Resumo do vídeo

A alegria do perdão: quando a santidade volta a ser a fonte da alegria

Neste vídeo, Gustavo conduz uma meditação sobre o pecado e o perdão a partir de uma convicção simples e provocadora, tomada de Santo Agostinho: o pecado é o motivo da nossa tristeza. Sua tese é que a angústia, o desânimo e a sensação de estar no fim do túnel não são acasos misteriosos, mas frequentemente o sinal de uma alma que se afastou de Deus. A boa notícia é que o perdão devolve exatamente aquilo que o pecado rouba, e essa restituição vem carregada de alegria, uma alegria que ele diz ter experimentado no próprio dia da gravação.

A reflexão começa encomendando o momento a Nossa Senhora, com o sinal da cruz, a Ave-Maria e a invocação de São José. A partir daí, Gustavo desenvolve o tema em três movimentos: primeiro descreve a gravidade e a lógica do pecado; depois narra um testemunho pessoal do poder do perdão; e por fim conduz o ouvinte a uma decisão concreta, ancorada nos salmos, de confessar e voltar para Deus.

O pecado é uma desgraça que faz esquecer

Apoiado em São Paulo, Gustavo lembra que todos pecaram e estão privados da glória de Deus (Rm 3,23) e que o salário do pecado é a morte (Rm 6,23). O pecado, diz ele, é aquilo que separa da vida de Deus, corrói a fé, tira o ânimo e arranca da alma as virtudes que Deus depositou nela: a bondade, a pureza, a humildade. Seu efeito mais insidioso é o esquecimento: o pecado faz a pessoa esquecer de Cristo, de Maria, da Igreja, da Palavra, do Espírito Santo e da própria comunhão, ou seja, faz esquecer quem ela é e para que foi criada. Reconhecendo que somos frágeis e que até o justo cai muitas vezes, ele situa a condição humana como uma batalha permanente, recordando que a vida do homem sobre a terra é uma luta (Jó 7,1).

Deus liberta, e nós tornamos a esquecer

Para tornar visível essa dinâmica, Gustavo percorre longamente o Salmo 77, que recorda os prodígios de Deus no Egito e no deserto e, ao mesmo tempo, a ingratidão de um povo que "tentava a Deus" e voltava a provocá-Lo. Ele aplica a passagem à vida de cada um: Deus cura, liberta da opressão, das falsas doutrinas e do pecado, conduz com firmeza e alimenta com o Corpo e o Sangue de seu Filho, introduzindo-nos no mistério da única Igreja, na comunhão entre a Igreja militante, a padecente e a triunfante. E, mesmo assim, à primeira oportunidade, o coração volta a pecar. Usa a figura de Pedro, que conviveu três anos com Jesus e, diante da cruz, voltou a ser pescador de peixes, para descrever como cada um retorna aos velhos costumes, hábitos e vícios.

Um testemunho pessoal do perdão

O centro afetivo do vídeo é um relato do próprio dia. Gustavo conta que acordou tarde, cansado e tomado por uma tristeza e um desejo de pecado cuja origem não compreendia. Movido por uma inspiração, foi à missa e à adoração e, ao chegar à igreja, aproveitou as confissões daquele sábado, depois de cerca de um mês sem se confessar. Descreve ter saído do confessionário "outra pessoa", com uma alegria no peito, uma vontade de ser santo e um desejo renovado de Deus. Diante do Santíssimo Sacramento, sentiu de modo quase palpável que Deus o perdoa e cuida dele, e que o poder do sacramento e do perdão é real. É essa graça sobrenatural, diz ele, que deseja partilhar. Recorda ainda o convite de São Josemaria Escrivá a buscar Jesus no sacrário lembrando que "há vinte séculos" Ele nos espera.

O desejo de um coração puro

Gustavo liga sua experiência ao Salmo 50, cantado naquela missa, cujo refrão pedia: "Ó Deus, criai em mim um coração puro." Contrasta esse desejo com um mundo que ensina a impureza e a malícia, um mundo que, como diz a Escritura, está todo sob o domínio do maligno (1Jo 5,19). Recorda que Jesus quis junto de si as crianças, porque o Reino é dos que se assemelham a elas, e evoca a "infância espiritual" de Santa Teresinha para dizer que o pecado nos faz perder o coração de criança. Diante de Deus, porém, o que mais agrada é justamente ver no íntimo da alma o desejo sincero da pureza e da santidade.

