elas abandonam o pecado, mas depois voltam, caem, levantam, caem, levantam, vão levando a vida na "ave-maria". Que que é isso, gente? Está na hora de a gente ser avivado pelo poder de Deus, está na hora de a gente deixar Deus transformar a nossa vida por completo, está na hora de a gente permitir que a graça de Deus transforme, toque o nosso consciente, o nosso subconsciente, o nosso inconsciente, o nosso corpo, a nossa alma, o nosso espírito, as nossas emoções, as nossas sensações, os nossos sentimentos — tudo o que nós somos, tudo o que nós temos, o nosso passado, aquilo que ainda nos prende ao passado.
Que a graça de Deus venha tocar todo o nosso ser, nos libertar do pecado, venha cortar as correntes, as cordas, qualquer armadilha do demônio na nossa vida que nos faz permanecer escravos do pecado. Que a graça de Deus venha, neste tempo propício, nos libertar. Eu peço agora, pelo poder da cruz, que o sangue de Jesus, que nós clamamos aqui no começo dessa formação, venha nos lavar, venha tocar todo o nosso ser, todo o nosso entender, todo o nosso sentir, que a graça de Deus venha transbordar em nós agora. Nós clamamos pelo poder da tua palavra, para que não sejamos mais amigos do mundo, para que não andemos conforme a moda, mas andemos conforme o teu Espírito, porque está escrito na tua palavra, na Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 2, Senhor, que o homem natural não entende as coisas do Espírito de Deus, mas o homem espiritual pondera tudo pelo Espírito.
É assim que nós queremos ser, Senhor, é assim que nós desejamos, é assim que nós clamamos, é assim que nós pedimos, pela intercessão da Virgem Maria, aquela mulher espiritual que derrotou Satanás, que pisou na cabeça da serpente. Nós queremos ser sempre servos de Maria, Senhor, escravos. Alerta-nos de todo espírito de líder, Senhor, de achar que nós somos alguma coisa, que nós valemos mais. Fazemos uma coisinha e já achamos que somos os merecedores da tua graça — e nós não somos, vamos ser sempre indignos. Mas a tua graça nos transforma e vem nos transformar nesse momento, vem nos ajudar a nos libertar de todo espírito do mundo, vem nos ajudar a nos libertar de toda escravidão do mundo, de toda paixão, vem nos ajudar a viver com sobriedade.
Quantos de nós, Senhor, para viver contigo, precisamos de momentos de euforia, momentos de experiências místicas contigo! Vem nos libertar desse emocionalismo protestante que domina as nossas vidas muitas vezes. Vem nos dar uma fé edificada na rocha, que é Cristo, vem nos dar fé viva, Senhor. Toca todo o nosso ser agora, toca esses meus irmãos, essas minhas irmãs que estão me assistindo, aqueles que querem seguir nessa direção, aqueles que estão clamando, Senhor, como ovelhas sem pastor, que estão querendo ouvir a tua voz mas não conseguem, Senhor. Vem nos guiar no teu caminho, na tua justiça, na tua verdade, nas tuas veredas. Queremos, Senhor, a experiência que Paulo teve.
Agora, nós aqui, tão orgulhosos, Senhor, nós aqui que achamos que te conhecemos, mais precisamos de uma experiência nova. Nós, que aqui pregamos sobre o teu nome, Jesus, mas muitas vezes vamos ser como aqueles que chegam e batem à porta depois que ela se fechou, aqueles cuja lâmpada se apagou porque não sustentaram o fogo, porque não tiveram reserva do óleo da tua unção — "Senhor, eu preguei no teu nome, Jesus", e o Senhor vai falar: "Não te conheço." Vem nos dar uma experiência nova agora, Jesus, pelo poder da tua cruz, pela intercessão da Virgem Maria, pelo poder da tua palavra, pela autoridade da tua Igreja, pela comunhão dos santos, com os santos anjos, porque lutamos contra a carne, contra o mundo e contra o demônio, pela intercessão de São Paulo, Senhor.
Terminando essa formação de hoje, eu quero pedir que a tua graça possa abrir os nossos olhos para a realidade de quanto o Senhor nos ama, de quanto o Senhor nos amou, entregando o seu Filho para morrer por nós na cruz. Tudo o que o Senhor fez por nós, de toda a experiência que tivemos na tua presença, de tudo o que passou da nossa vida, Senhor, vem renovar agora e tocar o mais íntimo de nós, vem tocar o mais íntimo do nosso ser, vem tocar o mais íntimo do nosso coração, e faz com que essa palavra seja a realidade na nossa vida:
"Na verdade, julgo como perda todas as coisas" — todas as coisas do mundo, toda moda, todo jeito de agradar ao mundo, de falar a linguagem do mundo; queremos falar a linguagem do céu, a linguagem do Espírito Santo — "na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com o sublime conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por Ele tudo desprezei e tudo tenho por esterco, a fim de ganhar a Cristo e estar com Ele, não com a minha justiça, que vem da lei, mas com a justiça que se obtém pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus, pela fé." Anseio, Espírito Santo, crava nos nossos corações, crava na nossa alma anseio profundo, anseio pelo conhecimento de Cristo e do poder da sua ressurreição, pela participação nos seus sofrimentos, tornando-me semelhante a Ele na morte, com a esperança de conseguir a ressurreição dentre os mortos.
"Não pretendo dizer que já alcancei esta meta e que cheguei à perfeição; não, mas eu me empenho em conquistá-la, uma vez que também eu fui conquistado por Jesus Cristo. Consciente de não a ter ainda conquistado, só uma coisa faço: prescindindo do passado e atirando-me ao que está para frente, corro para o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama em Jesus Cristo." Palavra do Senhor. Graças a Deus. Que Deus abençoe vocês e, pela intercessão da Virgem Maria, sigamos e caminhemos seguindo Jesus, nessa direção que Ele nos chama.


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