Como tem sido difícil manter o ritmo deste maravilhoso roteiro espiritual! Tenho sido cobrado por leitores que acompanham estas reflexões semanalmente e que têm sentido falta da direção espiritual, física e psicológica.
Mas para todos que além de acompanhar, rezam conosco e seguem os roteiros que propomos, estamos aqui, para dar continuidade ao nosso seguimento de Cristo.
Não se iluda: nossa caminhada não termina enquanto não criarmos céu com nossa vida, com nossos atos, palavras e pensamentos, e deixarmos rastros de céu, caminho seguro que trilhamos, que nos leva ao céu e que pode levar a todos que também o seguem. Se você está disposto: VAMOS JUNTOS NESSA TRILHA!Sempre estivemos em comunhão com a Igreja, e por indicação do nosso glorioso vigário de Cristo sobre a Terra — o maravilhoso e amado sumo-pontífice, o papa Francisco —, vamos nos dedicar à alegria. Em sua exortação apostólica Evangelii gaudium (A alegria do Evangelho), escrita para toda a Igreja, o papa tem chamado a atenção dos católicos do mundo todo para a vivência da alegria.
Na primeira linha está escrito: ‘A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam libertar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria. Quero, com esta Exortação, dirigir-me aos fiéis cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos’.
Não parece que o papa escreve junto com a gente? Ele fala de caminho, dá uma direção, indica um percurso para trilharmos. Graças a Deus! Vamos acolher essa maravilhosa exortação e nos alegrar nessa noite com um tema que gera alegria no nosso corpo, na nossa alma e no nosso espírito.
Por isso, não perca tempo: dedique um breve momento à leitura deste capítulo, que vai acrescentar muito conhecimento e encher de alegria aqueles que estão afastados do Senhor, os que não O conhecem, as pessoas que andam meio entristecidas, os que estão desanimados na caminhada, os que sentem que falta algo em seu coração — e a todos os que precisam: a vocês apresentamos a alegria do perdão.
O povo de Deus tem consciência da sua natureza, inclinada ao pecado, pois com exceção da Virgem Maria e de Jesus Cristo, todos fomos concebidos com o pecado original.
Todos nós pecamos e continuaremos pecando enquanto estivermos nesta Terra, a não ser que, pela graça de Deus, alcancemos um nível místico como o de São Pio de Pietrelcina ou de outros santos que chegaram num nível tão elevado de santidade que já, neste mundo, viviam como viveremos no céu, ou seja, sem nenhum pecado, conservados na graça de Deus. Sendo assim, correspondamos plenamente ao chamado de Deus para todos os batizados:
“Santificai-vos, e sede santos, porque eu sou o Senhor vosso Deus. Vós sereis para mim santos, porque eu sou santo, eu, que sou o Senhor, que vos separei dos outros povos, para serdes meus.” (Lv 20,7.26)
Mas o que tem a ver a santidade com o perdão? Tem tudo a ver!
São João Paulo II dizia que santo é pecador que não desiste nunca. E como alguém pode não desistir nunca? Reconhecendo seus erros, assumindo seus pecados e entregando-os ao Senhor Jesus — pois eles já foram perdoados na cruz, pelo sangue derramado do nosso Salvador.
Muitas pessoas hoje são tristes e vivem na tristeza porque agem como se não pecassem, mantêm uma imagem de tão santos e tão perfeitos, que têm medo de mostrarem o que realmente são. Todos nós ficamos marcados e manchados pelo pecado que cometemos um dia ou outro do nosso passado ou do nosso presente.
Os grandes e verdadeiros homens e mulheres de Deus (que ainda não sejam místicos e pequem por causa da sua natureza) do século XXI são aqueles que têm consciência do seu pecado, das suas fraquezas, das suas limitações, que conhecem a si próprios, só que não aceitam essa natureza, não se entregam a ela e lutam com todas as suas forças contra o pecado e suas influências.
