Resumo do vídeo
Maria, a cheia de graça: a mãe que nos ensina a viver a Quaresma
Neste vídeo, mais uma etapa das formações de Quaresma do blog Vou Nesta Direção, Gustavo convida o espectador a contemplar a Virgem Maria como a mulher que mais encontrou graça aos olhos de Deus em toda a história. Filha do Pai, mãe do Filho e esposa do Espírito Santo, ela é apresentada não como uma "mulher qualquer", mas como aquela que hoje reina no céu, ao lado do Filho, intercedendo e alcançando graças e milagres como fazia quando estava na terra. A tese central é simples e ardente: aproximar-se de Maria é o caminho seguro para viver bem este tempo quaresmal e chegar a Cristo.
A reflexão se desenvolve em dois grandes movimentos. Primeiro, Gustavo percorre a Escritura para mostrar, sobretudo a quem objeta que "Nossa Senhora não está na Bíblia", que a figura de Maria atravessa toda a Palavra, do Gênesis ao Apocalipse. Depois, ele oferece um testemunho pessoal e comovido de como a Virgem cuidou da sua vida desde o nascimento. Tudo se abre e se fecha com o louvor: a formação começa com o canto do Magnificat e termina com uma longa oração de consagração e súplica à mãe de Deus.
A mulher mais cheia de graça de toda a história
Gustavo abre exaltando a Deus como Maria o exaltava, rezando o Magnificat: "Minha alma glorifica ao Senhor... porque olhou para a sua pobre serva". Ela glorificava, engrandecia e se alegrava na presença de Deus porque reconhecia quem era Deus e quem era ela. Citando Santo Afonso Maria de Ligório, ele resume: assim como Deus ajuntou todas as águas e chamou de mar, ajuntou todas as graças e chamou de Maria. Ela é o oceano das graças de Deus, e continua sendo, ainda hoje, a criatura mais cheia de graça que existe no universo.
Da nova Eva à mulher do Apocalipse: Maria em toda a Escritura
Respondendo à objeção protestante, Gustavo abre o Gênesis 3,15, onde Deus põe inimizade entre a serpente e a mulher, e entre as duas descendências: essa mulher, a nova Eva, é aquela cuja descendência esmagará a cabeça da serpente. Ele nota o contraste entre Eva, que cedeu e levou Adão ao pecado, e Maria, que trouxe a salvação ao mundo — e brinca com a inversão de "Eva" no "Ave" do anjo. Em Lucas 1, na Anunciação, o arcanjo saúda: "Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo". Por fim, no Apocalipse 12, a mulher vestida de sol, com a lua sob os pés e coroada de estrelas, enfrenta o dragão, que faz guerra ao "resto da sua descendência" — isto é, aos que guardam os mandamentos e dão testemunho de Jesus.
O anjo que se prostra diante da mulher
O ponto mais forte da argumentação é a comparação de três encontros com anjos. Em Josué, o chefe do exército do Senhor manda o próprio Josué tirar as sandálias, pois o lugar é santo; em Tobias, ao ouvir o arcanjo Rafael revelar quem é, todos caem por terra tremendo; e Isaías, diante da glória de Deus, grita que não é digno. Sempre é o ser humano que se prostra diante do anjo. Só há uma exceção em toda a Bíblia: quando o arcanjo Gabriel encontra Maria, é o anjo quem se inclina diante dela, dizendo "Ave, cheia de graça". Não é um filósofo nem um intelectual falando: é um mensageiro do céu que se curva diante de uma mulher plena, transbordante de graça — "gratia plena".
A intercessora que alcança as graças
Gustavo insiste que Maria não é o sol, mas reflete o sol; não realiza os milagres por si, mas os alcança, intermedeia as graças de Deus. Em Provérbios 8,35 — "quem me acha encontra a vida e alcança o favor do Senhor" — ele vê a própria Nossa Senhora. Nas bodas de Caná (João 2), é a intercessão dela que antecipa a hora de Jesus, e sua palavra permanece: "Fazei tudo o que Ele vos disser". Por causa da livre resposta de Maria — que, tendo livre-arbítrio, poderia ter dito não, mas disse sim — o Verbo se encarnou; e por isso, como lembra em Romanos 8,35 e João 16,33, somos "mais que vencedores": Cristo venceu o mundo porque, por meio dela, pisou nossa terra.