A decisão: confessar e voltar

A parte final é um chamado direto à conversão. Retomando o Salmo 50 na oração de Davi, que pecou mas confessou, Gustavo mostra que reconhecer a culpa devolve o espírito firme, a presença do Espírito Santo e a alegria da salvação. Passa então ao Salmo 31, proclamando "feliz aquele cuja iniquidade foi perdoada", e propõe como decisão do dia o versículo 5: "confessei-vos o meu pecado e não escondi a minha culpa; e vós perdoastes a pena do meu pecado." Cita o Papa Francisco, para quem Deus nunca se cansa de perdoar e somos nós que nos cansamos de pedir perdão. Com a parábola do filho pródigo, descreve um Deus que espera de braços abertos, com túnica, sandália e anel novos, preparando uma festa para a nossa volta, condicionada apenas à nossa decisão de querer abandonar o pecado.

O pecado é o motivo da tua tristeza, mas deixa que a santidade seja o motivo da tua alegria.

Para levar para a vida

  • Quando vier a angústia ou a vontade de desistir, examinar se ela não nasce de um pecado que afastou o coração de Deus.
  • Procurar o sacramento da confissão sem deixar passar tempo demais, e viver a adoração ao Santíssimo como encontro pessoal com Cristo.
  • Fazer da oração de Davi a própria oração: pedir um coração puro, um espírito firme e a alegria da salvação.
  • Tomar a decisão concreta de confessar o pecado em vez de escondê-lo, confiando que Deus, como o pai do filho pródigo, espera de braços abertos.
  • Lembrar, nos momentos de queda, que santo não é quem nunca erra, mas quem se levanta sempre.

Passagens citadas: Rm 3,23; Rm 6,23; Jo 20,22-23; Jó 7,1; Sl 77; Sl 50; Sl 31; 1Jo 5,19

Transcrição completa do vídeo

Transcrição integral do áudio do vídeo, organizada em parágrafos para facilitar a leitura.

Meu querido irmão, minha querida irmã, bem-vindos ao nosso canal, e hoje nós estamos aqui reunidos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Queremos entregar esse momento de partilha no coração da Virgem Maria, ela que é a Rainha da Paz, ela que é a Mãe de Deus e nossa Mãe. Ela que carregou Jesus por nove meses dentro do seu ventre, ela que o educou durante trinta anos, ela que foi a primeira discípula, que ela nos ensine a estar mais próximos dele e a amá-lo com todo o nosso coração.

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém. São José, rogai por nós.

Então, meus queridos irmãos, minhas queridas irmãs, queremos hoje refletir na Palavra de Deus, e o nosso tema de hoje será a alegria do perdão. Nós vamos começar, claro, sabendo que o nosso pecado, como São Paulo diz, é uma desgraça. Como está escrito no capítulo 3 de Romanos, no versículo 23: todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus. E como ele também escreveu no capítulo 6, no versículo 23: o salário do pecado é a morte.

Então o pecado é a desgraça que nos separa, que nos afasta da vida de Deus, que nos faz viver uma vida que não agrada a Deus. O pecado é o que corrói a fé no nosso coração, o pecado é o que tira o ânimo que existe dentro de nós. O pecado é aquilo que arranca tudo o que Deus nos dá de dentro do nosso coração, e que arranca da nossa alma as virtudes, que arranca do nosso jeito de ser a bondade que Deus colocou em nós, a pureza que Deus nos deu, a humildade. O pecado acaba com tudo; o pecado é uma desgraça total.

