Jesus disse em Jo 16,33: "No mundo tereis tribulações. Coragem!Eu venci o mundo".
Por meio da nossa fé, Cristo nos chama a experimentar sua salvação. A Virgem Maria, mãe da fé, nos fortalece e nos dá a graça de sermos pessoas de fé; ela é nossa co-redentora.

Resumo do vídeo

"A tua fé te salvou": a virtude que atrai os milagres de Deus

Nesta formação, gravada como preparação para a renovação da consagração a Nossa Senhora e às vésperas do dia de Nossa Senhora das Graças, Gustavo parte de uma constatação simples que o marcou ao terminar de ler o Evangelho de Lucas inteiro: sempre que Jesus cura alguém, uma frase quase padrão se repete. Os milagres estão sempre associados à fé, e a fé, à salvação. A partir dessa chave de leitura, ele percorre curas e encontros do terceiro Evangelho para mostrar que o poder de Deus se manifesta onde há um coração que crê.

O vídeo abre com uma oração ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, invocando o Anjo da Guarda, São Miguel Arcanjo, a Virgem Maria e São José, e pedindo o dom da fé, o dom de crer mesmo sem ver e o dom de confiar na Providência. Só então Gustavo entra na meditação bíblica propriamente dita, conduzindo o espectador de passagem em passagem.

Um refrão que se repete em Lucas

Gustavo mostra como a expressão "a tua fé te salvou" e variações dela atravessam o Evangelho. Ele lembra o paralítico descido pelo telhado por quatro amigos, diante de quem Jesus, "vendo a fé que tinham", perdoa os pecados e cura; o servo do centurião, cuja fé arranca de Jesus a admiração de não ter encontrado tamanha fé nem mesmo em Israel; a pecadora perdoada, a quem Jesus diz "a tua fé te salvou, vai em paz"; a mulher que sofria de hemorragia havia doze anos e é curada ao tocá-lo; o cego de Jericó, que recupera a vista; e o único leproso, entre dez, que voltou para agradecer. Em todos esses casos, insiste ele, o milagre nasce da fé.

A fé como virtude teologal

Da narrativa, Gustavo passa à doutrina. Recorda que a fé é uma virtude teologal, uma graça que Deus infunde na alma pelo Batismo, ao lado da esperança e da caridade, as três virtudes descritas por São Paulo. O ser humano, diz ele, foi feito para crer: até quem se declara ateu acredita em alguma coisa, porque essa inclinação está inscrita no coração do homem. Para definir a fé, recorre à Carta aos Hebreus: "a fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê", e sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem se aproxima dele precisa crer que ele existe e recompensa os que o procuram.

Uma fé que precisa ser alimentada

O ponto pastoral central é um alerta: muitos vivem com a fé morta. Gustavo compara a fé a uma flor, que precisa de água, de nutrientes e de sol para não murchar. Assim como o amor, a fé precisa ser alimentada, e um dos alimentos é o convívio com quem busca a Deus e experimenta a sua ação. Ele defende com veemência a realidade dos milagres, rebatendo um vídeo que os ridicularizava, e recorda que a Igreja Católica submete cada milagre a rigoroso reconhecimento antes de aprová-lo. O milagre, afirma, é fruto extraordinário da fé, ainda que a fé permaneça importante mesmo quando os milagres não são vistos.

Maria, a primeira a crer

Boa parte da reflexão volta-se a Nossa Senhora. Gustavo narra uma conversa com um protestante, na Legião de Maria, sobre o lugar de Maria na fé. Ele a apresenta como aquela que creu quando o anjo lhe anunciou a maternidade do Salvador, que poderia ter dito não porque tinha liberdade, e que, ao visitar Isabel, é saudada como bendita entre as mulheres e bem-aventurada porque acreditou. Citando Santo Agostinho, lembra que Maria é o meio escolhido por Deus para vir até nós e também o caminho pelo qual vamos a Ele. Maria é importante, conclui, porque foi a primeira a crer em Jesus, e por isso nos ajuda a manter a fé, a ser perseverantes e a permanecer firmes mesmo diante da cruz.