Sabe o que temos visto grandemente na Igreja hoje? Pessoas que desistem de lutar, pessoas que optam por não mais lutar por não acreditarem que seja possível vencer o pecado, pessoas que se entregam no começo, na metade ou no final da luta, enquanto a guerra mal tinha começado ou estava prestes a acabar.
Temos que ter consciência de que se até Jesus Cristo, no caminho da cruz, carregando nossos pecados, com a chaga que mais lhe doeu, a chaga do seu ombro (cf. São Bernardo de Claraval), caiu três vezes, nós também vamos cair nessa via crucis rumo ao céu, a qual vivemos aqui na Terra.
Veja o que Santo Agostinho dizia sobre esse tema: “Se te desculpas, Deus acusa-te; se te acusas, Deus desculpa-te”. É o que nos ensina São João evangelista em sua primeira carta (cf. 1Jo 1,8-9). Mas o fato é que muitas pessoas hoje querem esconder seu pecado!
A coisa mais boba que fazemos é querer esconder o nosso pecado (de Deus e dos homens) e mostrar aos outros que somos perfeitos quando ainda não somos. Temos que ter a coragem de viver na verdade e deixar que a verdade de Jesus nos transforme, nos molde, nos converta e nos dê a graça de viver uma vida nova, e em abundância.
Então, a primeira atitude que indicamos nessa primeira parte é reconhecer nosso pecado e ter a coragem de apresentá-lo ao Senhor, assumindo todas as consequências que foram geradas, por piores que sejam, pois Deus tem o poder de transformar todas as coisas, se Ele quiser, para nos dar a graça de nos corrigir.
Por isso que começamos com o texto do profeta Baruc. O povo de Deus, separado a dedo, consagrado, repleto de bênçãos, graças especiais, proteção e promessas do Senhor, com muitos privilégios entre todas as nações, porque serviam ao Deus único e verdadeiro, se desviaram constantemente da presença de Deus.
É por essa razão que Deus fez uma aliança com seu povo e quer fazer com cada um de nós. Isso significa compromisso, alimento sólido!
Mas com o passar do tempo, o povo de Deus sempre se esquecia da aliança com o Senhor e buscava outros meios de resolver os problemas, de buscar a sua felicidade e em outros deuses o sentido da sua vida. Por esse motivo, o Senhor sempre enviava seus mensageiros, levantava profetas e pessoas ungidas para lembrar o povo sobre sua aliança de amor.
De tanto pecar e de tanto irritar o Senhor, mesmo com os profetas, o povo de Deus sofreu os castigos de ser tirado da terra que jorrava leite e mel e Deus permitiu que fossem levados como escravos para a Babilônia. Muitas vezes isso é o que acontece com cada um de nós.
Quando estamos assim, mesmo conhecendo Deus, fazendo tudo o que lhe desagrada, e mesmo assim o Senhor insistindo na misericórdia e nos perdoando, chega um momento em que ficamos cegos por causa do nosso pecado, das nossas más paixões e inclinações perversas do nosso coração. Precisamos então de alguém (um amigo, uma pessoa de Deus, um parente) que abra os nossos olhos e nos ajude a enxergar de novo. Que Deus levante neste momento pessoas para ajudar você a voltar a enxergar.
É isso que o profeta Baruc fez quando o povo de Deus estava cativo como escravo entre os babilônios. Então ele recomendou a confissão dos pecados. Vamos acompanhar a oração que ele indicou ao povo, e que hoje indica a nós fazermos com nossas palavras. É verdade que o texto é grande, mas compensa lê-lo até o final...