Então, sabendo disso, nós sabemos que somos pecadores e, como está escrito no livro do Eclesiástico, se o justo peca e cai sete vezes, quanto mais nós, que não somos justos, que não somos santos, que não somos nada. Nós pecamos muito, pecamos muito. E muitas vezes na nossa vida nós não entendemos por que passamos por momentos de angústia, momentos até mesmo de depressão. É uma opressão maligna que fica latejando dentro de nós vinte e quatro horas por dia, nos empurrando, nos atraindo para o pecado, nos fazendo desistir, desanimar da vida de Deus, desanimar da graça, desanimar do desejo de ser santo, desanimar da vontade de agradar a Deus. E nos esquecemos de Cristo, nos esquecemos de Maria, nos esquecemos da Igreja, nos esquecemos da Palavra, nos esquecemos do Espírito Santo, nos esquecemos da nossa comunhão. O pecado é aquilo que faz a gente se esquecer de quem a gente é e do que a gente foi feito para ser.

E a graça maravilhosa que Deus nos deu, sabendo da nossa condição, é o perdão. E o que Jesus nos deu, derramando o seu sangue na cruz, instituindo no capítulo 20 de João, foi a confissão. É uma pena que nossos irmãos protestantes não acreditam no que está escrito na Bíblia, quando Jesus soprou sobre eles e disse: "Recebei o Espírito Santo; os pecados a quem vós perdoardes serão perdoados, aqueles a quem vós os retiverdes serão retidos." É uma pena que eles acreditam só no que eles querem. E Santo Agostinho diz que, se você acredita só no que você gosta do Evangelho, não é no Evangelho que você acredita, mas é em você mesmo.

Muitos, por ignorância, não sabem, até mesmo católicos não sabem o poder do sacramento da confissão; é uma graça extraordinária. Mas hoje eu não vou falar especificamente desse sacramento; eu quero falar do perdão e da graça que nós recebemos também através da confissão. Se você quiser saber mais sobre o sacramento da confissão, acesse aqui no blog as postagens relacionadas a esse tema e você vai poder se aprofundar um pouquinho nisso. Mas hoje o nosso tema é o pecado, e o perdão, e a alegria que o perdão traz.

Porque Santo Agostinho dizia, meus irmãos: o pecado é o motivo da tua tristeza. Quero repetir isso para você gravar, porque todas as vezes que você pensar em desistir, você passar por um momento de angústia, de desolação, de decepção, de, sabe, uma coisa depressiva, opressiva, uma pressão dentro de você te empurrar para desistir, porque você está angustiado, porque você está triste, porque você está no fim do túnel, sabe disso? O pecado é o motivo da tua tristeza; mas deixa que a santidade seja o motivo da tua alegria. E é claro, para aqueles que não sabem, São João Paulo II costumava dizer assim: santo não é quem não erra, quem não peca; santo é o pecador que se levanta sempre. Você cair e levantar, cair e levantar, cair e levantar.

Então eu quero pegar uma passagem aqui do Salmo 77, só para dar uma ideia para a gente do que é o pecado, do que ele vai fazendo e do que o pecado faz, sabe, que a gente não enxerga. No Salmo 77, no versículo 40: "Quantas vezes no deserto o provocaram e na solidão o afligiram? Recomeçaram a tentar a Deus, a exasperar o Santo de Israel." É isso que você e eu fazemos quando nós pecamos.

"Esqueceram a obra de suas mãos, no dia em que os livrou do adversário, quando operou seus prodígios no Egito e maravilhas nas planícies de Tânis; quando converteu seus rios em sangue, a fim de impedi-los de beber suas águas; quando enviou moscas para devorá-los e rãs que os infestaram; quando entregou suas colheitas aos pulgões e aos gafanhotos o fruto de seu trabalho; quando arrasou suas vinhas com granizo e suas figueiras com geada; quando extinguiu seu gado com saraivadas e seus rebanhos pelos raios; quando descarregou o ardor de sua cólera, indignação, furor, tribulação, um esquadrão de anjos da desgraça; deu livre curso à sua cólera; longe de preservá-los da morte, ele entregou à peste os seus seres vivos; matou os primogênitos do Egito, os primeiros partos nas habitações de Cam; e quando retirou seu povo como ovelhas e o fez atravessar o deserto como o rebanho, conduziu-os com firmeza, sem nada ter que temer."