Um testemunho de graça: "ela me pegou no colo"
A segunda metade é um testemunho pessoal. Gustavo conta que foi concebido em circunstâncias dolorosas e que sua mãe chegou a pensar em abortá-lo, sendo dissuadida por amigas. Ao nascer, no dia 28 de novembro de 1990, uma enfermeira devota o tomou nos braços e o entregou a Nossa Senhora — e desde então, diz ele, a Virgem cuidou da sua vida. Batizado aos quinze anos, atravessou fases de sofrimento e até de tentação de suicídio; num retiro de cura interior, Deus lhe revelou tudo isso e o curou. Depois veio a consagração pelo método de São Luís Maria Grignion de Montfort e a Legião de Maria. Mesmo tendo se afastado gravemente de Deus ao mudar-se para o Reino Unido, foi a Virgem quem "estendeu a mão", tirou-o da lama e lhe alcançou arrependimento genuíno e o desejo de confessar-se.
Mestra da Quaresma
Gustavo recorre à imagem de Nossa Senhora das Graças, com anéis que brilham e anéis apagados: estes são as graças que ela tem para derramar, mas que não são pedidas. Daí a exortação final: fazer de Maria mestra da Quaresma. Ela viveu toda a vida como um deserto, na cruz, no jejum e na penitência, guardando tudo no coração; ninguém amou Jesus mais do que ela. Por isso não é pecado nem erro amá-la e venerá-la — é o caminho para amar mais o Filho. O vídeo se encerra numa oração pedindo pureza, libertação, o Espírito Santo e a graça de perseverar, para poder cantar com ela o Magnificat.
Deus ajuntou todas as águas e chamou de mar; ajuntou todas as graças e chamou de Maria. Maria é o oceano das graças de Deus.
Para levar para a vida
- Comece e termine o dia como Maria: com louvor, rezando o Magnificat e reconhecendo quem é Deus e quem somos nós.
- Peça as graças. As "graças pedidas" é que se derramam — não deixe apagados os anéis que a mãe tem para você.
- Considere a consagração a Nossa Senhora (por exemplo, pelo método de São Luís Maria Grignion de Montfort) como caminho concreto de vida espiritual.
- Faça de Maria a mestra desta Quaresma: aprenda com seu silêncio, seu jejum, sua penitência e seu amor a Jesus.
- Volte à confissão: peça à mãe a graça da contrição verdadeira e do arrependimento dos pecados.
- Reconheça de que descendência você quer ser — a da mulher ou a do dragão — e assuma o testemunho de Cristo neste mundo.
Passagens citadas: Gn 3,15; Lc 1,26-30; Lc 1,46-55; Js 5,13-15; Tb 12,15-16; Pr 31,28; Pr 8,35; Jo 2,1-5; Ap 12,1-17; Rm 8,35; Jo 16,33; Is 6
Transcrição completa do vídeo⌄
Transcrição integral do áudio do vídeo, organizada em parágrafos para facilitar a leitura.
Olá, meus amigos, tudo bem? Bem-vindos ao blog Vou Nesta Direção, continuando as nossas formações de Quaresma. Hoje nós vamos refletir sobre a Virgem Maria, a cheia de graça. A filha do Pai, a mãe do Filho, a esposa do Espírito Santo — chame-a como você quiser. Ela é a mulher escolhida por Deus para trazer o Filho de Deus à terra. Ela é a mulher que mais encontrou graça aos olhos de Deus, ou melhor: ela é a mulher que mais encontrou graça aos olhos de Deus de toda a humanidade, de todos os tempos na história — mais do que qualquer protestante que venha dizer que Nossa Senhora é uma mulher qualquer; mais do que qualquer pessoa que já pisou nesta terra.
Ela é, ainda hoje em dia, a mulher mais cheia de graça que existe neste universo. Porque hoje ela está no céu, ressuscitada, na glória do Pai, ao lado do Filho, distribuindo as suas graças, intercedendo, alcançando milagres, como ela fazia quando estava nesta terra.
Nós vamos iniciar hoje pedindo a intercessão de São José, pedindo a graça de Deus e pedindo que a Virgem Maria esteja conosco, nos ajudando a compreender a nossa formação de hoje e a importância dela neste período quaresmal. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.