O combate pela fé

Gustavo apresenta a fé como campo de batalha espiritual. Deus procura corações abertos, como o de Zaqueu, que creu antes mesmo de Jesus fazer qualquer coisa. O demônio, inimigo anunciado desde o Gênesis na inimizade com a mulher e sua descendência, quer roubar a fé, desanimar e fazer esquecer os dons recebidos, como Adão e Eva esqueceram o paraíso ao fixar o olhar no que lhes era proibido. Diante disso, o apelo é viver pela fé, na fé e guiados pela fé. Ele recorda ainda que a nossa fé é a vitória que vence o mundo e que Maria, viva e ressuscitada no céu, intercede por nós como Jesus intercedeu por Pedro para que a sua fé não desfalecesse.

Muitas vezes o milagre não é tão importante, meus irmãos: o milagre é o fruto da fé. Mas a fé é importante, ainda que a gente não veja os milagres; a gente precisa manter no nosso coração acesa, viva, a chama da fé.

Para levar para a vida

  • Examinar sinceramente a própria vida de fé: como você tem crido, rezado e confiado em Deus, e se a sua fé está viva ou adormecida.
  • Alimentar a fé todos os dias, como se rega uma flor, pela Palavra, pela oração, pelos sacramentos e pela convivência com quem busca a Deus.
  • Abrir o coração à graça, como Maria e Zaqueu, em vez de esperar ver para crer.
  • Perseverar na fé nas dificuldades, no sofrimento e nas tribulações, recorrendo à intercessão de Nossa Senhora para permanecer firme até o fim.
  • Reconhecer e agradecer os milagres cotidianos, como enxergar, ouvir, andar e acordar cada dia, para não os dar por óbvios.

Passagens citadas: Lc 4; Lc 5,17-20; Lc 7,9; Lc 7,50; Lc 8,40-48; Lc 17,19; Lc 18,8; Lc 18,42; Lc 19; Lc 22,31-32; Lc 1,26-45; 1Cor 13; Hb 11,1-6; Hb 10,39; 1Tm 6; Gn 3,15; 1Jo 5,3-4

Transcrição completa do vídeo

Transcrição integral do áudio do vídeo, organizada em parágrafos para facilitar a leitura.

Heróis, irmãos, tudo bem? Bem-vindos ao blog Vou Nessa Direção. E hoje, nesta segunda formação, antes do dia 27, dia de Nossa Senhora das Graças, nós queremos refletir sobre a graça da fé, do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Colocamo-nos, Senhor, na tua presença, com o nosso Anjo da Guarda, pedindo a intercessão de São Miguel Arcanjo, da Virgem Maria, de São José. Queremos te pedir que o Senhor derrame no nosso coração o dom da fé, o dom de crer mesmo sem ver, o dom de confiar no Senhor, o dom de esperar na tua Providência. Que a Senhora Virgem Maria, que foi a mulher que creu, a mulher que é bendita porque acreditou, que a Senhora também derrame sobre nós o dom de crer e de acreditar naquilo que Deus tem para nós. Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém. São José, rogai por nós. Senhor, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Que alegria, então, meus irmãos. Hoje é o décimo segundo dia que eu estou me preparando para a renovação da consagração à Virgem Maria, e hoje foi o dia em que eu terminei de ler o Evangelho de Lucas, os 24 capítulos. No momento em que eu estava lendo esse Evangelho, algumas coisas me chamaram muito a atenção, e é o que eu quero partilhar com você hoje.

Vamos começar. É claro, começa aqui no capítulo 4, quando Jesus, cheio do Espírito Santo, vai para o deserto para ser tentado pelo demônio, e ele começa a pregar, ele começa a falar e ele começa a curar. E uma das coisas interessantes que eu nunca tinha reparado, embora eu já tenha lido o Evangelho de Lucas umas três vezes, é que, a cada momento em que Jesus cura uma pessoa, ele tem uma frase mais ou menos padrão. E é curioso que os milagres são sempre associados à fé, e a fé é associada à salvação, claro.

Olha só. Nós temos aqui no capítulo 5, no versículo 17, aquela cura daquele paralítico, em que Jesus estava pregando numa casa. Ele estava cercado, os discípulos estavam lá, estavam cercados de todos os lados, não tinha como entrar na casa. Quatro amigos, tendo um amigo paralítico, colocaram-no numa maca, desceram-no pelo teto, abriram o telhado e o desceram na frente de Jesus. Olha só, no versículo 20: "vendo a fé que tinham, disse Jesus: meu amigo, os teus pecados te são perdoados." Jesus perdoou os pecados e, nós sabemos, depois ele também curou aquele paralítico.