É isso que Deus faz comigo e com você: ele nos tira do pecado, nos tira do mundo, nos tira da desgraça, da morte, da maldição, e nos conduz com firmeza, enquanto aos inimigos submergiu no mar. "Ele os levou para uma terra santa, até os montes que a sua destra conquistou; ele expulsou nações diante deles, distribuiu-lhes as terras como herança, fez habitar em suas tendas as tribos de Israel." Deus nos conduz à sua casa, nos dá de comer o alimento, que é o Corpo e o Sangue do seu Filho, nos dá de beber do seu sangue, nos dá a comunhão perfeita do Espírito Santo, nos introduz no mistério da Igreja, que é uma só: a comunhão que existe entre a Igreja militante, a Igreja padecente e a Igreja triunfante.

E mesmo assim, olha o que eu e você fazemos: "Mas ainda tentaram a Deus e provocaram o Altíssimo, e não observaram seus preceitos; transviaram-se e prevaricaram como seus pais; erraram o alvo como um arco mal entesado; provocaram-lhe a ira com seus lugares altos e inflamaram-lhe o zelo com seus ídolos." Meus irmãos, é isso que eu e você fazemos, não é uma vez não, não são duas vezes, é sempre. Deus faz maravilhas na nossa vida e a gente se esquece; Deus nos cura de doenças e a gente se esquece; nos liberta da opressão, nos liberta dos demônios, nos liberta das falsas doutrinas, nos livra do pecado, e a gente se esquece. É que, na primeira oportunidade que a gente tem, a gente vai e peca, a gente vai e comete os mesmos ídolos dos nossos pais, a gente vai e comete os mesmos ídolos que a gente no passado condenava. A gente não se cansa de pecar.

Mas uma coisa é certa, meu irmão: no capítulo 7, no versículo 1, dizia que a vida do homem sobre a face da terra é uma luta, é uma guerra. A gente está em batalha; a gente se esquece disso, a gente se entrega ao pecado, a gente se entrega ao demônio, a gente se entrega à nossa carne, a gente se entrega aos desejos corrompidos, às paixões desordenadas que existem em nós, que a gente não combate. Deus nos conduz, nos conduz, nos dá força, nos dá ânimo, nos dá coragem, tudo o que a gente precisa; mas quando a gente tem que andar com as nossas próprias pernas, a gente desiste, a gente cai, a gente volta atrás. A gente é como o Pedro, que experimentou Jesus Cristo por três anos, mas, quando viu que ele morreu na cruz, esqueceu que ele disse que ia ressuscitar, e a gente volta a pescar, a gente volta a ser pescador de peixes, a gente volta à nossa profissão do pecado do passado, a gente volta à nossa vida, sabe? Os costumes, os hábitos, os vícios, a gente volta a tudo isso, a gente se esquece, mesmo tendo experimentado o suave sangue de Cristo.

Mas, meus irmãos, o pecado não é a última palavra, porque Jesus morreu na cruz, não foi à toa. Ele derramou o sangue e não foi em vão; foi para nos perdoar, foi para nos dar força, foi para nos ajudar, foi para nos incentivar.

Sabe, hoje eu acordei atrasado do meu horário de costume. Eu queria acordar cedo para aproveitar bem o meu dia, mas eu acordei depois das dez, e fiquei com uma canseira, sabe? Porque, quando a gente dorme demais, a gente fica cansado; a gente não devia dormir tanto, mesmo que seja para compensar o tanto de sono que eu perdi na semana passada. Mas, enfim, acordei cansado, fiz a minha oração, entreguei o meu dia para Deus, mas dentro de mim eu senti uma certa tristeza, uma angústia, que eu não sabia de onde vinha, um desejo do pecado, sabe? E o Espírito Santo me deu a inspiração, porque eu ia para a missa à noite, mas eu fui para a missa agora, à uma da tarde, e eu ia para a adoração, sabe, para adorar Jesus no Santíssimo Sacramento, porque ele está lá, não é à toa. São Josemaria Escrivá dizia assim, que quando a gente for ao sacrário para adorar, para encontrar Jesus, lembre que há vinte séculos ele te espera. Então fui ao encontro dele.