Nós vamos iniciar exaltando a Deus, louvando ao Senhor, como ela exaltava, glorificava, engrandecia, cantava, rejubilava e se alegrava na presença de Deus, porque ela reconhecia quem era Deus e quem era ela: "Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para a sua pobre serva. Por isso, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende de geração em geração sobre os que o temem. Manifestou o poder de seu braço, desconcertou os corações dos soberbos, derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes, saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos, acolheu Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e da sua posteridade para sempre. Amém." Palavra da salvação. Glória a vós, Senhor. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Então, meus amigos, que alegria poder falar da mãe de Deus! Que alegria poder falar da Theotókos, a grande mãe de Deus! Que alegria poder falar daquela de quem Santo Agostinho disse que é por meio da Santíssima Virgem que Jesus Cristo veio ao mundo, e é por meio dela que nós devemos ir a Ele. Que alegria é falar daquela de quem Santo Afonso Maria de Ligório dizia: Deus ajuntou todas as águas e chamou de mar; ajuntou todas as graças e chamou de Maria. Maria é o oceano das graças de Deus.
Mas, como muitos protestantes vêm perguntar onde é que está Nossa Senhora na Bíblia, dizendo que ela foi uma mulher qualquer, então eu separei algumas passagens aqui, só de improviso, para a gente poder refletir sobre esse tema de Nossa Senhora. E eu vou dar também um breve testemunho: aquilo que Nossa Senhora é, aquilo que ela fez e aquilo que ela continua fazendo na minha vida.
Então nós vamos iniciar aqui, para quem fala que Nossa Senhora não está na Bíblia, com um capítulo: o capítulo 3 do Gênesis, no versículo 15. Aqui nós sabemos que a serpente era o mais astuto dos animais e seduziu a mulher; e a mulher comeu do fruto proibido, que Deus tinha dito que não era para comer. E Deus perguntou para Adão; Adão falou que foi a mulher que ofereceu, e a mulher falou que foi a serpente que ofereceu. Então Deus disse à serpente: "Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais e feras dos campos; andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida." E, no versículo 15: "Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." Palavra do Senhor. Graças a Deus.
Muitas pessoas dizem: "Não, mas essa daqui era Eva, não tem nada a ver com Nossa Senhora." Eva foi a mulher que foi expulsa do paraíso, Eva foi a mulher que cedeu à oferta da serpente e levou Adão a pecar. Tantas pessoas dizem que é por causa das mulheres que os homens caem, mas desde o começo da criação Eva já fez isso. E quem é Maria? Maria é o contrário de Eva: é a mulher que trouxe a salvação ao mundo, a mulher que abriu o paraíso para nós novamente através de Jesus Cristo, seu Filho, que se pregou na cruz para derramar o sangue, para que através de Cristo nós pudéssemos voltar para aquele paraíso do qual uma vez fomos expulsos. Então, se você pega "Eva" ao contrário, tem "Ave" — e "Ave" é o que o anjo disse para a Nossa Senhora quando fez a Anunciação, quando deu aquela notícia de que ela seria a mãe do Salvador.
Olha só, Lucas, capítulo 1, versículo 26: "No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. Entrando, o anjo disse-lhe: 'Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.'" Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. Qual foi a reação de Nossa Senhora? Qual foi a reação da Virgem Maria? "Ela perturbou-se com essas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. O anjo disse-lhe: 'Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus.'" Palavra da salvação.
Olha só, meus irmãos, você que conhece a Bíblia: eu quero que você me diga quantas vezes algum anjo já se dobrou diante de um ser humano. Vá ao Antigo Testamento, ao Novo Testamento, em qualquer momento — em que momento é que um anjo se dobrou diante de um ser humano? Nenhum, a não ser nesse capítulo, o primeiro de Lucas, em que o anjo, o arcanjo Gabriel, se dobra diante da Virgem Maria.
E olha só, nós temos um exemplo aqui: o anjo aparece lá no Antigo Testamento, no livro de Josué. Josué encontrava-se nas proximidades de Jericó; levantando os olhos, viu diante de si um homem de pé, com uma espada desembainhada na mão. Josué foi contra ele e disse-lhe: "És dos nossos ou dos nossos inimigos?" Ele respondeu: "Não, venho como chefe do exército do Senhor" — pode ser Miguel Arcanjo aqui. Josué prostrou-se com o rosto por terra e disse-lhe: "Que ordena o meu Senhor ao seu servo?" E o chefe do exército do Senhor respondeu: "Tira o calçado dos teus pés, porque o lugar em que te encontras é santo." E assim fez Josué. Palavra do Senhor. Graças a Deus.
Olha só, então: o arcanjo Miguel apareceu diante de Josué e o que aconteceu? Josué se prostrou diante do anjo, e Miguel disse para Josué: "Tira a sandália dos teus pés, porque o lugar em que você está é santo", porque o anjo estava ali.