“E rogai-lhe pela vida de Nabucodonosor, rei de Babilônia, e pela vida de Baltazar seu filho, para que os seus dias sejam como os dias do céu sobre a terra. E para que o Senhor nos dê fortaleza, e alumie os nossos olhos, para que vivamos debaixo da sombra de Nabucodonosor, rei de Babilônia, e debaixo da sombra de Baltazar seu filho, e os sirvamos a eles muitos dias, e achemos graça na presença deles. Orai também ao Senhor nosso Deus por nós mesmos: Porque nós pecamos contra o Senhor nosso Deus, e o seu furor se não apartou de nós até este dia. E lede este livro, que nós vos mandamos, para ser lido em alta voz no Templo do Senhor, em dia solene, e em dia oportuno: E direis: Ao Senhor nosso Deus seja atribuída a justiça, mas a nós a confusão do nosso rosto: Como se vê neste dia a todo Judá, e aos que moram em Jerusalém. Aos nossos reis, e aos nossos príncipes, e aos sacerdotes, e aos profetas, e aos nossos pais. Nós pecamos diante do Senhor nosso Deus, e não cremos, desconfiando dele: E não lhe quisemos estar sujeitos, e não ouvimos a voz do Senhor nosso Deus, para andarmos segundo os seus preceitos, que ele nos deu. Desde o dia em que ele tirou nossos pais da terra do Egito até este dia, temos sido rebeldes ao Senhor nosso Deus: E dissipados nos apartamos dele, por não ouvirmos a sua voz. E se nos têm pegado muitos males, e maldições, que o Senhor intimou a Moisés seu servo: O qual tirou a nossos pais da terra do Egito, para nos dar a terra que manava leite e mel, como se vê no dia de hoje. E não ouvimos a voz do Senhor nosso Deus, segundo todas as palavras dos profetas, que ele nos enviou: E andamos cada um segundo o sentido do nosso coração maligno para servir a deuses estranhos, fazendo más obras ante os olhos do Senhor nosso Deus. Por isso verificou o Senhor nosso Deus a sua palavra, que falou contra nós, e contra os nossos juízes, que julgaram a Israel e contra os nossos reis, e contra os nossos príncipes, e contra todo Israel e Judá. Que traria o Senhor sobre nós grandes males, quais nunca se tivessem visto debaixo do céu, como os que vieram sobre Jerusalém, conforme ao que está escrito na lei de Moisés, que comeria o homem as carnes de seu filho, e as carnes de sua filha. E os entregou o Senhor debaixo da mão de todos os reis, que estão no nosso contorno para serem o ludíbrio e a desolação entre todos os povos em que o Senhor nos pôs dispersos. E temos ficado por baixo, e não por cima: Porque pecamos contra o Senhor nosso Deus, não obedecendo à sua voz. Ao Senhor nosso Deus seja atribuída a justiça: Mas a nós, e a nossos pais a confusão de rosto, como se está vendo neste dia. Porque o Senhor predisse contra nós todos estes males, que vieram sobre nós: E não temos feito súplicas diante da face do Senhor nosso Deus, para nos retirarmos cada um de nós dos nossos péssimos caminhos. E velou o Senhor os males, e os fez vir sobre nós: Porque o Senhor é justo em todas as suas obras, que nos mandou: E não ouvimos a sua voz para caminharmos nos mandamentos do Senhor, que ele nos pôs diante da nossa face, E agora, Senhor Deus de Israel, que tiraste o teu povo da terra do Egito com mão forte, e com sinais, e com prodígios, e com o teu grande poder e com braço levantado, e adquiriste para ti nome, assim como se está vendo neste dia: Nós pecamos, temos obrado com impiedade, temos vivido mal, ó Senhor nosso Deus, contra todos os teus mandamentos. Aparte-se de nós a tua ira: Porque temos ficado poucos entre as gentes, onde nos puseste dispersos. Escuta, Senhor, as nossas preces, e as nossas orações, e livra-nos por amor de ti mesmo: E concede-nos achar graça diante da face daqueles que nos trouxeram fora do nosso país: Para que toda a terra saiba que tu és o Senhor nosso Deus, e que o teu nome tem sido invocado sobre Israel, e sobre a sua geração. Olha, Senhor, para nós da tua santa casa, e inclina o teu ouvido, e escuta-nos. Abre os teus olhos, e vê: Porque os mortos que estão no inferno, cujo espírito foi separado das suas entranhas, não darão honra, nem justificação ao Senhor: Mas a alma, que está triste por causa da grandeza do mal, e anda encurvada, e abatida, e tem os olhos enfraquecidos, e a alma faminta, te dá a ti, ó Senhor, glória, e o louvor da tua justiça. Porque não é segundo as justiças de nossos pais, que nós derramamos os nossos rogos, e imploramos misericórdia diante da tua presença, ó Senhor nosso Deus: Mas porque enviaste a tua ira, e o teu furor sobre nós, como o proferiste pela boca dos teus servos os profetas.” (Br 1,11-2,20)
Algumas pessoas criticam essa expressão “Céu na Terra”; mas veja: o próprio Baruc recomendava ao povo que orasse por Nabucodonosor e por seu filho Baltasar, a fim de que vivessem uma vida celeste na Terra. É ver para crer; é crer para ver.