E cheguei na igreja; estava tendo as confissões que tem todo sábado aqui, e faz mais ou menos um mês que eu não me confessava, e eu fui me confessar. Meu irmão, eu não estou brincando, isso aqui é um testemunho que eu posso dizer para você: eu saí daquele confessionário outra pessoa. Eu saí sentindo uma alegria dentro do meu peito, uma vontade de ser santo, um desejo de Deus. E eu fui adorar Jesus antes da missa, e eu olhava para Jesus no Sacramento do Altar, e brilhava, brilhava alegria dentro do meu coração, de saber que Deus me perdoa, de saber que Ele cuida de mim, Ele cuida de você também, de saber que o poder do sacramento é real. Aleluia! O poder do sacramento, o poder do perdão, meus irmãos, eu experimentei uma graça sobrenatural que eu quero partilhar com você. A graça de Deus é maravilhosa, viver no amor de Deus é maravilhoso, viver na presença de Cristo.

E hoje o Salmo da missa foi o Salmo 50, e o refrão era: "Ó Deus, criai em mim um coração puro." Como isso agrada a Deus, sabe? O mundo aí fora ensina a gente a ser impuro, ensina a gente a só pensar besteira, só pensar malícia. Você não consegue olhar para uma mulher e não a imaginar despida, você não consegue olhar para uma mulher com pureza, glorificar a Deus pelo corpo da mulher; não, a gente olha para o corpo com malícia. Mesmo as mulheres se alimentam da impureza do mundo; esse mundo é corrompido, sabe, como está escrito em 1 João, capítulo 5, versículo 19: o mundo todo já está sob o domínio do maligno. Sabe, o demônio dita como o mundo deve viver, e o mundo segue à risca; e a gente tem a Palavra de Deus aqui, que ordena a gente a ser puro, e a gente não vive isso. Mas como agrada a Deus quando ele vê no íntimo da nossa alma o desejo da pureza, o desejo de ser santo, o desejo de agradar a ele!

No Evangelho, Jesus dizia: "Deixai vir a mim as criancinhas, porque o Reino de Deus é daqueles que se assemelham a elas." E quantas vezes a gente, pela impureza, pelo nosso pecado, deixa de ter um coração de criança, de viver aquilo que Santa Teresinha dizia da infância em Deus, de ser um pequenino de Cristo, sabe? E Deus ia me inspirando na missa, porque Davi pecou, mas ele confessou o pecado. E o pedido ardente de Davi, porque ele sabia que o pecado era a razão da sua tristeza, era a razão da angústia, a razão da depressão, a razão de ele estar mal, a razão de as coisas não darem certo, a razão de tudo, de desgraça em desgraça, de praga em praga, de as coisas darem tudo errado, era o motivo de que ele estava afastado de Deus, não estava em comunhão com Deus, tinha se esquecido do que Deus tinha feito por ele. Muitas vezes, meus irmãos, eu e vocês somos assim.

Mas nós temos que fazer essa oração que Davi fez: "Ó meu Deus, criai em mim um coração puro, e renovai dentro de mim um espírito firme." Firmeza, porque nós, quando pecamos, perdemos a firmeza e ficamos moles, nos deixando levar pelos ventos do mundo, das doutrinas, do pecado, dos demônios. "Da vossa face não me rejeiteis e não me priveis do vosso Santo Espírito." Ah, meus irmãos, nós perdemos a graça do Espírito Santo, nós perdemos a presença do Espírito Santo quando nós pecamos. O Espírito Santo não habita onde existe impureza, o Espírito Santo não permanece onde reina o pecado. "Restituí-me a alegria da salvação." A alegria da salvação! O pecado nos mata, o pecado acaba com a vida de Deus em nós, o pecado nos faz perder a comunhão com Deus, o pecado faz com que a gente viva a nossa vida no orgulho, na vaidade, na prepotência, sendo o nosso próprio deus. A humilhação diante de Deus pelo nosso pecado, o pedido de perdão e a graça do perdão restituem a salvação, a alegria da salvação.