Nós temos outro momento aqui na Bíblia também, em Tobias — eu gosto muito do livro de Tobias. O pai do Tobias fica cego, e aí ele manda o filho numa viagem. O pai do Tobias se chama Tobit, e manda o Tobias numa viagem para pedir ajuda, para encontrar a sua parenta, da sua família. Faz uma oração para que o anjo do Senhor o acompanhe, e quem acaba acompanhando o Tobias é o arcanjo Rafael, que ajuda o Tobias durante a sua caminhada e para expulsar o demônio de Sara. Depois você pode ler o livro de Tobias, que é muito bacana. E aí, no capítulo 12, ele revela quem é. Capítulo 12, versículo 15: "Eu sou o anjo Rafael, um dos sete que assistimos na presença do Senhor." Olha só o versículo 16: "Ao ouvir estas palavras, eles ficaram fora de si." Quem são "eles" aqui? Aqui é o Tobias, o Tobit, a Sara, os servos — e, tremendo, prostraram-se com o rosto por terra. Essa é a reação de quando um ser humano encontra um anjo.
Depois, se nós formos lá no capítulo 13, eles ficaram — deixa eu ver aqui quanto tempo — ficaram com o rosto por terra, louvando, bendizendo, glorificando e engrandecendo a Deus, porque tiveram a graça de encontrar um anjo. E por que é diferente com Maria? Então nós vemos lá: o arcanjo Miguel encontra Josué, o arcanjo Rafael encontra Tobias, e o arcanjo Gabriel encontra Maria. A diferença entre esses três encontros é que, quando o ser humano se encontra diante de um anjo, principalmente de um arcanjo, ele se prostra por terra. Nós temos um exemplo em Isaías também, que cai como morto por terra quando vê o anjo, quando experimenta a glória de Deus — Isaías 6 —, e diz: "Eu não sou digno." Ele grita, e o anjo vem e coloca uma brasa de fogo na sua língua.
Mas, quando o arcanjo Gabriel encontra Nossa Senhora, ele se prostra diante dela e diz: "Ave, cheia de graça." Isto aqui não é um homem falando; isto aqui não é a cabeça de um filósofo, de um historiador, de um intelectual. Isto aqui é um anjo, uma pessoa vinda da parte de Deus, que se prostra diante de uma mulher para dizer: "Ave, cheia de graça, você é cheia da graça, você é plena da graça." Em latim, "Ave Maria, gratia plena" — plena da graça, transbordando de graça. Essa é a diferença entre Nossa Senhora e qualquer outro ser humano comum: ela foi escolhida para ser a mãe de Deus, escolhida para trazer Jesus ao mundo, escolhida para dar à luz aquele que nos salvaria, para ser a redentora.
Deus se colocou diante dela, humilhou-se diante da vontade e do livre-arbítrio dela, porque Nossa Senhora tinha livre-arbítrio. Ela podia ter dito não ao anjo, podia ter dito não ao plano de salvação que Deus tinha preparado, mas ela disse sim. Ela se humilhou, e cantou, e rejubilou, e se alegrou, e reconheceu quem ela era.
Aqui na Bíblia, no Antigo Testamento, se nós formos lá no livro dos Provérbios, capítulo 31 — desculpem —, versículo 28, nós temos: "Seus filhos se levantam para proclamá-la bem-aventurada, e seu marido para elogiá-la." E somos nós, os filhos da Virgem Maria. E olha só aquele ódio que, no livro do Gênesis, Deus colocou entre a mulher e o demônio, entre a descendência da mulher e a descendência do demônio: é o ódio entre aqueles que a chamam de bem-aventurada e aqueles que não gostam da mulher, que a desprezam, que não se importam com ela, que dizem que a mulher é uma pessoa qualquer.
Olha só o que está escrito no livro dos Provérbios, capítulo 8, versículo 35: "Pois quem me acha encontra a vida e alcança o favor do Senhor." Essa é Nossa Senhora. Aqueles que a acham, ela lhes dá a vida. Quantos milagres já foram testemunhados através da intercessão dela! Muitas pessoas dizem que Nossa Senhora não faz milagre. Realmente, como diz Santo Afonso Maria de Ligório: ela não é o sol, mas ela reflete o sol; ela não realiza os milagres, mas ela os alcança, ela alcança as graças de Deus, ela intermedeia os milagres do Senhor. "Aqueles que me acham encontram a vida e alcançam o favor do Senhor." Ela é a intercessora por predileção. Aquela que — nós sabemos, no livro de João, capítulo 2, naquele casamento em Caná — quando Jesus disse "a minha hora ainda não chegou", antecipou a hora de Jesus e disse: "Fazei tudo o que Ele vos disser."