Quando nós vamos para o servo do centurião, no capítulo 7, nós vemos que Jesus fica impressionado com a fé daquele homem. Ele não era nem israelense, ou israelita, e no capítulo 7, no versículo 9, ele diz assim: "em verdade vos digo, nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé."

Se nós vamos para o capítulo 7, no versículo 50, que é a passagem que nós refletimos na semana passada, sobre a pecadora perdoada, no finalzinho, no versículo 50, Jesus fala assim: "a tua fé te salvou, vai em paz."

Se nós vamos para o capítulo 8, no versículo 48 — é claro, no capítulo 8, a partir do versículo 40, nós temos aquela mulher que é chamada hemorroíssa, que estava havia 12 anos com o fluxo de sangue, que não parava. E aí ela toca em Jesus, e Jesus percebe que saiu uma força dele. E quando ela se vê descoberta, ela explica a situação, e no versículo 48 Jesus disse: "minha filha, a tua fé te salvou, vai em paz."

Olha só que interessante. No capítulo 18, no versículo 42, nós temos aqui o cego, o cego em Jericó, quando ele pede a Jesus: "filho de Davi, tem piedade de mim." E Jesus para, ele fala: "que queres que eu te faça?" "Senhor, que eu veja." Jesus lhe disse: "vê, a tua fé te salvou."

E olha só que interessante: em todas essas situações Jesus realizou milagres, Jesus realizou curas, Jesus realizou prodígios, sinais. Tem até um aqui, aquele em que Jesus curou 10 leprosos de uma só vez, e no versículo 19, quando um deles retornou — é o único que retornou para agradecer —, ele disse: "levanta-te e vai, a tua fé te salvou."

Mas olha só que coisa mais interessante. Quando nós estudamos a doutrina da Igreja Católica, nós percebemos que a fé é uma virtude teologal. O que significa isso? É uma virtude, uma graça que Deus nos dá com o nosso Batismo. E as virtudes teologais são três, que São Paulo descreveu em 1 Coríntios 13: a fé, a esperança e a caridade. Ou seja, Deus infunde na nossa natureza, pela virtude do Batismo, a graça de crermos, de esperarmos, de amarmos, de termos caridade. Isso é uma coisa da nossa natureza; Deus nos criou para viver com isso, para viver a partir disso e para viver por isso. Nós somos seres do amor, por amor e com amor; nós somos seres que foram feitos para crer.

Tão triste quando a pessoa se chama ateia, alguém que diz "eu sou ateu, eu não acredito em Deus". Mas, independentemente disso, a pessoa acredita em Deus — ou não; em alguma coisa ela acredita, não é verdade? Isso é uma lei que está inscrita no coração do homem, no íntimo da natureza. Nós cremos, nós fomos feitos para crer.

E olha, no livro de Hebreus está escrito o que é a fé. A definição muitas vezes nos ajuda a entender esses milagres de Jesus aqui, que Jesus realizou durante o Evangelho de Lucas inteiro, e que inclusive está sendo lido na liturgia diária da Igreja. Olha só, Hebreus 11, 1: "a fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê." Versículo 2: "foi ela que fez a glória de nossos antepassados." É por meio da fé que cada uma dessas pessoas aqui no Evangelho de Lucas foi curada. No versículo 6: "ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois, para se achegar a ele, é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram."

E a sua fé? Como é que você tem vivido a sua vida em Deus? Como você tem alimentado a sua fé? Muitos de nós estão com a fé morta, porque a fé, embora ela seja uma virtude teologal, ela precisa ser alimentada, como o amor precisa ser alimentado; se não, morre. É como uma flor. Eu tenho uma flor aqui que eu ia te mostrar, que eu ia mostrar a vocês. Talvez a luz não ajude, não dê muito para ver, mas é assim a nossa fé. A flor, para sobreviver, ela precisa de água, ela precisa manter os seus nutrientes, ela precisa do sol. A mesma coisa somos nós, a mesma coisa é a nossa fé.