Eu experimentei isso hoje, meus irmãos, e eu quero convidar você a experimentar. Sabe, você que está afastado de Deus, você que já desistiu, você que acha que não tem jeito, você que acha que nunca vai conseguir: tem jeito, sim, meus irmãos. Deus é mais poderoso que o nosso pecado, Deus é mais poderoso que a nossa impureza, Deus é mais santo do que tudo o que a gente possa fazer. Jesus derramou o sangue na cruz, irmãos, pelos nossos pecados, pelos pecados daqueles que morreram antes dele e daqueles que morreriam depois dele; Jesus derramou o sangue por toda a humanidade. Todos os meus e os seus pecados estão lá na cruz, pregados, cravados naqueles pregos; os nossos pecados foram cravados. O pecado só tem poder sobre aqueles que não tomam posse da redenção, do sangue, das chagas de Cristo.

Se coloque nas chagas de Cristo, se coloque lá como Pedro. Eu e você muitas vezes somos como Pedro: negamos Jesus, queremos voltar para o pecado, queremos voltar para a vida velha. Mas nós podemos fazer também como Pedro: ir lá diante da cruz, daquela cruz em que ele derramou o sangue, chorar dos nossos pecados e pedir perdão, e deixar que a graça de Deus opere em nós uma obra nova de restituição, da pureza, da inocência, de um coração de criança.

Davi, conhecendo muito de perto isso, quer ensinar a mim e a você. É com esse salmo que eu quero terminar e fazer a nossa oração hoje. Salmo 31: "Feliz, feliz aquele cuja iniquidade foi perdoada, cujo pecado foi absolvido. Feliz o homem a quem o Senhor não argui de falta, e em cujo coração não há dolo. Feliz. Enquanto me conservei calado, definharam-se meus ossos, entre contínuos gemidos, pois de noite vossa mão pesava sobre mim; esgotavam-se minhas forças como nos ardores do verão."

Essa é a decisão que você tem que tomar hoje, meu irmão, independente do estado que você esteja vivendo. Essa é a decisão que mudou a minha vida hoje, e eu tenho uma alegria imensa para testemunhar. Sabe aquela alegria que você não sente? Sabe a presença de Deus que há muito tempo você não sente? Você está passando pelo deserto? Você está passando por um período de escuridão? Você está passando por um período de tribulações? Você conhece essa tentação que está batendo na sua porta, querendo te devorar? Vocês conhecem esses demônios que estão na sua cabeça de noite, impulsionando você, dando ideias para você pecar, formas para você pecar, meios para você pecar? Diga assim: eu não. Eu não quero isso na minha vida. Eu quero Deus. Eu quero Deus.

Então, se levante, saia desse buraco em que você se meteu, e tome essa decisão do versículo 5 do Salmo 31. Versículo 5: "Então eu vos confessei o meu pecado e não mais dissimulei a minha culpa. Disse: sim, vou confessar ao Senhor a minha iniquidade." Sabe o que vai acontecer? "E vós perdoastes a pena do meu pecado", independente do pecado que seja, meu irmão. O Papa Francisco dizia que Deus nunca se cansa de perdoar; somos nós que nos cansamos de pedir perdão. "Vós perdoastes a pena do meu pecado. Assim também todo fiel recorrerá a vós no momento da necessidade. Quando transbordarem muitas águas, elas não chegarão até ele. Vós sois o meu asilo das angústias; vós me preservareis e me envolvereis na alegria da minha salvação."

Meus irmãos, se você quer ser envolvido na alegria da salvação, tome essa decisão: sim, vou confessar ao Senhor a minha iniquidade. Independente do pecado que seja, Deus está de braços abertos. Sabe, como aquele filho pródigo? Nós somos aqueles que foram em busca do seu prazer, buscando querer aproveitar a vida. "Não, nós somos jovens; quando formos velhos, a gente busca a Deus." Sabe, essa tristeza tomou conta do seu ser, você se deixou envolver pelo vício, pelo pecado, e uma tristeza hoje reina na sua vida. Uma tristeza que você não sabe de onde vem. Uma situação da qual você não sabe como se libertar. Deus está esperando a gente de braços abertos. Deus está esperando a gente com uma túnica nova, com uma sandália nova, com um anel novo. Deus está preparando uma festa para a nossa volta. Mas a gente precisa se decidir, a gente precisa querer, a gente precisa desejar abandonar o pecado, porque esse é o motivo da nossa tristeza. E então, confessando o nosso pecado, ele vai nos envolver na alegria da nossa salvação.