Mas vamos lá: a recomendação inclui orações e uma exortação para todos abrirem os olhos. Quantos de nós, perante as injustiças, as dificuldades, as tribulações, os momentos difíceis, as contrariedades da vida, culpamos Deus pela nossa infelicidade e por nossos tormentos, quando o que passamos é fruto do que plantamos e os males que nos afligem são consequências dos nossos pecados.
“Não queirais errar, de Deus não se zomba: porque aquilo que semear o homem, isso também segará.” (Gl 6,7)
Como é bom ter a graça de Deus e abrir os nossos olhos ante a realidade que nos cerca, sobre a verdade de quem realmente somos.
Quantos de nós passam a vida inteira numa ilusão! Não nos conhecemos, só fazemos e praticamos o mal, criamos infernos na terra, pecamos conscientemente e sem pensar nas consequências, não nos importamos com as pessoas ao nosso redor. Somos orgulhosos, mesquinhos, preguiçosos, acusadores, invejosos, maliciosos — e gostamos de ficar falando dos pecados dos outros.
Algumas pessoas precisam de um choque para acordar para a vida; se não, permanecerão sempre dormindo sob o jugo suave e enganador do pecado! Outros precisam de uma chacoalhada com carinho, pois, caso contrário, ficam ainda mais revoltados. Outras pessoas precisam ouvir conselhos. Outros precisam de um jeito carinhoso e fraterno de exortação. Mas em todos os casos, todos precisamos de oração para sermos corrigidos.
O arrependimento é um dom de Deus. E só temos essa vida para nos arrepender dos nossos pecados! Esse negócio de reencarnação é uma palhaçada do espiritismo que a Bíblia condena e chama a atenção claramente para os riscos dessa contaminação e essas ideias frívolas.
“Assim como está decretado aos homens que morram uma só vez, e que depois disto se siga o juízo.” (Hb 9,27)
Não há como arrependermo-nos depois que morrermos. Podemos pensar assim: ‘Se posso me arrepender até o meu último suspiro, como o bom ladrão (São Dimas) que foi perdoado e salvo na última hora por Jesus na cruz porque se arrependeu e confessou seus pecados, vou deixar para me arrepender nos últimos momentos da minha vida!’
Só há dois problemas nessa afirmação: o pecado além de cegar, endurece nossos sentimentos e cria como que uma casca de cera em torno do nosso coração, tirando de nós a sensibilidade, as verdadeiras emoções, nos envolvendo na falsa alegria exterior. Santo Agostinho dizia: “Aqueles que pretendem encontrar a alegria fora de si, facilmente encontram o vazio”.
Sabemos que para nos arrependermos verdadeiramente precisamos do fundo do coração cumprir as três exigências básicas para tal: reconhecer o que fizemos e pedir perdão a Deus, sentir o pesar pelo que se fez, ficar contrito de coração e mudar de mentalidade e por fim reparar nossos erros.
E se não der tempo de fazermos isso antes de morrermos, quando estivermos nas últimas? Você vai arriscar perder a sua salvação, deixando para arrepender-se na última hora dos seus pecados, apenas para viver de acordo com seus caprichos, de acordo com as realidades acomodadas, desequilibradas que há dentro de você, que foram deixadas pelos pecados que você cometeu? Nunca! Largue de ser besta!