Nós precisamos alimentar a nossa fé. Nós precisamos, até mesmo através desses testemunhos dessas pessoas que foram curadas. Como é maravilhoso quando nós estamos no meio daqueles que estão buscando a Deus, daqueles que estão buscando agradar a Deus, porque eles têm fé, e por meio da fé eles acreditam em milagres e eles experimentam milagres. Eles experimentam a ação de Deus, eles experimentam a graça de Deus, eles experimentam o poder de Deus, eles experimentam o poder da ressurreição de Jesus, eles experimentam a graça do Espírito Santo, eles experimentam a intercessão da Virgem Maria, eles experimentam a comunhão da Igreja celeste, da Igreja militante, da Igreja padecente; eles experimentam intervenções divinas.

Olha só que interessante. Hoje eu estava ouvindo um vídeo de um rapaz que eu não sei muito bem quem é, mas ele dizia que o milagre é uma coisa ridícula, que o milagre é uma coisa que, na Igreja Católica, precisa passar por aprovação científica, precisa ter o reconhecimento de que realmente uma pessoa estava com uma doença que não tinha cura, e aconteceu uma intervenção na história, e aí Deus mudou o curso daquela doença e curou. Ele dizia que o milagre é uma coisa ridícula. Nunca ouvi uma besteira tão grande. O milagre é uma coisa extraordinária, que é fruto daqueles que têm fé, aqueles por quem nós passamos aqui, desde o cego de Jericó. Começamos com o leproso que foi levado pelos amigos, com o servo do centurião, por quem Jesus ficou impressionado com a fé dele, com aquela pecadora que foi perdoada, com a filha de Jairo, com aquela hemorroíssa, com os 10 leprosos, com o cego de Jericó. Milagres acontecem porque a fé realiza milagres. É disso que nós precisamos, meus irmãos.

É tão interessante. Esses dias, deixa eu ver, faz uma semana, foi sábado passado — eu faço parte da Legião de Maria aqui na minha cidade —, eu estava conversando com um protestante que se aproximou e me perguntou sobre Nossa Senhora. Ele falou: "você tem fé e não sei o quê; quem é Maria e quem é Jesus?", como se eu não soubesse de nada. E eu falei para ele: "Jesus é o Senhor, Deus, é o Filho de Deus, Todo-Poderoso, é o nosso Salvador, é aquele que derramou o sangue para nos salvar. E quem é Maria? Maria é a mãe dele." "Se você conhece Jesus, por que você precisa de Maria?" "Porque ela é a corredentora."

Olha só, meus irmãos. Ele abriu o livro de Lucas no capítulo 1, onde Gabriel, no versículo 26, faz a anunciação a Nossa Senhora, e ele dizia: "ela é uma mulher qualquer, ela é uma serva que fez apenas a vontade de Deus." "Não, senhor", eu disse para ele, "porque ela podia ter dito não, ela tinha liberdade." Eu perguntei para ele: "você acredita que você tem livre-arbítrio?" — porque alguns protestantes acreditam que não existe livre-arbítrio, como Martinho Lutero, aquele idiota, mas enfim. Ele disse: "sim, eu acredito que eu tenho livre-arbítrio." "Então, se Deus pedir uma coisa para você, você pode fazer ou não, correto?" Ele disse: "correto." Eu disse: "e se Nossa Senhora tivesse negado a anunciação? Como a história seria diferente, se Nossa Senhora não quisesse ser a mãe do Salvador, se ela não quisesse se dispor a fazer a vontade de Deus?"

E ele desconversou e falou: "não é assim, mas quem salva é Jesus." Mas Nossa Senhora, ela é a corredentora; se não fosse ela para doar a vida dela, doar o ventre dela, doar tudo o que ela tinha, a juventude, até a morte, as coisas seriam diferentes. Eu citei para ele Santo Agostinho, que dizia: Nossa Senhora é o meio que Deus escolheu para vir até nós — foi pelo meio de Maria que Jesus nasceu e nós conhecemos Jesus, filho de Maria — e também é o meio pelo qual nós podemos ir a Ele. Ela é corredentora, sim, senhor.

Eu quero, aproveitando — eu não ia tocar nesse assunto, mas olha só o que Isabel fala quando Nossa Senhora vai à casa dela. Lucas 1, no versículo 40: "entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo." Olha o que o Espírito Santo levou Isabel a dizer: "exclamou em alta voz: bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe do meu Senhor?" No versículo 45: "bem-aventurada és tu, que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas", palavra da salvação. Glória a vós, Senhor.