Meus irmãos, Nossa Senhora é incrível! A Virgem Maria é incrível. Olha só: se nós formos desde o livro do Gênesis, passando pelo livro dos Provérbios, pela Sabedoria, pelos Evangelhos, nós chegamos ao livro do Apocalipse, no capítulo 12: "Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma mulher vestida de sol, a lua debaixo dos seus pés e, na cabeça, uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz. Depois apareceu um outro sinal no céu: um grande dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas." Olha o versículo 6: "A mulher fugiu então para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um retiro, para aí ser sustentada por mil duzentos e sessenta dias."
Versículo 7: "Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o dragão. O dragão e seus anjos travaram o combate, mas não prevaleceram, e já não houve lugar no céu para eles. Foi então precipitado o grande dragão, a primitiva serpente, chamada demônio e satanás, o sedutor do mundo inteiro; foi precipitado na terra, e com ele os seus anjos. Eu ouvi no céu uma voz forte, que dizia: 'Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus, assim como a autoridade do seu Cristo, porque foi precipitado o acusador de nossos irmãos, que os acusava dia e noite diante de nosso Deus. Mas estes venceram-no por causa do sangue do Cordeiro e por causa do eloquente testemunho; desprezaram a vida até aceitarem a morte.'" No versículo 15, meus irmãos: "A serpente vomitou contra a mulher um rio de água, para fazê-la submergir. A terra, porém, acudiu à mulher, abrindo a boca para engolir o rio que o dragão vomitara. Este então se irritou contra a mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus." Palavra do Senhor. Graças a Deus.
O dragão se irritou contra a mulher e foi fazer guerra ao resto da sua descendência. Você, que é católico, você que guarda os mandamentos, você que traz o testemunho de Jesus: saiba que o dragão está furioso contra você. Saiba que o dragão quer fazer guerra contra a descendência da mulher, e saiba que, se você faz parte da descendência de Nossa Senhora, você vai ser atacado neste mundo. Mas nós temos a palavra de Cristo, João 16,33: "No mundo tereis aflições; mas tende coragem, eu venci o mundo." E Jesus só pôde vencer o mundo porque se encarnou, veio, pisou na nossa terra, conheceu a nossa natureza — por causa de Nossa Senhora.
E como é maravilhoso um católico verdadeiro, que é da descendência da mulher, que tem consciência disso, que guarda os mandamentos de Deus e traz em si o testemunho de Jesus! Como é maravilhoso nós termos Maria por nossa mãe! Santo Afonso dizia: quem não tem Maria por mãe não pode ter Deus por Pai. Que maravilha é podermos chamá-la mãe, porque nós somos a sua descendência! Bem-aventurada, bendita, feliz Maria, maravilhosa mãe de Deus, que aceitou o plano da salvação. É por causa dela que hoje o Cordeiro, o sangue do Cordeiro venceu e o dragão foi precipitado, e nós somos mais que vencedores — como refletimos duas semanas atrás, em Romanos 8,35. Somos mais que vencedores porque todas as graças de Deus nós alcançamos por meio dela.
Ela é quem nos alcança tudo da parte de Deus, ela é quem nos dá graças incessantemente, ela é quem nos protege contra o dragão, ela é quem nos defende nas batalhas espirituais, ela é quem nos alcança os milagres, ela é quem intercede por nós, ela é quem nos guarda, ela é quem nos protege do mundo, do pecado e do demônio. Meus irmãos, Nossa Senhora quer que a gente seja santo. Nossa Senhora tem um plano para nós; Nossa Senhora quer que nós façamos parte dessa geração que a proclama bem-aventurada; Nossa Senhora quer que nós sejamos da sua descendência, porque ela sabe que nós temos uma escolha: ou nós somos da descendência da mulher, ou nós somos da descendência do dragão. A quem você quer servir? De qual exército você quer fazer parte — o da mulher ou o do dragão? Meus irmãos, não tem como: ou você aceita Nossa Senhora, ou você vai com o dragão. E que alegria nós podermos ser da descendência da mulher! Que maravilha, meus irmãos!