Mas a segunda coisa é que temos que nos corrigir das más inclinações, da concupiscência que o pecado deixa em nós, porque quem não está totalmente purificado e santo não entrará no céu, na glória puríssima do Reino eterno de Deus.
Temos que tomar consciência de uma verdade: Jesus derramou o sangue na cruz e perdoa todos os pecados que cometemos no passado, que estamos cometendo e que possamos cometer no futuro se reconhecemos nossos pecados e pedimos o seu perdão. Mas as consequências e inclinações que o pecado deixa em nossa alma dependem do nosso esforço e dedicação para serem corrigidas e apagadas.
Em outras palavras: temos que pagar por todos os pecados que cometemos, não pela causa, porque Jesus já pagou, mas pela consequência, que é a nossa parte, que depende do nosso livre-arbítrio para sermos santos. Pela graça de Deus, existe o purgatório — cuja existência podemos afirmar com a Bíblia — para pagarmos essas consequências. Mas sabendo disso, você vai preferir viver em pecado até o último dia para sofrer para apagá-los de sua alma durante um tempo enorme de tormentos? Nunca! Largue de ser tolo!
Mas, em tudo isso, onde está a alegria de que estamos falando, se até agora só falamos de pecado, perdão e arrependimento? Justamente: o pecado é o motivo da nossa tristeza — e precisamos permitir que a santidade seja o motivo da nossa alegria, ensinava Santo Agostinho.
O rei Davi viveu momentos felizes e momentos difíceis em sua vida. Mas num determinado momento, cometeu um pecado absurdo: ficou com a mulher do seu braço direito nas lutas, engravidou-a, tentou forjar um meio de esconder seu pecado, não conseguindo, mandou matar o homem que lutava por seu reino, causou a morte da criança que foi concebida e ainda ficou bem na foto diante do povo. Conseguiu esconder seu pecado!
Foi aí que o profeta Natã foi contar-lhe a historinha das ovelhas para abrir seus olhos. Quando caiu em si e viu o mal que tinha cometido se arrependeu e, diante de Deus, compôs um dos salmos mais belos dos 150 salmos que estão na Bíblia Sagrada: o salmo 50, chamado de MISERERE; é o salmo da misericórdia, onde ele reconhece sua condição, pede perdão e faz um propósito de emenda.
Ele que experimentou a alegria do perdão pôde escrever também, com certeza depois desse episódio, o Salmo 31, onde ele retrata os efeitos do perdão para o ser humano. Vamos acompanhá-lo na íntegra, pois é maravilhoso:
“Salmo do mesmo Davi, para dar entendimento. Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputou pecado, e cujo espírito é isento de dolo. Porque calei, e envelheceram os meus ossos enquanto clamava todo o dia. Porque a tua mão se fez pesada sobre mim de dia e de noite; eu me converti da minha miséria, enquanto se crava a espinha. Eu te manifestei o meu pecado, e não ocultei a minha injustiça. Eu disse: Confessarei ao Senhor contra mim a minha injustiça; e tu me perdoaste a impiedade do meu pecado. Por isso orará a ti todo o santo no tempo oportuno; mas na inundação das muitas águas, a ele não se chegarão. Tu és o meu refúgio na tribulação que me cercou; alegria minha, livra-me dos que me cercam. Inteligência te darei, e instruir-te-ei neste caminho em que hás de andar; fixarei sobre ti os meus olhos. Não queirais ser como o cavalo e o mulo, que não têm entendimento. Com o bocado e com a brida aperta as queixadas daqueles que não se chegam a ti. Muitos são os açoites para o pecador, mas o que espera no Senhor, misericórdia o cercará. Alegrai-vos no Senhor e regozijai-vos, ó justos, e gloriai-vos no reto do coração.” (Sl 31,1-11)
É tão bonito e tão maravilhoso esse salmo na teoria. Mas temos que traduzi-lo e aplicá-lo na prática da nossa vida para que sua beleza resplandeça em nosso viver. Mais do que no papel, tem que ser no nosso dia a dia.