Deus, irmãos, Deus procura um coração que tenha fé. Mas olha só, não parece uma coisa contraditória, quando nós paramos para pensar? Se a fé é uma virtude teologal, que Deus nos dá gratuitamente e que está lá na nossa alma, por que Deus procura alguém que tenha fé? Então todo mundo tem fé? Não, irmãos: quem está aberto. Nossa Senhora estava aberta, estava aberta à graça de Deus. Ela acreditou quando o anjo anunciou que ela seria a mãe do Salvador, e quando ela foi às pressas à montanha onde a Isabel morava, ela viu a Isabel com seis meses, a Isabel que era tida por estéril. E depois também Nossa Senhora começou a ver a sua barriga crescer, e São José também acreditou. Nossa Senhora é importante porque ela foi a primeira a crer em Jesus.

Se nós dizemos aqui, através do Evangelho, que Jesus foi curando as pessoas porque as pessoas tinham fé e elas acreditavam em Jesus, como Zaqueu, que estava naquela árvore — ele ouviu falar de Jesus e no coração dele ele creu, ele acreditou. Quando ele viu Jesus, Jesus falou: "é preciso que eu fique na sua casa." Ele não esperou Jesus fazer nada, mas, pela fé, pela abertura que ele tinha à graça de Deus, ele disse: "se eu roubei alguém, eu vou restituir quatro vezes mais." E Jesus disse: "o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido." A fé no nosso coração, que está perdida, é essa que Jesus veio procurar; Jesus veio devolver a fé.

Olha só, isso é tão interessante, tão importante, que no capítulo 18, no versículo 8, Jesus disse assim: "quando vier o Filho do homem, acaso achará fé sobre a terra?" Muitas dessas passagens, muitos desses milagres, muitas dessas coisas Jesus somente realizou para que pudesse despertar a fé que está no nosso coração. Muitas vezes o milagre não é tão importante, meus irmãos; o milagre é o fruto da fé. Mas a fé é importante: ainda que a gente não veja os milagres, a gente precisa manter no nosso coração acesa, viva, a chama da fé.

Olha só, se nós vamos para Hebreus no capítulo 10, no versículo 39: "não somos, absolutamente, dos que perdem o ânimo para a nossa ruína, mas dos que mantêm a fé para a nossa salvação." É isso que Jesus quer ver no nosso coração, e é nisso que Nossa Senhora nos ajuda: ela nos ajuda a manter a fé, ela nos ajuda na constância, ela nos ajuda a ser perseverantes, ela nos ajuda a permanecer firmes, mesmo diante da cruz.

É curioso, eu estava refletindo também sobre isso — esse vai ficar como tema para uma outra postagem, mas: quantos protestantes falam mal de Nossa Senhora, sendo que, diante de um anjo que se prostrou diante dela e disse "bem-aventurada", não há uma palavra na Bíblia que fale mal de Nossa Senhora, que fale contra ela, que diga que ela era uma mulher que não valia nada, que ela era uma mulher comum. Todas as vezes em que a Bíblia se refere a Maria, ela é uma mulher sobrenatural, que acreditava, que guardava as coisas no coração, que tinha confiança em Deus, que viveu a vida inteira gasta, entregue a Deus. E muitos protestantes falam mal de Nossa Senhora.

Mas há muitas partes na Bíblia que falam contra o dinheiro. Se nós vamos a 1 Timóteo, no capítulo 6, Paulo fala que o amor, o apego ao dinheiro, é a fonte de todo mal. Jesus fala — até em Lucas também está isso — não se pode servir a dois senhores: ou se serve a Deus, ou se serve a Mamon, o deus das riquezas; ou se serve às riquezas. Muitos falam contra Maria, mas ninguém fala contra esse apego ao dinheiro. É curioso. Mas enfim.

Nossa Senhora nos ajuda a manter a fé, porque ela soube manter a fé. E uma diferença que os protestantes não acreditam é que ela está viva, ressuscitada no céu, e ela ouve as nossas orações, e ela intercede por nós, e ela faz aquilo que Jesus fez, quando ele disse a Pedro: "Satanás quis peneirar-te como trigo, mas eu intercedi por ti." A mesma coisa. O demônio, que é o inimigo número um de Nossa Senhora, como está desde o Gênesis, no capítulo 3, no versículo 15, em que Deus diz: "porei ódio, inimizades entre a tua descendência e a descendência dela; ela te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar" — o que está desde o Gênesis até o Apocalipse, essa inimizade entre Nossa Senhora e o demônio.