Senhor Jesus, coloca no meu coração, no coração dos meus irmãos que vão assistir a esse vídeo, o desejo da santidade, o desejo da vida nova, o desejo de abandonar de uma vez por todas, para sempre, todos os vícios, todos os pecados, tudo aquilo que te ofende, Senhor. Sabe que nós não temos força, não temos capacidade de abandonar o pecado, nós não temos coragem, Senhor, mas dá-nos a Tua graça, o poder da Tua palavra. A Tua palavra hoje nos incentiva, Senhor, a abandonar o pecado. A Tua palavra hoje nos ensina que o Senhor vai perdoar a nossa iniquidade. A Tua palavra hoje nos incentiva a tomar a decisão de confessar o nosso pecado e a nossa iniquidade; o Senhor vai nos perdoar pelo Teu Espírito Santo.

Vem nos atrair a Ti. Em vez de a gente ficar dando ouvido aos demônios que nos incentivam ao pecado, nós queremos dar ouvido ao Teu Espírito Santo, Senhor, o Espírito que prepara a nossa volta, o Espírito que nos faz recordar quem nós somos, de onde nós viemos e para onde nós vamos, o Espírito que nos faz reconhecer o peso do nosso pecado. Que esse Espírito Santo agora aja dentro de mim, aja dentro desses meus irmãos, e nos faça recordar do Teu amor. Nos faça recordar da bela história que o Senhor escreveu, de tudo o que o Senhor preparou, de cada detalhe de que o Senhor cuidou, de tudo o que aconteceu na nossa vida, Senhor. Vem nos alcançar a graça do Teu perdão.

Prepara o nosso coração, ensina-nos a nos preparar, ó Espírito Santo, a nos confessar com o sacerdote, que age na pessoa de Cristo e que vai nos perdoar em nome de Jesus, em nome da Igreja. Espírito de Deus, traz esperança ao coração de tantos dos meus irmãos e irmãs que não creem mais, que perderam a fé, que perderam de uma forma tão terrível a esperança. Como é terrível quando o ser humano perde a esperança! Restitui agora, ó Espírito Santo, a pureza que foi perdida por tantos momentos. Tantas vezes nós, buscando o nosso prazer, nos esquecemos de Deus, esquecemos de todos os compromissos que nós assumimos com o Cristo, todas as alianças que nós fizemos com Ele.

O Espírito de Deus age agora no íntimo do interior de cada um de nós e coloca para fora tudo aquilo que está podre, tudo aquilo que está corrompido, tudo aquilo que está estragado, tudo aquilo que está sujo. E ajuda-nos a ter até a coragem de confessar tudo isso, tudo isso que se passou, tudo isso que nós ainda podemos estar planejando pecar. Ajuda-nos, ó Espírito Santo de Deus, que traz ao nosso coração a alegria e a certeza de que Deus vai nos perdoar. Deus vai nos perdoar, meu irmão, Deus vai te perdoar, e você vai poder experimentar e testemunhar a alegria que eu experimentei, que eu estou experimentando hoje: a alegria da salvação, a alegria do perdão e do amor de Cristo, nessa Quaresma de São Miguel. Que São Miguel Arcanjo livre o meu e o seu caminho do pecado, de todo mal, e nos encha da alegria do céu. Aleluia! Aleluia! Aleluia! Aleluia!

Obrigado, Senhor, porque mais uma vez, nessa formação, o Senhor fala conosco, o Senhor nos inspira, o Senhor nos toca, o Senhor nos salva, o Senhor nos toca. Que, pelo mistério da tua cruz sagrada, nós sejamos libertos. A cruz sagrada seja a minha luz, não seja o dragão o meu guia. Retira-te, Satanás, nunca me aconselhes coisas vãs. É mal o que tu me ofereces; bebe tu mesmo do teu veneno. E assim seja. Eis a cruz do Senhor: fugi, potências inimigas, porque venceu o Leão da tribo de Judá. Que Deus nos abençoe e nos confirme nessa caminhada, que nós queremos continuar seguindo com toda a alegria do perdão, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.