Eu fui batizado quando eu tinha quinze anos, e tive um processo de aprendizado, de experiência com Deus, muito maravilhoso. Eu vivi no Brasil durante mais ou menos dez anos na Igreja Católica, e passei por muitos períodos difíceis. Mas, no último ano em que eu estava no Brasil, Deus me deu a graça de participar de um encontro chamado Ágape Terapia, onde Ele me revelou muitas coisas da minha vida. Uma das coisas mais marcantes desse Ágape Terapia — que é um encontro de cura interior, por sete dias — foi o que Deus me revelou sobre a minha concepção, sobre quando eu fui concebido.
A minha mãe queria de todo jeito ter um filho do meu pai. Ela viu que o meu pai tinha ficado noivo da mulher com quem ele é casado hoje, e ela fez uma feitiçaria — sei lá, um trabalho de macumba, um trabalho de… como que chama? Eu não sei… ela fez um negócio, eu não lembro direito. Simpatia — essa palavra —, ela fez uma simpatia. Simpatia é um negócio por satanás, só para você saber, caso não saiba. Ela fez uma simpatia porque queria engravidar do meu pai de todo jeito, porque ela tinha perdido a virgindade com o meu pai quando tinha vinte e três anos. E aí aconteceu que a simpatia, aquele negócio que ela fez, aquela coisa satânica, deu certo: ela engravidou. Mas ela era uma menina de vinte e quatro anos, totalmente despreparada, não sabia muito bem o que fazer. Passou pela cabeça dela muito pensamento de me abortar, e ela sentiu — é normal, muitas vezes, para a mãe de primeira viagem, dizem — uma rejeição; o corpo dela se ajeitava, e ela se ajeitava também. E aquele pensamento de abortar: "eu vou abortar", "eu não sou capaz de criar uma criança sozinha". Suas amigas intercederam e a convenceram de que ela daria conta de educar um filho, de criar um filho, de ter um filho, e ela desistiu daquele negócio de abortar.
Quando eu vim ao mundo, meus irmãos, por causa dessas situações muito negativas — não fui uma criança que o meu pai e a minha mãe queriam ter; na verdade, foi por uma coisa egoísta da minha mãe —, mas nesse encontro Deus me mostrou, e eu revivi tudo isso; Deus me deu a graça de ser curado de todas as palavras que eu ouvi no ventre da minha mãe. E quando eu vim ao mundo, Deus me mostrou o que aconteceu. Por vários motivos, quando eu nasci, minha mãe me levou para ser batizado e o padre não aceitou, porque eu não tinha pai, porque ela não era casada; e ela ficou muito revoltada com a Igreja e afastou-se de Deus — fruto do próprio pecado, mas enfim. E ela resolveu deixar que eu crescesse sem me batizar, sem que eu tivesse um ensino religioso, sem me levar para a catequese; e eu fui batizado depois, lá com os meus quinze anos.
Mas, enfim, o que aconteceu quando eu nasci? Deus me mostrou a cena: uma enfermeira me pegou no colo — e ela era muito católica — e entregou a minha vida para Nossa Senhora. Eu nasci no hospital, eu acho que era o Mater Dei, no dia 28 de novembro de 1990, às nove horas da manhã; uma enfermeira muito devota me ofereceu para Nossa Senhora, e desde o meu nascimento Nossa Senhora tem cuidado de mim. Eu passei por uma fase de tendência ao suicídio, em que eu queria tirar a minha própria vida, tinha muito ódio, faltava muito amor, dos meus treze até os meus quinze anos. E eu fui batizado, recebi a minha primeira comunhão, fiz a minha confirmação, comecei a participar de um grupo de oração, vivi períodos maravilhosos, sofri muito.
Mas foi só depois de nove anos caminhando que Deus me mostrou isso. Eu tinha recebido, uns três ou quatro anos antes desse evento do Ágape Terapia, um livrinho chamado Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Eu tinha tentado ler, tinha tentado fazer a minha consagração a Nossa Senhora, e nunca tinha conseguido, irmão. Foi no retiro do Ágape Terapia que Nossa Senhora me pegou no colo e me deu um novo nascimento. Eu saí desse retiro e, em um mês, li o livro, me preparei e fiz a minha consagração no dia 27 de novembro, dia de Nossa Senhora das Graças. Depois, em fevereiro de 2015, eu saí do Brasil e vim morar aqui, onde eu moro hoje em dia, e passei ainda por muitas dificuldades. E aqui eu já era escravo de Nossa Senhora, consagrado à Virgem Maria oficialmente pelo método de São Luís Maria Grignion de Montfort.