O demônio quer roubar a nossa fé, o demônio quer que a gente deixe de acreditar, o demônio quer que a gente não experimente milagres, o demônio quer que a gente desanime, o demônio quer que a gente perca tudo o que Deus nos deu: todas as dignidades, todos os dons, todos os milagres que Deus nos dá cada dia — o milagre de poder enxergar, de ouvir, de falar, de andar, de viver, de respirar, de estar vivo, de acordar cada dia. O demônio quer que a gente deixe de enxergar tudo o que Deus nos deu, como ele fez com Adão e Eva, que deixaram de enxergar o paraíso, tirando a maravilha do paraíso, esquecendo de todas as graças, esquecendo de todos os milagres, esquecendo de tudo e focando só numa coisa: o que não é permitido pela fé.

Meus irmãos, nós temos que viver pela fé, nós temos que viver na fé, nós temos que viver guiados pela fé. Eu estava conversando também com um amigo meu, que é uma pessoa de muita fé, uma pessoa que passou por muitas dificuldades, mas ele guardou a fé; ele se tornou diácono, ele é diácono aqui. E eu mandei essa passagem para ele, e eu creio que ela é muito propícia para a nossa reflexão sobre a fé hoje. Olha só, está escrito em 1 João, no capítulo 5, no versículo 3: "este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são penosos, porque tudo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o vencedor do mundo senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?"

Porque o demônio sabe que, se nós mantivermos a fé, nós vamos vencer como Jesus venceu, nós vamos seguir o mesmo caminho que Maria seguiu, crendo até o fim, até as últimas consequências, até nas dificuldades, até no sofrimento, até nas dores, até nas angústias, até nas tribulações — como São Paulo, passando por traições, passando por apedrejamento, passando por linchamentos, passando por tudo quanto é tipo de coisa. Como os santos, a fé é a nossa herança.

Nossa Senhora quer nos dar uma fé viva. Nossa Senhora quer que nós, como escravos dela, tenhamos uma fé verdadeira, autêntica, forte, firme, inabalável, edificada na rocha, que é o coração de Jesus. Nossa Senhora quer que nós creiamos em Jesus, para que nós vivamos uma vida como ela viveu. Isso significa ser mariano, isso significa ser escravo de Maria, isso significa, verdadeiramente, pertencer a Jesus, ser católico. Essa é a graça de crermos, como a Senhora creu.

Nós queremos acreditar, com todo o nosso coração, nas promessas de Deus para nós. Nós queremos, com todo o nosso coração, Mãe, abrir-nos à vontade de Deus e crer que aquilo que Deus quer é o melhor, mais do que nós conseguimos entender, Mãe. Nós te damos total liberdade para encher o nosso coração e a nossa alma com o dom de crer, para inundar o nosso espírito com o Espírito de Deus, o Espírito de fé, o Espírito da fé verdadeira.

Mãe, derrama sobre o nosso coração uma fé ardente, para que nós possamos ver milagres, para que nós possamos ver a ação de Deus na nossa vida, para que nós possamos sentir o quanto Deus quer ver o nosso coração cheio de fé, como Deus quer ver a nossa alma perfumada, a nossa fé regada, o nosso coração alimentado, o amor com a fé e com a esperança.

Mãe, a Senhora, que não desistiu mesmo diante da cruz, a Senhora, que não desanimou, a Senhora, que permaneceu firme, dá-nos a tua firmeza, dá-nos a tua fé, dá-nos a tua esperança, Mãe, dá-nos a tua caridade. Que a tua fé nos encha, que o teu dom de acreditar, mesmo quando nós não enxergamos nada, mesmo quando todas as situações são contrárias, como elas foram para a Senhora, nos dê a graça de nunca desistir, de insistir na fé, de persistir na fé e de nunca desistir desse dom maravilhoso que Deus nos deu, porque é esse dom que vai nos levar a nos encontrar com Ele. Louvado seja o nosso Senhor Jesus Cristo. Para sempre seja louvado.