São felizes aqueles que são perdoados, que têm o pecado absolvido. São felizes aqueles que não têm o mal do pecado guardado no coração, como tesouro da sua vida. São felizes aqueles que tomam a decisão de confessar ao Senhor o pecado e não mais se entregar às dissimulações que o pecado provoca em nós. São felizes aqueles que têm a coragem de saber que o Senhor vai perdoar o pecado, porque fazem a experiência de experimentar o perdão.
O Senhor nos preserva das angústias porque nos envolve na alegria da salvação — a maior alegria que pode existir nesta vida, e que será também na vida eterna. Ele nos envolve com a sua misericórdia infinita.
Quantas pessoas são tristes porque acham que seu pecado é muito grande e Deus não será capaz de perdoá-los. Ora, o perdão e a misericórdia de Deus são maiores que qualquer erro ou pecado que podemos cometer, por pior que seja. Não tem como o nosso pecado ser maior que a misericórdia de Deus, pois Ele é infinitamente maior que nós, nosso criador!
Por que devemos estar dispostos a experimentar essa alegria? Porque seremos pessoas 100% melhores, mais santas, mais capazes de fazer as coisas, abertas ao bem e às coisas boas. Quando nos fechamos no nosso pecado, nos fechamos na tristeza, na angústia, abrimos a porta do coração à depressão, a todo tipo de mal.
Qual deve ser a nossa atitude, então, para experimentar tal alegria que estamos retratando e exaltando tanto? A mesma do povo de Deus, quando Baruc terminou de ler o seu livro:
“E leu Baruc as palavras deste livro aos ouvidos de Jeconias, filho de Joaquim, rei de Judá, e aos ouvidos de todo o povo que veio a ouvir este livro, e aos ouvidos dos poderosos filhos dos reis, e aos ouvidos dos anciãos, e aos ouvidos do povo, desde o mais pequeno até ao maior de todos aqueles que moravam em Babilônia, junto ao rio Sodi. Os quais, ouvindo-o, choravam, e jejuavam, e oravam na presença do Senhor.” (Br 1,3-5)
Vamos chorar, fazer um propósito de jejum e orar nesse momento ao Senhor. Traga ao seu coração sua realidade, para rezar a partir dela:
“Senhor meu Deus, me coloca diante da tua presença. Sei que o Senhor está sempre comigo, mas quero me colocar agora contigo. Quero humilhar meu coração e reconhecer o meu nada. Como eu sou pecador, Senhor... Como sou uma pessoa má, que não consegue progredir... Tento muitas vezes, mas vejo que não saio do lugar, por mais que me esforce...A verdade é que estou cansado, Senhor Jesus! Estou cansado de caminhar, estou cansado de lutar contra isso que está em mim e que não consigo vencer. Olho para trás e vejo quantas vezes caí, quantas vezes fui infiel, quantas vezes me iludi pensando que o pecado iria me trazer alegria, mas na verdade foi uma euforia, uma coisa momentânea que, em questão de tempo, abandonou-me.
Em função disso, comecei a buscar minha alegria no fundo do pecado. Me afoguei no vício da masturbação, da pornografia, da sexualidade desregrada, na impureza, até mesmo em aberrações, coisas que eu pensei que nunca seria capaz de fazer. Mas eu fiz Senhor, e hoje reconheço que sou escravo do pecado. Não consigo mais me libertar! O fato é que me entreguei ao pecado no começo, pensando que seria feliz e hoje não passo de um triste escravo da concupiscência que ficou em mim.
Eu comecei na brincadeira com os amigos, vendo quem conseguia beber mais sem ficar bêbado. Brinquei com a bebida e hoje é ela que brinca comigo. Não consigo mais parar de beber. Não sei como parar! Peço tua ajuda e misericórdia, Senhor, pois nem clínica de tratamento e nenhum meio humano pôde me curar, porque além da dependência da carne, existe uma prisão na minha alma. Me deixei convencer que eu não podia mais viver sem esse pecado.