Enfim, Nossa Senhora me alcançou a graça da conversão, da volta para Deus, do arrependimento dos meus pecados. Eu tive experiências maravilhosas aqui. E na última segunda-feira desta semana, em que eu ia renovar as minhas promessas junto com o grupo de que faço parte, a Legião de Maria, Nossa Senhora falava forte ao meu coração; e eu derramava as minhas lágrimas e agradecia a Deus por ter uma mãe tão boa, por ter uma mãe que cuidava de mim com tanto carinho, com tanto amor, que me dava graças infinitamente, graças que não acabavam nunca, que me deu a graça de voltar para Deus, a graça de ter dignidade.
Meus irmãos, eu me afastei — neste tempo em que estou morando aqui no Reino Unido, eu me afastei de Deus de uma forma terrível. Coloquei um brinco numa orelha, coloquei outro na outra orelha, desci para a balada, vivi uma vida de imundície, do pecado, deixei-me aliciar pelo demônio. Estava quase abandonando o exército — já tinha abandonado o exército da Virgem Maria, já tinha parado de rezar, já tinha me afundado no pecado —, e Nossa Senhora foi lá, estendeu a mão, me tirou do meio da lama e me alcançou a graça de Deus.
Eu testemunhei o que aconteceu comigo há dois anos e mais, quando ela me alcançou, no Espírito Santo, um arrependimento genuíno dos meus pecados, uma contrição, sabe? E, às vezes, ela ainda me dá essas graças no meio do meu sono: eu choro, me arrependo dos meus pecados, e ela coloca no meu coração um desejo de me confessar, e traz essa graça maravilhosa, meus irmãos. E quantas outras graças que eu não consigo — não dá tempo de testemunhar aqui! O que eu posso dizer para você é que Nossa Senhora é cheia das graças.
E eu penso no título de Nossa Senhora das Graças. Numa imagem em que ela apareceu, ela tinha muitos anéis, e desses anéis alguns estavam brilhando e outros estavam foscos, não brilhavam. E perguntaram para ela: "Maria, por que você tem esses anéis que não brilham?" E ela disse: "Essas são as graças que eu tenho para derramar sobre os meus filhos, mas eles não pedem. São as graças que eu tenho para derramar, mas que ficam por dar, porque são as graças pedidas que se derramam."
E nessa segunda-feira eu tive a graça de enxergar quantas graças ela derramou na minha vida, quantos milagres eu tive a graça de testemunhar: de conversão, de santificação, de salvação, de restauração da minha vida, de libertação, de purificação e de dignidade. É isso que Nossa Senhora faz. É por isso que nós temos que ser devotos, que ser do exército dela; é por isso que nós temos que ser consagrados; é por isso que nós temos que ser escravos dela — porque ela cuida de nós, porque ela nos permite permanecer no caminho de Deus. Quando nós estamos entortando, ela vem dar uma cajadada, para a gente acordar para a vida, para a gente se arrepender, para a gente ter a contrição dos nossos pecados, para a gente se confessar, para a gente voltar a ter uma comunhão mais perfeita com Deus.
Ela é quem nos alcança todas as graças de Deus. Como rejeitá-la? Como deixá-la de lado? Como não colocá-la num lugar de destaque na nossa vida, ao lado de Cristo, abaixo de Jesus? Ela é a pessoa que tem mais glória hoje no céu, e ela continua nos alcançando graças, continua nos alcançando bens. E durante esta Quaresma nós temos que ser devotos dela, temos que nos aproximar dela, porque ela vai nos ensinar a viver a Quaresma bem, meus irmãos.
Talvez essa fosse a mensagem que eu tinha para dar nesta formação: nós temos que nos aproximar de Maria, para que ela nos ensine a viver a Quaresma — ela, que viveu e fez da sua vida inteira na terra uma Quaresma, viveu o deserto, passou pelas dificuldades, pelas cruzes, pelos jejuns, pelas mortificações, pelas penitências. Maria, meus irmãos, é a Mestra. Ela é a Mestra do jejum, da penitência, ela que guardava tudo no seu coração e deixava a Palavra de Deus frutificar. Nós temos que aprender com ela, com as virtudes dela, com o amor que ela tinha por Jesus. Nunca existiu, e nunca vai existir ninguém nesta terra que amasse Jesus mais do que Maria; e é por isso que ela nos ensina a amar mais Jesus também. Por isso não é pecado nenhum nós amarmos Maria, venerarmos Maria; não é pecado nenhum e não é errado nós fazermos parte da sua descendência, porque, no fim dos tempos, é com ela que nós vamos receber a coroa da glória no céu.
E é através dela que nós vamos alcançar a perseverança de que precisamos para permanecer firmes; é por meio dela que nós vamos conseguir a conversão, a nossa própria conversão e a conversão dos nossos amigos; e é com ela que nós vamos ver os milagres do Senhor se realizando na nossa vida. Se nós servirmos a mãe de Deus, nós vamos aprender a servir melhor o Filho dela. Ela vai nos guardar no seu coração, ela vai nos proteger com o seu manto sagrado, ela vai nos ensinar a viver uma Quaresma de uma forma que agrade a Deus.
Nós queremos te pedir, mãe, neste momento, ao encerrarmos essa formação, a tua graça — as graças que a Senhora tem a derramar sobre nós, mãe; as graças que até hoje talvez nós não tivemos a coragem de pedir. A graça de sermos libertos de todo espírito de sexualidade desregrada; a graça de sermos puros; a graça de fazermos a vontade de Deus; a graça de dizermos sim à nossa vocação; a graça de nos abrirmos e recebermos o Espírito Santo, para o recebermos em plenitude. Que a sombra do Altíssimo nos envolva; pela tua intercessão, por meio do teu coração imaculado, derrama sobre nós o Espírito Santo, para que nós sejamos santos nestes tempos de hoje.
Mãe, coloca-nos no teu coração imaculado e purifica-nos de todo vício, de todo apego, de toda impureza, de todo pecado, de tudo o que desagrada a Deus, de toda contaminação, das raízes do nosso coração. Senhora, que foste servir a tua prima Isabel e a ajudaste durante seis meses, mãe, vem nos ajudar também pelo tempo que for necessário; faz uma faxina do nosso coração, ajuda-nos a perdoar as pessoas que nos ofenderam, alcança-nos a graça da contrição verdadeira, mãe, esse dom maravilhoso do Espírito Santo que nos leve às lágrimas, que nos leve a sorrir, o dom do Espírito de Deus.
Nós queremos viver uma vida espiritual, mãe. Senhora, que viveste a vida plena no Espírito, nós não queremos mais viver na carne. Ajuda-nos, nesta Quaresma, a nos desvencilharmos dos laços da carne, do pecado, dos apegos. Ajuda-nos a ser pessoas melhores, ajuda-nos a ser melhores na nossa vocação — de casados, de celibatários, de religiosos, de padres, de bispos. Ajuda o papa, mãe; ajuda a tua Igreja, Senhora que és mãe da Igreja. Derrama as tuas graças sobre o clero, derrama as tuas graças sobre os leigos, derrama as tuas graças para a santificação da Igreja. Ajuda-nos a participar da Santa Missa com o teu coração. Salva-nos de nós mesmos.
Mãe, nós confiamos a nossa vida inteiramente a ti, consagramo-nos a ti, consagramo-nos como teus escravos. Somos parte dessa geração que te proclama bem-aventurada; somos teus, e tudo o que nós temos também é teu. Ganha e administra os nossos bens, cuida da nossa vida, leva-nos a conhecer mais o teu Filho, alcança-nos a intimidade com o Senhor, alcança-nos o amor do Senhor. Alcança-nos, neste deserto da Quaresma, as graças de que nós precisamos para permanecer firmes durante o resto do ano. Mãe, ensina-nos a ser mais católicos, ensina-nos a amar-te com todo o nosso coração, e nós poderemos celebrar contigo, cantando o teu Magnificat, cantando os louvores do Senhor, vivendo uma vida que agrada a Deus.
Obrigado, minha mãe. Obrigado por cuidar de nós, obrigado pela tua intercessão. As graças que estão sendo derramadas agora, as pessoas que estão sendo alcançadas, os milagres que estão se realizando, as conversões que estão acontecendo, as curas, a ressurreição de almas que estavam dilaceradas, mortas no pecado, e que agora sentem o coração, sentem a vida. Aqueles que te acham encontram a vida. Bendita és tu, Maria. Obrigado. Obrigado pela tua atenção, obrigado pelo teu cuidado, obrigado pelo teu amor de mãe. Louvado seja o nosso Senhor Jesus Cristo — para sempre seja louvado.


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