Senhor, confesso que me tornei um viciado nesse jogo, nessa droga, nessa brincadeira, nessa falsa religião, nessa mentira que transformei em verdade em minha vida. Não sou mais livre, mas quero ser, Senhor. O pecado me prendeu de tal forma que estou como o seu povo que ficou escravo na Babilônia.
Mas hoje eu tomo a decisão de romper com tudo isso! Quebra em minha vida os cativeiros que me prendem!
Jesus, o Senhor, rasgou o véu do Templo, abriu o paraíso que estava fechado e escancarou seu coração para acolher a humanidade. O Senhor teve suas mãos e seus pés abertos pelos pregos dos meus pecados e encravou-os, prendeu-os na cruz para que eu não fosse mais preso. E hoje eu quero de volta a liberdade que eu perdi quando escolhi pelo pecado e deixei o Senhor de lado.
Eu me arrependo de todo o meu coração por todos os pecados que cometi em minha vida. Hoje caem escamas dos meus olhos e eu consigo enxergar, pela ação do teu Espírito Santo, como fui tolo, como fui enganado e como eu me deixei enganar. Quanto tempo eu perdi, quanto tempo vivi longe da Tua presença.
Quanto tempo vivi sem Te amar, porque amei o meu pecado. Me perdi amando as criaturas, as coisas e deixei de amar o maravilhoso criador, que merece meu amor. É como Santo Agostinho dizia: TARDE TE AMEI SENHOR! Tarde demais te amei, tarde demais decidi romper com o pecado. Mas como ele também dizia, antes tarde do que nunca.
Como é bom poder confessar esses pecados que por muito tempo foram o motivo da minha tristeza e fizeram com que eu me esquecesse do Senhor, do qual provém minha verdadeira alegria, e me contentasse com a euforia, a alegria momentânea do mundo.
Olho para minha história e mergulho toda ela no Senhor nesse momento (conte a Jesus os detalhes que marcam sua história).
Quero te louvar e te agradecer por tamanho amor e misericórdia do Senhor! Me sinto perdoado! Me sinto amado! Me sinto acolhido! Me sinto restaurado! Me sinto totalmente encharcado por tua paz, por tua presença, por tua graça. É como São Paulo dizia: onde abundou o pecado, superabundou a graça. Te louvo porque eu era triste, mas hoje sou feliz e alegre porque vou caminhar animado pelo teu Espírito de alegria.
Te adoro, Pai Santo, por me dar a graça do teu perdão! Te bendigo, Espírito Santo, alegria do Pai e do Filho em mim. Te exalto e te rendo com toda alegria da minha alma a glória e adoração. Te amo, Senhor. Obrigado por teu perdão! Aleluia. Amém!”
Deixemo-nos envolver pelo oceano de misericórdia do Senhor.
Vamos nos deixar envolver por essa alegria do reencontro com Jesus.
Peçamos ao Senhor a graça de voltar ao Jardim da Inocência.
Alegremo-nos no Senhor.
“Santos do Senhor, cantai-lhe hinos, e celebrai a memória da sua santidade. Porque ele nos fere na sua ira, e ele nos dá a vida na sua boa vontade. De tarde estaremos em lágrimas, e de manhã em alegria.” (Sl 29,5-6)
Conscientes dessa alegria que decorre e surge em nossa alma e em todo o nosso ser pela confissão e pelo perdão dos nossos pecados, possamos experimentar sempre com mais veemência a graça da alegria que vem do perdão. Pode ser que seja necessário fazer uma penitência, chorar com toda a alma, se arrepender de todo o coração, mas, verdadeiramente, só pode sorrir de verdade aquele que chora muito.
Esse sim, sorri, ri e vive numa alegria verdadeira e duradoura, sem medo de ser feliz!
Que Deus nos abençoe e nos dê a graça de experimentar muito mais a alegria do perdão!






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